sexta-feira, 9 de março de 2012

Beleza Adormecida

(Sleeping Beauty, 2011)
Diretor: Julia Leigh
Elenco: Emily Browning, Rachael Blake, Ewen Leslie, Peter Carroll, Chris Haywood, Hugh Keays-Byrne, Bridgette Barrett, Hannah Bella Bowden, Les Chantery, Benita Collings.



Algumas produções exige mais de seu expectador. Apresentam uma história com poucos referenciais, cabendo ao público preencher as lacunas, pressupondo as entrelinhas. A composição de uma trama no estilo não necessariamente é eleavada. O vazio pode ser interpretado de inúmeras maneiras e, se não bem inserido, produz o efeito contrário.

Beleza Adormecida nos apresenta Lucy. Uma jovem que aceita qualquer trabalho pelo dinheiro. Envolve-se em uma experiência médica, trabalha como copiadora em um escritório, limpa mesas de um restaurante e aceita a proposta de trabalhar como garçonete em um jantar sigiloso trajando somente lingerie.
A trama apresenta-se de maneira lacunar. Julia Leigh, diretora estreante que também assina o roteiro, deseja uma recepção ativa de seu público. Não intenta, aparentemente, exercer uma crítica profunda, deixando que o espectador a faça.

Dessa maneira, acompanhamos partes da vida da garota sem, de fato, compreendê-la. Mesmo trabalhando está prestes a ser despejada de onde mora. Aparenta tristeza sem sabermos qual o motivo. Talvez a intenção da história seja a procura do questionamento. Apresentar uma pessoa comum e tentar compreender qual seria sua motivação.

Boa parte da condução da trama se apoia no choque sexual que algumas cenas produzem. A expressão que dá título a obra refere-se a uma casa de prostituição em que as garotas são postas para dormir e, então, são apresentadas ao clientes.

Sem um suporte mais explicativo, boa parte do enredo torna-se sujetivo. Em minha compreenção estabeleci uma interpretação que me satisfez, resultando em uma boa opinião sobre a produção. Porem a narrativa repleta de espaços pode ser duvidosa. Justamente pelo silêncio parecer boa, quando na verdade sua história nada revela.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Professora Sem Classe

(Bad Teacher, 2011)
Diretor: Jake Kasdar
Elenco: Cameron Diaz, Eric Stonestreet, Jason Segel, Lucy Punch, Justin Timberlake, Thomas Lennon, Molly Shannon.

A fama de Cameron Diaz surgiu quando seu belo rosto dividiu cena com Jim Carey, em O Maskara. A partir de então sua carreira oscilou entre uma atriz bibelô e poucos momentos em que a atriz marcava presença nas produções que estrelava.

Sem muita popularidade após As Panteras - Detonando, a atriz participou de algumas poucas produções e parece tentar se reafirmar em Hollywood. Estrelou Encontro Explosivo, ao lado de Tom Cruise e participou de Besouro Verde, outra produção pipoca.

Professora Sem Classe é possivelmente um filme formatado como teste de seu carisma. Na trama, Diaz é Elisabeth Halsey, professora frívola que decide se aposentar para casar com um milionário. Como o casamento não dá certo, ela retorna suas atividades de professora com um forte objetivo: aumentar o tamanho dos seios com silicone, acreditando que assim terá mais sucesso para fisgar um bom partido.

A história inicialmente parece uma comédia de costumes, com uma professora de moral duvidosa e casca grossa. Em poucos minutos, a trama envereda para o humor grosseiro e apelativo e não decola pela superficialidade da motivação da personagem.

Segue-se piadas sem nenhum timming, doses exageradas de sexualidade, Cameron Diaz limpando carros semi nua, para manter sua fama de sexy, e uma dantesca cena em que ela e outro professor da escola fazem sexo vestido da cabeça aos pés. Elemento tão grotesco que só faria sentido em um filme de Will Farrell.

Como toda comédia possui um fundo moralizante, após a grosseria surge espaço para o sentimentalismo com direito e um exagerado final feliz. Cameron Diaz pode ainda ser atraente, ter certo talento para algumas produções mas, sem dúvida, como afirma o título em português do filme, realizou uma produção sem nenhuma classe.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Homem Que Mudou o Jogo

(Moneyball, 2011)
Diretor: Bennet Miller
Elenco: Brad Pitt, Philip Seymour Hoffman, Robin Wright, Jonah Hill.

Uma das características comuns de um filme esportivo é a edificação de sua história. Apresentada como única, com elementos distintos, normalmente baseados em fatos reais, resultando em uma mensagem em seu desfecho.

O Homem Que Mudou o Jogo apresenta Billy Beane. Um ex-jogador, gerente do time de baseball Oakland Athletics que se encontra nas últimas colocações do campeonato. Ao conhecer o economista Peter Brand, que lhe apresenta um programa de estatística sobre eficiência em jogos e jogadores, Beane descobre ser possível montar um time vencedor com a pouca verba que possui. Mesmo contrariando dirigentes, resolve arriscar no projeto.

A produção mostra tentativa, erro e acerto do gerente em gerir um time utilizando este novo parâmetro que, até então, era inédito. Para um público brasileiro que não conhece nada de baseball, torna-se mais difícil ter empatia por uma história que peca pela falta de emoção.

A história é centrada em excesso em Beane e seus dilemas. Perdendo o escopo motivacional dos diversos jogadores que produziram as vitórias para o time. Sem o contato emocional com a trama, ela torna-se apenas bem estrurada, mas fria.

Brad Pitt, indicado ao Oscar de melhor ator, representa bem seu papel. Porém, outros personagens de sua carreira foram melhores compostos. Deixando uma dúvida a respeito da indicação por uma interpretação apenas dentro dos padrões.

As seis indicações ao Oscar obtidas pela produção foi o motivo pelo qual o filme, que sairia direto para home vídeo, tivesse lançamento cinematográfico no país. Para os iniciados no esporte, a produção pode ter um brilho a mais e ser funcional. No aspecto cinematográfico, também nas indicações, não há nada que mereça de fato destaque.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Filha do Mal

(The Devil Inside, 2012)
Diretor: William Brent Bell
Elenco: Fernanda Andrade, Simon Quarterman, Evan Helmuth, Ionut Grama.

A produção de 1973 de William Friedkin, O Exorcista, ainda hoje causa-me espanto. Mais pela boa composição do suspense do que pelas explícitas cenas de exorcismo. É primorosa a sutil construção da atmosfera, crescendo a cada cena. Não seria exagero afirmar que volto a respirar somente no desfecho da trama.

Quando a religião torna-se a base de um filme de terror, parece-me necessário mais nuances do que na composição de uma trama envolvendo um serial killer. Afinal, qual é a essência aterrorizante de uma história envolvendo crenças? Uma força superior desconhecida? A percepção de um elemento maldito incontrolável? O próprio ato em si?

Filha do Mal é composto de maneira documental, seguindo o estilo que há doze anos A Bruxa de Blair tornou famoso. Transformando o limitado baixo orçamento em uma história que aproxima-se de um efeito realístico.

A história acompanha Isabela Rossi na investigação do paradeiro de sua mãe que há mais de vinte anos foi institucionalizada em Roma por assassinar três pessoas durante um ritual de exorcismo. Caminhando inicialmente por depoimentos de autoridade a respeito da ciencia, misticismo, religião e exorcismo que produzem a simulação da realidade, o longa aos poucos cede seu suspiro criativo para a tradicional história de exorcismo.

Ao lado de dois padres que executam exorcismos mesmo sem a autorização da igreja, não há nada que outras histórias não apresentou anteriormente. Ainda mais quando parece explícito que a composição do choque da ação é mais centralizada do que a composição da atmosfera que a envolve.O resultado são as vitimas retorcidas, com falas em línguas mortas, palavrões e a cartilha tradicional de sempre. Comumente sem graça.

Uma produção ligeira que inicia a lista dos piores filmes do ano.

Tudo Pelo Poder

(Idles Of March, 2011)
Diretor: George Clooney
Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Jeffrey Wright.


Quarto filme dirigido por George Clooney, Tudo Pelo Poder é mais uma das produções que prezam pelo bom argumento e a potência dos diálogos. Estrelado pelo próprio diretor e por Ryan Gosling, a trama situa-se na pré-corrida a presidência, quando os partidos realizam eleições internas para escolher o candidato a eleição.

É a percepção política de Stephen Myers, um jovem idealista responsável pela campanha do governador Mike Morris, que observamos transformar-se durante a narrativa. A produção desenvolve um choque entre a visão pública de um político em contra partida com a conhecida por sua equipe. Bem como a constatação de que para a construção de uma figura pública sem amarras negativas, há um mar de lama anterior que foi ignorado.

O contraste entre o governador e o assessor - sintetizado no belíssimo cartaz - surge durante a construção da trama. Dialogando intimamente sobre a política, fica evidente que nem mesmo os mais próximos dos candidatos tem real conhecimento sobre ele.

A história baseia-se na peça “Farragut North” de Beau Willimon, sucesso da Broadway. Para o diretor Clooney, a política era um cenário essencial para gerar a discussão sobre lealdade, integridade e o embate sobre até que ponto o idealismo político é manchado por elementos obscuros.

Novamente como em suas produções anteriores, o diretor mesmo em um papel na trama não é a figura central. Sendo apenas apoio para a personagem de Gosling. Além dos atores, a trama conta ainda com Phillip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, Rachel Evan Wood e Marisa Tomei. Resultando em um elenco dos sonhos muito bem composto sobre os meandros da corrupção política.

O filme ainda ganhou uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Roteiro Adaptado.

Os Outros Caras

(The Other Guys, 2010)
Diretor: Adam McKay
Elenco: Will Ferrell, Mark Walhberg, Eva Mendes, Dwayne Johnson, Samuel L. Jackson, Steve Coogan, Michael Keaton.

Will Ferrell é sempre Will Ferrell. Comediante que se consagrou por um estilo de humor jocoso e exagerado que definiu seu estilo. Elemento natural na carreira de qualquer humorista que sedimenta uma maneira de fazer rir e se realiza a partir dela.

Os Outros Caras transforma o exageiro normalmente centrado na figura de Farrell – que também produz o longa – para diversas camadas da produção. Realizando um filme estridente, repleto do humor non sense característico do comediante.

Do diretor responsável por Quase Irmãos e O Âncora, Adam McKay repete a boa parceria com o humorista. Na trama, Ferrell é Adam Gamble, um homem pacato que trabalha com prazer na contabilidade da polícia, diferentemente de seu parceiro, Terry Holtz que, após atirar acidentalmente em um jogador, é rebaixado ao escritório. Sendo motivo de riso pelo resto da corporação decidem demonstrar seu valor após a morte acidental dos dois ídolos policiais da cidade, participação de Samuel L. Jackson e Dwayne “The Rock” Johnson.

A dupla central da trama é bem equilibrada. Enquanto Ferrell repete seu personagem tradicional, normalmente calmo com momentos explosivos, Whalberg repete seu característico policial durão dessa vez a favor do riso. Dialogos absurdos são composto de maneira natural, produzindo o cômico pelo espanto.

A história exagerada em todos os aspectos não teve aceitação do público, algo compreensível. O humor de Will Ferrell segue uma fórmula estabelecida. Dentro de seu nicho é hilário. Fora dele divide opiniões. A história, motivada por cenas de ação, ainda faz com que erroneamente muitos acreditem que a trama teria mais seriedade.

Will Farell será sempre Will Ferrell. É isso que torna seus filmes interessante a quem gosta. A sensação de que o grandalhão sempre será capaz de subverter situações a sua maneira estapafúrdia e exagerada. Um ator que faz quase sempre o mesmo papel mas realiza-o bem.

A pouca bilheteria não tira o mérito da produção que exagera no humor mas também faz sátira dos blockbusters de ação. Provavelmente ganhando uma segunda chance quando estiver no circuito televisivo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Cada Um Tem a Gêmea Que Merece

(Jack and Jill, 2011)
Diretor: Dennis Dugan
Elenco: Adam Sandler, Al Pacino, Katie Holmes.

Durante sua carreira no humor, Adam Sandler persegue o mesmo estilo cômico. Em histórias diferentes, apresenta as mesmas personagens desconcertantes e não abre mão do fundo moralizante que fecha a trama.

Em Cada Um Tem a Gêmea que Merece o escárnio jocoso é mais explícito e transforma Sandler no comediante da vez que se travestirá para um papel feminino, como aconteceu com Eddie Murphy e Martin Lawrence.

A produção inicia-se de maneira documental, com depoimentos de irmãos gêmeos a respeito da relação normalmente harmoniosa que um mantém com o outro. A intenção do momento é boa, mas é desintegrada no instante que surge a história do filme.

Jack não suporta sua irmã gêmea Jill, que se encontra com a família apenas nos feriados de final de ano. Desnecessariamente sincera, vivendo com um papagaio e mais masculina que o irmão, a personagem da vazão a todo humor ácido que Sandler produz como costume. Porém, sem quase nenhuma graça.

Ao contrário do que se pode imaginar, que a duplicidade do ator geraria duas vezes mais humor, somente Jill, pelo estilo exagerado, intenta o riso. Jack torna-se um pálido personagem aborrecido pela convivência com a irmã, preocupado em perder um cliente na companhia de publicidade em que trabalha caso não convença Al Pacino a estrelar um novo comercial de café.

As estranhezas secundárias e naturais de um filme do ator também estão lá. Um sem teto amigo da família, uma filha que se veste como suas bonecas, um indiano adotado que gosta de utilizar fita adesiva colocando objetos no próprio corpo. Mas todo o arsenal de estranhamento parece deslocado, sem a integração natural de filmes anteriores do ator, muitos dos quais dirigido também por Dennis Dugan.

Al Pacino interpreta uma versão exagerada de si mesma. Um ator consagrado, já cansado, que vê em Jill a possível personagem para apoiar seu novo papel no teatro. Em parte, Pacino tem bom humor em rir de sua própria carreira descendente. Porém, a caracterização soa tão verdadeira que entristece a constatação de que o astro de O Poderoso Chefão, Scarface, Perfume de Mulher seja sombra do que foi outrora e ainda estrele filme tão questionável.

Eleito um dos piores filmes do ano passado, concorrente forte em futuras indicações do Framboesa de Ouro deste ano, a história possuí leves momentos de humor, sem dúvida. Mas não superam o constrangimento de uma história situada na falta de graça. E ainda conta com Katie Holmes, como esposa de Jack, habitualmente sem destaque nenhum.