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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Último Grande Heroi

Blu Ray Americano
(Last Action Hero, 1993)
Diretor: John McTiernan
Elenco: Arnold Schwarzenegger, F. Murray Abraham, Art Carney, Charles Dance, Frank McRae, Tom Noonan , Robert Prosky

A década de noventa marcou auge e decadência dos brucutus. Vindos principalmente dos anos oitenta, realizaram bons e rentáveis filmes até então. Porém, os gêneros começaram a mudar seu paradigma, quebrando barreiras internas e o estilo machão em um filme de ação violento perdeu parte do prestígio. Van Damme, Stallone e Schwarzenegger, depois de sucessos como O Alvo, Risco Total e Exterminador do Futuro 2, respectivamente, viram o sucesso de suas carreiras minguando aos poucos.

A grande problemática de O Último Grande Héroi é a época de seu lançamento. O filme é um misto de comédia com ação, desenvolvendo a descrença do exagero destas produções ainda populares. Na época, a barreira entre gêneros ainda era alta, não houve espaço e aceitação para uma história que brincava tão explicitamente com tais mundos. O mesmo Scharza repetiria a sátira em outro estilo, no excelente True Lies.

Vilões caricatos, heróis quase imortais, são aceitos hoje como um alívio cômico. Não se leva mais a sério pela tendência realista do cinema contemporâneo. Evidente que há exemplos isolados, tanto do realismo, como de um elemento mais híbrido. Porém, hoje se tornou um padrão que somente o tempo transformará.

Assistido com distanciamento, a produção teve bom envelhecimento. A trama brinca com a fantasia de todo garoto em conhecer o seu herói favorito de ação. Ao ganhar um bilhete mágico para seu filme preferido, o garoto Danny Madigan atravessa para o mundo fictício do enredo. O estranhamento de situar-se em um mundo regido por outras leis é evidente. Armas possuem tiros limitados, heróis não sangram e sempre estão dispostos para mais um golpe. A ação se concentra boa parte neste ambiente até que o reverte com a chegada das personagens no mundo real, realizando outro golpe, dessa vez evidenciando como é difícil ser um mocinho na vida real.

Sem perder a ideia de um entretenimento, o filme promove uma reflexão de seu próprio tempo e acabou por prever como o cinema pipoca se comportaria na década seguinte. Elementos que hoje apresentam alguns sinais de cansaço e que, muito provavelmente, também começarão a ser deixados de lado, à procura de outra inovação.

Mesmo a metragem um tanto extensa, não tira o divertimento deste filme que falhou em seu lançamento, mas que hoje tem mais significado do que em sua época.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Os Mercenários 2

(The Expendables 2, 2012)
Diretor: Simon West
Elenco: Jason Statham, Bruce Willis, Liam Hemsworth, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger, Jean-Claude Van Damme, Jet Li, Chuck Norris, Dolph Lundgren, Scott Adkins

O retorno de consagrados astros de ação, unidos em um só projeto, foi um sucesso estrondoso. Permitindo que uma sequência surgisse, erigida em preceitos básicos da ação: maior, melhor e com mais furos. A homenagem explícita ao passado retorna em Os Mercenários 2. Entregando a diversão e violência exagerada esperada pelo público.

A ação inicia-se de maneira frenética. Tem o parâmetro exagerado do passado, mas a velocidade das tramas contemporânea. Elevando a violência ao extremo, potencializada pela edição rápida, e transformando lutas em elementos brutais. O sangue invade a tela a cada segundo. Uma massa falsa, vermelho escuro, que redecora o cenário sem romper as imaculadas roupas das personagens. Afinal, em uma história oitentista até a violência é maniqueísta.

Natural de uma sequência, os mercenários ainda pagam pelo estrago causado em Vilania e selam novo acordo com Church, que os contratou na missão anterior, para quitarem as dívidas, evitando a prisão federal. Cabe ao grupo recuperar um item dentro de um avião abatido em outro país, evitando que caia nas mãos erradas de Vilain. Um líder de um grupo terrorista interpretado pelo eterno mestre Jean-Claude Van Damme.

Stallone que dessa vez deixa a direção de lado, concentrando-se no roteiro, continua com a visão preta no branco que o consagrou. O vilão de Van Damme não poderia ser mais óbvio pelo nome, ainda que mais próximo dos dias de hoje: ao invés da dominação mundial com o roubo de plutônio, resgatado pelo mapa do item, deseja apenas acumular dinheiro.

Van Damme negou participar da primeira produção porque seria o vilão da trama. Mas deve ter reconhecido a loucura de negar estar na segunda aventura do grupo. Sem dúvida, o argumento utilizando um vilão famoso era a história da primeira produção, alterada por não encontrar um medalhão.

Sem se importar com incongruências de roteiro – com direito a uma épica troca de tiros em um cenário com toneladas de plutônio – a ação é condutora da trama com mais eficácia que o primeiro. Mas repete a habilidade de dar espaço para cada astro demonstrar sua habilidade em cenas solo.

Jet Li, que participa somente da primeira investida, realiza excelente luta misturada com balé voador. Jason Statham comprova seu status de único defensor do cinema brucutu da última década. Schwarzenegger retorna brevemente mas, ao lado de Willis, demonstram o porque são os ícones mais carismático. O chefe do bando, Sly, fica com a merecida luta final com o bandido, em cena que equilibra bem as diferenças de cada ator /personagem sem abrir mão da brutalidade, com direito a uma voadora de Van Damme que relembra seu auge e desnorteia o público pela força. A participação especial do longa coube a Chuck Norris, dialogando com a própria fama do maior do mundo como um lobo solitário capaz de destruir um exército todo. Afinal, é Chuck Norris.

Dentro e fora da obra, a homenagem aos velhos brucutus insere sua marca no presente. Faz o público rir ao lado de seus ídolos, quebrando barreiras de personagem. O que se vê na tela são velhos astros provando que ainda saber se divertir, entreter o público e rir de si mesmos. Algo que Dolph Lundgren realizou com muita paródia por ser conhecido como o menos talentoso artisticamente.

A próxima sequência tem data para acontecer e especulações de quem integrará o elenco dos brucutus começa a surgir. É provável que a história não tenha nenhuma amarra com as anteriores. De fato, a potência criada é tamanha que não é de se espantar se decidirem realizar um filme solo de Jet Li explicando porque o baixinho Yin Yang ficou fora da ação deste segundo filme.

Recomenda-se que o filme seja visto em um bom cinema, pois a edição de som está espetacular, sendo candidato certeiro para testar aparelhagens quando disponível em Blu Ray e DVD. A crítica fica para a tradução das legendas nas cópias brasileiras. Perdendo boas piadas mal adaptadas e com um deslize feio de expressão idiomática. Dando-nos a impressão de que foi uma tradução sem as referências contextuais.



sexta-feira, 27 de julho de 2012

Batman e Robin

(Batman & Robin, 1997)
Direção: Joel Schumacher 
Atores: George Clooney, Arnold Schwarzenegger, Chris O'Donnell, Uma Thurman, Alicia Silverstone

Houve um momento na história cinematográfica, no espaço e tempo que Batman e Robin foi um bom filme. Mesmo que imediatamente após essa afirmação seja necessário rir pelo absurdo. Porém, é explicável se levarmos em conta a escassez de filmes de super heróis no final da década de noventa. A isso some a grandiosa personagem de Batman e não deixe de considerar um mundo não inteiramente globalizado pela internet. Foi o necessário para torna-se uma referência.

Um novo ator é escalado para viver o homem morcego. George Clooney, que começava o estrelato, foi o único que saiu incólume da produção. Sem ter seu carisma abalado, conseguindo manter uma excelente carreira após o filme.

Se Batman Eternamente era colorido em demasia, não há maneiras de mencionar essa produção sem uma alegoria breve de que para transformar o filme em um carnaval falta somente o samba enredo. Joel Schumacher nunca chegou tão baixo para contar uma história em que tudo é equivocado.

A formula parecia funcional. Um novo ator no papel principal, uma atriz bonita como vilã e um brucutu em decadência para completar a equação. E começa a luta agressiva contra a moral de Batman nas telas.

Primeiro, o figurino. A armadura um tanto visível na versão de Burton perde uso para um uniforme mais estético. Não bastando o close nas nádegas dos garotos enquanto vestem o uniforme, decidiram transformar a roupa com elementos mais humanos. Não é possível compreender a funcionalidade de falsos mamilos em um uniforme.

O roteiro é tão denso que poderia ser feito em casa pelo público. A dominação mundial fica por conta de Senhor Frio que deseja congelar Gotham City. E se une a Hera Venenosa, defensora da causa da natureza.

Como o drama não é suficiente, Alfred está doente e entra em cena sua sobrinha. Alicia Silverstone tentando um fôlego extra além de As Patricinhas de Bervely Hills, seu único filme de sucesso. As coincidências extrapolam o roteiro e em alguns minutos ela não só descobre o segredo de Wayne como se torna Batgirl  e sai distribuindo chutes e pontapés, em um curso relâmpago de artes marciais.

O filme é uma sucessiva série de elementos cômicos involuntários, que provavelmente tem ápice no leilão em que Batman e Robin disputam o amor de Hera Venonosa, culminando no Batcartão. Um cartão de crédito exclusivo do homem morcego. que ainda solta a pérola “não saia da caverna sem ele”.

Os acessórios e objetos desenvolvidos para a dupla são sempre escolhidos na hora certa. Se há um personagem congelado, eles possuem uma arma laser para desfazer. Se Batman está preso em uma árvore viva por Hera Venenosa, basta ativar a Batserra no cinto de utilidades. É compreensível que o herói tenha um arsenal inventivo mas não ao ponto de resolver todas as situações.

O personagem mais deturpado foi Bane. Grande vilão de uma saga – e da terceira parte da trilogia de Nolan – que aqui é um mero capanga de Hera Venenosa. Demonstrando claramente que a ideia era apenas abarrotar o roteiro com referências.

Quem assistiu esse petardo nos cinemas teve a chance de ver a tradução da palavra Cowabanga, dita por Robin quando desce com uma prancha improvisada em um telhado de Gotham, ser modificada para Ah, eu to maluco, bordão vigente na época. Impossível tradução melhor.

Com o passar dos anos que pouco a pouco se percebeu a péssima qualidade da produção e o repúdio a essa péssima sequência. Depois dela, Schumacher demorou para fazer um bom filme como diretor. Provavelmente porque ninguém tinha coragem de contrata-lo após este espetáculo cinematográfico que afundava de uma vez por todas os filmes de super heróis nos cinemas.