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sexta-feira, 13 de julho de 2012

Coleção Completa Julio Verne, RBA





Em Julho de 2009, uma coleção de Julio Verne chegou as bancas brasileiras pela editora RBA. Mais de três anos depois de seu lançamento, vernianos ainda tem dúvidas a respeito dos rumos da coleção.

É uma pena observarmos que uma coleção tão interessante, bem acabada e com preço acessível tenha tido uma distribuição precária em nosso país. Até hoje, muitos leitores tem a coleção incompleta, sem saber ao certo quanto números foi lançado em relação a versão portuguesa da coleção, na qual se baseia a brasileira.

Ao contrário de alguns leitores que não conseguiram encontrar os livros nas bancas, na ocasião de seu lançamento quinzenal, conseguimos ir até o fim da coleção, completando os sessenta números lançados. Porém, há na lista oficial da editora três números extras que não são possíveis de encontrar informações sobre seu lançamento de fato.

Além desses três títulos fantasmas, faltou a publicação da primeira parte de uma história dividida em duas. Publicação que provavelmente nunca sairá, fazendo com que os leitores procurem outra versão para lê-la integralmente.

A lista abaixo apresenta os 60 livros lançados desde julho de 2009 até o término da coleção. De acordo com a editora Publisher Comércio Internacional Ltda. (numerosatrasados@publisher.com.br) não há mais números atrasados em estoque. Restando a aqueles que não conseguiram algum número procurá-los em sebos físicos ou em virtuais como Estante Virtual e Mercado Livre (A Loja Jovem Banca tem álguns títulos - aparentemente em estoque - em seu site). 

É lamentável que embora a editora tenha realizado um bom projeto, o mesmo não teve o alcance necessário para que todos os vernianos interessados na coleção pudessem adquirí-la.

A lista completa segue abaixo:


01 - A Volta ao Mundo em Oitenta Dias
02 - Vinte Mil Léguas Submarinas
03 - Cinco Semanas em Balão
04 - Viagem ao Centro da Terra
05 - Da Terra a Lua
06 - Os Filhos do Capitão Grant: Na América do Sul
07 - Os Filhos do Capitão Grant: Na Austrália Meridional
08 - Os Filhos do Capitão Grant: No Oceano Pacífico
09 - Miguel Strogoff
10 - A Escola dos Robinsons
11 - A Roda da Lua
12 - Um Herói de Quinze Anos
13 - A Ilha Misteriosa: Os Náufragos do Ar
14 - A Ilha Misteriosa: O Abandonado
15 - A Ilha Misteriosa: O Segredo da Ilha
16 - Atribulações de um Chinês Na China
17 - Os Quinhentos Milhões da BEGUN
18 - Aventuras do Capitão Hatteras: Os Ingleses No Pólo Norte
19 - Aventuras do Capitão Hatteras: O Deserto de Gelo
20 - Dois Anos de Férias
21 - Uma Cidade Flutuante
22 - Aventuras de Três Russos e Três Ingleses Na África Austral
23 - A Jangada
24 - César Cascabel
25 - As Índias Negras
26 - Heitor Servadac: O Cataclismo Cósmico
27 - Heitor Servadac: Os Habitantes do Cometa
28 - O Raio Verde
29 - Os Náufragos do Jonathan – 1ª Parte
30 - Os Náufragos do Jonathan – 2ª Parte
31 - A Estrela do Sul
32 - Os Piratas do Arquipélago
33 - Matias Sandorf – 1ª Parte
34 - Matias Sandorf – 2ª Parte
35 - Kéraban – O Cabeçudo
36 - Robur – O Conquistador
37 - Norte Contra Sul
38 - O Caminho da França
39 - A Casa a Vapor
40 - O Castelo dos Cárpatos
41 - A Invasão do Mar
42 - Família Sem Nome
43 - Em Frente da Bandeira
44 - Os Exploradores do Século XIX – 1ª Parte
45 - A Agência Tompson & Cia. – 1ª Parte
46 - Os Navegadores do Século XVIII – 2ª Parte
47 - A Esfinge dos Gelos
48 - A Ilha de Hélice
49 - A Mulher do Capitão Branicon
50 - A Agência Tompson & Cia. – 2ª Parte
51 - Clóvis Dardentor
52 - A Descoberta da Terra – 1ª Parte
53 - O Náufrago do “Cynthia”
54 - O País das Peles – 1ª Parte
55 - O Soberbo Orenoco
56 - O País das Peles – 2ª Parte
57 - A Descoberta da Terra – 2ª Parte
58 - A Carteira do Repórter
59 - Os Exploradores do Século XIX – 2ª Parte
60 - Um Drama na Livônia


Podcast Cego Em Tiroteio

O blog Cego em Tiroteio, do amigo Victor Caparica, lançou mês passado um podcast sobre literatura. Com episódios quinzenais, o programa alterna análises de romances e contos da literatura universal.

Gostaria de convidar a todos nossos leitores para conhecerem o podcast. Vocês podem me encontrar por lá também na equipe de produção do programa. Ainda que seja suspeito para falar, o podcast está excelente e discute com propriedade a literatura que, muitas vezes, é mal falada na rede.

Dois programas estão no ar, o primeiro sobre o livro de contos Coisas Frágeis, de Neil Gaiman. E o segundo analisando o conto O Desempenho, de Rubem Fonseca, presente em seu terceiro livro Lucia McCartney.

Fica o convite para que ouçam nosso podcast.




sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Na Multidão, Luiz Alfredo Garcia-Roza

"Com uma das mãos, a mulher pressionava a bolsa contra o peito enquanto com a outra segurava um pedaço de papel que consultava repetidamente. O painel luminoso localizado acima dos guichês da agência da Caixa Econômica indicava dois números: um correspondia à senha e outro indicava o guichê de atendimento. Fazia mais de uma hora que ela estava sentada em meio a dezenas de outros aposentados e pensionistas esperando ser atendida. Sabia que se deixasse passar seu número teria que retirar nova senha (acontecera no mês anterior, quando se ausentara para ir ao banheiro). "


Autor: Luiz Alfredo Garcia-Roza
Editora: Cia Das Letras
184 pag.



O nascimento do Delegado Espinosa data de 1996. Ano de lançamento de O Silêncio da Chuva, do psicanalista Luiz Alfredo Garcia-Roza. Mesmo recente no panteão de personagens da literatura brasileira, seu nome já figurou em listas que apontavam nossas melhores personagens.

A inclusão do delegado nessa lista não causa espanto. O detetive de Garcia–Roza foi desenvolvido com cuidado genuíno. Além de bem caracterizado no esteriótipo de um policial, há uma indefectível originalidade brasileira. Um homem pacato com a mesma rotina semanal, sem arroubos de criatividade, incomodado se precisar pegar em uma arma, cujo poderio principal é a mentalidade.

Publicado em 2007, Na Multidão é o sétimo livro a apresentar o delegado como sua personagem central. Em relação aos romances anteriores é a trama mais enxuta. Enredo apresentado de maneira simples, direta ao caso, sem rodeios. Diferenciado-se do estilo tradicional do suspense que desenvolve amplamente a ambientação em primeira estância, depois os crimes.

Mais que ser a personagem central, é a própria lembrança de Espinosa que é posta em xeque. A trama desenvolve-se entre um crime atual que pode ter ligações com o passado memorial do detetive. Um reencontro com as lembranças de infância situadas em um limbo.

A narrativa é a que mais se aproxima da formação inicial do autor. A infância do delegado tem laços em comum com um suspeito, aproximando-os como um reflexo oposto no espelho. Não só essa característica envereda pela análise psicológica como uma cena entre as personagens simula o trabalho terapeutico do diálogo em busca de um significado.

A ação da trama fica em segundo plano para que se compreenda as motivações, em destaque para a importancia do caso para o próprio delegado. Para isso, a inteligencia investigativa de Espinosa trabalha dentro de si. Resultando no livro mais íntimo para a personagem.

Diante de um cenário policial brasileiro um tanto desolado – ou composto por narrativas que corropem a base do gênero, perpetuados por Rubem Fonseca – Luiz Alfredo Garcia–Roza é uma voz que trabalha com a tradição e dela traz sua originalidade.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O Perfume, Patrick Süskind

"No século XVIII viveu na França um homem que pertenceu à galeria das mais geniais e detestáveis figuras daquele século nada pobre em figuras geniais e detestáveis. A sua história é contada aqui. Ele se chamava Jean-Baptiste Grenouille e se, ao contrário dos nomes de outros geniais monstros como, digamos, Sade, Saint-Just, Fouché, Bonaparteetc, o seu nome caiu hoje no esquecimento, isto certamente não ocorreu porque Grenouille tenha ficado atrás desses homens das trevas mais famosos em termos de arrogância, desprezo à raça humana, imoralidade, ou seja, em impiedade."[...]
Autor: Patrick Süskind
Editora: BestBolso / Record
280 pag.

Tradução de Flavio R. Kothe


Hoje, depois de pelo menos umas três horas deitada em minha cama em no máximo duas tentativas de posição confortável, terminei de ler O Perfume - A História de um assassino (Das Parfum no título original), a belíssima obra-prima de Patrick Süskind que conta a história de um jovem que, desde pequeno, tem posse do mais extraordinário poder olfativo que jamais existiu na face da Terra.

O personagem Jean-Baptiste Grenouille é retratado na ficção como um sujeito alheio ao mundo, solitário, que nunca recebeu nenhuma forma de amor. Porém, ele tem um dom. Seu único talento, o de buscar, selecionar e categorizar aromas o leva a procurar seu verdadeiro sentido da vida: descobrir um perfume único e capaz de provocar profundo estímulo em quem sentir seu aroma.

O livro todo é cheio de referências tão bem descritas que dá ao leitor a sensação de estar dentro da loja de perfumes e especiarias de Giuseppe Baldini, ou dentro de uma cena de crime, ou diluindo em álcool suas fragrâncias preparadas para a realização de seu projeto pessoal. A narrativa, não-estática, ora nos leva a ficar na posição de Grenouille ou na dos outros personagens com quem ele convive. O narrador está sempre em uma posição de transcendência no relato dos acontecimentos, tendo o conhecimento de tudo o que está ocorrendo. A descrição dos cheiros - bons e ruins - que percorrem toda a narrativa, como disse antes, é tão importante que o narrador parece inserido nas ações de forma muito íntima.

A linguagem é um ponto marcante na história. Algumas vezes isso chegou a me assustar, pois dentro de uma descrição bela de uma fragrância, o autor utiliza-se de substantivos de forte carga semântica, como larvas, putrefação, dentre outros, que tornam o relato às vezes bastante incômodo... acredito que uma história tão destrutiva como é O Perfume garante seu tom exatamente por isso: pela maneira com que o autor trabalha as palavras positivas e negativas de forma tão brilhante.

Em 2006 foi realizada uma adaptação cinematográfica da história, mostrando as artísticas atrocidades de Grenouille. Exatamente como no livro, ele isenta seus outros quatro sentidos para dar vez a seu olfato poderoso. Algumas partes do livro não foram mostradas, como por exemplo a redenção de Grenouille após sua exclusão do mundo em sua caverna, com a ajuda do Marquês de La Taillade-Espinasse, que utiliza-se dele como cobaia em um experimento científico, ou na enorme descrição do sucesso dos perfumes de Baldini. Talvez partes significativas na história publicada em livro não tivessem significados tão importantes para o cinema, mas é um filme bastante fiel à obra literária como um todo. E o garoto que encarnou o personagem principal é extremamente verossímil, quase tão parecido quanto o Grenouille imaginado (por mim) no texto escrito...

A obra, por conta de tantos méritos, tem um espaço todo especial em minha estante de livros e em minha memória literária, dando um sentido ainda mais belo ao conceito de primeira leitura do ano.

domingo, 5 de dezembro de 2010

O Guerreiro Solitário, Henning Mankell

"Antes do amanhecer ele deu início à sua transformação.
Havia planejado tudo meticulosamente, de modo que nada pudesse sair errado. Levaria o dia inteiro, e não queria correr o risco de que o tempo não fosse suficiente. Pegou o primeiro pincel e o segurou à sua frente. No gravador de fita cassete que estava no chão podia ouvir a batida de tambores que havia gravado. Estudou seu rosto no espelho. Então desenhou as primeiras linhas pretas ao longo da testa.
"

Autor: Henning Mankell
Editora: Cia Das Letras
488 pag.

Tradução de George Schlesinger





Mesmo que a comparação fique em um ideário romântico de leitura, vejo a literatura policial fazendo jus ao seu estilo um tanto quanto marginalizado. Há um bom grupo de leitores do gênero, lançamentos mensais são uma prova disso. Porém, pouco se fala a respeito. Consagrando a idéia equivoca de que seu texto é mais ralo, sem tanta construção narrativa. Lê-se sim, mas não se produz crítica a respeito.

Parecendo tal idílio romântico de leitura que, como investigações, têm de ser feita as escuras, sem muito alarde. Uma bobagem que ressalta, pela segunda vez, certo preconceito que se fez com tal gênero.

Fato é que diversos países não só consomem assiduamente tal literatura como possuem seus mestres. Além do cânone primordial do crime, como Agatha Christie, Conan O´Doyle, George Simenon, autores contemporâneos que galgaram em seu país de origem um título pomposo por suas histórias de qualidade.

Evidente que leitores brasileiros podem achar risível a idéia de um escritor cânone do crime no país. Já que no Brasil há pouca produção de tal literatura. Há mais recursos do gênero destilados em obras, como em textos de Rubem Fonseca e Marçal Aquino, do que narrativas tradicionais envolvendo detetives e casos policiais. Dessa lavra, o Delegado Espinosa de Luiz Alfredo Garcia-Roza é um excelente, e talvez único, representante.

Consideradas tais afirmativas, Henning Mankell é um escritor sueco que ganhou o pomposo título de rei do crime pelo jornal The Economist. Seus livros somam, no Brasil, cinco títulos lançados. Seguindo o estilo tradicional da produção de autores do gênero: apresentar um personagem marcante - em sua obra o inspetor Kurt Wallander - que é ponto central da trama. Artifício que mantém uma seqüência lógica na construção da personagem, muitas vezes destroçada após um caso ruim, e aprofunda ainda mais a potencia de sua humanidade.

O último lançamento a despontar aqui foi O Guerreiro Solitário, lançado com quinze anos de atraso de seu original. Porém, em pesquisa efetuada no site oficial do autor, a publicação do livro ao menos prossegue a ordem cronológica oficial. Dando para o leitor a possibilidade de acompanhar, sem pulos, a evolução natural da personagem.

A trama situa o inspetor prester a sair de férias mas vendo-se obrigado a se encarregar de estranhos casos de suicídio e assassinato que, aparentemente, como regem a cartilha, não possuem conexão. Seguindo a linha de um bom policial, contrariando a namorada ansiosa pela viagem, abdica de suas férias para não perder o rumo das investigações.

A personagem central criada por Mankell possui nenhum atributo extra, sendo um policial típico. Sem arroubos de genialidade ou capacidade dedutiva brilhante.

O progresso da investigação, realizado ao lado de sua equipe, é feita de maneira minuciosa com qualquer pequeno detalhe que possa ser uma pista. Não importando quanto tempo leve para desvendar as dificuldades que apareçam em sua frente. Um exercício de suor, cansaço físico e mental.

A tangibilidade de suas personagens heróicas fomentam a crueza e realidade da narrativa. Refletindo detetives e policiais esforçados que podem estar presentes em qualquer delegacia. Representando um aspecto profundo de verossimilhança.

A edição da Companhia das Letras faz parte da boa, e bela, coleção policial da editora que, recentemente, repaginou seus lançamentos. Trocando as capas em branco e preto por imagens mais coloridas, mas ainda sem mudar o bom padrão das bordas em cores.

Ainda sem uma segunda tiragem, é notavel alguns erros de digitação que passaram desapercebidos pela equipe de revisão e que devem ser corrigidos em prensagens futuras. Porém, tal problema é um mero detalhe.

O único que talvez possa confundir alguns leitores seja referente a tradução da obra. Originalmente composta em sueco, a edição brasileira foi traduzida da versão inglesa, embora tal informação seja um pouco equivocada no verso da folha de frente.

Tal recurso é um processo delicado mas utilizado por algumas editoras que, por não terem especialistas em uma língua considerada mais difícil, encontram em uma versão uma tradução mais fácil de se verter. O que não pode ser considerado exatamente ruim, já que uma tradução de outra pode fluir melhor do que uma direta de uma língua que não possui bons tradutores no país. Resta ao leitores a esperança de que a tradução da tradução que foi lida seja o mais próximo que se pode chegar da obra original do autor.


domingo, 28 de novembro de 2010

A Odisséia de Homero, Gwen Cooper

"A rotina quando eu chego em casa no fim do dia é sempre a mesma.
A campainha do elevador é a primeira pista para seus ouvidos sensíveis de que estou chegando. Quando a chave entra na fechadura, já posso perceber a pressão leve das patinhas do outro lado da porta. Reparei que costumo abrir todas as portas – até mesmo na casa de outras pessoas – com cuidado para que nenhum danadinho peludo acabe fugindo."

Autora: Gwen Cooper
Editora: Sextante
284 pag.

Tradução de Fabiano Morais




Mercados editorais seguem tendências naturais de consumo. Editoras esforçam-se para possuir em catálogo um livro concorrido que resulte em grandes tiragens e altas vendas. Ainda que, inevitavelmente, alguns leitores façam reclamações quanto a tais livros – os populares Best Sellers - são eles que garantem parte da renda mensal de uma editora, sendo capaz de proporcionar o lançamento de livros que, ainda com certo público, não terão muito apelo nas vendas.

Uma reflexão com um leve retrocesso temporal deixa claro o fluxo das tendências. O bruxo Harry Potter trouxe a magia para o primeiro plano; os vampiros que brilham de Stephanie Meyer deu outra dimensão a seres quase mortos – abrindo espaço também para zumbis, lobisomens e outros nichos; Dan Brown com seu O Código da Vinci apimentou as teorias conspiratórias embasadas em fatos históricos que simulam a realidade e John Grogan trouxe a tona o sentimento catártico e sensível que os humanos sentem por seus animais de estimação em Marley e Eu.

Quatro exemplos de temáticas diferentes resultam em, no mínimo, cinqüenta livros lançados nos últimos anos. Ainda que nem todos galguem a fama de mais vendidos, o filão conquista público que se interessou pela temática e aproveita a onda para apresentar outras histórias.

Mesmo que livre de qualquer preconceito sobre histórias, resultando em uma vasta – e variada – biblioteca, não posso deixar de admitir que enredos envolvendo animais sempre trouxeram-me incomodo.

O apelo sempre se torna maior do que a história em si. O leitor sente-se emocionado, pois, quem tem qualquer animal de estimação sabe que cada um tem um temperamento, e as vezes deixa de perceber que tal narrativa não possui talento além de algumas lágrimas furtivas.

Dentre os animais que guardamos no coração e passam por nossa vida, confesso que sou um amante de felinos. Me fascina a austeridade e a maneira furtiva na postura, o olhar sedutor e superior ao nos fitar. Esse texto só não acompanha a crítica feroz de minha bela gata loira porque, nesse momento, ela resolveu ficar de costas para mim – e para qualquer outra pessoa – dando a entender que está em um momento de sono e reflexão.

A Odisséia de Homero – título que remete ao famoso poema epopéico escrito na Grécia antiga – narra à prodigiosa história do gatinho Homero que, por causa do abandono nas ruas, perdeu a visão.

É com extrema paixão que sua dona, Gwen Cooper, narra as peripécias do felino. Partindo desde o primeiro encontro, no veterinário, quando ainda era uma bolinha de pelos que cabia em sua mão, até seu período maduro.

A presença de um animal, ainda mais desprovido de visão, desperta carisma imediato em seu leitor. Mas é devido a uma narrativa divertida e bem fluida que a vida de Homero transforma-se, de mais uma história de animais, para uma bela e boa história.

Cooper preocupa-se em construir um bom enredo que, utilizando seu amor por felinos como tema central, desenvolve-se além dele, abarcando as fases de sua própria vida e a construção dela acompanhada pelos seus três gatos que, naturalmente, fazem parte da família.

Ainda com a trama centrada no felino cego, Gwen discorre sobre a problemática em ser uma mulher de trinta anos que vive o trauma recente da separação e como nossos bichos de estimação, mesmo que de maneira muda e intraduzível, adentram nossa vida e nos presenteiam com sua peculiaridade ao dividir a vida conosco.

A essência sentimental da trama é inevitável. Mas vem carregada de um desenvolvimento que aproxima ainda mais o leitor e atinge seu momento crítico quando os felinos são obrigados a ficar sozinho em seu apartamento, proporcionando uma seqüência emocionante de fatos.

A Odisséia de Homero merece ser pinçada dentre os lançamentos do gênero. Mesmo que sua aptidão seja por outro animalzinho, é impossível não se apaixonar por Homero.

O livro traz em cada capítulo uma imagem do bichano e entrevistas com a autora e o gato tira colo estão disponíveis facilmente na internet.

domingo, 8 de agosto de 2010

Lua Nova, Stephenie Meyer

"Parecia que eu estava presa em um daqueles pesadelos apavorantes em que você precisa correr, correr até os pulmões explodirem, mas não consegue fazer com que seu corpo se mexa com rapidez sufi ciente. Minhas pernas pareciam se mover com uma lentidão cada vez maior à medida que eu lutava para atravessar a multidão insensível, mas os ponteiros do enorme relógio da torre não eram lentos. "

Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
480 pág.

Tradução de Ryta Vinagre




Último Best Seller mais comentado dos últimos tempos e, arrisco, o mais vendido após a saga do bruxo Harry Potter, a saga Crepúsculo mudou o conceito sobre vampiros em âmbito mundial.

Basta procurar em qualquer sistema de busca palavras como “Crepúsculo” ou o nome da mocinha principal, Bella, que imagens da capa do filme e da atriz Kirsten Stewart apareceram aos milhares na tela. Sendo quase impossível encontrar uma imagem de um crepúsculo original ou de outra Bella.

Não necessariamente estrondo de vendas reflete uma série de qualidade, produzindo uma narrativa rasteira e em sua maioria monótona. O segundo romance da saga, Lua Nova, retoma os acontecimentos do final do primeiro e tenta introduzir novos elementos dramáticos que são rasos em sua execução.

Na continuação, após um acidente envolvendo Bella e a família de seu namorado, Edward Cullen, o vampiro decide que é melhor afastar-se da amada para que ela viva sem perigos. Simula uma cena em que assume que não a ama e a deixa em sua tristeza que a transforma em alguém afastada de seus amigos, por meses.

Tentando voltar a realidade, Bella vai até a cidade vizinha e, em um momento de perigo, tem uma alucinação com Edward, alertando-a sobre o risco que pode correr. A partir de então, a garota começa a se aventurar para rever mentalmente o amado. Ao mesmo tempo em que, numa premonição, a irmã de Edward diz que Bella esta morta e ele decide, com a dor de ter perdido-a, entregar-se a um clã de vampiros para clamar pela própria morte.

A escrita de Stephenie Meyer está longe de ser aceitável. Além da repetição de metáforas em excesso, o argumento é uma alta dose de melodrama, transformando a ação em algo inócuo e superficial.

Boa parte da problemática surge das personagens: a mortal Bella, a personagem chave da trama e elemento de identificação de muitos leitores, é composta de maneira rasa. Sua contraparte, Edward Cullen, anula toda o conceito de sensualidade dos vampiros, sendo uma personagem afetada e politicamente correta. Um vampiro vegetariano, por assim dizer. Tratado na narrativa como uma personagem de corpo frio, seu contato amoroso se torna patético e nada atraente.

Quem mais ganha contornos de um bom elemento é o lobisomem Jacob Black, a terceira ponta do triangulo amoroso. O trecho que narra suas aventuras com Bella, enquanto Cullen permanece distante da história, é a parte menos risível do romance. É nítido que o lobisomem é um personagem muito melhor e até mais desenvolvido que Cullen mas, evidentemente, serve apenas como escopo para criar ciúmes na história de amor.

Novamente, repetindo o estilo de Crepúsculo, a história se prolonga por tempo demais, caminhando sem um gancho narrativo que, de fato, seja significativo. Sendo apenas uma longa ligação para o terceiro romance. Parecendo mais um parêntese da história, do que ela em si.

Independente do alto grau melodramático, a saga continua vendendo, levando público também aos cinemas e, aquilo que considero sua marca mais infeliz, mudando a visão que temos dos vampiros para sempre.

domingo, 1 de agosto de 2010

Desculpa Se Te Chamo de Amor, Frederico Moccia

"No início você sentará um pouco longe de mim, assim, na grama. Eu olharei para você com o canto dos olhos e você não dirá nada. As palavras são uma fonte de mal-entendidos. Mas a cada dia você poderá se sentar um pouco mais perto… Se você vier, por exemplo, todas as tardes, as quatro, a partir das três eu começarei a ser feliz. Com o passar da hora, minha felicidade vai aumentar."



Autor: Frederico Moccia
Editora: Planeta

424 pág.




Essência que move muitos humanos, o amor, dizem frases universais, pode ser encontrado onde menos se espera. Penetrando no minado campo de relacionamentos, o escritor Federico Moccia dá vazão a uma história contemporânea sobre desencontros, entendimentos e esse sentimento único.

Alex tem 37 anos, é considerado um publicitário de sucesso que recentemente sofreu o abandono de sua esposa. Niki é uma garota de 17 anos cujas preocupações da vida adulta ainda não permanecem em sua cabeça. Um breve acidente de transito colocará a vida das duas personagens no mesmo caminho.

Ainda que tal trama seja conhecida do público, caindo em exageros, a narrativa de Moccia é fluída. O autor não poupa adjetivos para integrar o leitor das sensações que sentem suas personagens, chegando a, normalmente, elencar virgula após virgula diversas metáforas simbólicas.

Seu casal central tem bastante apelo e a diferença de mundo em que vivem dá amplo espaço para a narrativa. Mas peca quando, descontente de narrar apenas a história do casal, Moccia se aventura a apresentar histórias em paralelo, de maneira novelesca, freando a história central e que se encontraram no desenlace idílico que acompanha o tom sem pessimismo da história.

Em tempos onde a maioria dos romances são elevados por causarem uma desconstrução do amor, Desculpa Se Te Chamo de Amor trabalha de maneira oposta. Valendo-se da premissa de que, como afirmado acima, o amor move as pessoas e nasce de locais inimagináveis.

É composto para ser uma leitura leve, sem comprometimento, apresentando ao leitor uma agradável história, apenas.

Os maiores desconcertos da trama não vêm de seu autor e sim da Editora Planeta, responsável pelo lançamento do livro no Brasil. Mesmo quem não tem um contato mais formal com a língua portuguesa pode perceber pela leitura que há diversos momentos cujas passagens parecem demasiadamente confusas. Dando a sensação de que ou a tradução foi feita com apoio a um programa de tradução – que não entende duplos sentidos e nem frases subentendidas – ou tal tradutor fez sua versão às pressas.

Em rápida pesquisa durante a leitura do livro, foi apurada uma dessas falhas que, de maneira alguma, deveria ser passada despercebida pelo tradutor. Uma expressão que, na língua original, supre uma das palavras, mas que, em nossa língua, fica sem sentido aparente. Em toda ocorrência dessa expressão, surge o erro. O que nos faz questionar qual editora escora sua tradução em quem não compreende bem a língua ou, por ventura, precisa de um tradutor eletrônico para fundamentá-la.

Falhas com essa não são tão comuns em nosso mercado editorial, mas é necessário que as editoras fiquem atentas. Infelizmente nenhuma delas interromperá a venda de seu material por causa de erros gritantes, restando aos leitores o protesto, esperando uma possível correção na segunda edição, ou a perpetuação da grosseria que a voracidade de lançar livros pode gerar.


domingo, 25 de julho de 2010

A Caixa Vermelha, Rex Stout

"Wolfe olhou, com os olhos bem abertos, para o nosso visitante - o que nele era um sinal de indiferença ou de irritação. No caso presente, era óbvio que estava irritado.
"Repito que é inútil, senhor Frost", declarou. "Jamais saio de casa a negócios. A obstinação de ninguém pode me coagir a fazer tal coisa. Já lhe disse há cinco dias. Boa tarde, senhor.""

Autor: Rex Stout
Editora: Companhia Das Letras
328 pág.


Tradução de Ernst Weber








Detetives de tramas policiais raramente são apresentados em somente um romance. Dando coerência a uma carreira de investigações que podem somar-se erros e acertos, um autor sempre trabalha diversas vezes com uma personagem que se torna sua querida e conquista espaço em diversos de seus romances.

O escritor Rex Stout preocupado em escolher um detetive que marcasse definitivamente seu nome na literatura optou por escolher o maior detetive já conhecido na literatura policial. Nero Wolfe possui um peso tão mórbido que recusa-se a sair do conforto de casa. Realizando a investigação à distancia. Com uso de sua sapiência e informações colhidas por seus assistente Archie nas cenas do crime.

Dois motivos fazem com que o grandalhão Wolfe cesse sua rotina de investigações: a avidez pelos almoços preparados pelo cozinheiro de confiança e as horas que passa na estufa cuidando de sua preciosas orquídeas, momento em que odeia ser interrompido.

Mas do que uma boa trama de suspense, amarrada e bem escrita, a personagem central de Stout se torna um espetáculo a parte por sua coleção de excentricidades. Wolfe é um homem tempestuoso que quando não cordena a investigação expulsa amigos da sala, finge não prestar atenção nas deduções dos outros e, principalmente, tem certo apreço por cenas. Cenas em que pode brilhar e demonstrar todo o poderio de sua mente brilhante.

Em A Caixa Vermelha, situada em Nova York de 1936, uma jovem morre após servir-se de um bombom envenenado. E cabe ao detetive e seu fiel parceiro descobrir se tal morte fora contratada ou apenas acidental, visando outra vitima maior, um magnata da moda chefe da jovem morta.

Apoiando-se em depoimentos e em olhares de terceiros, Nero Wolfe é capaz de observar minúcias como se estivesse horas na cena do crime e ir, aos poucos, desfiando o novelo repleto de dúvidas para encontrar os motivos que levaram ao crime e seus culpados.

Sem dúvida, Rex Stout elevou ao máximo o conceito de um detetive afetado que faz uso da ciência do saber para concluir seus casos. Ao excluí-lo das próprias cenas dos crimes, o autor comprova que uma mente bem aguçada pode ser mais nítida do que testemunhas oculares.

Sua narrativa densa cria uma boa trama de suspense e mistério, com bastante coesão e lineariedade. Não bastando a boa narração, ainda se aproveita do estilo da época, a decadência americana de trinta, para apresentar diversos esteriótipos fracassados que funcionam com perfeição em uma trama onde muitos tem de esconder suas verdadeiras intenções.


domingo, 18 de julho de 2010

A Estrada da Noite, Joe Hill

"Jude tinha uma coleção particular.
Tinha desenhos emoldurados dos Sete Anões na parede do estúdio, entre seus discos de platina. John Wayne Gacy, O "Palhaço Assassino", fizera os esboços quando estava na cadeia e os mandara para ele. Gacy gostava da Disney dos anos dourados quase tanto quanto gostava de molestar crianças pequenas, quase tanto quanto gostava dos discos de Jude."

Autor: Joe Hill
Editora: Sextante
320 pág.

Tradução de Mario Molina





Em uma livraria, a prateleira dedicada ao gênero de Terror sempre fica escassa ou dedicada à algumas obras clássicas como Drácula de Bran Stoker, Frankstein e Médico e o Monstro.

A explicação para poucos lançamentos bons no gênero deve-se a um engano que a maioria dos leitores pode, sem querer, imaginar. Que por parecer uma composição um pouco mais ligeira, utilizando-se da atmosfera da trama, tais histórias seriam menores.

Porém, entre a composição de uma trama dramática e a de terror, há a mesma dedicação costumeira. No caso de uma trama assustadora é necessário ainda mais habilidade para tornar um enredo aparentemente absurdo em um argumento crível, possível de aceitação e, a partir dele, desenvolver uma história fantástica.

Mencionar o gênero sem falar de Stephen King é excluir um dos mestres contemporâneos. Em suas próprias palavras, sua intenção nunca foi de criar uma composição primordial e elevada, apenas conduzir uma boa história com sustos, provocando o medo no leitor.

Primeiro romance de Joe Hill - que, por essas curiosidades, é filho do mestre do terror - A Estrada da Noite é uma excelente narrativa que demonstra a força do gênero de Terror.

Situando o público em uma história sobrenatural, sem perder em nenhum momento a narrativa ácida e a ironia, a trama nos apresenta Jude. Um ex-roqueiro cinqüentão que, como segue a cartilha, faz pose de excêntrico. Tem como hobby colecionar artefato macabros, confirmando seu estilo diabólico.

Fascinado por um leilão visto online por seu assistente Danny, Jude decide comprar uma alma penada, incrédulo. Mas o produto chega com um casaco dentro de uma caixa em formato de coração (título da obra em inglês) e muda, para pior, a vida do roqueiro.

Apoiando-se em uma história aparentemente improvável, Joe Hill demonstra seu talento em não só criar uma atmosfera assustadora, como também segurança em conduzi-la com cuidado, sem medo de apresentar situações que sejam anormais. Fundamentando bem os argumentos da trama como Jude investigando o porque tal alma é assombrada e deseja matá-lo, se torna rapidamente aceitável e altamente aterrorizante.

Com uma boa narrativa que nem se antecipa, nem se encerra abruptamente, Hill conduz o leitor por toda a angustia que a personagem sofre. Produzindo cenas imagéticas ao estilo cinematográfico – o romance, alias, já foi comprado para virar filme.

Sem dúvida, Joe Hill cresceu lendo muito dos romances e contos do pai, inspiração notável em sua narrativa que, mesmo coerente com o enredo, sempre possui momentos para descontraí-lo. Mas tão notável quanto é o talento desse escritor que, logo em seu primeiro romance, é capaz de produzir um argumento firme. Certeiro e cativante.

A Estrada da Noite foi lançada pela Editora Sextante que também lançou posteriormente sua primeira coletânea de contos, intitulada Fantasmas do Século XX. De acordo com informações da própria editora há mais do autor a ser lançado. Recentemente Joe Hill publicou seu segundo romance, “Horns”, que em breve chega em nossas terras.


sábado, 10 de julho de 2010

O Presidente Negro, Monteiro Lobato

"Achava-me um dia diante dos guichês do London Bank à espera de que o pagador gritasse a minha chapa, quando vi a cochilar num banco ao fundo certo corretor de negócios meu conhecido. Fui-me a ele, alegre da oportunidade de iludir o fastio da espera com uns dedos de prosa amiga.
- Esperando sua horinha, hein? - disse lhe com um tapa amigável no ombro, enquanto me sentava ao seu lado."



Autor: Monteiro Lobato
Editora: Globo
208 pág.






Relançado pela Editora Globo em uma bela coleção que contempla a obra adulta de Monteiro Lobato, O Presidente Negro, ganhou destaque em diversas notícias brasileiras na época da eleição do presidente Barack Obama, o primeiro presidente negro americano. Notícias traçavam uma relação tênue do fato histórico com a obra de ficção de Lobato, uma precursora capaz de prever tal eleição.

Escrito inicialmente em 1926, publicado com o nome de O Choque das Raças, o romance é o único do autor. E apóia na ficção cientifica para produzir sua narrativa futurista.

Fato é que a literatura de Monteira Lobato é bastante conhecida no Brasil, principalmente em sua faceta infantil no incrível Sítio do Pica Pau Amarelo. Sua importância no cânone brasileiro é alta, tanto que sua obra é abrangida na cartilha de estudo dos colégios. O que pode despertar preconceito em desavisados, supondo que sua narrativa seja chata, como a maioria das pessoas afirmam sobre os literatos estudados em sala de aula.

Lobato é um excelente prosador, com um estilo fluído, equilibrando-se entre a escrita e um estilo oral de narrar. Em sua história, conhecemos Ayrton um desastrado cobrador que, ao sofrer um acidente na estrada, é resgatado pelo professor Benson. Benson é um recluso cientista genial que, dentre as diversas invenções feitas, criou o porviscópio. Um dispositivo que permite ver o futuro, como quem vê a um filme.

Através do cientista e de sua filha, Jane, Ayrton conhece a disputa da Casa Branca no ano de 2228, onde há uma divisão entre o eleitorado branco, mulheres e os negros. Com a eleição do primeiro presidente negro, brancos e mulheres incapazes de aceitar tal condição, elaboram um plano para acabar de ver com o chamado problema negro.

O romance de Lobato funciona a maior parte do tempo. Quando somos apresentados as personagens centrais, e convidados para conhecer a tal cidade americana futurista, a narrativa flui com bastante elegância. Porém, quando a trama adentra diretamente a história dos negros em 2228, o enredo se torna arrastado e as soluções encontradas pelo escritor permanecem em uma tênue linha entre uma crítica ou um gigantesco preconceito.

É por não decidir-se entre a agressão definitiva ou a crítica que a parte final de seu romance perde o fôlego. As idéias racistas defendidas por Lobato são anteriores a esse romance, e o acompanharam desde o fim de sua vida.

Apesar do reticente desenlace final, é surpreendente a visão futurista de Lobato, que previu diversas invenções, utilizando-se de recursos criativos da literatura. Dando nova dimensão a o que seria o jornal, os jogos, e diversos objetos ainda não conhecido em sua época.

Até mesmo o pessimismo explícito no livro denota muito do sentimento visto pelo mundo no final do século XX. Porém, mesmo com uma narrativa elevada, é notório que seu desfecho não é finalizado com tanta competência.

Sendo lamentável que um escritor tão prolífico com Monteiro Lobato ganhe atenção últimamente apenas por essa singular obra, em vez de boa parte de sua obra adulta, sem mencionar a infantil, com maior qualidade literária.

domingo, 4 de julho de 2010

Coleção Julio Verne, RBA



Em 2 de julho de 2009, este blog noticiou que a Coleção Julio Verne, editada pela RBA aportava no Brasil, saindo semanalmente nas bancas.

Como até hoje as notícias a respeito dessa coleção é escassa, é necessário outra notícia atualizada. Informando a todos aqueles que procuram os títulos em suas cidades e não encontram que a coleção continua em lançamento.

Com o intuito de informar nosso leitor, listamos os vinte e oito volumes já publicados. Tal lançamento leva em conta o interior de São Paulo, aonde estamos situados. Caso a coleção não tenha chegado a sua cidade, ou, por ventura tenha perdido um número, eis o contato, que se encontra nos livros da edição, para pedir números atrasados: Publisher Comércio Internacional Ltda. (numerosatrasados@publisher.com.br)

A lista contempla os livros lançados desde julho de 2009 até ínicio de julho de 2010.

1- A Volta ao Mundo em Oitenta Dias
2- Vinte Mil Léguas Submarinas
3- Cinco Semanas em Balão
4- Viagem ao Centro da Terra
5- Da Terra a Lua
6- Os Filhos do Capitão Grant: Na América do Sul
7- Os Filhos do Capitão Grant: Na Austrália Meridional
8- Os Filhos do Capitão Grant: No Oceano Pacífico
9- Miguel Strogoff
10- A Escola dos Robinsons
11- A Roda da Lua
12- Um Herói de Quinze Anos
13- A Ilha Misteriosa: Os Náufragos do Ar
14- A Ilha Misteriosa: O Abandonado
15- A Ilha Misteriosa: O Segredo da Ilha
16- Atribulações de um Chinês Na China
17- Os Quinhentos Milhões da BEGUN
18- Aventuras do Capitão Hatteras: Os Ingleses No Pólo Norte
19- Aventuras do Capitão Hatteras: O Deserto de Gelo
20- Dois Anos de Férias
21- Uma Cidade Flutuante
22- Aventuras de Três Russos e Três Ingleses Na África Austral
23- A Jangada
24- César Cascabel
25- As Índias Negras
26- Heitor Servadac: O Cataclismo Cósmico
27- Heitor Servadac: Os Habitantes do Cometa
28- O Raio Verde

A lista de publicações será atualizada de tempos em tempos.


Dexter - A Mão Esquerda de Deus, Jeff Lindsay

"Lua. Uma lua maravilhosa. Cheia, gorda, avermelhada, a noite clara como o dia, o luar inundando a terra e trazendo alegria, alegria, alegria. Trazendo também o rugir da noite tropical, a voz macia e turbulenta do vento ouvindo nos pêlos do braço, o lamento vazio da luz das estrelas, o grito trincado da luz da luz sobre a água.
Tudo isso chamando o Necessitado. "

Autor: Jeff Lindsay
Editora: Planeta
272 pag.






À semelhança dos lançamentos de livros que aproveitam sua adaptação cinematográfica para conquistar leitores, graças ao sucesso do seriado Dexter a Editora Planeta colocou no mercado em julho de 2008, Dexter – A Mão Esquerda de Deus - primeiro romance de Jeff Lindsay sobre seu sedutor serial killer – cuja a primeira temporada da série baseia-se em boa parte.

Difícil separar obra literária da série televisiva, analisando cada um como linguagem diferente. Já que muitos leitores da obra viram a série anteriormente, gerando comparações inevitáveis.

A narrativa do livro difere-se da atmosfera criada na série. Dexter, a personagem central, não possui tantos atrativos. É um serial killer, mas não possui um método tão apurado, muito menos carisma. É um tanto abobalhado, conseguindo se safar muitas vezes de uma maneira que mais parece sorte do que astúcia. Perde seu charme de assassino racional, dando lugar a um assassino privilegiado pela sorte.

A narrativa é fluída com tensão predominante a maior parte do tempo. Até seu meio é irretocável, e a série segue-o até este ponto. Porém, chegando no segmento final, há um aceleramento brutal de acontecimentos. Resultando em um desfecho frouxo. Tem-se a nítida impressão que Lindsay fez um contrato para um livro com tantas páginas específicas e a ampliou demais o meio da ação, tendo que encerrá-la com ações rápidas, cortes abruptos e soluções fáceis.

Tratando-se de um romance policial, onde o clima é uma de suas maiores qualidades, cortar sua tensão no meio, acelerando a ação, é destruir páginas e páginas em que se cria uma expectativa progressiva no leitor.

Nesse aspecto, a série Dexter trabalhou com louvor maior. Recriando a imagem do serial killer, fazendo-o astuto, dosando corretamente tensão e expectativa e dando um fim próprio, longe dos acontecimentos do livro. Formando um resultado bem superior a obra original.

Mas o lançamento é uma boa iniciativa da Editora Planeta. Pena que a obra apresenta diversos erros semânticos, oriundas de uma tradução truncada. A editora poderia revisar melhor seus textos, escolhendo o que mais se adéqua a nossa língua, antes de soltá-los no mercado. Afinal, o lançamento desse livro já é de anos atrás, os fãs esperariam um pouco mais.