quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Dezembro em livros

Post-Mortem - Patricia D. Cornwell

Se eu fosse selecionar o gênero que mais li até hoje, com certeza o gênero policial estaria em primeiro lugar. Embora alguns considerem uma literatura menor, acho-a tão complexa como qualquer outra narrativa. Portanto, é sempre bom descobrir ótimos autores que conseguem manter um bom clima e uma ótima história.
Nesse livro, conhecemos a médica-legista Dr. Kay Scarpetta, nova em seu cargo e obrigada a investigar uma série de assassinatos iguais, sempre com mulheres. O maior ponto positivo da autora é que ela usa como ninguém os recursos atuais da medicina, da pesquisa forense, para realizar seu livro. E, mesmo com testes de DNA e afins, consegue criar uma boa trama. Sem falar da singular personagem principal, a Dr. Scarpetta, que apareceu em uma série de livros. Este é o primeiro deles.




Crepúsculo - Stephenie Meyer

De tempos em tempos, vejo a lista dos Best Sellers mais vendidos e escolho um para leitura. Foi assim com "O Código da Vinci" e, aproveitando a adaptação para o cinema de Crepúsculo, resolvi ler o Best Seller. Como a maioria dos livros mais vendidos, a narrativa não é prioridade. A história flui com bastante clareza, mas não há nenhum apuro mais técnico da linguagem. De fato, há muitas falhas e repetições gritantes em diversas descrições. A autora descreve os vampiros sempre com a pele marmórea, diversas vezes. Tantas, que parece não haver outra forma de descrevê-los. Maneirismos demais de quem não possui técnica.
A trama é lenta, a ação se concentra apenas no final. O que pode afastar alguns leitores, devido ao exagero da autora em empurrar a ação para o ato final que está distante de ser algo grandioso. Em comparação inevitável com o filme, o livro ganha pelas passagens narrativas que não podem ser transpassadas para a tela, mas ainda assim fica aquém de, até mesmo, um best-seller. Já que, verões atrás, ao menos, O Código Da Vinci divertida com ação e enigma do começo ao fim.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

The Wonders - O Sonho Não Acabou!

(That Thing You Do !, 1996)
Diretor: Tom Hanks
Elenco: Tom Everett Scott, Liv Tyler, Johnathon Schaech, Charlize Theron, Steve Zahn, Ethan Embry, Tom Hanks, Kevin Pollak.

Considero Tom Hanks um dos atores mais importantes de Hollywood, ou em outras palavras, "o cara". Com uma carreira sólida, bons filmes no cúrriculo e atuações impecáveis, ele é um dos figurões que ganham bem e enchem os cofres dos estúdios.

Dirigido, produzido, escrito e interpretado por Tom Hanks (não esquecendo das canções em co-autoria com outro autor), The Wonders - O Sonho Não Acabou foi o filme escolhido para finalizar minha sessão de cinema em 2008.

O resultado do filme de Hanks não poderia ser mais positivo. Uma comédia musical deliciosa sobre a trajetória de uma banda de rock´n roll e os argúrios da fama e toca levemente na biografia do quarteto de Liverpool, uma óbvia inspiração para essa história.

Até mesmo o título brasileiro da produção remete-se a uma frase dita por John Lennon quando Os Beatles anunciaram seu fim, "O sonho acabou".

Sem contar as canções, criadas especialmente para o próprio filme e que são exemplos do pop perfeito. Cinematograficamente falando, as canções de The Wonders entraram para o patamar daquelas bandas inexistentes (Spinal Tap, Stillwater) que o cinema cria para enriquecer suas histórias.


Um Homem de Família

(A Family Man, 1999)
Direção: Brett Ratner
Atores: Nicolas Cage, Téa Leoni, Don Cheadle

Gosto de assistir filmes natalinos depois do Natal, quebrando tradições. Revi Um Homem de Família na véspera do ano novo. Selecionei o filme com cuidado para ser um dos últimos a serem vistos no ano, um de meus rituais com o cinema.

Delicado como as boas fábulas natalinas, o filme fala sobre escolhas que todos nós devemos tomar em certo momento da vida. Aqui a história nos mostra um homem que poderia ter tido o grande amor de sua vida, se não tivesse viajado para o exterior a estudo. É quando, nessa época única do Natal, ele acorda e tem um preview do que seria sua vida se ele não tivesse feito essa viagem e o resultado é um homem do subúrbio, pai de dois filhos completamente diferente do rico empresário chefe de uma empresa em Wall Street.

E as escolhas, diversas delas que fazemos todos os dias, começam a pesar na cabeça da personagem de Nicolas Cage, que nessa época ainda estava em sua boa maré de fazer filmes, sem essa onda horrorosa de produções onde ele esqueceu ser um bom ator (que o digam Motoqueiro Fantasma e Perigo em Bangcok).

Delicado e sensível, o filme foi uma boa supresa para mim na época do seu lançamento e até hoje é ótimo para ver quando se quer assistir a produções mais leves, mas ainda assim, de boa qualidade.

Além da produção, vale também comentar a capa brasileira do filme, com a belíssima imagem da personagem assistindo sua própria vida de outra maneira na vitrine de uma loja, como quem olha um produto com vontade de comprá-lo.


Coração Satânico

(Angel Heart, 1987)
Diretor: Alan Parker
Atores: Mickey Rourke, Robert De Niro

O Diabo sempre foi uma pessoa díficil e muito traidora. Filmes que o envolvem, costumam ser tão dificeis quanto por, normalmente, falta de uma verossimilhança ou, ao mesmo, um argumento que possa ser plausível ao tratar do tema.

Falar de Coração Satânico e não mencionar o diabo, é bobagem. Primeiro porque o título do filme em portugues (o original é Angel Heart, Angel é o detetive da trama) já estraga uma das surpresas da narrativa, segundo que o filme é famoso pela interpretação dúbia de Robert De Niro como a personagem Louis Chyphre, alardeado como uma das melhores interpretações diabólicas do cinema.

O filme é uma obra prima do suspense diabólico, repleto de cenas climática e de pinceladas de narrativa policial noir, em uma época onde Mickey Rourke ainda era tido como o garotinho de Hollywood.

Porém, quem rouba o filme, participando de algumas poucas cenas, é a interpretação quase silênciosa de De Niro. Sua personagem é, mesmo com a revelação inicial já contada, primorosa.

A famosa cena de sexo de Rourke, onde as goteiras de chuva de seu quarto viram sangue também não é conhecida a toa. Climática e assustadora no ponto certo, mostrando a boa direção de Parker.

Coração Satânico é um terror / suspense obrigatório para qualquer filmografia e, tratando-se do diabo, nunca é bom ficar em dívida.


O Primeiro Milhão

(Boiler Room, 2000)
Diretor: Ben Younger
Atores: Giovanni Ribisi, Vin Diesel, Tom Everett Scott, Ben Affleck.

Lançado em 2000, não posso deixar de imaginar que O Primeiro Milhão foi um daqueles filmes cujos atores foram escolhidos por que começavam a ser destaque em Hollywood. Por isso a presença de Ben Affleck, Vin Diesel, Giovani Ribisi e Tom Everett Scott, até então atores poucos conhecidos pelo grande público. (Desses, Ben Aflleck e Vin Diesel se tornaram os mais famosos).

Basicamente, a trama desse filme retoma o famoso filme de Olive Stone, Wall Street - Poder e Cobiça, contando a história de Seth Davis (Ribisi), um malandro que para ficar bem aos olhos do pai, resolve procurar um emprego de verdade e deixar seu cassino clandestino de lado. Consegue a vaga em uma empresa de corretores que promete um grande lucro aos seus vendedores mas, como tudo, logo percebe que as coisas não são assim tão simples.

Não há nada de excepcional no filme. O elenco jovem consegue manter o filme em um bom nível, a narrativa não possui nenhuma reviravolta tão surpreendente. É o típico filme caracterizado como uma boa diversão de duas horas e só. De fato, prefiram Wall Street - Poder e Cobiça com Michael Douglas e Charlie Sheen.


Jogos do Poder

(Charlie Wilson's War, 2009) 
Diretor: Mike Nichols 
Atores: Julia Roberts, Tom Hanks, Philip Seymour Hoffman 

Sabem a velha história de que uma andorinha só não faz verão? Esqueçam. Pois foi preciso apenas um congressista do Texas, interessado na causa Afegã, com grandes contatos na Casa Branca para mudar o curso da história de uma guerra.

Essa é a premissa de Jogos do Poder, um filme político que nos mostra os bastidores dessa guerra, e de como o congressista Charlie Wilson conseguiu aos poucos dar vazão ao seu plano. Tirando do governo as verbas necessárias para ajudar o Afeganistão e mudar a história do país. Tudo isso acompanhado de muitos copos de whisky e um escândalo envolvendo cocaína.

Se a história real parece inacreditável, a produção por trás do filme trouxe uma equipe de primeira. O talentoso diretor Mike Nichols, que possuí uma carreira impecável como diretor. O roteirista Aaron Sorkin, famoso por séries de tv como The West Wing e, uma de minhas séries favoritas mas canceladas, Studio 60 On The Sunset Strip. E os atores Tom Hanks, Philip Seymour Hoffman - incríveis em seus papéis - e Julia Roberts.

O filme não obteve uma recepção muito boa, mas ainda assim é um grande filme. O destaque principal vai para o exercício de manipulação exercido por Charlie Wilson para conseguir tudo o que queria, mostrando as corruptelas do sistema americano, e causando aquela impressão de que, mesmo tudo ocorrendo por debaixo do panos, todos tinham ciência do que ocorria.

A Lenda de Beowulf

(Beowulf, 2007)
Diretor: Robert Zemeckis
Atores: Ray Winstone, Angelina Jolie, Anthony Hopkins, Crispin Glover

Robert Zemeckis é aquele cara legal responsável pela trilogia do Martin McFly, Forrest Gump, Tudo Por Uma Esmeralda, A Morte Lhe Cai Bem, Contato, Revelação, Uma Cilada Para Roger Rabbit e Náufrago. Muito desses filmes se não estão na minha lista de filmes preferidos, são no mínimo boas obras cinematográficas.

Portanto, falta-me um pouco de compreensão para entender porque um diretor com tantos talentos no currículo tenha se tornado tão entusiasta em utilizar animação computadorizada para produzir seus dois últimos filmes, O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf.

Devemos sempre considerar válidas as tentativas de procurar novas maneiras de se produzir um filme, e também concordar que certas cenas são lindas paisagens com os menores detalhes em extrema perfeição. Mas ainda assim soam artificiais demais. É como a história de Pinóquio, o menino de madeira querendo ser de verdade. Beowulf não é um filme ruim, mas peca por ser uma grande aventura em animação quando quer ser uma grande aventura de verdade, com atores em carne e osso. O roteiro escrito por Neil Gaiman, baseado no lendário poema, é bem interessante, assim como a própria história de Beowulf.

Considerando que antes dessa animação, houve um filme com o ator Christopher Lambert no papel do matador de monstros, a história de Beowulf ainda precisa ser bem contada nas telas. Mas esse filme animado ainda vale a pena, seja pela história, ou por algumas cenas que, ainda que imperfeitas, saltam nos olhos.