segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

O Primeiro Milhão

(Boiler Room, 2000)
Diretor: Ben Younger
Atores: Giovanni Ribisi, Vin Diesel, Tom Everett Scott, Ben Affleck.

Lançado em 2000, não posso deixar de imaginar que O Primeiro Milhão foi um daqueles filmes cujos atores foram escolhidos por que começavam a ser destaque em Hollywood. Por isso a presença de Ben Affleck, Vin Diesel, Giovani Ribisi e Tom Everett Scott, até então atores poucos conhecidos pelo grande público. (Desses, Ben Aflleck e Vin Diesel se tornaram os mais famosos).

Basicamente, a trama desse filme retoma o famoso filme de Olive Stone, Wall Street - Poder e Cobiça, contando a história de Seth Davis (Ribisi), um malandro que para ficar bem aos olhos do pai, resolve procurar um emprego de verdade e deixar seu cassino clandestino de lado. Consegue a vaga em uma empresa de corretores que promete um grande lucro aos seus vendedores mas, como tudo, logo percebe que as coisas não são assim tão simples.

Não há nada de excepcional no filme. O elenco jovem consegue manter o filme em um bom nível, a narrativa não possui nenhuma reviravolta tão surpreendente. É o típico filme caracterizado como uma boa diversão de duas horas e só. De fato, prefiram Wall Street - Poder e Cobiça com Michael Douglas e Charlie Sheen.


Jogos do Poder

(Charlie Wilson's War, 2009) 
Diretor: Mike Nichols 
Atores: Julia Roberts, Tom Hanks, Philip Seymour Hoffman 

Sabem a velha história de que uma andorinha só não faz verão? Esqueçam. Pois foi preciso apenas um congressista do Texas, interessado na causa Afegã, com grandes contatos na Casa Branca para mudar o curso da história de uma guerra.

Essa é a premissa de Jogos do Poder, um filme político que nos mostra os bastidores dessa guerra, e de como o congressista Charlie Wilson conseguiu aos poucos dar vazão ao seu plano. Tirando do governo as verbas necessárias para ajudar o Afeganistão e mudar a história do país. Tudo isso acompanhado de muitos copos de whisky e um escândalo envolvendo cocaína.

Se a história real parece inacreditável, a produção por trás do filme trouxe uma equipe de primeira. O talentoso diretor Mike Nichols, que possuí uma carreira impecável como diretor. O roteirista Aaron Sorkin, famoso por séries de tv como The West Wing e, uma de minhas séries favoritas mas canceladas, Studio 60 On The Sunset Strip. E os atores Tom Hanks, Philip Seymour Hoffman - incríveis em seus papéis - e Julia Roberts.

O filme não obteve uma recepção muito boa, mas ainda assim é um grande filme. O destaque principal vai para o exercício de manipulação exercido por Charlie Wilson para conseguir tudo o que queria, mostrando as corruptelas do sistema americano, e causando aquela impressão de que, mesmo tudo ocorrendo por debaixo do panos, todos tinham ciência do que ocorria.

A Lenda de Beowulf

(Beowulf, 2007)
Diretor: Robert Zemeckis
Atores: Ray Winstone, Angelina Jolie, Anthony Hopkins, Crispin Glover

Robert Zemeckis é aquele cara legal responsável pela trilogia do Martin McFly, Forrest Gump, Tudo Por Uma Esmeralda, A Morte Lhe Cai Bem, Contato, Revelação, Uma Cilada Para Roger Rabbit e Náufrago. Muito desses filmes se não estão na minha lista de filmes preferidos, são no mínimo boas obras cinematográficas.

Portanto, falta-me um pouco de compreensão para entender porque um diretor com tantos talentos no currículo tenha se tornado tão entusiasta em utilizar animação computadorizada para produzir seus dois últimos filmes, O Expresso Polar e A Lenda de Beowulf.

Devemos sempre considerar válidas as tentativas de procurar novas maneiras de se produzir um filme, e também concordar que certas cenas são lindas paisagens com os menores detalhes em extrema perfeição. Mas ainda assim soam artificiais demais. É como a história de Pinóquio, o menino de madeira querendo ser de verdade. Beowulf não é um filme ruim, mas peca por ser uma grande aventura em animação quando quer ser uma grande aventura de verdade, com atores em carne e osso. O roteiro escrito por Neil Gaiman, baseado no lendário poema, é bem interessante, assim como a própria história de Beowulf.

Considerando que antes dessa animação, houve um filme com o ator Christopher Lambert no papel do matador de monstros, a história de Beowulf ainda precisa ser bem contada nas telas. Mas esse filme animado ainda vale a pena, seja pela história, ou por algumas cenas que, ainda que imperfeitas, saltam nos olhos.

Justiça a Qualquer Preço

(The Flock, 2007)
Diretor: Wai Keung Lau / Niels Mueller
Atores: Richard Gere, Claire Danes

Um suspense surpreendente, dirigido pelo diretor Andrew Lau, responsável pela trilogia original de Infernal Affairs, que deu origem ao filme Os Infiltrados de Scorsese. Apesar de sempre dar crédito para os filmes de Richard Gere, após muito tempo de seu lançamento que resolvi vê-lo, sem mesmo saber sua sinopse.

Embora o título brasileiro esboce um filme clichê do gênero, Justiça a Qualquer Preço consegue surpreender. Gere interpreta um funcionário publico responsável por procurar e vigiar pessoas que já foram fichadas (psicopatas, estupradores) e que podem ser um perigo em potencial para a sociedade. Com sua aponsentadoria chegando após anos de profissão exercida, sua personagem fica obcecada em resolver o caso de um desaparecimento de uma garota.

A trama foge do comum do gênero, se aprofundando na perversão e no lado devasso de cada ser humano. Questionando o que motiva cada um a cometer seus crimes e se, aquele que caça monstros, pode também se tornar um deles.

Apesar da direção acelerada e repleto de cortes ao estilo moderno, o filme não perde sua narrativa, sendo denso e pesado até o final. É um daqueles filmes chocantes que não poderiam, mas nos fazem pensar.


Crepúsculo

(Twilight, 2008) 
Diretor: Catherine Hardwicke 
Atores: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner

Minha primeira reação a estréia de Crepúsculo foi imaginar que a partir de então, eu não mais veria o terrível trailer clichê que assisti diversas vezes no cinema esperando outros filmes.

Baseado em um best-seller internacional (que será comentando na sessão Dezembro em Livros), o filme apresenta elementos diferentes da dinâmica "mocinha se apaixona por vampiro". 

Mas pela narrativa um tanto quanto insossa da autora, não haveria talento possível nas mãos de roteirista que conseguissem produzir um longa eficiente, além da idéia inicial da obra.

Algumas cenas ganham mérito por irem além da narrativa do livro, explicando melhor alguns acontecimentos e trechos. Mas, inevitavelmente, na comparação de livro e filme, o vencedor ainda é o livro. Curto e grosso, é um filme de verão sem pretensão nenhuma, fará milhões, mocinhas adorarão, mocinhos não. Ficará na memória no máximo até a próxima adaptação vampiresca que surgir. Como bem disse um amigo, é um ótimo episódio piloto de série teen.

Max Payne

(Max Payne, 2008) 
Diretor: John Moore 
Atores: Mark Wahlberg, Mila Kunis, Beau Bridges, Chris O'Donnell 

 Alguns fatos que devemos considerar:

1-) Max Payne é baseado em jogo que nunca joguei e que desconheço a história. Mas como podemos lembrar, a maldição de jogos de video game no cinema já nos ensinaram que adaptações nunca dão certo e se dão, o resultado é no máximo um filme mediano.

2-) O ator Mark Wahlberg em entrevistas para divulgação do filme disse que sua personagem seria mais violenta e mais pesada do que os nossos anti-herois famosos (Jack Bauer e afins) e o próprio personagem que ele interpretará em Os Infiltrados, aquele policial violento e xucro ao infinito.

Só essas duas constatações já nos fazem temer a respeito de um filme como Max Payne. Mas, favorecido por não conhecer nada da mitologia do jogo, sem saber o que estava certo, errado, inventado, forçado, ganhei o benefício de assistir apenas a um filme de ação.

Como filme ele chega a ser interessante em boa parte do tempo, levando em conta o fiapo de história comum do gênero: policial vê sua vida destruída após a morte da família e passa obcecadamente a procurar os responsáveis pela morte de seus entes queridos. Mark Wahlberg pode até se encaixar no papel, mas longe de ser melhor do que o tira durão do filme de Scorsese. Destaque para a fotografia do filme, que ajuda a narrar a história e as superfluas cenas em câmera lenta, efeito bullet time que já estão fora de moda. Alguém tem dúvida de que mais um foi para a lista das adaptações malditas?


Vicky Cristina Barcelona

(Vicky Cristina Barcelona, 2008)
Diretor: Woody Allen
Atores: Rebecca Hall, Scarlett Johansson, Chris Messina, Javier Bardem, Penelope Cruz

O gênio Woody Allen - um dos meus diretores favoritos - é um daqueles cineastas que me fazem ir ao cinema, não importa por qual filme. Considerando o fato de que morar no interior de São Paulo é prejudicial ao seus filmes - já que sua filmografia não é tão comercial - pude apenas duas vezes assistir suas obras na tela grande: no fabuloso Match Point, e nesse Vicky Chistina Barcelona.

Mais uma vez o diretor embarca longe de Manhattan, seu lugar favorito em Nova York, para nos levar a belíssima cidade de Barcelona. Contando a história de um casal de amigas que, ao passar as férias de verão na cidade, se envolvem em uma história amorosa de triângulos e quadrângulos amorosos.

Sob esse aspecto é impossível não pensar que Woody Allen construiu um Almodóvar ao seu estilo. O amor tórrido e louco estão presentes, a femme fatalle espanhola decadente interpretada magistralmente por Penélope Cruz são dignas de um filme do diretor espanhol, mas aqui são conduzidas magistralmente pela delicadeza de Woody Allen que ainda tem, como na maioria de seus filmes, muito a falar sobre o amor.

Como tenho costume de classificar os filmes do grande Woody, Vicky Cristina Barcelona não é um daqueles filmes para ser visto com olhos desatentos, é um de seus trabalhos mais próximos de seus dramas densos do que das comédias despretensiosas como O Escorpião de Jade. É o diretor mostrando mais uma vez que, após anos e anos de clássicos, hoje faz o que bem entender. Seja no humor bobo ou no melodrama espanhol, continua ainda sendo uma ótima sessão de cinema.