segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Estréias de 2012, duas análises, parte 02

Segunda e final parte com as análises das estréias de 2012. Do meio do ano até o final ainda há poucas datas, mas já apresentam filmes imperdíveis. Se ainda não leu o inicio da lista, clique no link abaixo.



Maio

Dark Shadows

Thiago: Não sei em que determinado momento Tim Burton perdeu sua popularidade. Provavelmente quando, por obrigação com a Warner, dirigiu o remake de A Fantástica Fábrica de Chocolates e, em seguida, cometeu a bobagem de fazer uma releitura de Alice No País das Maravilhas. O que era uma excelente parceria do diretor com Johnny Depp tornou-se uma piada que ficou ainda mais verdadeira quando sua esposa colabora em todos os seus filmes sem exceção.

Arthur: Há 15 anos atrás eu ficaria empolgado por um filme do Tim Burton com o Depp. Mas depois da atrocidade Alice... e sinceramente, Tim Burton não lança um grande filme desde A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça.


A Batalha Das Marés (Battleship)

Thiago: Após os quadrinhos, as adatações de brinquedos parecem ser a tônica da vez. Funcionou inicialmente com Transformers e falhou miseravelmente com G. I. Joe (por conta de um filme ruim, diga-se). Essa produção pode funcionar, desde que não esqueçam que um roteiro é sempre imprescindível.

Arthur: Peter Berg cometeu Hancock e isso é suficiente para eu ignorar completamente esse filme.


The Three Stooges

Thiago: Demorou, demorou, mas os irmãos Farrely conseguiram. O elenco central foi mudado diversas vezes, mas seguiram em frente. Ao menos, não mudaram o conceito e o filme será dividido em três histórias. Porém, será que os atores conseguirão superar a comparação dos originais?

Arthur: Não consigo imaginar a utilidade desse filme, a não ser conspurcar um clássico absoluto... sério, o que aconteceu aos Farrely?


Homens de Preto 3 (Men in Black III)

Thiago: Sequência um tanto quanto tardia dos divertidos Homens de Preto. A química entre Will Smith e Tommy Lee Jones é bastante funcional. Porém, se forem cometer o mesmo pecado do segundo e requentar o roteiro do primeiro, será mais uma continuação a toa.

Arthur: Sequencias que demoram muito são sempre caça-níquel. Essa não deve fugir a regra. No entanto, isso não quer dizer necessariamente que será ruim.



Junho


Snow White and the Huntsman

Thiago: Duas produções sobre a mesma Branca de Neve, optando por visões diferentes. A concorrência pode ser boa para ambos os filmes, mas, embora essa produção seja estrelada por novos queridinhos do público (Kristen Stewart e o não tão poderoso Thor) continuo afirmando que o filme de Walt Disney sempre será a versão definitiva da história.

Arthur: E olha a geração Crepúsculo contaminando tudo ao seu redor. ASSISTAM AO CLÁSSICO DA DISNEY e passem essa porcaria!


Prometheus

Thiago: Até hoje alguns filmes dirigidos por Ridley Scott causam-me desanimo. Porém, é inegável que sua contribuição para o cinema em Blade Runner e Alien. A nova produção parece seguir esta linha e, de quebra, espero que nos faça esquecer daquela bobagem misturando Aliens com Predadores.

Arthur: Ridley Scott voltar à ficção científica pode ser um alento à carreira devastada dele nos últimos anos, afinal todos as suas obras primas são no gênero.


Madagascar 3: Os Procurados (Madagascar 3: Europe Most Wanted)

Thiago: Um dos sucessos do estúdio de animação da Dreamworks deve incorrer na mesma problemática de continuações do estilo: possuírem as mesmas gags cômicas dos filmes anteriores sem nada de novo.

Arthur: Outra continuação natural e caça-níquel. Deve ser divertido e provavelmente fará sucesso.


Jack the Giant Killer

Thiago: Recente movimento de diretores conhecidos que escolhem uma animação para dirigir. Foi assim com Gore Verbinski e Rango, Zach Snyder com A Lenda dos Guardiões. Bryan Singer é um excelente diretor e a possibilidade de um bom filme é alta.

Arthur: Um conto de fadas dirigido por Brian Singer. Aposto positivamente neste.


Valente (Brave)

Thiago: Se o lançamento não se alterar, a última produção da Pixar estréia após as produções anteriores. Até agora o visual de Valente é sensacional e o estúdio é um dos mais confiáveis atualmente, tendo falhado somente em Carros 2.

Arthur: O primeiro conto de fadas e o primeiro filme dirigido por uma mulher da Pixar e também o primeiro filme após o primeiro tropeço do estúdio (Carros 2). Aposto em outra obra-prima da Pixar, as estatísticas estão a meu favor.


Julho

A Era do Gelo 4 (Ice Age 4)

Thiago: O primeiro filme foi interessante e divertido. Mas o terceiro comprovou a escassez de narrativa. Provavelmente novos personagens serão introduzidos e o esquilo Scrat continuará sua já aborrecida busca por seu alimento.

Arthur: Continuação caça-níquel novamente. As outras 2 já foram. No entanto as personagens são cativantes e a dublagem brasileira é excelente, então deve ser bacana.


Espetacular Homem - Aranha (The Amazing Spider-Man)

Thiago: Releitura incompreensível, realizada cedo demais. Há tantas participações de atores famosos que parece mais um desfile de ação de graças. Porém, tem tudo para agradar parte do fãs, já que o filme foi composto com tudo que foi rechaçado na trilogia anterior.

Arthur: Esse filme é sem sentido. Quando foi que os dois primeiros Homem-Aranha viraram filmes ruins? Eu mesmo respondo, não viraram. A Marvel Studios apenas está aproveitando o hype criado por fãs idiotas que ficaram sentidinhos porque os filmes antigos mudaram algumas coisas das HQs, para lucrar ainda mais. Pode ser até um bom filme ( o que duvido, dado o nível geral dos filmes da Marvel Studios), mas é completamente desnecessário.


Batman: O Cavaleiro Das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises)

Thiago: Christopher Nolan é um dos melhores diretores da contemporaniedade e transcedeu o gênero de filme de herói no Batman anterior. O desfecho da trama tem tudo para ser épico, sensacional e ser um dos melhores filmes do ano com bilheteria gorda. Vale ressaltar que, novamente, a Sony cometeu o mesmo erro de anos atrás e lançou seu Homem Aranha um mês antes do filme do morcego.

Arthur: Se for metade da obra-prima que O Cavaleiro das Trevas é, já será um dos melhores filmes do ano. Confio plenamente em Nolan.


Agosto

Abraham Lincolm – Vampire Hunter

Thiago: O cinema rendeu-se ao mashup de histórias consagradas e elementos bizarros. Nesse caso a figura real do presidente dos EUA se torna um caçador de vampiros. Parece assustador. Não da maneira que deveria ser.

Arthur: O filme mais famoso do diretor Timur Bekmambetov é O Procurado. Eu achei o filme terrivelmente ruim, então não espero nada desta fantasia histórica com vampiros... sério que tudo tem que ter vampiros (ou zumbis) hoje em dia?"


G. I. Joe 2: Retaliation

Thiago: A primeira produção foi um dos piores filmes que já assim, sem exagero. A trama superficial e as cenas de ação não empolgantes provocaram em mim um dos maiores tédios cinematográficos. Cientes de tal problemática, escalaram Bruce Willis e The Rock para a continuação. Willis tem carisma até em papeis ruins, mas pelo trailer o roteiro não parece tão diferente que o primeiro.

Arthur: Bruce Willis... é por isso que verei, é por isso que todo mundo verá, mesmo sabendo que o filme deve ser uma bela porcaria.


The Bourne Legacy

Thiago: Estranha continuação sem a personagem principal. Se manejarem bem o roteiro para que não fique com a história parecida, pode resultar um filme eficiente que provavelmente não superará nenhum da trilogia.

Arthur: Esse é estranho demais. Se passa no mesmo universo da (excelente) trilogia Bourne e é dirigido pelo roteirista dos 3 filmes. Acho que será muito bom.


Os Mercenários 2 (The Expendables 2)

Thiago: Stallone continua realizando a felicidade dos marmanjos e adiciona mais conhecidos no panteão de heróis machões na continuação de Mercenários. Será entretenimento de primeira com furos no roteiro perceptíveis e cenas de ação brutais. Tudo o que queremos.

Arthur: The Boys Are Back In Town! Tire o cérebro e vá ver o seu sonho de infância, todos os melhores brucutus juntos! Isso é Sly nos mimando!


Setembro

Resident Evil: Retribution

Thiago: Tenho gosto pela quadrilogia já produzida mas também o conhecimento de que nenhum filme pode ser considerado uma boa produção. Como os zumbis estão em alta, nada mais natural que mais uma sequencia de um dos jogos cânone do estilo.

Arthur: Liguem seus PS2/GameCube/Wii e joguem Resident Evil 4. E ignorem esse filme.


Outubro

Frankenweenie

Thiago:
Tim Burton ainda tem prestígio na categoria de animação. Ainda que seja possível que o diretor use a equipe de sempre para esta produção. Dando a impressão de ser mais do mesmo, quando poderia ser diferente.

Arthur: Outro filme do Tim Burton... estamos em 99? Não... então passo!


Novembro

Skyfall

Thiago: Cassino Royale foi uma retomada tão sensacional na saga de 007 que nem a falta de roteiro de Quantum Of Solace eclipsou. Skyfall deve suprir este problema e colocar nos eixos a história do agente britânico.

Arthur: Mais um 007. Esperemos que esse recupere a qualidade de Cassino Royale. Sam Mendes deve dar ao filme um clima mais de espionagem.


47 Ronin

Thiago: “I Know Kung Fu”. Keanu Reeves sempre se interessou pela arte marcial e tornou-se icônico por seu papel em Matrix. Sua iniciativa é positiva, mas até que se revelem as primeiras imagens, mantenham as pedras na mão. Pode surpreender.

Arthur: Fiquei bem empolgado com esse filme quando li a sinopse... daí vi que é com o Keanu Reeves...


Dezembro


Hobbit: Uma Jornada Inesperada (The Hobbit: An Unexpected Journey)

Thiago:
Peter Jackson decidiu que crianças não devem fazer trabalho de homens e optou por dirigir O Hobbit. Um respiro aliviado e a certeza de que a produção deve ser impecável, conquistará um público alto e, de quebra, deve ganhar indicações para prêmios. Talvez dividir em duas produções pareça desnecessário, mas é Peter Jackson. Ele soube o que fez com a trilogia d´O Senhor dos Anéis.

Arthur: Desde que o filme veio parar nas mãos do Peter Jackson, não posso esperar nada menos que a perfeição absoluta da trilogia do Senhor dos Anéis! Vai disputar com o Batman como o filme do ano, anotem isso.

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Cada análise foi feita em separado sem a leitura do outro. As primeiras estréias já estão programadas para essa sexta - feira e resta a esperança de que esse ano seja melhor que o fraco 2011.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Estréias de 2012, duas análises

Destaco durante o ano que passou dois elementos que significaram o cinema em 2011 para mim. Cinematográficas que optaram pela exibição de filmes dublados em sua maioria e minha inclusão no mundo da alta definição, em Blu-Ray.

Sem aprofundar-se nos méritos da questão, é entristecido que, cada vez mais, deixo de ir aos meus cinemas preferidos pela recente opção das respectivas direções em exibirem filmes dublados, quase sempre sem sessões legendadas. Foi esse um dos motivos que vi poucos filmes no cinema, sendo desnecessário e bem incompleta uma lista sobre os melhores de 2011.

Ao mesmo tempo, graças ao Blu-Ray, pude assistir diversos desses filmes que perdi na tela grande em alta resolução de imagem e excelente som. Redescobrindo meu gosto pelo cinema, abalado pelas dublagens. Assistindo, alguns meses atrasados, a diversos lançamentos do ano passado.

Este ano, pretendo voltar aos cinemas. Superando a dificuldade de ir mais longe para assistir o filme desejado em uma exibição legendada. Há filmes cuja experiência no cinema valem a pena. Dessa forma, pretendo também acompanhar as estreias e, sempre que possível, produzir resenhas de tais lançamentos.

Aquecendo os motores do que está por vir em nossas telas convidei o amigo e colaborador Arthur Malaspina para comentarmos uma lista de 45 filmes cuja estréia está marcada para este ano. A lista foi dividida em duas partes para melhor leitura.

O critério da seleção valeu-se de novas produções de diretores consagrados, adaptações de livros conhecidos e outros elementos que de uma forma ou outra, desde já, são destaque em notícias. Evidenciando que há expectativa sobre tais produções.

A princípio, pode-se ver que o ano de 2012 parece melhor que o anterior. Resta saber se todas as produções ou, ao menos, parte delas, sejam de boa qualidade.

A programação baseia-se no calendário do site Cine Click. Sabendo que, normalmente, datas e meses são alteradas.


Janeiro


As Aventuras de Agamenon (As Aventuras de Agamenon)

Thiago: O repórter de mentira criado por Hubert, do Caceta e Planeta, é uma das grandes personalidade fictícias criadas no Brasil. Com uma história bem produzida tem tudo para ser um bom filme e superar o trauma de que o Caceta – aqui representado apenas pelo seu criador – não produz um bom filme.

Arthur: O novo filme do Casseta e Planeta, assim como seus 2 antecedentes, tem uma história original e promissora. E, novamente como seus predecessores, muito provavelmente será uma bela porcaria mal realizada e pretenciosa.



Cavalo de Guerra (War Horse)

Thiago: Após a década de 90, Steven Spielberg afastou-se de filmes grandiosos, apresentando produções diferenciadas em uma direção mais segura. Cavalo de Guerra pode ser mais uma dessas produções que inicialmente mal se percebe a mão do diretor, mas são uma excelente trama (como Prenda-me Se For Capaz e Terminal)

Arthur: Spielberg não vem dando motivos pra se duvidar dele nos últimos anos (fora o último Indiana Jones) e sempre se deu muito bem com o tema da guerra, então devem assistir sem medo.


Pequenos Espiões 4 (Spy Kids 4: All the Time in the World)

Thiago: Robert Rodriguez provou ser um diretor versátil – ainda que não tão competente quanto seu parceiro Tarantino. A franquia dos Pequenos Espiões produziu um bom primeiro filme – para adultos e crianças – e tentou apresentar novos elementos para agradar os pequenos. Nessa nova produção o elenco é novo, filmado em terceira dimensão, com o acréscimo de um cartela que revela cheiros durante o filme. Parece formatado para ser um programa bom para crianças, e só.

Arthur: Novamente Robert Rodrigues parece investir tudo numa nova tecnologia ainda engatinhando (4D), como já havia feito com o 3D no filme anterior da série, com resultados patéticos. Uma pena, já que o primeiro filme era excelente.


Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras (Sherlock Holmes: A Game of Shadows)

Thiago: O primeiro filme de um dos detetives mais famosos da literatura foi excelente. Mesmo que a idade da personagem tenha sido renovada, o versátil Robert Downey Jr. desenvolveu um Sherlock definitivo. O Jogo de Sombras é esperado em alta expectativa e deve superar a primeira produção.

Arthur: Espero um mais do mesmo do primeiro filme, mas se tratando de Gui Ritchie isso não é ruim e sim divertido!


O Espião Que Sabia Demais (Tinker, Tailor, Soldier, Spy)

Thiago: John Le Carré é um dos melhores escritores de tramas de espionagem, autor do incrível O Jardineiro Fiel, filmado por Fernando Meirelles. Dirigido pelo diretor original de Deixa Ele Entrar, o elenco é promissor e a trama retoma um elemento que Hollywood não mais utiliza: a guerra fria.

Arthur: Um promissor filme com pano de fundo histórico. E é do Diretor de Deixa Ela Entrar, um dos melhores filmes da década passada!


As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne (The Adventures of Tintin: The Secret of the Unicorn)

Thiago: Dois diretores do maior calibre do cinema americano. Um personagem incrível com histórias bem amarradas, divertidas e cheia de reviravoltas. E a pergunta que me incomodou desde a confirmação desta produção: porque não produzir com atores de verdade? Não sou entusiasta de produções com captação de movimentos e as cenas apresentadas no trailer parecem como os filmes anteriores do estilo: bonitas mas artificiais. Desde já é o filme que preciso assistir com amigos, para ter ombros onde chorar de desgosto.

Arthur: Tenho sentimentos divididos quanto a este. Por um lado adoro Tintim e confio em Peter Jackson e (um pouco menos) em Spielberg, por outro a técnica de animação por captura da movimentos nunca deu um bom filme.


Millennium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres (The Girl With a Dragon Tattoo)

Thiago: Não importa qual estilo de produção, Hollywood gosta de uma versão para chamar de sua. Afirmam que o livro é um excelente livro de suspense. Porém, a escolha de David Fincher como diretor mais parece um projeto planejado para alçar sucesso do que um desejo do diretor. Porém, Fincher é talentoso e, ao lado de Daniel Crieg, o potencial de sucesso é alto.

Arthur: Baseado num romance policial premiado, o filme estreia bem atrasado no Brasil. Não sei realmente o que esperar.


A Coisa / O Enigma de Outro Mundo (The Thing)

Thiago: Releituras são seguras por sempre terem um público cativo que dará alguma bilheteria para conhecer a nova versão. A Coisa não é bem uma refilmagem, e sim um prelúdio. Provavelmente, a trama será parecida e não apresentará nada de novo ao clássico.

Arthur: Terror vagabundo, sem mais.


J. Edgar (J. Edgar)

Thiago: Clint Eastwood ainda é um diretor em evolução. Durante sua filmografia executou filmes excelentes mas, vez ou outra, tropeça. Em sua segunda biografia, Leonardo Di Caprio parece perfeito como o criador do FBI. Infelizmente algumas críticas confirmaram um filme mal desenvolvido, mas é necessário assistir.

Arthur: Novo filme de Clint Eastwood e só isso já obriga você a vê-lo nos cinemas. No entanto, Clint não funciona tão bem com histórias reais (a exceção seria Bird). Espero que volte logo aos roteiros originais.



Fevereiro


A Bela e a Fera 3D (Beauty and the Beast)

Thiago: O 3D nunca me deixou animado, mas a possibilidade de rever clássicos por excelencia da Disney novamente no cinema é sempre um prazer. Simba foi um sucesso e é provável que este também seja.

Arthur: A reestreia de O Rei Leão foi a melhor coisa dos cinemas em 2011. Nada como rever o ápice das animações na tela grande, no entanto o 3D é um tanto quanto dispensável. O mesmo vale para a Bela e a Fera.


The Iron Lady (The Iron Lady)

Thiago: Ninguém se preocupou, de fato, com a história dessa produção. Quando observaram Meryl Streep no papel principal, perfeitamente caracterizada, compreendeu-se que, mesmo que a qualidade seja péssima, será mais uma interpretação sensacional e, provavelmente, indicada a premiações.

Arthur: Uma biografia de Margareth Tatcher pela diretora de Mamma Mia. É no mínimo curioso, mas alguém duvida de que Meryl Streep está sensacional?


Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma 3D (Star Wars: Episode I - The Phantom Menace 3D)

Thiago: George Lucas, a maquina de fazer dinheiro, não poderia deixar de lado a conversão de suas produções cinematográficas. Dessa vez, Star Wars será exibido com seus episódios em sequência. A bilheteria em 3D pode ser alta, não que esse filme mereça.

Arthur: Este é o pior filme da trilogia lixo, ops, trilogia nova de Star Wars. Mesmo assim fãs idiotas como eu irão ver na pré estréia.


Cada Um Tem A Gêmea Que Merece (Jack and Jill)

Thiago: Adam Sandler é engraçado desde o início de sua carreira fazendo seu humor de sempre. Como é inevitável com a maioria dos humoristas que estrelam produções cinematográficas, a maquiagem ajudará a apresentar novos personagens. Vai ser engraçado, mas igual.

Arthur: Filme com Adan Sandler (que é ótimo ator quando quer, mas raramente quer) é sempre um risco. Esse foi colocado em praticamente todas as listas de piores do ano.


Reis e Ratos (Reis e Ratos)

Thiago: Do mesmo diretor de Meu Nome Não é Johnny com um dos maiores atores de sua geração. Para mim só o nome de Selton Mello – que só me decepcionou em Jean Charles – vale o ingresso. Na dúvida de ver o filme? Selton Mello.

Arthur: Do diretor do mediano Meu nome não é Johnny, o filme é promissor pela presença de Selton Mello (que dirigiu o melhor filme que vi em 2011, O Palhaço) e Rodrigo Santoro.


Motoqueiro Fantasma: Espírito da Vingança (Ghost Rider: Spirit of Vengeance)

Thiago: A insistência as vezes pode ser estúpida. Mas uma minguada bilheteria de um primeiro filme hoje é motivo para uma continuação. Prometeram mudanças de roteiro e concepção das personagens. A verdade é que tudo será igual e Nic Cage, provavelmente, continuará com cabelos compridos mesmo com a calvície aumentando. Sendo um filme vindo de quadrinhos, vale comentar também que a Marvel Comics trabalha seu produto de uma maneira qualquer.

Arthur: LIXO. Próximo!


Hugo (Hugo)

Thiago: Um de meus diretores preferidos investindo em um sistema que não tenho apreço. E, pior, a possibilidade de, por isso mesmo, ter o filme apenas dublado em minha cidade. Confiarei na capacidade de Scorsese em surpreender ainda que todos saibam que o diretor é genial quando se aprofunda no submundo.

Arthur: O filme de Scorcese está sendo muito bem criticado e concorrendo a todos os prêmios. Mas tenho dois pés atrás com o diretor, já que ultimamente anda errando mais do que acertando.


Anônimo (Anonymous)

Thiago: Roland Emmerich é conhecido por seu desejo de destruir o mundo, não importa de que maneira. É estranho apresentar uma produção que envolva um boato bem grosseiro sobre quem foi a figura de William Shakespeare. Será provavelmente superficial, sem nenhuma emoção e ainda irritará os fãs do bardo inglês. Boa, Emmerich.

Arthur: Esse é o filme mais desprezível do ano, quiçá da década. É o patético diretor Emmerich dando corda a uma velha teoria de que Shakespeare não seria Shakespeare. Teoria essa que só demonstra o preconceito da velha academia, que pensava que alguém sem educação universitária, que não era da nobreza não poderia ser o maior autor de todos os tempos. Alias, a teoria caiu por terra na década de 40 com o lançamento do livro a Imagística de Shakespeare de Caroline Spurgeon. Saber ler é uma benção, não?


My Week with Marilyn (My Week with Marilyn)

Thiago: Celebridades mundiais sempre geram biografias dos tipos mais diferentes. Nesta produção acompanhamos um segurança que esteve uma semana ao lado da loira. Ao contrário de Lindsay Lohan, Michelle Williams está parecida com Norma Jean. Resta saber se o enredo é bom ou se será só mais um filme cuja caracterização é competente.

Arthur: O filme faz um recorte histórico da relação conturbada entre Marilyn e Laurence Olivier no sets de filmagem. Curioso em ver o desempenho de Michelle Williams.



Março


Tão Forte e Tão Perto (Extremely Loud and Incredibly Close)

Thiago: Jonathan Safran Foer é sinonimo de um novo talento na literatura americana. Segundo livro seu a ser adaptado para as telas. Aguardo que seja uma boa adaptação e que Tom Hanks apresente um bom filme, após certo tempo sem demonstrar seu gigantesco talento.

Arthur: Stephen Daldry é um diretor muito constante e com algumas obras belíssimas (Billy Elliot e As Horas) e delicadas. Com um bom elenco, não deve errar.


Anjos da Noite 4: O Despertar (Underworld: Awakening)

Thiago: A série conquistou um público cativo ao ponto de estar na terceira continuação. É um exemplo de uma quadrilogia que sobreviveu ao hype de vampiros e monstros que assolou o cinema nos últimos anos. Mas, não, isso não quer dizer necessáriamente qualidade.

Arthur: O quarto exemplar de uma séria absolutamente dispensável... mesmo, não dá pra levar a sério.


Abril

Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror)

Thiago: Após a versão de Branca de Neve o Sete Anões, produzida por Walt Disney, não compreendo o que mais há para falar a respeito dessa história. Nessa versão quem se destaca é Julia Roberts – que deixou de ser a queridinha de Hollywood desde, estranhem, Os Queridinhos da América – como a bruxa malvada.

Arthur: Um conto de fadas com Julia Roberts como Rainha má... se acertarem a mão tem tudo pra ser uma surpresa agradável.


Wrath of the Titans

Thiago: O primeiro filme foi massacrado pela crítica como o pior com efeitos em terceira dimensão. Sem ele, a trama também não acrescentada nada. Produção que veio na onda de revitalizar histórias antigas, como 300.

Arthur: Não espero nada mesmo desse. Sequencia de um remake muito ruim. Sério, fiquem com o divertido filme original.


American Pie: O Reencontro (American Reunion)

Thiago: Muitos envelheceram com as personagens de American Pie. Mas, será que um reencontro é o que o público quer? Rever as personagens pode ser interessante. Mas também ruim se elas repetirem as mesmas piadas que, provavelmente, o primeiro filme fez melhor.

Arthur: Caça níquel para atores falidos.


Os Vingadores (The Avengers)

Thiago: Reunião de diversas produções mal desenvolvidas da Marvel, culminando em um filme grandioso que provavelmente não será tão épico assim. Quem pode apresentar um pouco de carisma ao filme é Robert Downey Jr e seu Homem de Ferro, tão bem composto e divertido quanto seu Sherlock Holmes.

Arthur: Teria tudo pra ser sensacional, mas deve mesmo ser um filme do Homem de Ferro com outros heróis. Se o Capitão América não é o destaque, então não é um filme dos Vingadores!


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Amanhã, a segunda parte no ar!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Dexter, Terceira Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO ANALISADAS NO TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO, PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO DA TEMPORADA, PARE DE LER O TEXTO IMEDIATAMENTE. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTO-A, POR FAVOR.


Desde o lançamento de Dexter, acompanho-a simultaneamente com a emissora americana. Pelo atraso que a produção chegou oficialmente no país, maior ainda nos lançamentos dos boxes em DVD, é provável que boa parcela do público da série tenha conhecido-a pela rede.

O episódio piloto da série marca o ponto de partida de Dexter Morgan. Durante esses três anos, o especialista forense transformou-se de um frio e calculista assassino para um homem mais complexo. Na primeira temporada Dexter disputa uma batalha silenciosa com um outro serial killer. Jornada que o faz conhecer melhor seu passado.

Em seu segundo ano, a personagem ganha parcelas de humanidade e, ao descobrir que a policia achou seu lugar de desova de corpos, tornando-o o mais novo serial killer procurado, luta contra si mesmo a procura de uma identidade.

Há um consenso quase unânime sobre a terceira temporada. A constatação que é a mais fraca desde então e depois. Na época, acompanhando a temporada, um episódio a cada semana, não identifiquei nenhum elemento que a desnivelasse. Até então era a série que tinha nota máxima em todas as temporadas.

Porém, em uma segunda exibição, em DVD, assistindo os episódios em seqüência com poucos dias de distanciamento, que me permitiu buscar elementos que justificassem a irregularidade da temporada.

A terceira temporada foi a primeira que não apresentou um vilão. Não há um serial killer ativo, como nas anteriores. Têm-se os casos do esfolador, história que se desenrola como trama paralela. Evidenciando que Miami é uma cidade violenta, com uma gama de suspeitos, mas não transformando tais elementos em carro chefe da história.

A família Prado que se torna o destaque e o motivo pejorativo para a perda de qualidade. Após o conhecimento do passado e de si, Dexter tornou-se um ser mais sociável. Aquilo que afirma ser sua máscara recebe contornos de humanidade. O relacionamento com Rita prospera, em breve terão um filho, e o acumulo de tais experiências o fazem um homem em construção.

O promotor Miguel Prado, ao tornar-se amigo de Dexter, contribui para a construção de um círculo de amizade. Embora sendo amigável com os parceiros do trabalho, o especialista evitava qualquer contato íntimo.

A relação com Miguel remete-se a relação primordial com o pai. Porém, enquanto Harry se afasta, ao descobrir que criou um monstro, Miguel se aproxima de Dexter, fascinado pelo homem que pode fazer mais do que a justiça. Com o tempo as atitudes de Miguel vão alem das desejadas por Dexter, que segue o código de Harry, á risca. E os amigos íntimos tornam-se inimigos.

A tensão da trama se constrói em nível psicológico. A pressão pelo casamento com Rita, a relação com Miguel em constante mudança, resultando em um psicopata aturdido por tantas novas informações.

Há coragem em apresentar esse tipo de elemento narrativo. Em parte, é bastante funcional. A construção da personagem e a interpretação de Michael C. Hall conseguem deixar críveis tais sentimentos. Faltou carisma para Miguel Prado, uma personagem antipática e interpretada de maneira canastrona por Jimmy Smits. Tornando-se impossível que o público goste do promotor ou consiga lhe dar credibilidade por ser um enganador, sempre um passo a frente de Dexter.

O excesso do relacionamento de Prado com LaGuerta também produz uma ladainha não interessante para a série. Seus personagens secundários são carismáticos. Mas a história de um par que foi um casal no passado é insossa. Como um remendo entre as histórias.

Não bastando a personagem fraca, a relação de Prado com o Esfolador é inexplicável. Sem dúvida, a cena em que Dex e o promotor discutem no telhado possui impacto. Ainda mais quando se faz a descoberta de que Miguel usará o esfolador para matar Dexter. Mas a explicação dessa conexão não existe. Prado conheceria o esfolador desde o início? Propôs oferecer Freebo e, assim, entraram em contato?

Quando Dexter descobre que Prado quebra o código de Harry, que seguiu por toda a vida, sua morte é inevitável. Morte que se mantém nos parâmetros ritualísticos mas é carregada de um sentimento profundo para Dexter. Uma traição dentre diversas traições de Miguel. A morte de Prado, feita com um garrote no pescoço é certeira. Enquanto o promotor agoniza, o assassino afunda ainda mais a corda, violentamente. O código prevalece.

É notável o crescimento de Debra Morgan como personagem. Se revela uma boa policial, com seus insights nas investigações e mantem sua autenticidade com um vocabulário repleto de palavrões. Debra manifesta a emoção que Dexter retém. Não a toa se apaixona pelos homens que aparecem em sua vida.

A finalização da trama secundaria com o esfolador não decepciona. Dexter preso em uma mesa, lutando por sua vida, no mesmo dia em que irá casar com Rita. A ação se resolve rápida e nosso conhecido assassino sai incólume apenas com um braço quebrado.

A narrativa, principalmente os monólogos de Dexter, são um dos elementos primordiais para a excelência da série. Mais uma vez cenas se completam com suas reflexões sobre a própria vida. Sem dúvida, a personagem atingiu outro patamar, cresceu, tornou-se mais completa. Mas não deixa de ser o que é, produzindo a belíssima cena da gota de sangue que escorre de sua mão para o vestido imaculado de Rita. Dexter Morgan tornou-se um pai de família nada ortodoxo.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

11-11-11


(11-11-11, 2011)
Diretor: Darren Lynn Bousman
Elenco: Timothy Gibbs, Michael Landes, Denis Rafter, Wendy Glenn.

Na internet, circulam textos e imagens cômicas em referência às diversas profecias contemporâneas de fim do mundo. Ironizando que ilesos passamos pelos últimos prenúncios e, ansiosos, aguardados os próximo. Apoiados na astrologia, em profetas vivos ou mortos, sinais recebidos por reverendos, a destruição do mundo tem sido assunto constante.

11-11-11 é o filme da vez, evidentemente realizado as pressas, com o intuito de aproveitar a data de um suposto extermínio. Apresentando com muito oportunismo e pouco conteúdo uma história de terror dirigida e roteirizada pelo diretor de Jogos Mortais 2, 3 e 4.


Na trama, um escritor, cujo filho e esposa foram mortos tragicamente, volta à Espanha em que foi criado para rever o irmão e aguardar a morte do pai. Atormentado pelo passado, torna-se obcecado pelo número onze e tem a revelação que a data que se aproxima marca o fim dos tempos.

O arremedo de argumento coloca a personagem em uma investigação íntima sobre os sinais que tem recebido a respeito, que, supostamente, seriam os elementos assustadores da trama. Vultos diabólicos que aparecem de relance em janelas, sonhos de seus parentes mortos, alucinações e moribundos avisando-o que algo mudará.

A explicação do apocalipse procura apoio em elementos religiosos, contrapõe o escritor ateu com o irmão pároco. Rendendo a batida discussão sobre fé e ateísmo e fieis loucos impedindo profecias.

Acostumado com a direção engessada de Jogos Mortais e seu roteiro rocambolesco de reviravoltas, o que poderia ser apenas um filme sem graça produz um riso involuntário quando, há cinco minutos de seu fim, uma revelação intenta mudar o que foi apresentado até agora. Com direito a repetição de cenas anteriores, no estilo da saga de Jigsaw.

Além do roteiro fraco, a trama exagera nas continuidades falhas. Em sua volta a Espanha, o escritor afirma não saber a língua local. O que torna espantoso sua afirmação de que viveu no país por toda a infância. O Exemplo e outros elementos semelhantes confirmam a execução rápida de roteiro e filme. A procura de alguns trocados em cima de uma data que encanta pela repetição numérica de digitos e bobagens apocalípticas.

domingo, 13 de novembro de 2011

Pearl Jam, PJ20, 04 de Novembro, Morumbi - São Paulo

Por Karina Audi

01 – Go
02 – Do The Evolution
03 – Severed Hand
04 – Hail Hail
05 – Got Some
06 – Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town
07 – Given To Fly
08 – Gonna See My Friend
09 – Wishlist
10 – Amongst Waves
11 – Setting Forth (Eddie Vedder)
12 – Not For You
13 – Modern Girl
14 – Even Flow
15 – Unthougt Unknown
16 – The Fixer
17 – Once
18 – Black
(Bis)
19 – Just Breathe
20 – Inside Job
21 – State Of Love And Trust
22 – Olé
23 – Why Go
24 – Jeremy
Bis)
25 – Last Kiss (Cover de Wayne Cochran)
26 – Better Man
27 – Spin the Black Circle
28 – Alive
29 – Baba O’Riley (Cover do The Who)
30 – Yellow Ledbetter


(Foto de Eddie Vedder por M Rossi (com logo da turnê inserido pelo blog) e Foto da banda por Ronaldo Chavenco)

Lá na década de 90, quando o Youtube e o Grooveshark eram coisas tão impensáveis quanto guardar músicas em formato mp3 em pequenos dispositivos de memória do tamanho de uma embalagem de Halls, o momento mais feliz do mundo era sintonizar a MTV naquela TV de 20 polegadas da sala da casa dos seus pais, torcendo para ter a sorte de pegar algum clipe bom da banda do momento. Naqueles anos, o canal inspirava-se de ótimas bandas do sub-gênero do rock em voga naquele atual momento: o grunge, que atingiu popularidade comercial principalmente com o lançamento do Nevermind do Nirvana. Até então, a forma de produção e divulgação das bandas influenciadas pelo punk rock, rock clássico dos anos 70 e particularmente pelo Melvins, em razão da “sujeira” das guitarras e experimentalismo exacerbado, dependia da boa vontade dos próprios músicos que faziam o que podiam para sobreviver longe da influência (e patrocínio orçamentário) das major labels.

O Pearl Jam foi uma dessas bandas que, com o impacto do sucesso, não se adaptou tão bem à escalada (natural, pois bem) do mainstream. O Vitalogy, terceiro álbum de estúdio da banda, quase não pode ser lançado em razão de brigas internas e discussões com a gravadora Epic e a Ticketmaster, que resultaram em boicotes à shows e a recusa em produzir videoclipes, cuja pressão de fazê-los partia da gravadora. Tempos difíceis que foram superados com a união e amizade dos músicos preparados para uma carreira promissora, mas que passaram anos e anos negando seu próprio sucesso.

Para a sorte de nós, fãs, a banda continuou na estrada e nos presenteou no dia 4 de novembro com um belíssimo show da turnê PJ20, pela comemoração de seus 20 anos. A apresentação no Estádio do Morumbi, que foi a segunda de uma série de cinco em terras brasileiras, foi marcada pela energia e vitalidade, elementos em falta em bandas jovens atuais, e que encantaram o lotado estádio com mais de 60 mil pagantes.

O quinteto formado por Eddie Vedder, Stone Gossard, Mike McCready, Jeff Ament, e Matt Cameron subiu ao palco às 21h15 com Go, essa que, apesar do frio daquela noite, nem na metade da música fez seu vocalista tirar a jaqueta que vestia, seguida da energizante Do the Evolution, que fez o estádio inteiro pular – e sem exageros. Ouvir aquela música, para mim, foi lavar a alma, já adiantando o que o show traria pela frente. Depois dela foram Severed Hand, Hail Hail, Got Some e Elderly Woman Behind The Counter in a Small Town, bela música cujo refrão formou um coro cantado por todos os lados. A agitada Gonna See My Friend fez uma ponte entre as calmas Given to Fly, tocada anteriormente, e Wishlist, cuja letra esperançosa ganhou destaque na voz marcante de Vedder e na intensidade das guitarras de Gossard e McCready ao vivo.

Depois de Amongst the Waves, Vedder deu um pequeno gostinho de seu disco com a trilha sonora do filme Into the Wild (Na Natureza Selvagem) com Setting Forth. Logo, Not For You, a música mais classic rock do Vitalogy, e uma pequena homenagem ao Sleather Kinney, banda de punk rock feminino dos anos 90, com Modern Girl são tocadas para abrir passagem a outro sucesso da banda: Even Flow, do disco Ten, canção gritada pelo público com vigor. Unthought Known e The Fixer, ambas do Backspacer de 2009 são seguidas por Once (Ten), que levou o público novamente aos pulos, gritos e clamor.

Não tenho palavras para explicar a sensação de ouvir o hino grunge Black, também do Ten e o “tchu rurururu” cantado pelo público por vários minutos em uníssono, e Vedder e sua turma voltando ao palco para atender aos pedidos do bis. São aqueles momentos em que as coisas bonitas da vida aparecem de imediato...

Vedder elogia o público brasileiro, agradecendo e até arriscando um português esforçado, dizendo que prefere falar em inglês: “porque o meu português é uma m....”. Tudo bem, pela sua energia no palco, simpatia, e sua voz grave e perfeita a gente perdoa. O show segue com Just Breathe, e Inside Job (essa que teve uma parte composta no show da turnê realizado no Brasil em 2006). Aí em diante, um show de canções conhecidas: State of Love and Trust, Why Go, e a clássica, como não poderia deixar de faltar: Jeremy – que não teve vez no primeiro show da turnê no Brasil, no dia anterior. Last Kiss entra com o segundo bis, com direito a palminhas e tudo, seguida da boa e esperada do disco Vitalogy, Better Man – essa com homenagem ao Ramones com Vedder emendando no final um I Wanna be your boyfriend -, e a gritada Spin the Black Circle do mesmo disco. Confirmamos o talento de seu baterista, Cameron, rápido e preciso, feitos demonstrados em todo o show e destacado nessa música.

Para encerrar o show, Alive mostrando a que veio, e novamente a esperada cover, que ao contrário do show do dia anterior não foi Rockin in the Free World do Neil Young, mas sim Baba O’Riley do The Who. Boa troca? Não sei... mas que a música ficou sensacional, ficou. Encerrando, a belíssima Yellow Ledbetter, escolha feita também no show do dia anterior e que acompanha a turnê.

Posso concluir com toda a certeza a superioridade e competência do Pearl Jam demonstradas nas duas horas e quinze minutos de apresentação. A banda sustentou seu talento, apesar de suas recusas anteriores em se firmar como uma banda de rock de sucesso. Mas não precisamos procurar muito para saber que essa é uma consequencia de um empenho e esforço em produzir som de qualidade, com energia e vigor há 20 anos – nitidamente vistos na noite fria do dia 4 de novembro.


sábado, 12 de novembro de 2011

Alta Fidelidade: João Gilberto Está Triste






Conhecido como um dos criadores do Novo Jornalismo – em resumo, um misto de narrativa jornalística e literária – Gay Talese, em um perfil sobre Frank Sinatra, cunhou uma expressão característica utilizada até hoje: o resfriado.

Na composição do artigo, Talese não teve acesso ao cantor. Aproveitou-se de amigos e conhecidos ao redor para produzir uma narrativa sem igual sobre o mito de olhos azuis. Frank Sinatra Está Resfriado tornou-se uma referência do novo estilo. De uma comum infecção no trato respiratório surgia uma narrativa inovadora sobre o astro. O resfriado tornou-se sinônimo daqueles que não querem conceder uma entrevista ou são reclusos por escolha. Expressão ainda funcional. Quando um artista prefere manter-se em silêncio, está resfriado.

Há uma semana noticiou-se que João Gilberto estava resfriado, motivo que adiou a turnê de shows em comemoração aos oitenta anos do criador da Bossa Nova. Uma frase que seria simples produz contornos diversos tratando-se do baiano. João gripado é mais do que uma congestão nasal.

Considerado um músico impar que além do talento nato possui apuro pela perfeição, João está inserido em um código antigo, representando um artista com estilo extinto. A figura brilhante, mas envolta em hábitos peculiares. Fundindo realidade e boatos em uma nebulosa que faz parte de sua fama: entra em um palco somente quando suas normas foram rigorosamente seguidas. Não se sente confortável com a recepção de palmas, gritos ou vozes que o acompanham nas canções. Se incomodado, retira-se do concerto sem nenhum problema.

O distanciamento vertical entre público e artista, visto como superior por sua arte e assim louvado, era regência natural na época em que a indústria fonográfica estava em alta. Músicos não só eram populares como representavam símbolos de gerações.

Hoje, estão entre seu público, a procura de dialogo, tentando salvar – ou construir - carreiras que, as vezes iluminadas pela indústria, ruiram com a queda das gravadoras. Espantoso seria se João se adequasse a tal postura. A um homem com seu talento é permitido tais extravagância, sem mencionar o fato de que suas excentricidades são conhecidas dos fãs.

A gripe de João Gilberto também se tornou destaque ao mencionar que o cantor estaria entristecido com o encalhe de ingressos para sua turnê comemorativa. A exceção do Rio de Janeiro, com ingressos esgotados, há lugares disponíveis em todos os shows. Os preços foram motivo de reclamação do público, contrariado em pagar de quinhentos a mil e quatrocentos reais por uma entrada.

As apresentações para um público ainda nanico, quando se esperavam ingressos esgotados, não se justifica apenas pelos preços altos. Se em um dado momento a Bossa Nova e a Música Popular Brasileira representaram o gosto de boa parte do Brasil, hoje é popular apenas na nomenclatura. Fosse o show de uma cantora de axé com bebida e foliões, estaria esgotado no primeiro dia de vendas.

O incômodo de João é justificável. Seu ritmo modificou a música brasileira em grande escala. A alcunha de gigante não é exagero, mas mérito de quem, a partir do samba, produziu um novo ritmo que ao lado do futebol, das mulatas e da caipirinha faz parte do imaginário mundial sobre o Brasil.


João ansiava que sua volta aos palcos fosse celebração estrondosa. Como não foi, gripou-se. Esqueceu de refletir que tal calor do público poderia ser visto com maus olhares a quem sempre foi recluso. A ausência de seu público é tão espantosa quanto sua vontade de vê-los.

As reclamações dos altos preços devem a produção de shows internacionais realizados no país nos últimos anos. Calcula-se de maneira relativa que se artistas estrangeiros fizeram shows acessíveis, os brasileiros deveriam, no mínimo, manter a margem de preços. Sem levar em consideração que tais shows são apresentados em estádios para grande público, ao contrário dos brasileiros sempre em casas menores.

Destaca-se a crença infeliz de que a música produzida no exterior tem mais qualidade do que a nossa apenas por não ser daqui. E tal idéia não se afirma apenas na música, basta observar que o mercado editorial de livros mais pública traduções do que obras originais em nossa língua.

A tabulação dos preços, sem dúvida, transforma a comemoração dos oitenta anos de João Gilberto em um espetáculo direcionado somente a um público específico e com poder aquisitivo evidente. Mas parece razoável a idéia de que, provavelmente, boa parte do seu público tenha verba suficiente para tal.

Incomodo maior do que a quantia para o ingresso é refletir o quanto se leva mais em conta a cultura exportada do que a produzida made in brazil. Ainda mais quando é possível contemplar ao vivo um artista do porte de João Gilberto.

Com sua voz contida, quase a meio fio, e um violão cuja harmonia é perfeita, os shows em sua celebração estão programados para dezembro e, de acordo com informações até agora, gerarão dois registros em DVD.

João Gilberto pode ter gripado, mas volta para tocar seu baião.


Alta Fidelidade, a coluna semanal do criador desse blog. Aqui é possível falar abertamente sobre alguns temas sem que exija uma resenha para tal. Pretende-se abordar todo o tipo de assunto cultural, seja ele sobre literatura, cinema, música e afins.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Breaking Bad, Primeira Temporada


Walter White é uma pessoa comum. Mora em Albuquerque, Novo México, com a esposa Skyler e o filho com paralisia cerebral. Tem cinqüenta anos, recém completados. Leciona química no colégio. Trabalha como caixa em um lava rápido para complementar a renda. Seu estilo pacato e correto exemplificam o conceito de um homem modelo. Até descobrir um câncer no pulmão.

Exibida nos Estados Unidos pelo canal AMC, o mesmo de Mad Men, com produção de Vince Gilligan, responsável pelas últimas temporadas de Arquivo – X, Breaking Bad parte de uma premissa simples. Um homem que, com a iminente morte pelo câncer, decide romper com o conceito correto em que viveu sua vida até então.

A previsão de deixar sua família sem sustento no futuro o faz convidar um ex-aluno, Jesse Pinkman, a produzirem metanfetamina de qualidade, visando lucro capaz de gerar boa renda futura. Profissional em química, torna-se fácil para Walter produzir a melhor droga do local. Com inteligência operacional observa as ações com visão de mercado. Analisa margem de lucros, despesas, desejoso em transformar sua droga na mais consumida da cidade.

Coube a Bryan Cranston o papel principal da série. Se em Malcolm In The Midlle, como pai da personagem central, demonstrava seu talento cômico, em Breaking Bad vem à tona sua veia dramática. Apresentando um Mr. White carismático e bem equilibrado entre o homem comum e aquele que chega ao limite do vazio existencial.

No decorrer da temporada, Walter se despe dos conceitos que defendia outra se transformando em um homem mais impositor. A relação da personagem com o público é ainda mais próxima quando compreende-se que seus feitos prezam algo maior.

Walter é, sem dúvida, um anti-herói. Seguindo a linhagem atual das narrativas seriadas que encontram em personagens de moral dúbia um elemento cativador do público como o Dr. Gregory House, o assassino Dexter Morgan ou a enfermeira Jackie Peyton. Refletindo nos expectadores a idéia da transgressão.

A primeira temporada da série teve apenas sete episódios devido à greve de roteiristas em 2007. Dessa maneira, possui um final cuja trama se encerra, em definitivo, no ano seguinte, no segundo episódio da temporada, intitulado Grilled.

Tanto a primeira temporada, como a segunda, estão disponíveis em DVDs no país. Com previsão de se encerrar no próximo ano, Breaking Bad tem tudo para ser a série atual cuja qualidade total esteja perto da excelência.