sábado, 7 de julho de 2012

Michael Jackson, Immortal

Artista: Michael Jackson
Álbum: Immortal
Gravadora: Epic / Sony Music
Ano: 2011

01 - Workin' Day And Night
02 - The Immortal Intro
03 - Childhood
04 - Wanna Be Startin' Somethin'
05 - Dancing Machine/Blame It On The Boogie
06 - This Place Hotel
07 - Smooth Criminal
08 - Dangerous
09 - The Jackson 5 Medley: I Want You Back/ABC/The Love You Save
10 - Speechless/Human Nature
11 - Is It Scary/Threatened
12 - Thriller
13 - You Are Not Alone/I Just Can't Stop Loving You
14 - Beat It/State of Shock
15 - Jam
16 - Planet Earth/Earth Song
17 - They Don't Care About Us
18 - I'll Be There
19 - Immortal Megamix: Can You Feel It/Don't Stop 'Til You Get Enough/Billie Jean/Black Or White
20 - Man In The Mirror


Segundo álbum póstumo de Michael Jackson, Immortal não é uma seleção de fonogramas não utilizados em discos anteriores. Mas uma releitura de seus grandes sucessos remixado por Justin Timberlake e Kevin Antunes, produtor de Rihanna, que funciona como a trilha sonora de um espetáculo do Cirque Du Soleil em homenagem ao astro.

Utilizando mais de quarenta canções do músico, o disco apresenta, provavelmente, a base do espetáculo. Mesmo com versões novas, não acrescenta nenhum elemento a mais nas canções que mereça destaque ou motivo para que a obra de Jackson seja revista.

Basta assistir uma apresentação de Michael Jackson para observar que, em diversas músicas, novos efeitos sonoros eram adicionados para produzir a teatralidade do palco. A impressão é que produtores simplesmente gravaram tais versões que ainda não tinham um registro oficial. Muitas dessas versões para o palco podem ser vistas em shows durante sua carreira ou no musical This Is It.

A maioria das canções estão apenas justapostas uma a outra. Sem um cuidado de trabalhar com o material bruto e transforma-lo em algo diferente. Faixas cuja sonoridade mudam levemente caíram no tradicional estilo base eletrônica. Transformando canções excelentes como Wanna Be Startin' Somethin' em uma música qualquer.

A seleção também não tem inovação. A exceção da abertura com Workin´Day And Night, as faixas são os grandes hits de sucesso, presentes em qualquer coletânea tradicional. Billy Jean, a canção mais significativa de sua carreira, não mereceu nem mesmo uma faixa solo. Está inserida em um grande mix trazendo-nos uma reflexão incômoda: que espécie de espetáculo sobre a obra de Jackson não homenageia com propriedade sua canção mais icônica?

O resultado é uma coletânea que diminui a força das músicas, diluindo em outras e prejudicando um material excelente. Merece destaque, porém, a versão de Thriller que aproveita ainda mais o silêncio da canção, sendo bem construída e dando a sensação, de fato, de uma releitura de um clássico que mesmo modificado não perdeu a majestade.

Também lançado em formato duplo, em uma edição Deluxe, as canções são formatadas de maneira igual. Sendo evidente que a função de remixar a obra de Jackson para esse especial deveria ter ficado nas mãos de um grande produtor, como Quincy Jones, que saberia retirar do material bruto das canções uma sonoridade que ao mesmo tempo homenagearia Jackson e traria consigo um frescor para as mesmas. Mais favorável comprar outra coletânea de Greatest Hits do que considerar ter esse álbum na coleção. 


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Michael Jackson, Invincible

Artista: Michael Jackson
Álbum: Invincible
Ano: 2001
Gravadora: Epic / Sony Music

01 - Unbreakable" featuring The Notorious B.I.G. (Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Nora Payne, Robert Smith)
02 - Heartbreaker featuring Fats (Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Mischke, Norman Gregg)
03 - Invincible (Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Norman Gregg)
04 - Break of Dawn (Dr. Freeze, Michael Jackson)
05 - Heaven Can Wait (Michael Jackson, Teddy Riley, Andreao Heard, Nate Smith, Teron Beal. E. Laues, K. Quiller)
06 - You Rock My World (Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Nora Payne)
07 - Butterflies (Andre Harris, Marsha Ambrosius, Michael Jackson)
08 - Speechless (Michael Jackson)
09 - 2000 Watts (Michael Jackson, Teddy Riley, Tyrese Gibson, J. Henson)
10 - You Are My Life (Michael Jackson, Babyface, Carole Bayer Sager, John McClain)
11 - Privacy featuring Slash (Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels, Bernard Belle)
12 - Don't Walk Away (Michael Jackson, Teddy Riley, Richard Carlton Stites, Reed Vertelney)
13 - Cry (R. Kelly)
14 - The Lost Children (Michael Jackson)
15 - Whatever Happens (Michael Jackson, Teddy Riley, Gil Cang, J. Quay, Geoffrey Williams)
16 - Threatened (Michael Jackson, Rodney Jerkins, Fred Jerkins III, LaShawn Daniels)



Décimo e último álbum de estúdio da carreira, Invincible foi lançado após um hiato de quatro anos e erroneamente considerado o disco que traria Michael Jackson de volta ao estrelado supremo. A má formulação da venda do produto é notória, apresentando mais erros externos ao disco do que interno.

A maior problemática foi um conflito entre a gravadora Sony que parou a divulgação do disco logo em seu lançamento porque Michael Jackson, com razão, não aceitou as imposições da empresa que queriam escolher os singles e clipes a serem trabalhados. O resultado foi uma breve recepção positiva para um vazio que oscilou e dividiu os críticos.

Revendo a discografia do cantor é possível observar que, ao contrário das exageradas críticas negativas que colocavam o álbum em um limbo obscuro, mesmo que suas canções tenham se diluído na evolução musical que o próprio concebeu na década passada, o disco ainda tem elementos positivos. Porém, as comparações são inevitáveis devido ao seu passado brilhante. Como compreender um bom disco sem nenhum arroubo em uma carreira repleta deles é a grande questão. 

Invincible acerta mais como álbum em relação a HIStory, a sonoridade é inteira dedicada as batidas eletrônicas, com quase nenhuma inovação sonora. Se Jackson já dialogava com sua vida pessoal em ábuns anteriores, em seu último disco entra definitivamente dentro de si. As canções são menos carregadas de metáforas e mais pobres. Com a urgência agora voltada para o elemento amoroso. Não parecendo muito confortável a participação de rappers em algumas faixas, soando mais uma obrigação do que um conceito.

A faixa que abre o disco, Unbreakeable, mantém a tradição das excelentes primeiras faixas de seus discos. É explosiva e serve de justificativa para o tempo em que passou em descanso musical. Não a toa críticos da época ficaram animados com o disco, pois seu início é favorável.

Sem perder o ritmo, Heartbreaker entra no campo amoroso com Jackson abrindo o coração a respeito de alguém que não quer o seu amor. É a primeira faixa de diversas que se pressupõe o apaixonamento do cantor. Falando a respeito de alguém de maneira mais física, além do conceito ideário.

Elemento que se desdobra em Invincible, uma boa canção sobre uma garota fatal. A levada parece antiga, próxima de Steve Wonder, mesmo com a eletrônica. A evidência de que havia um tentativa de equilibrar presente é passado é a dose de refrões com vocais sincopados que dão certa vida a batida.

O elemento palpável do amor se faz em Break Of a Dawn. Canção corajosa do cantor se levarmos em conta que nunca abordou o assunto tão explicitamente. É a primeira balada que mesmo bem formatada não se destaca além de uma boa balada. 

I don't want the sun to shine I wanna make love 
Just this magic in your eyes and in my heart 
I don't know what I'm gonna do I can't stop lovin' you 
I won't stop 'til break of dawn makin' love 

Eu não quero o sol brilhando, quero fazer amor
Somente essa mágica em seus olhos e no meu coração
Não sei o que posso fazer, não consigo parar de te amar
Não quero parar de fazer amor até o amanhecer


A harmonia amorosa se perde em Heaven Can Wait. Canção estranha pela temática que resume alguém que não quer deixar de amar eclodindo no refrão de que o céu pode esperar. Fazendo o ouvinte inferir que o amor parece ter data de validade ou a pessoa em questão estivesse convalescendo.

You Rock My World é a mais conhecida do disco. A faixa vazada antes do lançamento que se tornou single por obrigação. A canção roça em elementos do início de sua carreira, inclusive com o clipe que tenta emular a atmosfera clássica em um microfilme com a participação de Chris Tucker, amigo que aparece falando também no começo da faixa, e do grande – sem ironia apesar do mesmo estar bem acima do peso – Marlon Brando. A faixa segura bem a tensão entre novo e velho. A batida fria com um piano quente. 

Butterflies é uma das mais fracas do disco. Como revelado pelo título, persegue a ideia de nervosismo do amor representada pelas borboletas no estômago. Talvez Jackson tentasse mais fidelidade produzindo uma letra próxima do elemento coloquial. Mas perdeu metáforas bem criadas durante toda sua carreira. 

Mantendo o ritmo lento, Speachless, é uma canção considerável. Começa com a voz a capella sintetizando o tema da música. O ritmo aumenta em progressão e há muita emoção na voz até o auge com um coro. Composta para seus três filhos, a faixa fala de um amor mais paternal. Merece estar nas grandes canções de Jackson ainda mais por versar em um assunto não muito falado em suas letras.

2000 Watts foi gravada com um efeito na voz, mais grave, a uma oitava do tom habitual. Produz apenas estranhamento e não é funcional. A batida é tão mais forte que a voz que demonstra um desnível em uma canção um tanto pobre.

Balada mais tradicional do disco, You Are My Life parece redirecionada a um amor honesto. Tão sincero que podemos inferir que seja outra canção para seus filhos. Relembra sua carreira na década de novamente e chega a citar uma frase de The Way You Make Me Feel.

As perseguições midiáticas retornam em Privacy, que contém menos raiva do que todo HIStory. Completa, sem nada acrescentar, um assunto já melhor abordado por Michael Jackson.

Don´t Walk Away repete uma sensação clássica, com direito a um riff de guitarra na introdução. Tem um personagem mais amargurado que roga para que não o deixe de lado como se não houvesse lugar que pudesse se encaixar. Parece uma canção tanto destinada a alguém como ao próprio publico.

Cry foi o segundo single do álbum e representa a balada mais Jacksoniana, como Speachless. Inicio lento, progressão vocal e sonora que finaliza em um coro épico. É a primeira faixa quer eleva a qualidade do disco, dando inicio ao ato final.

The Lost Children é uma belíssima canção dedicada as todas as crianças perdidas no mundo. Entoada como um hino, de maneira bem figurativa, e repleta de um apelo sentimental que não perde a direção para o banalismo.

Um dos momentos mais criativos do disco esta em Whatever Happens. Canção espanhola com a guitarra inconfundível de Carlos Santana. A musicalidade hispânica não fica dissonante e demonstra como, mesmo que pouco, Jackson buscava novos ritmos.

A última faixa fecha com qualidade tanto disco como a obra do cantor, visto que, a partir de agora, somente coletâneas e a duvidosa obra póstuma estarão nas prateleiras como novidade. Theatened tem peso e metáfora na medida com a ironia para lidar com adversidade presente nos álbuns anteriores.

A canção inicia-se com uma narrativa da série Além da Imaginação para entrar em uma batida um tanto fantasmagórica acompanhada por um efeito sonoro surdo que soa como pés de um gigante caminhando. O tema é a recorrente perseguição das fofocas, dessa vez sobre um monstro que seria de outro mundo e destruidor de tudo e todos. 

A agressividade tem potencial criativo e dialoga com os elementos exagerarados que circundaram toda sua carreira e, com o passar dos anos, se ampliavam cada vez mais em extravagâncias e divergências. O apelo violento é o ato final de sua carreira, demonstrando que aquele rapaz que não sabia a hora de parar de dançar envelheceu como um gênio solitário que embora perseguia seus sonhos era ainda mais perseguido pela mídia.

Apesar da coesão interna, o mal lançamento da Sony prejudicou o disco, ainda mais por pensarem que seria uma volta ao auge de Michael Jackson. Embora bem formatado é dispare por ter poucas canções que concentram seu talento em relação as outras que são apenas na média do pop. 




quarta-feira, 4 de julho de 2012

Michael Jackson, Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix

Artista: Michael Jackson
Álbum: Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix
Gravadora: Epic
Ano: 1997


1."Blood On The Dance Floor""   Michael Jackson, Teddy Riley
2."Morphine"   Michael Jackson
3."Superfly Sister"   Michael Jackson, Bryan Loren
4."Ghosts"   Michael Jackson, Teddy Riley
5."Is It Scary"   Michael Jackson, James Harris III, Terry Lewis
6."Scream Louder (Flyte Tyme Remix)"   Michael Jackson, Janet Jackson, James Harris III, Terry Lewis
7."Money (Fire Island Radio Edit)"   Michael Jackson
8."2 Bad (Refugee Camp Mix)"   Michael Jackson, Bruce Swedien, Rene Moore, Dallas Austin
9."Stranger In Moscow (Tee's In House Club Mix)"   Michael Jackson
10."This Time Around (D.M. Radio Mix)"   Michael Jackson, Dallas Austin
11."Earth Song (Hani's Club Experience)"   Michael Jackson
12."You Are Not Alone (Classic Club Mix)"   R. Kelly
13."HIStory (Tony Moran's History Lesson)"   Michael Jackson, James Harris III, Terry Lewis


Blood on the Dance Floor: HIStory in the Mix é um disco gauche, é composto de oito remix do disco anterior dele, o HIStory e mais 5 faixas inéditas. Levando-se em conta que HIStory já era metade álbum inédito, metade coletânea, podemos entender o quão fundo é o buraco nesse Blood on the Dance Floor.

Sinceramente, acho desnecessário versar aqui sobre o quanto remix são ridículos e desnecessários. Então focarei a minha resenha nas faixas inéditas. Vamos lá.

A Faixa título começa com a dominante bateria eletrônica dessa fase “dance” de Michael e é um perfeito exemplar do que se tocava nas pistas na época, ou seja, uma música dançante genérica, com letra rasa, sem nenhum brilho. Essa gravação é uma mácula na carreira de Michael. Mal se ouve a voz na maioria da música mostrando a característica do dance de pasteurizar a música, deixando tudo formatado para pista, para que o DJ possa tocar uma música atrás da outra, sem parecer que mudou de faixa. Uma lástima.

Morphine começa com um efeito de rádio sem sintonia e progride com Michael cantando de maneira forte e sincopada, com os efeitos eletrônicos fazendo as vezes de instrumentos. O resultado é bem fraco. Michael tem uma bela voz que ele insistiu aqui em encobrir com efeitos tenebrosos.

A letra pelo menos se salva. Claramente auto-biográfica é interessante, ousada e muito triste, se destacando muito no disco, principalmente porque um trecho antecipa a maneira como o cantor morreria muitos anos depois:

Relax, this won't hurt you
Before I put it in
Close your eyes and count to ten
Don't cry, I won't convert you
There's no need to dismay
Close your eyes and drift away
Demerol, Demerol
Oh God, he's taking Demerol

Relaxe, isso não vai machucar você
Antes que eu injete
Feche seus olhos e conte até dez
Não chore, eu não vou te converter
Não precisa ter medo
Feche seus olhos e vá em frente
Demerol, Demerol
Oh Deus, ele está tomando Demerol

No geral é muito superior à faixa título, mas ainda aquém do que sabemos que Michael podia render.

O disco segue com Superfly Sister que é bem mais dançante que a faixa anterior, com um ritmo e uma letra mais “sensuais”, acaba sendo mais uma das frustradas tentativas de Michael de parecer sexy. Curioso que ele era considerado assim antes de ficar tentando provar sua sexualidade para o mundo, na época em que era um artista melhor do que uma figura pública. Sinceramente, essa faixa nunca deveria ter entrado em um álbum, é claramente uma experimentação que não deu nada certo.

Ghosts rendeu o maior (em duração, fique claro) clipe da carreira de Michael, um verdadeira media metragem, que fez mais alvoroço que a canção em si. A música é me parece uma apelação, uma tentativa de recriar a atmosfera de Thriller e o clima soturno de Smooth Criminal. Obviamente não deu certo.

O instrumental é uma repetição de 5 minutos da mesma batida, sem quase nenhuma variação, com Michael e os backing vocals fazendo um trabalho razoável nos vocais.

A letra varia de qualidade, o começo é bem ruim, falhando em compor um panorama de assombrações e monstros, apenas mostrando clichês do gênero, de maneira canhestra:

There's a ghost down in the hall
There's a ghoul upon the bed
There's something in the walls
There's blood upon the stairs

Tem um fantasma no corredor
Tem um vampiro debaixo da cama
Há alguma coisa nas paredes
Há sangue nos degraus

No entanto a letra se recupera muito bem ao traçar um paralelo entre essas “assombrações” e a invasão que Michael sofria em sua vida particular:


And who gave you the right to scare my family
And who gave you the right to shake my baby, she needs me
And who gave you the right to shake my family tree
They put a knife in my back
Shot an arrow in me
Tell me are you the ghost of jealousy

E quem te deu o direito de perturbar minha família?
E quem te deu o direito de perturbar meu amor, ela precisa de mim
E quem te deu o direito de perturbar meus antepassados?
Você me esfaqueou pelas costas
Me atirou uma flecha!
Me diga, você é o fantasma do ciúme?

A música não é excelente, mas se salva pela interessante metáfora construída pela letra.

A última inédita é Is It Scary é quase uma irmã de Ghosts, continua na mesma temática e tem inclusive a primeira estrofe exatamente igual. Mas acaba sendo uma música bem melhor, simplesmente porque é ritmicamente muito mais interessante, não abusando dos recursos eletrônicos. E por isso mesmo, a performance vocal de Michael é muito melhor. Vale ressaltar que ele não usa backing vocals na faixa.

A letra tem a mesma metáfora da de Ghosts, mas puxando pelo lado de que as pessoas se assustavam com as supostas excentricidades de Michael. É uma bonita letra, com muitos trechos tocantes, como este:

I don't wanna talk about it
What's scary for you, baby
Is this scary for you
I'm tired of being abused
You know you're scaring me too
I think the evil is you
Is this scary for you, baby

Eu não quero falar sobre isso
O que é assustador pra você, baby?
É assustador pra você, baby?
Eu estou cansado de ser abusado
Você sabe que está me assustando também
Eu vejo, o mal é você
É assustador pra você, baby?

Interessante ver como ele estava magoado com as pessoas, mesmo colocando o público como culpado (o baby, no caso, faz as vezes de público).

Depois dessas 5 faixas entram os remix, que colocam tudo a perder de vez, em um álbum que já tinha tremendas dificuldades de se segurar como uma obra coesa. Uma pena. Seria muito melhor e mais honesto ter feito outras 5 faixas inéditas, mesmo que dessa qualidade mediana, assim teríamos um álbum de mediano pra ruim, mas um álbum e não essa aberração caça-níquel.

No geral é uma obra plenamente esquecível na carreira de Michael, servindo apenas de registro, pelas letras das músicas inéditas, para o quão devastado emocionalmente Michael estava, prenunciando que ele não agüentaria muito mais. Toda a corda que é puxada acima de sua tensão máxima se rompe.



Independence Day

(Independence Day, 1996)
Diretor: Roland Emmerich
Atores: Will Smith, Jeff Goldblum, Bill Pullman.

Uma das grandes produções do cinema pipoca da década de noventa, Independence Day ainda é um dos melhores filme da carreira de Roland Emmerich, fanático pela destruição do mundo, e a produção que consolidou o sucesso de Will Smith.

Não há quem nunca tenha assistido a produção, não importando se no cinema ou nas sessões em canais abertos que, sempre que possível, sabem que a famosa história de uma invasão alienígena tem público garantido.

Como elemento fundamental da obra de Emmerich, a história tem diversos furos gritantes, mas a carga de entretenimento é alta, fazendo público passar incólume e entrar na história de uma força exterior que, sem muita explicação, deseja acabar com o planeta terra. Ao contrário de suas produções recentes que carregam na destruição total e ilimitada e trazem um fundo moralizante de preservação, caso de O Dia Depois de Amanhã e 2012, a ação da produção fecha em si mesma e é ininterrupta.

Como um bom roteiro pipoca, há espaço para desenvolver laços afetivos que serão primordiais para a emoção da trama, mas estão bem condicionados a ação do enredo e as duas personagens centrais. Will Smith, demonstrando competência para blockbusters desde o início e o eterno mosca Goldblum, um tanto afastado dos holofotes nos últimos anos, mas sem perder certo carisma.

Há diversas cenas que se tornaram icônicas para o cinema ao ponto de virarem referência. A destruição da Casa Branca, o primeiro ataque marciano que destrói um prédio de fanáticos a espera de pequenos homezinhos verdes e a incrível cena em que Smith, após derrubar uma nave alienígena, dá um sopapo no alien, reclamando que, se não fosse a invasão, estaria fazendo um churrasco em casa. Uma maneira irônica de rir do conceito da supremacia americana.

Idéias inverossímeis ou explicações simples demais não faltam na produção. Mas o foco estruturado na ação e os efeitos especiais equilibram a bobagem escrita por Emmerich e Dean Devlin. Transformando o filme em um ícone do gênero e sendo um clássico do cinema pipoca.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Michael Jackson, HIStory: Past, Present and Future – Book 1

Artista: Michael Jackson
Álbum: HIStory: Past, Present and Future – Book 1
Gravadora: Epic
Ano: 1995


01 - Scream featuring Janet Jackson (James Harris III, Terry Lewis, Michael Jackson, Janet Jackson)
02 - They Don't Care About Us (Michael Jackson)
03 - Stranger in Moscow (Michael Jackson)
04 - This Time Around featuring The Notorious B.I.G. (Michael Jackson, Dallas Austin, Bruce Swedien, René Moore)
05 - Earth Song (Michael Jackson)
06 - D.S featuring Slash (Michael Jackson)
07 - Money (Michael Jackson)
08 - Come Together (John Lennon, Paul McCartney)
09 - You Are Not Alone (R. Kelly)
10 - Childhood (Michael Jackson)
11 - Tabloid Junkie (Michael Jackson, James Harris III, Terry Lewis)
12 - 2 Bad featuring Shaquille O'Neal (Michael Jackson, Bruce Swedien, René Moore, Dallas Austin)
13 - HIStory backing vocals by Boyz II Men (Michael Jackson, James Harris III, Terry Lewis)
14 - Little Susie (Michael Jackson)
15 - Smile (Charlie Chaplin; John Turner, Geoffrey Parsons)


Não foi somente a transformação e evolução sonora que pontuou Dangerous. As canções possuíam alto teor de elementos pessoais da carreira de Michael Jackson e nunca mais ele desvencilharia sua música de sua história íntima.

O sucesso do rei do pop era estrondoso. As problemáticas de seu passado foram alimento altamente nutritivo para os tabloides que exploraram ao máximo qualquer fofoca a respeito de sua vida. Em resposta, Jackson começou a inserir nas letras o sentimento a respeito da fama e seu preço.

Lançado em 1995, HIStory: Past, Present and Future – Book 1 é o primeiro álbum após um delicado momento da vida do cantor em que passou por um pesado processo judicial. A temática musical eclode, portanto, em dois polos. Agressivo ou terno, sem espaço para outros sentimentos intermediários. 

Como a maioria dos elementos artísticos que definiram sua personalidade, o projeto tem uma ideia ambiciosa, mesmo sem uma inovação musical definitiva. Trata – se de um álbum duplo, cujo primeiro contém as melhores canções de sua fase adulta, e um segundo com quinze faixas inéditas.

A ideia era dialogar e representar até aqui o que teria sido Michael Jackson. O encarte é vigoroso, repleto de depoimentos de parceiros musicais, fotos de diversas épocas e imagens de shows. Curiosamente, somente três canções estão com sua letra disponível no encarte: Earth Song, D.S. e Money. O aspecto historiográfico contido no encarte contribuía para demonstrar a parte da vida de Jackson que realmente importava e significativamente o transformou em ícone. O título do álbum com as três primeiras letras grafadas em maiúsculo dialoga com o pronome possessivo em inglês HIS, explicitando de quem é a história a respeito do álbum.

Intitulado HIStory Begins, o primeiro disco apresenta as melhores e conhecidas faixas de sua carreira desde sempre. É possível ver o domínio de Thriller e Bad na seleção que, cerca de cinco anos atrás, foi lançada fora do álbum como uma coletânea simples.

O segundo, HIStory Continues, dá sequência a musicalidade de Jackson. Como no álbum anterior, desenvolvido com foco principal no CD, o disco é longo em relação aos iniciais, tendo quinze faixas. O maior tempo do álbum produz um difícil elemento na indústria fonográfica. A capacidade de mesmo longo produzir um disco coeso.

Além da música, o disco se integra de maneira imagética com diversos clipes lançados desde o lançamento, sempre com a intenção de serem inovadores, utilizando tecnologia de ponta. Alguns desses clipes serão também comentados já que as mídias se inter-relacionam. 

Quanto a crítica, estabeleci dois critérios para compreender a musicalidade de HIStory. Ouvi o disco como um álbum isolado com diversos pontos positivos. Depois procurei estabelecer sua potência dentro da carreira de Jackson, um músico que, por três vezes, realizou discos irretocáveis. Dessa maneira, antes mesmo de um faixa a faixa, considero o álbum bom e com diversos elementos interessante. Porém, estabelecido em outro patamar de Jackson, fora do olimpo anterior.

Scream, um dueto com a irmã Janet Jackson, abre o disco e transita entre a temática pessoal e o protesto. Jackson nunca pareceu tão irritado com a potência negativa do sucesso e a exploração midiática. A faixa demonstra uma tensão da figura pública irritada com o valor que dão a noticias falsas, sabendo que ele era só uma das diversas figuras exploradas pelos tabloides. É uma canção impactante, mesmo sem o brilho das primeiras faixas de outros álbuns. O clipe feito em preto e branco situa-se no espaço e é dissonante da música. Michael e Janet exibem pose demais para uma canção de protesto mas fica claro a ideia de um clipe tecnológico para época.

They Don´t Care About Us é a canção mais poderosa e icônica do álbum. O ritmo segue um batuque e a letra mantém a agressão do álbum. Dita com poucas palavras  mas evocando frases poderosas. O clipe teve versão no Brasil, encorpando mais a canção com as batidas dos tambores do Olodum. Embora o Brasil tenha sido retratado como uma gigantesca favela como representação do terceiro mundo ainda pobre, a vinda de Jackson para a gravação do clipe tornou-se notícia na época e hoje é quase um marco.

A sensibilidade está presente em Stranger In Moscow com uma explícita melancolia solitária. A canção demonstra a disfuncionalidade do álbum, trazendo demais a musicalidade com batidas eletrônicas ao mesmo tempo que, como que saudando os fãs antigos, apresentava momentos mais encorpados. A batida inicial da música é desnecessária, mas o refrão ritmado pela voz é bem realizado, dando um pouco de carga a uma balada não muito especial.

This Time Around retorna ao lado mais violento. Michael aproveitou o disco para colocar para fora a indignação e raiva que sentia perante a situação em que foi colocado. Se o músico, durante a carreira, tinha rompido diversas barreiras musicais, agora discute o quanto seu sucesso pode ser pernicioso, não escondendo nada e não se importando nem mesmo em utilizar-se de palavrões bem colocados. A canção tem swingue e o refrão, que repete o elemento clássico dos vocais em diversos tons faz a canção excelente. Sendo o quarto single do álbum.

Earth Song é a manifestação mais explícita pela causa mundial. Se Heal The World tinha uma bonita sinceridade, essa faixa carrega além da conta a denúncia, caindo em um sentimentalismo exagerado e não natural. Mas o músico sabe trabalhar canções e o instrumental em piano no começo e o coro no final dão boa estrutura a uma canção cuja letra não é eficaz.

D. S. utiliza-se de uma base parecida com Black Or White. E como Beat It tem um guitarrista convidado para ampliar a sonoridade. O título refere-se a Don Sheldon, o homem que conduziu a investigação criminal no caso de Michael Jackson, evidenciando que a vida pessoal e musical do cantor nunca mais estariam em paralelos, mas  em colisão. A parte a raiva dilacerante do músico, a canção é superficial. É necessário lembrar que na ocasião da morte do músico, o garoto que acusou Jackson disse a imprensa que foi pressionado pela família para realizar o processo. O motivo era evidente. A potencia financeira que ela poderia gerar.

O vil metal é elemento da próxima canção, Money. Canção áspera que transforma o dinheiro na arma mais suja utilizada pelo homem. A canção é repleta de rimas explícitas, o mais próximo que o próprio Jackson cantou de um rap. A letra é tão visceral que incomoda.

Como Together é canção conhecida desde Moonwalker e finalmente ganha faixa em um álbum. A escolha do cover é boa, utilizando a canção mais funkeada dos Beatles e realizando uma boa gravação que se adéqua ao estilo de sua voz, ainda mais com os versos que possuem uma pausa em seus meios.

A tristeza retorna em You´re Not Alone. Tem contornos amorosos mas o clipe ressalta a solidão de alguém tão público que não consegue mais adquirir intimidade com outros. Como balada é bem tradicional, sendo potencializada pela letra triste. No clipe, Jackson aparecia propositamente com o peito nu, combatendo especulações de que tinha marcas no corpo por causa da condição que mudou a cor de sua pele.

As confissões pessoais atingem o ápice em Childhood, tema do segundo filme de Free Willy com um músico reflexivo com o próprio passado. 

Have you seen my childhood?
I'm searching for the world that I come from
'Cause I've been looking around
In the lost and found of my heart

Você viu minha infância?
Estou procurando o mundo de onde vim
Porque tenho procurado 
no achados e perdios do meu coração.

A perfeição exigida por seu pai, que fez de Michael um grande astro, deixou marcas dolorosas. A criança retirada do cotidiano infantil. A música justifica o estilo Peter Pan de maneira sensível, produzindo no ouvinte o desconforto de um passado que não deseja ser recuperado e que foi agressivo demais. A canção é tão única que parece retirada de um momento solo de um musical.

A metralhadora verbal continua a girar em Tabloid Junkie. Canção que tem elementos semelhantes a Breaking News, primeira canção póstuma divulgada. A batida é bem próxima da de Dangerous, com teclados oitentistas e uma voz que parece dançar. Cantada em sussurro mas com força no refrão. 

Just because you read it in a magazine
Or see it on the TV screen
Don't make it factual

Só porque você leu em uma revista
ou viu em uma tela de tevê
não quer dizer que seja fato

2 Bad parece cantada como canções populares repetidas em coro. O adjetivo volta a obra do cantor como se desse outra ideia para o mesmo conceito. A crítica é voltada, dessa vez, para aqueles que vivem a ganhar dinheiro dos outros. Com participação de Shaquille O´Neil realizando o rap.

A faixa título do álbum é uma longa canção que mistura a história de Michael Jackson com a americana. Faz um resumo da agressão que o próprio músico recebeu até então em contrapartida com outras violências anônimas. O refrão aumenta a esperança, se tornando um elemento positivo para, não importando o que, sempre tentar realizar sua história e deixar um legado. Um diálogo explicito com a biografia do cantor.

Little Susie é uma densa e triste canção que narra a história da menina do título que foi assassinada. Há muita ternura e dor na voz de Jackson que parece simpatizar com a dolorosa saga da menina. Em pequisa, a história de Susie é tida como real e não há sequer um momento belo em toda sua trajetória que terminou de maneira violenta. Embora a canção seja um tanto deslocada do conceito do disco, é profunda, com tanta potência que seu contexto no álbum se torna irrelevante.

Sem perder a melacolia, Smile é uma das mais sinceras interpretações da fase adulta de Michael. A belíssima canção escrita pelo gênio Charles Chaplin sobre as desventuras da vida e a maneira com que devemos lidar com elas.

De maneira desequilibrada, HIStory é um bom disco. Mais pela potência de letras carregadas de sentimentos dispares do que pelas melodias pálidas com eletrônica exagerada. O fato de não ser um álbum coeso não retira a potência de diversas canções. Com o natural distanciamento de seu lançamento torna-se ainda mais evidente que foi um álbum difícil para Jackson gerir e as problemáticas que situavam sua vida ajudaram a produzir um álbum de altos e baixos mas repleto de dor e violência.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Michael Jackson, Dangerous

Artista: Michael Jackson
Álbum: Dangerous
Gravadora: Epic
Ano: 1991


01 - Jam (Michael Jackson, Bruce Swedien, Rene Moore, Teddy Riley)
02 - Why You Wanna Trip On Me (Teddy Riley, Bernard Belle)
03 - In The Closet (ichael Jackson, Teddy Riley)
04 - She Drives Me Wild (ichael Jackson, Teddy Riley; letras de rap por Aquil Davidson)
05 - Remember the Time (Teddy Riley, Michael Jackson, Bernard Belle)
06 - Can´t Let Her Get Away (Michael Jackson, Teddy Riley)
07 - Heal The World (Michael Jackson)
08 - Black Or White ( (com L.T.B. & Slash) Michael Jackson; letras de rap por Bill Bottrell)
09 - Who Is It (Michael Jackson)
10 - Give In To Me (com Slash) (Michael Jackson, Bill Bottrell)
12 - Will You Be There (Michael Jackson)
13 - Gone Too Soon (Larry Grossman, Buz Kohan)
14 - Dangerous (Michael Jackson, Bill Bottrell, Teddy Riley)

Depois de três discos memoráveis com Quincy Jones como produtor, Michael rompeu a parceria e voou sozinho pela primeira vez em Dangerous.

Antes de comentar o álbum em si, devo dizer que é provavelmente o álbum mais influente da música pop em todos os tempos. Independente de qualidade, quase tudo que foi composto depois disso seguiu a fórmula calcada por Michael aqui, uma mistura de R&B (diluído), rap, música eletrônica e agressividade sem propósito. Posto isto, vamos ao álbum em si.

O início de Jam já mostra que o que escutaremos é algo totalmente diferente do Michael que conhecemos, e isso não se comprova exatamente bom, ainda que tenha bons momentos.

A música começa com efeitos eletrônicos e uma forte e constante bateria eletrônica. Michael mostra um vocal muito mais agressivo que o seu normal, como querendo provar que realmente mudou sua atitude e sonoridade.

A letra só reforça essa mudança, são pequenas frases sincopadas misturadas com um rap (feito por Heavy D)... o resultado não é nada primoroso, mas não se pode negar que tenha sido muito influente. Esse disco ditou as tendências da música pop posterior a ele, para o bem ou para o mal.

I have to find my peace cuz
No one seems to let me be
False prophets cry of doom
What are the possibilities

Eu tenho que encontrar minha paz,
Pois parece que ninguém me deixa quieto
Falsos profetas lamentam o destino,
Quais são as possibilidades?

Dá pra perceber claramente que essa agressividade passou para a letra também, que versa sobre a invasão de privacidade e a falta de solidariedade e acaba sendo a melhor coisa da canção.

Why You Wanna Trip on Me começa com um solo de guitarra marcante e logo entra na música eletrônica, novamente com uma bateria eletrônica bem marcante. Novamente Michael canta com uma raiva inusual porem não inesperada.

A excelente letra é o destaque, focando de maneira velada a invasão que a mídia fazia da sua vida pessoal e cotidiana, consegue construir belas e contundentes imagens:

You Got School Teachers
Who Don't Wanna Teach
You Got Grown People
Who Can't Write Or Read
You Got Strange Diseases
Ah But There's No Cure
You Got Many Doctors
That Aren't So Sure
So Tell Me
Why You Wanna Trip On Me?

Temos professores
Que não querem ensinar
Temos pessoas crescidas
Que não sabem ler e escrever
Temos doenças desconhecidas
Que não há cura
Temos muitos médicos
Que não têm certeza do que fazem
Então me diga!

Por que você quer me perturbar?

Ele realça os problemas sociais existentes e que deveriam ser patrulhados pela mídia, para no refrão perguntar porque então continuam perturbando ele e não cuidando das coisas sérias que estão negligenciadas.

Na sequência, In the Closet conta com a estranhíssima participação da princesa Stephanie de Mônaco, mostrando que o bizarro já começava a se sobrepor ao talento de Michael.

A música começa com uma parte falada (pela princesa) muito brega, quebrada depois pelo eletrônico, muito similar ao das canções anteriores. A música continua misturando falas com partes cantadas. As partes de Michael são interessantes, mas não o suficiente para salvarem a canção. Curioso ainda que a letra tenta afirmar um relacionamento entre homem e mulher, mas o título é uma famosa expressão usada para dizer que a pessoa não encontrou ainda sua opção sexual...

She Drives Me Wild continua a viagem de Michael pelos efeitos eletrônicos, bateria fake, rappers e afirmação heterossexual. Sinceramente? Uma canção dispensável, com letra fraca e instrumental que polui a interpretação vocal.

Remember the Time é a primeira balada mais tradicional do disco (ainda que mantenha o clima eletrônico), e recupera um pouco do brilho perdido de Michael, ainda que não seja brilhante, mas é uma boa canção.

O principal aqui é uma interpretação tranqüila e competente de Michael, sem a agressividade mostrada anteriormente. O backing vocal (feito por ele mesmo) funciona bem e a letra é agradável, com um refrão grudento.

Do you remember the time
When we fell in love
Do you remember the time
When we first met

Você se lembra do tempo
Quando nos apaixonamos
Você se lembra do tempo
Quando nos encontramos pela primeira vez

 A sexta faixa é Can't Let Her Get Away, e também abusa dos efeitos eletrônicos, que pareciam ser a aposta de Michael para a música pop no futuro (aposta acertada, já que de fato eles dominaram a década de 90 toda). Novamente aqui Michael canta tentando mostrar uma virilidade que jamais convence, muito por conta do vocal ser encoberto pela mixagem da melodia.

Heal the World melhora o nível do álbum. É uma delicada balada, que chega a cair no clichê, mas que é bem conduzida. A música eletrônica (finalmente) dá um descanso aqui. O começo é um discurso, só que feito por uma criança e depois Michael entra cantando uma suave balada, a mais convencional do disco.

A letra é um gigantesco clichê “salve o planeta para as criancinhas”:

Heal the world
Make it a better place
For you and for me
And the entire human race

Cure o mundo
Faça dele um lugar melhor
Para você e para mim
E toda a raça humana

Mas a canção – e Michael – abraça tão claramente esse clichê que acaba saindo um bom material, se não memorável, muito melhor que a média.

Black or White é uma canção curiosa, ela traz vários elementos que eu havia criticado anteriormente, como a agressividade no canto, a presença de um rapper, o que não a impede de ser uma das melhores gravações da carreira de Michael e da década de 90. Um verdadeiro clássico.

Se em Beat It ele havia trabalhado com Van Hallen, aqui ele traz Slash para fazer a excelente guitarra da música. Michael canta com empolgação uma de suas melhores letras, falando sobre preconceito (e alfinetando a mídia que falava mais sobre sua “mudança de cor” do que de sua música):

I took my baby on a Saturday bang
- Boy is that girl with you?
- Yes, we're one and the same
Now I believe in miracles
And a miracle has happened tonight
But, if you're thinking about my baby
It don't matter if you're black or white

Levei minha garota numa balada no sábado
Cara, essa menina está com você?
Sim, nós somos um e a mesma pessoa
Agora eu acredito em milagres
E um milagre aconteceu esta noite
Mas, se você está pensando sobre minha garota
Não importa se você é preto ou branco

Após um trecho bem pesado, o rapper L.T.B canta um excelente trecho em rap que logo se une ao refrão da música, que cresce em emoção, com um constante riff de Slash. Inesquecível!

Who Is It é uma balada com toques eletrônicos, mas bem mais controlados do que no restante do álbum. Não é marcante e não se sobressai, mas tem uma letra interessante sobre desilusões amorosas.

Na seqüência outra faixa que tem Slash como convidado, Give In to Me é uma balada com uma sonoridade mais lenta e “estranha”, diferindo bem do restante do álbum. A letra é convencional e  o instrumental é bom, mas a bateria eletrônica novamente pesa demais a sonoridade. No geral é uma boa faixa.

Will You Be There é uma das músicas mais famosas do álbum, por ter sido trilha sonora do tenebroso filme Free Willy. A letra é boa, apesar de melosa, possuindo alguns belos versos:

Hold me
Like the River Jordan
And I will then say to thee
You are my friend
Carry me
Like you are my brother
Love me like a mother
Will you be there?

Abraça-me
Como o Rio Jordão
E então eu lhe direi
- Você é meu amigo
Leve-me
Como se você fosse meu irmão
Me ame como uma mãe
Você estará lá?

O instrumental levado com piano e canto coral é muito mais interessante que o normal do álbum, assim como a suave performance vocal de Michael, que se aprofunda no decorrer da música, é a melhor performance dele em Dangerous. No geral é música é boa, com certeza um dos destaques do trabalho.

Keep the Faith é outra balada, mas sem a mesma qualidade de Will You Be There. O instrumental eletrônico funciona bem aqui, ainda que encubra a voz de Michael de vez em quando (problema freqüente do álbum todo).

A letra é positiva e toca a religiosidade, lembrando as raízes R&B (reforçadas pelo coro no final) de Michael. A música é grande demais e com certeza seria muito melhor se tivesse uns bons 2 minutos a menos.

Gone Too Soon é a única música do álbum que não foi escrita por Michael. É uma balada convencional e arrastada. O instrumental sem truques eletrônicos é bom, mas nada que dê destaque a ela, que acaba soando como um pastiche de outras faixas emotivas que Michael já gravou, como a excelente She’s Out of My Life do Off the Wall.

O disco fecha poderosamente com a sensacional música título. A segunda melhor canção do álbum usa todos os recursos em que as outras falham a seu favor. Os efeitos eletrônicos criam uma atmosfera incrível de perigo e luxúria, reforçados imensamente pela competente e sonora letra e pela declamação incrível de Michael:

The girl was persuasive
The girl i could not trust
The girl is bad
The girl is dangerous

A garota era persuasiva
Nessa garota eu não podia confiar
A garota era má
A garota era perigosa

O trecho cantado mostra a qualidade absurda de Michael em mudar da fala pro canto e soar bem nos dois. Dangerous é uma das últimas grandes canções da carreira de Michael, e mostra como esse álbum poderia ter sido maravilhoso se os elementos utilizados tivessem sido usados sempre de maneira tão consciente e criativa como aqui.

No final a suposta experimentação que Michael propôs neste álbum, acabou sendo muito mal utilizada. Os efeitos eletrônicos incomodam e – por conta de uma mixagem problemática - causam um efeito de desconforto e monotonia, que só se acentua com a repetitiva bateria eletrônica e o tamanho exagerado de suas faixas.

Com apenas duas músicas realmente memoráveis, Dangerous é um álbum importantíssimo para  música pop e para a carreira de Michael Jackson, mas fica longe de ser uma obra constante. Uma pena.




domingo, 1 de julho de 2012

Michael Jackson, Bad

Artista: Michael Jackson
Álbum: Bad
Gravadora: Epic
Ano: 1987


01 - Bad (Michael Jackson)
02 - The Way You Make Me Feel (Michael Jackson)
03 - Speed Demon (Michael Jackson)
04 - Liberian Girl (Michael Jackson)
05 - Just Good Friends with Stevie Wonder (Terry Britten, Graham Lyle)
06 - Anoter Part Of Me (Michael Jackson)
07 - Man In The Mirror (Siedah Garrett, Glen Ballard)
08 - I Just Can´t Stop Loving You with Siedah Garrett (Michael Jackson)
09 - Dirty Diana (Michael Jackson)
10 - Smooth Criminal (Michael Jackson)
11 - Leave Me Alone (Michael Jackson)


Terceiro e último álbum em parceria com o produtor Quincy Jones, Bad tinha uma dificil empreitada nas mãos. Manter a densidade sonora do álbum anterior – posteriormente eleito o melhor de todos os tempos – e garantir sucesso de crítica e público.

Michael Jackson nunca esteve tão a vontade para apresentar músicas próprias. Dizem que as composições chegavam a mais de sessenta e o músico intentava lançá-las em um disco triplo. Jones, porém, convence-o a lançar o álbum no formato tradicional com dez faixas. Ainda que na edição em cd a canção Leave Me Alone foi inserida.

Bad foi lançado em 1987, cinco anos do estrondoso e contínuo sucesso de Thriller. Se os dois impecáveis álbuns anteriores funcionavam como uma desconstrução da música pop até então, coube a Bad a potência de reconstruí-la. Sendo um álbum centrado em elementos mais tradicionais sem deixar de lado arroubos criativos e algumas experimentações.

Dificil seria produzir um disco tão perfeito quanto Thriller. Repetir a experimentação sonora seria apenas realizar uma sequência não natural e desnecessária. É louvável que Jackson tenha tentado ir além da mistura anterior. Buscou peso em algumas canções – peso que Beat It já sugeria – e mudou a temática do álbum, centrada mais no universo íntimo do músico, tanto naquelas pessoas que o cercavam quanto a pensamentos interiores.

Todos sabem o grandioso sucesso do álbum mais famoso. Por consequencia do mesmo, a mídia nunca mais deixou o cantor em paz, em nenhum momento da vida futura. Positiva ou negativamente, Jackson teve a imagem explorada e desgastada em jornais, revistas, e tabloides. Nesse contexto, a canção que abre o disco, mais uma que como a dos álbuns anteriores é excelente, traduz-se como um direito de resposta do próprio músico perante as diversas notícias sobre ele.

Oficialmente a composição da música é relacionada a uma história verídica de um garoto que era agredido por outros colegas por estudar em uma escola de classe média e não naquela do gueto próximo onde viviam. Hoje a história parece metáfora daquele cantor negro que quebrou barreiras musicais preconceituosas. Demonstrando sua potencia não importanto a cor. Um verdadeiro bad man.

A canção serve também como elemento conceitual do álbum. Michael trajaria jaqueta de couro e outros elementos mais agressivos em suas aparições. E a frase “Who´s Bad” tornou-se icone como expressão e como significado do que é Jackson.

A canção seguinte demonstra que a percepção má é somente uma ideia. The Way You Make Me Feel é uma música dançante cujo ritmo propõe uma idéia de movimento constante devido a urgência da letra, uma declaração de amor. Mesmo com uma base mais tradicional, o teclado entra na melodia como um ataque, aumentando a densidade da música, e a sequencia de palmas, característica de outras canções, ajudam a completar o ritmo.

A ode a disco, aos temas mais universais, são deixadas de lado para a observação de um universo mais íntimo. Speed Demon é a canção que, como ouvinte, me deixa mais reticente. Em um primeiro momento considerei a faixa mais fraca. Após ouvi-la diversas vezes observei que o tema parece fora do contexto tradicional do cantor. Embora, diz sua biografia, foi composta em um dia que, atrasado para o estúdio, o músico sofreu uma multa por alta velocidade. O baixo acelerado no refrão data a música com exagero na década de oitenta Porém, a voz agressiva e sussurada equilibra-se bem entre o tradicional e o novo. Mesmo mais tradicional, empolga.

Liberial Girl tem participação da cantora Letta Mbulo que faz os versos iniciais em swalli. A canção é uma ode a uma personagem não identificada. O videoclip da canção intensifica a ideia e é recheado de participações especiais de grandes conhecidos da música e do cinema. Talvez o conceito de cantar para uma musa sem revela-la fosse um truque do próprio Jackson em ocultar da imprensa algum amor que estava vivendo. A parte tal elemento, o uso de dois vocais e a repetição do backing vocal tão bem executado dão o tom especial para a música.

Just Good Friends foi a única das onze canções que não atingiu alguma lista mundial de mais ouvidas ou fez parte de algum single. Fato estranho ainda mais tratando-se de um dueto com Steve Wonder, músico revisitado diversas vezes por Michael. A canção repete um embate parecido com o de The Girl Is Mine mas, dessa vez, em ritmo dançante e com alguém que não parece e não quer saber ao certo com quem ficará.

Baby Loves Me
Though She Never Shows
She Cares

A garota me ama
embora ela nunca demonstre
que se importa

É mais provavel que essa faixa não tenha conseguindo atingir as paradas pela quantidade exagerada de outras que já estavam tocando freneticamente. A canção é boa e ainda reune dois grandes astros consagrados.

Another Part Of Me é a primeira faixa do Lado B. Novamente, a importancia do vinil é referida. Afinal, o segundo lado de um disco é, exatamente, a outra parte do mesmo. Não pensar que tal faixa está colocada exatamente para causar essa intenção é perder parte do significado externo do álbum. É a primeira canção que falará das causas mundiais, sendo a primeira de uma sequencia de canções em sua carreira, algumas boas outras regulares, a falar a respeito da condição mundial seja no aspecto climático, social ou infantil. Vale lembrar que até esse ponto da carreira, Michael já tinha produzido um grande libelo musical contra a fome na Africa em 1985, a excelente canção We Are The World.

Man In The Mirror não é composta por Michael Jackson mas dialoga bem com seu interior. A batida suave e os dedos estalando como ritmo produzem uma balada com muita ternura e certa urgência. Tornaria-se uma das canções chave para compreender o cantor e também uma que ele tinha apreço em cantar. A letra fala das mudanças que devem começar no interior de cada um para, então, tocar o mundo. Os contornos épicos chegam quando o coral acompanha a letra, sendo uma canção de arrepiar. Sentimental sem sentimentalismo barato e com a dose certa de reflexão. Visualizando a mudança de dentro para fora.

 I'm starting with the man in the mirror
I'm asking him to change his ways
And no message could have been any clearer:
If you wanna make the world a better place
Take a look at yourself and then make a change.

Começarei com o homem no espelho
pedirei a ele para mudar seus modos
E nenhuma mensagem será mais clara:
Se você quer fazer do mundo um lugar melhor
olhe para si mesmo e faça uma mudança

As composições próprias de Jackson retornam em outra balada, agora amorosa. I Just Can´t Stop Loving You é cantada em parceria com Siedah Garrett – uma das compositoras da faixa anterior – e dialoga a mesma história de amor com duas pessoas. Não há elementos musicais inovadores, mas a letra é forte e sintetiza um dos pensamentos de Michael: Love is the answer. Inicialmente, os vocais seriam divididos com alguma cantora famosa, mas Quincy Jones insistiu para que Garrett, sua protegida, fizesse a gravação. A escolha foi positiva e evitou uma desagradável batalha de egos que poderia surgir se dois grandes astros a cantassem.

Há quem compare Dirty Diana com Beat It. Mas se formos comparar faixa a faixa de ambos os discos estaremos destruindo as obras em si. Dirty Diana pode se aproximar sonoramente de Thriller, mas seus versos sobre uma mulher fatal destruidora de corações a situam um passo a frente do disco. A canção soa como se tivesse sido gravada ao vivo, com o público gritando em certos momentos. O que explicita a ideia de que a Diana do título é uma groopie atrevida.

O maior ponto de transição entre a obra anterior e essa é a definitiva Smooth Criminal. Uma canção sincopada pelo baixo sobre uma garota que leva um tiro de um assassino profissional. Todos os elementos de Michael Jackson estariam presentes. A canção narrada em sussuros, pequenos gritos característicos, o espaço para o instrumental que deu direito a uma de suas danças icônicas e a estruturação de um conceito onde o dançarino se veste de mafioso para a canção.

Se o álbum finalizasse a esse ponto, o desfecho seria brilhante. Porém, há um fôlego a mais em cd na canção mais significativa do álbum: Leave Me Alone. Nela um Michael Jackson incomodado e paranóico com a contemplação da mídia pede um pouco de paz para viver. Embora a letra tente demonstrar que estava além das notícias estravagantes criadas em tablóides, o cantor se incomodava muito com as críticas e bizarrices desenvolvidas na mídia por sua personalidade. Mas nesta canção, e no clipe, soube lidar de maneira irônica e cômica com a pressão de ser um grande astro. Michael não só saia-se bem da situação como, de quebra, trazia uma última faixa excelente.

Salvo a canção com Wonder, todas ganharam singles e clipes. Após o lançamento do disco Michael gravou Moonwalker. Uma gigantesca peça publicitária que queria ser filme. Hoje visto como uma versão visual do disco é positivo, como filme é um arremedo com argumento ruim. Porém, o jogo lançado com o mesmo título é ainda divertido.

Também na ocasião da turne de Bad que Michael ganhou seu epíteto de Rei do Pop que o acompanharia para sempre. Ajudando a ampliar a mística em torno do músico cuja potencia em fazer sucesso era estrondosa.

Completando vinte e cinco anos de lançamento, Bad ganhará uma edição especial no mês de setembro com três discos e um dvd que registra um show da turnê. É estranho que Thriller não tenha, ainda, recebido esse tratamento. De qualquer maneira, a edição promete trazer novas canções, o disco remasterizado e outros materiais em uma bela caixa.

É justamente esse material extra que sobrou durante toda a carreira de Jackson que, aos poucos, será diluído em diversos discos e lançamentos dispersos, ampliando sua discografia póstuma. Evidente que se as canções não foram lançadas antes nem todas possuem alta qualidade. Mas os responsáveis pelo lançamentos do astro parecem não se preocupar com o quesito qualidade, desde que existam lucros.

Antes mesmo dessa edição de vinte e cinco anos, o álbum foi relançado com três faixas a mais que merecem um comentário. Streetwalker é eficiente e tem qualidade para estar na seleção oficial do disco, embora nenhuma musica poderia ser retirada para substituí-la. Todo Mi Amor Es Tú é uma versão sofrível de I Just Can´t Stop Lovin You com um espanhol mal pronunciado por Jackson. Fly Away é uma balada sem nenhum atrativo em especial.

Mesmo com o grandioso sucesso, musicalmente Bad não consegue atingir a perfeição de Thriller. Mas estabelece bem o próximo seguimento de sua carreira e mostra um músico capaz de dialogar tanto com o tradicional quanto a inovar quando necessário.