quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Battlestar Galáctica, Terceira Temporada

A Procura de Um Lar Chamado Terra

Foi apenas um sopro a esperança para os sobreviventes das colônias que buscavam em Nova Cáprica uma moradia, após a invasão cilônia que destruiu seus lares. Breves momentos até o retorno das máquinas e total rendição dos humanos, liderados pelo presidente Gaius Baltar.

Há um profundo senso dramático na terceira temporada de Battlestar Galáctica. Debruçada sobre o cerne humano e a gama emotiva dele, a narrativa dá maior enfoque as personagens do que a evolução como um todo.

O julgo cilônio contra a raça humana é feroz. Manifestam um discurso de paz e união entre as raças, mas usam a força para provar que estão à altura daqueles que os criou. Humanos que não desejam a harmonia com as máquinas, lutando em desvantagem contra elas.

A selvageria em Nova Cáprica é a lama criada pelos próprios antepassados. A dor e tortura que aflige Tigh na prisão, o cárcere amoroso de Starbuck, a covardia de Gaius Baltar são ecos do príncipio da história. De humanos que criaram robôs que se rebelaram.

A fé é um dos caminhos que mais se ilumina na terceira temporada. Sem exceção, personagens buscam se acolher em algo invisível e maior para ter esperança. Serem resgatados da opressão cilônica. Serem os lideres que acreditam ser. Encontrarem, finalmente, um planeta em que possam chamar de lar.

Há uma segmentação na ação dessa temporada, apresentando tanto a movimentação cilônia quanto em Battlestar Galáctica. Entre as dúvidas e amplitudes da fé, personagens procuram reencontrar seu caminho interno e aquilo que os guiará para a terra prometida. Anunciada até mesmo em escrituras.

A essências desesperada e inferior que nos faz humanos é capturada de maneira precisa em Gaius Baltar, que transita de presidente, a conselheiro dos cilônio a preso político por traição.
Sua sobrevivência vale-se de qualquer artifício para valer sua covardia de não assumir seus erros, agindo como um rato sempre a se preservar. Sua personagem dúbia entre loucura e uma espécie de divindade, apresenta um dos melhores momentos do ano quando é torturado por William Adama, em cena cujo talento de James Callis salta aos olhos.


O desenvolvimento da narrativa urge pelas questões apresentadas nas temporadas passadas. Finalizando um ato final que apresenta os últimos cinco cilônios e o julgamento de Gaius, visto como o grande traidor da humanidade.

Seu julgamento levanta um interessante ponto da trama. Vivendo em tempos agressivos, muitos atos realizados estão longe de serem louváveis. Culpar apenas uma pessoa por todos os males que causaram a destruição de uma massa humana serve como calmaria a um grupo de pessoas, mas se torna uma decisão contrária a tudo aquilo que a presidente Laura Roslin desejou. O perdão a Gaius reafirma a humanidade a uma massa que intenta sobreviver pela lei da força.

O desenlace final é uma grande espera do público e apresenta quatro personagens presentes na série que são reveladas como cilônios programados. O choque é a grande força que finaliza o penúltimo ano da série, produzindo uma sensação angustiante de que, desde o início, o inimigo esteve presente.

Porém, em um ambiente onde há tante hostilidade entre os próprios humanos, se torna difícil compreender, no final, quem estará ao lado de quem.



segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Semana em Filmes (26 a 31 de Dezembro de 2010)



Street Fighter - A Última Batalha (Street Fighter)


Dir. Steven E. de Souza



Anterior a massiva tentativa de filmes oriundos de jogos de vídeo game, uma ou outra produção conseguia ser lançada para deleite do público. Obras que adaptavam clássicos como Double Dragon, Mario Bros e Street Fighter que resultaram em estranhas adaptações, com sensação de perda de tempo e histórias que fugiam do contexto de seus jogos.
Em 1994, meu conhecimento sobre a sétima arte era limitadíssimo. O astro que eu iria admirar por seu estilo kitsch de ação, Jean Claude Van Damme, não era uma figura importante para mim, embora a produção que estrelava fosse aguardada de maneira ansiosa.
Assisti Street Fighter – A Última Batalha em um cinema lotado, ávido por conhecer como as personagens do jogo foram configuradas para a tela. Em uma sala cheia, foram gritos, urros e aplausos de uma massa de fanáticos que, provavelmente, muito tempo depois chegaram a conclusão que a produção além de um argumento nada original, modificava muito o conceito do jogo.
Com enfoque extremo para Van Damme, então um astro de marca maior, sua personagem, o Coronel Guile, se torna o centro da ação. Liderando um grupo de militares que luta contra o General M. Bison. As personagens do jogo se apresentam de maneira esporádica na história. O lutador de sumo Honda, vira o câmera man de Chun Li que além de lutar para salvar o mundo é uma repórter do canal GNT. O lutador indiano Dhalsim se transformou em um cientista obrigado a trabalhar para Bison, criando um soldado perfeito – curiosamente, amigo de Guile – Blanka.
A produção dessa adaptação insossa foi calcada em diversos problemas. No inicio das filmagens não havia roteiro pronto, obrigando atores a rodar as cenas disponíveis e improvisar sempre que possível. Chegou-se em um ponto que desistir parecia possível mas, após tanto dinheiro investido, finalizaram aquilo que se chamava de roteiro para que fosse possível terminar as gravações.
Com o distanciamento do lançamento da produção, relançada em uma edição de luxo por causa do segundo filme da série – edição que não tem nenhum material excelente para ter esse nome – a produção vale a pena pela sua construção esdrúxula, beirando o kitsch.
Algumas cenas ainda trazem boas memórias por causa de sua referência a Street Fighter 2, como os golpes de Ryo, Ken e Guile, a boa caracterização de Vega e as acrobacias anti gravidade de Mr. Bison, um personagem difícil de ser vencido.
Além da soma de defeitos, o filme é o último de Raul Julia, o ponto mais alto do enredo. Embora já abatido por sua doença, apresenta um clássico vilão de filme B, que intenta dominar o mundo a qualquer custo.
Em comparação com outra produção antiga adaptada de um videogame, Mortal Kombat, Street Fighter – O Último Combate é diversão mais genuína. E se torna impossível não rir do final que frisa a imagem dos heróis com o logo do jogo sobrepondo-os.





O Terminal (The Terminal)

Dir. Steven Spielberg



Steven Spielberg, a parte seu grande apelo populista como um dos maiores diretores de Hollywood, é um homem de grande talento. Desde sua estréia na direção alterna estilos diferentes de produções e, raramente, falha na execução das mesmas. Acostumado apresentar histórias sérias ou divertimento pipoca, suas últimas produções conseguiram um interessante equilíbrio entre tais pólos. A.I. – Inteligência Artificial retoma uma história de Stanley Kubrick que, embora estragada pelo senso moral do diretor, tem certo brilho. Minority Report – A Nova Lei mergulha em uma crueza narrativa de ficção científica sem nenhum maneirismo amenizador. Prenda-me Se For Capaz é uma deliciosa história de um falsário que demonstra a boa forma do diretor e de Leonardo de Caprio e Tom Cruise .
O Terminal é a última produção dessa seqüência de boas histórias, apresentando a medida certa de humor e drama sem sair de linha. Tom Hanks novamente volta a trabalhar com Spielberg na inusitada e sensível história de Viktor Navorski, um cidadão oriental que quando chega a Nova York descobre que seu país está em guerra, o que impede que ele adentre os Estados Unidos, ficando preso em um dos maiores aeroportos do mundo.
Aproveitando-se de seu abundante talento, Hanks apresenta uma personagem carismática que, perdido em um mundo que não conhece, é obrigado a se adaptar aos poucos até que consiga resolver seu imbróglio contra a imigração.
Preso a um terminal restrito, sem ter como voltar para sua casa, sua vida se torna o terminal, onde milhares de passageiros atravessaram diariamente. É nesse cenário restrito que Viktor aprende a língua inglesa, encontra amigos que trabalham no local e até mesmo se interessa por uma aeromoça que a cada quinze dias faz escala na cidade.
A história ressalta o elemento maravilhoso devido a sua leveza. Seus contornos mais profundos estão no simbolismo de seu sentido, na compreensão de uma sociedade em que muitos perder a idéia do que é um lar, em oposição a um homem que possui um lugar que ama mas não pode voltar a ele. Contrapõe as rédeas de aço do sistema contra alguém que deseja apenas cumprir uma promessa ao pai. Um tipo de história leve e sensível cujo espaço tem sido reduzido entre os fraco cinemas pipocas apresentados nos últimos anos.





O Âncora (Anchorman: The Legend of Ron Burgundy)

Dir. Adam McKay


Will Ferell é um comediante particularmente estranho. Algumas de suas piadas são as mais tradicionais do gênero, vistas em milhares de outros filmes, outras são genuínas de seu estilo sempre exagerado. A somatória dessa afetação resultam em personagens impossíveis de não serem engraçados.
Sempre personificando tipos que estimam-se como os melhores, no que fazem, no estilo de sedução, na voz, ou em qualquer característica excêntrica, Ferell é Ron Bungundy. Um âncora que, na década de 70, era considerado o melhor em São Diego. Seu carisma nos jornais é proporcional a sua imaturidade e estupidez, um charme para um papel que necessita de um ator que passa credibilidade nas situações mais estaparfúdias.
Ao lado de seus amigos do canal, sua popularidade vai bem. Até que a emissora central decide contratar uma mulher como co-âncora e a situação transforma a vida de Bungundy em uma guerra.
É a vasta seleção de piadas que mantém o bom tom da produção. Ferell e sua trupe, que apresentam Paul Rudy e Steve Carell – até então não queridinho do público – vão desde piadas referenciais, humor negro e cenas envolvendo ereções em um piscar de olhos. Tratando-as como elementos naturais da trama, a mistura se torna envolvente, sendo impossível não agradar em algum momento o público.
Evidente que o resultado é uma conseqüência sem igual sem sentido nenhum, se levarmos em conta a lei natural das coisas. Mas esse é uma das grandes qualidades do humor. Explorar situações normais em suportes absurdos e deles criar um particular plano de narrativa.







Furia de Titãs (Clash of the Titans)

Dir. Louis Leterrier

Produções com enfoque épico ganham ou tratamento de respeito na mão de bons diretores, como a excelente trilogia do Senhores dos Anéis ou transformam-se em produto de marketing para atrair público que constantemente se interessa por assuntos que envolvem mitologias.
Regravação de filme do mesmo nome, feito com efeitos em stop motion, Fúria de Titãs intencionava ser uma grande produção pipoca envolvendo a mitologia e a exploração do recurso em terceira dimensão.
Com direção do bem mediano Louis Leterrier, e um enfoque altamente comercial, havia poucas chances de que a produção se tornasse algo significativo. Além disso, devido a grande demanda de conversão de blockbusters em terceira dimensão e poucas empresas para realizar tal feito, dizem que a versão em terceira dimensão do longa metragem é uma das piores já produzidas. Fazendo com que alguns filmes antigos não pareçam tão ruins.
A trama da produção foca-se em Perseu, um semideus que precisava salvar os humanos da ira de Hades que cansado de suportar as falhas humanas, ameaça destruí-los convocando o Kraken, um monstro marinho. Com a ajuda de seu pai, o deus Hades, Perseu se aventura para encontrar uma maneira de deter tal monstro.
A caracterização das personagens não poderia ser mais tradicional. São clichês elementares, sem uma tentativa de idealizar os deuses sem uma idéia imaginária já vista e revista. Zeus, interpretado por Liam Neelson – que aceitou o papel por suas filhas gostarem de mitologia – possui uma armadura brilhante, vivendo em um Olimpo cheio de nuvens e outros elementos claros. Enquanto Hades, um Ralph Fienes empurrando com a barriga sua personagem, apresenta-se pálido, com a voz rouca, como é costume imaginar o rei do mundo dos mortos.
A exibição de Fúria de Titãs foi a primeira que assisti em um novo sistema de imagem e som desenvolvido nos últimos anos, o BluRay. Os filmes para o formato possuem 1024 linha de resolução, garantindo uma perfeição que salta os olhos nas imagens, quando colocada em uma televisão que também apresenta esse sistema, e um som normalmente em 5.1 ou superior. Mesmo que a produção falhe na tentativa de consagrar-se como um blockbuster, é inegável que as imagens são bem produzidas e, exibidas em alta definição acrescidas de um som com alta fidelidade, dão uma nova concepção do sentido de assistir um filme em casa.
A edição em Bluray do filme acompanha a versão original. Porém, algumas locadoras estão locando somente o filme novo, mesmo que na capa avise que ambos estão disponíveis. Portanto, exijam as duas produções sem acréscimo de preço.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

The Good Wife, Primeira Temporada

Seu escândalo. Sua História.

Diariamente nos jornais de maior circulação do país, o caderno destinado a política é – com tendências editorais a parte – uma leitura importante para compreender a dinâmica governamental de um país. Não raro as notícias além de apresentar ações, planos e tendências, dediquem páginas exclusivas a reportar denuncias e problemáticas de candidatos e governo.

A vida pública, além de seu viés político, sempre se desconstrói na mídia, recortada em diversas reportagens que as vezes apontam a verdade crua em atos escusos, corruptos e outros escândalos que parecem permear qualquer cargo de poder.

A cada escândalo apresentado na mídia, personagens invisíveis a nós são abalados pela história. São amigos, família e outras relações que sente o impacto da notícia amarga, muitas vezes surpreendente.

Dedicada esposa do promotor Peter Florrick, Alice observa a destruição de seu seio familiar após o marido assumir a culpa em um escândalo envolvendo sexo e corrupção. Transformando-se na esposa vítimizada preferida da mídia, Alicia tenta colocar sua vida nos eixos assumindo seu antigo trabalho, como advogada, na empresa Stern, Lockhart & Gardner, cujo um dos sócios foi seu colega de classe. A semelhança envolvendo o ex-governador de Nova York em um caso parecido não é coincidência.

The Good Wife traz Julianna Margulies (A enfermeira Carol da longínqua E.R. – Plantão Médico) de volta ao estrelato, após anos de sua saída da série médica. Apresentando um interessante drama criminal, a série que já está em sua segunda temporada interlaça bem dois meandros da mesma base narrativa.

A procura de sair da sombra do marido corrupto, Alice Florrick luta por sua independência demonstrando boa competência na advocacia, enquanto intenta a unica vaga de associado Junior da empresa. Ao mesmo tempo que ainda devota ao casamento, demonstra sua vontade de, mesmo não mais amando ativamente o marido, salva-lo de seus pecados.

Impressiona a passividade da esposa, descontente com as atitudes do marido mas ainda disposta a ajuda-lo a limpar seu nome. A série se alimenta por esses dois caminhos, a trilha de Alicia demonstrando sua superioridade como advogada e sua devoção em torno de um marido que, mesmo assumindo os erros, parece a margem de cometê-los novamente.

Com evolução lenta, o enredo não decepciona e, a cada episódio, apresenta boas tramas jurídicas que ficam a cargo de Alicia. Há casos interessantes que dão para o espectador questionamentos sobre a sensibilidade dúbia das leis. A personagem apresentada por Margulies - que já lhe garantiu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de drama em 2010 - é centrada e paciente, bastante condizente com a esposa forte capaz de superar os escândalos envolvendo o marido.

Lançada em setembro do ano passado, o canal Universal trouxe a história para o Brasil em tempo recorde, com apenas dois meses de atraso. Um dos poucos canais pagos que cientes da proliferação do download tentam não se atrasar exageradamente na exibição de seu conteúdo, como acontece com a Fox, por exemplo.



segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

A Semana em Filmes (12 a 18 de Dezembro)

Shrek (Shrek)

Dir. Andrew Adamson, Vicky Jenson


Durante um extenso tempo as animações do estúdio Disney, ainda anterior ao recurso da computação gráfica, reinaram de maneira soberana. Suas produções continham um detalhamento e um bom roteiro que as tornavam supremas, sendo raras, quase nulas, as ocasiões em que outros estúdios foram capazes de gerarem histórias que ao menos se equiparavam com sua qualidade.
Com a queda da animação tradicional, em 2D, tentando dar próprios passos sozinhos, sem a ajuda da Pixar, a Disney perdeu o espaço ascendente para outros estúdios que produziram uma boa quantidade de longas no novo recurso. Ainda que a lista seja farta, apenas uma delas merece reverência.
Primeira animação a concorrer à Palma de Ouro desde 1974, Shrek abriu precedente para a paródia do gênero infantil e dos contos de fadas, elementos que seriam copiados depois em outras produções. Sua premissa ainda remete-se ao estilo narrativo consagrado, mas transforma a história as avessas apresentando um personagem a margem de tais histórias.
O ogro verde, mal humorado e porcalhão foi capaz de conquistar grande parcela do público por aproveitar-se tanto de piadas infantis – como arrotos e outros barulhos corporais – como eleva-las a um público adulto capaz de compreender as inferências e um humor corrosivo. A ele, agrega-se a figura amigável do burro falante, interpretada de maneira exemplar por Eddie Murphy, brilhantemente dublada por Mario Jorge de Andrade, que defende a voz de Murphy no Brasil em diversas produções, uma princesa que precisa ser resgatada – na voz original, Cameron Diaz, em seu melhor papel depois de O Máskara – e um rei baixote que pretende resgatar tal princesa e casar com ela mas, muito medroso, manda o ogro em seu lugar.
A dublagem original do monstro verde ficou a cargo do bom Mike Myers que, após gravar todas suas falas, decide fazê-la com sotaque escocês, gerando um gasto duplicado na produção mas uma performance bem mais engraçada. No Brasil, por conta de uma estranha jogada de marketing, a dublagem ficou a cargo do humorista Bussunda, uma evidente aproximação pelo biotipo do que por talento, sendo que Mauro Ramos – de longo currículo e que seria seu dublador no terceiro filme – já havia gravado as falas. Há críticas que observam a leve desarticulação do humorista no trabalho, porém a produção possui tantas piadas funcionais, que tal elemento não a estraga.
Shrek é uma verdadeira destruição da moral e dos bons costumes presentes nas histórias infantis. Não bastando a força da sátira, a trama ainda incorpora canções contemporâneas em sua trama, o que se tornou marca registrada na produção e foi repetida em diversas outras em que personagens cantam e dançam canções inusitadas que, por tal motivo, se tornam ainda mais engraçadas.
Exibido a exaustão em todas as mídias, é difícil encontrar quem não tenha afeição pela história, um das poucas animações que foi capaz de eclipsar momentaneamente a supremacia do estúdio do camundongo que depois firmaria parceria incrível com a luminária da Pixar.




Shrek 2 (Shrek 2)

Dir. Andrew Adamson, Kelly Asbury, Conrad Vernon


Após o retumbante sucesso da primeira produção, uma sequencia da história do ogro foi necessária. A desconstrução das histórias infantis ganha continuidade em um filme que mais mantem-se pelas boas piadas e pela inserção de um personagem cativante do que pelo seu todo.
Shrek 2 consolida a relação da personagem com a princesa Fiona, apresentando as responsabilidades do casamento. Fazendo com que o casal visite os pais da esposa, no reino Muito Muito Distante, e que ainda não tem conhecimento que o encanto se quebrou e a filha não só se tornou uma ogra em tempo integral, como não casou com o príncipe que era pretendente.
A ação envolvendo uma Road trip assemelha-se com o primeiro enredo e, como tradição nas continuações, se apresenta de maneira mais escandalosa. O tom principal da história se dá pelo humor, principalmente pela cativante personagem do Burro. Há uma pequena queda de qualidade no argumento que, repleto de tantas piadas, passa desapercebido em uma primeira exibição. Porém, conhecendo o filme diversas vezes é notável que Shrek tem mais coesão que sua segunda trama.
Fundamenta-se aqui outra incrível personagem da história, dublada no original por Antonio Bandeiras. Seu gato de botas não só ajuda na construção cômica como se tornou famoso pelo olhar pidão em uma boa cena reformulada diversas vezes em montagens mundo a fora.
Além da presença do gato, os coadjuvantes que cercam a trama, todos oriundos de clássicas histórias infantis, são um caso a parte de boa sustentação. O Pinóquio com tendências homossexuais, o biscoito da sorte psicótico, o Lobo que tem gosto em vestir-se como vovó são participações minimas que explicitam o tom zombeiro da concepção do ogro.




Shrek Terceiro (Shrek The Third)

Dir. Chris Miller


É inevitável que desdobramentos de uma trama necessitem de ampliações. Há uma espectativa do público em assistir novos conflitos, bem como conhecer novas personagens. Shrek Terceiro marca o terceiro filme da saga que, supostamente, seria o último e apresenta sua intenção desde o título. Com o pai de Fiona falecido cabe ao ogro ser o rei de Tão Tão Distante ou buscar outro sucessor mais próximo.
Calcado naquilo que mais rendeu sucesso nas tramas anteriores, o ogro e sua trupe novamente se aventuram em uma Road trip a procura de Arthur, o mais próximo da linhagem do reino a assumir o trono. A trama apresenta contornos mais familiares ao anunciar que a família do ogro se expandirá, com Fiona grávida. Embora tenha cenas interessantes da relação entre ambos, explicitando que até ogros amam, nem mesmo as piadas sustentam a trama que requenta demais aquilo que fez sucesso nas anteriores.
Novos personagens são apresentados como o Arthur referido, o mago Merlin e outros coadjuvantes mas nenhum possui o carisma dos anteriores consagrados, como Burro e Gato de Botas. Algumas cenas são boas – como a morte do pai de Fiona ao som de Live and Let Die de Paul McCartney – mas faltou esforço e balanço entre humor e a procura de finalizar a trama a altura de seu início, de certa forma, revolucionário em sua medida.




Shrek Para Sempre - O Capitulo Final (Shrek Forever After)

Dir. Mike Mitchell


Trilogias concebidas no cinema atual, sem sombra de dúvida, apresentam-se em um pacote extra de quatro produções. Encerrar uma saga em três movimentos não parece o bastante, ainda mais quando retomar tais personagens é uma faixa de lucro certo, possuindo uma margem de público cativa.
Sem ter um conflito para avançar na história de Shrek, coube aos roteiristas uma divertida produção que intenta retomar as virtudes iniciais do sucesso. Casado, com três filhos e entediado de uma vida pacata, onde não é mais o temível ogro do pântano, ,o ogro assina um contrato mágico com Rumpelstiltiskin que o transforma, novamente, na personagem assustadora mas anula toda sua história, realizando uma espécie de "o que aconteceria se...".
Como a história de Shrek é mudada desde o inicio, seus amigos o desconhecem e há a necessidade de reconquistar Fiona, agora a líder dos ogros contra a opressão de Rumpelstitiskin.
A produção mais vale-se da memória do público por uma personagem já cativada do que exercita seu dom em apresentar bom humor ou uma história muito interessante. A prerrogativa da trama funciona pelo saudosismo em relação ao primeiro grande filme. Embora seja melhor que Shrek Terceiro, tem muito menos piadas, destacando, como de costume, a estupidez cômica do burro e um desenlace evidente ao expectador.
Esperava-se que a bilheteria da produção fosse alta, mas terminou com um saldo modesto. Um evidente sinal de que a saga do ogro, embora interessante, diferenciada e tendo seu destaque na história cinematográfica, necessita de finalização para não se manchada com sequencias que nada adicionam as boas personagens. Resta saber se essa quarta história será mesmo o capítulo final.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Lie To Me, Segunda Temporada

A verdade sempre tem seus meios de aparecer

Cal Lightman é um homem interessante. Sua especialização, em micro expressões faciais, transforma- o em um detector de mentiras humano, rápido e austero. Sendo sensível a qualquer pequena hesitação onde expressões físicas traiam um discurso decorado.

Sua postura em relação a outros, até mesmo a equipe de sua companhia, é proporcional ao seu talento. Apresenta uma personalidade agressiva, carregada no sotaque britânico irlandês e, pela altura um tanto franzina, caminha de maneira a projetar-se, aparentando ser maior do que é e configurando-se como alguém irritadiço sempre preparado para entrar em uma briga.

A boa recepção de Lie To Me deu a série uma segunda temporada que conquistou, conforme sua exibição, um bom número de episódios, totalizando-se vinte e dois, quase o dobro da primeira.

O segundo ano dá prosseguimento as análises de Cal Lightman e sua equipe, mas poupa o público da formalidade narrativa, na esperança de que, acostumados com as identificações fundamentais das expressões, público, junto com a equipe, seja capaz de ser perceptível ao básico da língua corporal.

Tal idéia intuitiva dos roteiristas deixa o desenvolvimento de cada episódio mais natural. Seguindo a formula consagrada das séries americanas, de apresentar o caso antes da abertura e seu desenrolar na seqüência.

Ampliando o trabalho do The Lightman Group, o ator Mekhi Phifer é incorporado ao elenco, como um agente do FBI, cujo departamento assinou um contrato para que Carl trabalhasse em alguns de seus casos.

Assim, em boa maneira alternada, Lightman e sua equipe trabalham em casos grandes, envolvendo assassinatos e outros delitos e também histórias menores, muitas escolhidas pelo próprio chefe que decide se intrometer em acontecimentos alheios para apresentar sua versão da história e provar a superioridade de sua ciência.

O fato envolvimento é bastante presente na segunda temporada que também apresenta um pouco mais do passado da personagem central e, assim, configura ainda mais seu gene explosivo. Em alguns casos o próprio Lightman deseja dominar tanto a ação, que acaba complicando o andamento da mesma.

Os paralelos da história também são bem fundamentados, sendo capazes de se sustentam. Sua sócia, a Dr. Gillian Foster passa por uma crise pessoal, algo que Carl não parece ser capaz de compreender direito, colegas de equipe galgam uma promoção e uma tensão crescente, enquanto a própria filha, Emily, cresce a mercê do pai, que tenta estabelecer um bom relacionamento ainda que seus nervos a flor da pele intentem atrapalhar em certos momentos.

A segunda temporada da série foi lançada recentemente em DVD no país. Lá fora, enquanto isso, sua terceira temporada encontra-se em exibição. Dentre as séries que não possuem tanto destaque, vale a pena acompanhar pela idéia diferenciada de uma investigação e pela boa e interessante figura interpretada por Tim Roth.