segunda-feira, 12 de julho de 2010

A Semana em Filmes (04 a 10 de Julho)


Abismo do Medo (The Descent)

Dir. Neil Marshall


Filme que projetou o diretor Neil Marshall, como um dos possíveis bons diretores de terror no futuro, Abismo do Medo é um típico filme de medo no estilo lugar desconhecido e aterrorizante. Um grupo de amigas conhecidas por gostarem de aventuras radicais se reúnem para realizar uma exploração em uma caverna turística. Mas uma delas, Juno, por achar que a aventura seria fácil demais, escolhe uma caverna desconhecida, ainda sem nome, e logo as amigas descobriram que, ali, ninguém nunca saiu vivo.
Passando a procurar uma saída na desconhecida caverna, elas se deparam com criaturas estranhas que se esconde nas entranhas da caverna.
A produção foca-se na evolução de sua atmosfera. As atrizes, de fato, realizaram todas as cenas do filme, dando mais veracidade as cenas de agonia em que tentam atravessar os menores espaços em busca de salvação. Outro fator curioso da técnica de filmagem é que as cenas foram filmadas em sequencia. Realizando, assim, um susto mais verdadeiro quando as personagens encontram as tais criaturas vivas na caverna.
Ainda que seja um típico filme de terror, com um grupo entrando em um lugar onde não devia, a produção consegue se manter tanto na tensão quanto nos litros de sangue que jorram nos massacres.
A produção tem uma continuação que não tem a direção de Marshall, que dirigiu uma pérola apocalíptica – e ruim – chamada Doomsday – O Juízo Final.



Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada (Dan In Real Life)

Dir. Peter Hedges


Quando uma produção não sai como esperado nas telas, normalmente é modificada quando é importada para outros países. Tentam, dessa maneira, um novo olhar sob a mesma produção, uma propaganda mais focalizada. Aspectos que muitas as vezes podem destruir uma boa idéia e afastar o público alvo.
Podemos prever tal acontecimento com Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada, comédia dramática com toques existenciais cujo título original é Dan In Real Life, Dan na Vida Real.
A mudança do título para uma enumeração, sugere uma comédia, dessas que um irmão rouba a namorada de outro. Até mesmo a frase do DVD, “O queridinho da família acaba de se apaixonar pela namorada do irmão!” é absurdamente equivocado, como se os seus publicitários não tivessem nem visto uma ponta do filme. Nem de longe Dan é o querido da família.
Interpretado pelo incrível Steve Carell, que consegue manter pelos olhos toda a tristeza de sua personagem, Dan está a margem de sua própria vida. Com três filhas cujo relacionamento está balançado e uma família que o enche de cobrança por ser aquele que, em suma, não possui talento algum. É apenas o escritor de uma coluna que dá nome ao filme no original.
Tudo parece se transformar quando, em uma livraria, Dan conhece Marie, interpretada por Juliette Binoche, que também dá o fôlego da comédia. É numa longa conversa que ambos parecem ter tido aquele ponto inicial de uma história, uma leve conexão. Algo que desaba quando Dan descobre que ela é, na verdade, a namorada de seu irmão. O que somaria mais um fracasso para sua vida.
A trama tenta de maneira sutil a desconstrução da vida de Dan para, aos poucos, sua personagem ir se ajustando. Mas cai no senso comum com uma família cheia que interpreta um esteriótipo cada um, a começar por suas filhas, uma louca por dirigir, uma mais nova mas já apaixonada por um garoto e a menorzinha, a única que lhe parece dar afeto de fato.
Uma história que poderia se tornar apenas mais uma comédia se a força de Carell em cena não fosse marcante e a personagem de Binoche não cativasse tanto quanto ele.


sábado, 10 de julho de 2010

O Presidente Negro, Monteiro Lobato

"Achava-me um dia diante dos guichês do London Bank à espera de que o pagador gritasse a minha chapa, quando vi a cochilar num banco ao fundo certo corretor de negócios meu conhecido. Fui-me a ele, alegre da oportunidade de iludir o fastio da espera com uns dedos de prosa amiga.
- Esperando sua horinha, hein? - disse lhe com um tapa amigável no ombro, enquanto me sentava ao seu lado."



Autor: Monteiro Lobato
Editora: Globo
208 pág.






Relançado pela Editora Globo em uma bela coleção que contempla a obra adulta de Monteiro Lobato, O Presidente Negro, ganhou destaque em diversas notícias brasileiras na época da eleição do presidente Barack Obama, o primeiro presidente negro americano. Notícias traçavam uma relação tênue do fato histórico com a obra de ficção de Lobato, uma precursora capaz de prever tal eleição.

Escrito inicialmente em 1926, publicado com o nome de O Choque das Raças, o romance é o único do autor. E apóia na ficção cientifica para produzir sua narrativa futurista.

Fato é que a literatura de Monteira Lobato é bastante conhecida no Brasil, principalmente em sua faceta infantil no incrível Sítio do Pica Pau Amarelo. Sua importância no cânone brasileiro é alta, tanto que sua obra é abrangida na cartilha de estudo dos colégios. O que pode despertar preconceito em desavisados, supondo que sua narrativa seja chata, como a maioria das pessoas afirmam sobre os literatos estudados em sala de aula.

Lobato é um excelente prosador, com um estilo fluído, equilibrando-se entre a escrita e um estilo oral de narrar. Em sua história, conhecemos Ayrton um desastrado cobrador que, ao sofrer um acidente na estrada, é resgatado pelo professor Benson. Benson é um recluso cientista genial que, dentre as diversas invenções feitas, criou o porviscópio. Um dispositivo que permite ver o futuro, como quem vê a um filme.

Através do cientista e de sua filha, Jane, Ayrton conhece a disputa da Casa Branca no ano de 2228, onde há uma divisão entre o eleitorado branco, mulheres e os negros. Com a eleição do primeiro presidente negro, brancos e mulheres incapazes de aceitar tal condição, elaboram um plano para acabar de ver com o chamado problema negro.

O romance de Lobato funciona a maior parte do tempo. Quando somos apresentados as personagens centrais, e convidados para conhecer a tal cidade americana futurista, a narrativa flui com bastante elegância. Porém, quando a trama adentra diretamente a história dos negros em 2228, o enredo se torna arrastado e as soluções encontradas pelo escritor permanecem em uma tênue linha entre uma crítica ou um gigantesco preconceito.

É por não decidir-se entre a agressão definitiva ou a crítica que a parte final de seu romance perde o fôlego. As idéias racistas defendidas por Lobato são anteriores a esse romance, e o acompanharam desde o fim de sua vida.

Apesar do reticente desenlace final, é surpreendente a visão futurista de Lobato, que previu diversas invenções, utilizando-se de recursos criativos da literatura. Dando nova dimensão a o que seria o jornal, os jogos, e diversos objetos ainda não conhecido em sua época.

Até mesmo o pessimismo explícito no livro denota muito do sentimento visto pelo mundo no final do século XX. Porém, mesmo com uma narrativa elevada, é notório que seu desfecho não é finalizado com tanta competência.

Sendo lamentável que um escritor tão prolífico com Monteiro Lobato ganhe atenção últimamente apenas por essa singular obra, em vez de boa parte de sua obra adulta, sem mencionar a infantil, com maior qualidade literária.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

24 Horas, Oitava Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.


O inferno astral de Jack Bauer tem seu fim

Oito temporadas após a consagração como uma das melhores séries atuais, 24 Horas chega ao fim. Sem faltar ação nas horas infernais vividas por Jack Bauer, os oito longos dias do agente se não foram repletos de brilhantismo, são repletos de boas amarras do começo ao fim.

Mesmo apresentando diversos momentos com leves tropeços e até mesmo dias em que a ação fechava-se antes do término do mesmo, seu oitavo ano não apresenta novidades quanto a fórmula já consagrada, mas é capaz de fechar com qualidade a incrível série.

Mudando novamente de ambientação, agora situada em Nova York - uma das mais famosas cidades americanas – a série traz de volta a CTU, a Unidade Contra o Terrorismo que fora desativada no início do mandato da presidente Allison Taylor. O comando da unidade, com exceção de Chloe O´Brian, que bate de frente com seu chefe, é inteiro renovado. Ganham destaques novos atores escalados para essa temporada como a analista de dados Dana Walsh (Katee Sackhoff, a Starburck de Battlestar Galactica), Arlo (John Boyd) e Cole Ortiz, um ex-fuzileiro naval interpretado de maneira surpreendente pelo insosso Freddie Prinze Jr.

No último dia furioso de Bauer, a ação se concentra em um tratado de paz entre Estados Unidos, Federação Russa e República Islâmica do Kamistão. É graças a um informante de Jack, que bate em sua porta contando-lhe sobre um possível atentado contra ao presidente do Kamistão, que o agente volta à ativa.

A cada missão cumprida, Bauer tenta manter-se longe dos acontecimentos. Mas se vê perante ao inevitável e, sendo o melhor no que faz e, assim, o melhor para salvar o dia novamente, sente o peso da responsabilidade e assume de vez o comando das operações.

Mas nunca, em todos seus dias ruins, sua personagem esteve tão solitária. Finalmente com a filha Kim em segurança, de volta a Los Angeles, Bauer pode usar toda sua força sem medo de retaliação. Infelizmente o pequeno circulo confiável do agente se torna ainda menor.

Com nada a perder, ainda mais com a morte de Reene Walker, cuja personagem é bem reintroduzida na trama – para participar de uma infiltração na máfia russa – e tem uma triste saída de cena, Jack está mais nervoso do que nunca. Exigindo justiça.

A volta de uma das melhores personagens da série, o presidente Logan, serve como demonstração de que, mesmo as melhores pessoas, como a excelente presidente Alisson, podem ser corrompidas moralmente se o discurso ouvido parecer plausível e aceitável.

Com o laço criado por ambos, Bauer é mais uma vez traído e após salvar boa parte de Manhattan de uma explosão é convidado gentilmente a depor em uma prisão, em que seria preso se sua astucia precisa não agisse primeiro.

Até mesmo sua amiga Chloe O´Brian, que desde seu surgimento é a cobertura de Jack, questiona seus métodos. Atitudes aparentemente sem sentido que, como sempre, visão um bem maior. Não aceitando que nem mesmo os pequenos cargos, ainda mais os maiores, como a presidência, tomem atos escusos como justificativa. Matar cem para salvar mil. Tal ato não está na cartilha de Bauer, que só mata, mesmo que de maneira cruel, aqueles que estão contra o governo americano.

O resultado de toda essa seqüência de ação é uma última temporada com o melhor que a série é capaz de dar. Ação do começo ao fim, sem amarras mal feitas, uma personagem central que jura justiça e a contempla de modo violento, e os preâmbulos da política, suja e imoral. Um desfecho superior a de sua temporada passada em Washington.

O desfecho final das aventuras diárias de Jack Bauer, não só finalizam uma série que revolucionou o conceito de séries contemporâneas como, também, deixa morrer o tipo de herói nascido na década de oitenta, que ostenta, não importa qual dificuldade, seu objetivo a favor da justiça. Esteja ele ferido, física ou mentalmente, a luta pela razão maior sempre é o foco de sua moral, eternamente heróica.

terça-feira, 6 de julho de 2010

[Notícia] 6ª Temporada de House M.D. em DVD

Já está disponível em pré-venda no site americano Amazon a sexta temporada da série House. O lançamento está programado para 31 de Agosto.

A capa, divulgada ao lado, segue o padrão das outras cinco temporadas, utilizando-se de uma cor única, com o médico no centro e as outras personagens em uma imagem em destaque.

A Universal, distribuidora do DVD no Brasil, ainda não anunciou o lançamento da versão brasileira do Box. Mas é provável que o lançamento seja em setembro ou outubro.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

A Semana em Filmes (27 de Junho a 03 de Julho)




Tá Chovendo Hamburguer (Cloudy with a Chance of Meatballs)

Dir. Chris Miller e Phil Lord


Em uma cidadezinha escondida debaixo do A do mapa Atlântico chamada Boca da Maré, vive Flint Lockwood. Um jovem cientista, zombado desde a infância por seu intelecto e que sonha criar uma invenção que comprove que seu estilo desajustado não deve ser agredido. Quando sua cidade, especialista em comércio de sardinha, passa por uma crise, prestes a falir, o jovem cientista cria uma máquina revolucionária que transforma água em comida. E a partir dela se torna tanto o herói da cidade como o futuro causador de problemas quando seu aparelho sai fora de controle.
É com uma trama nada surpreendente, voltada para o público juvenil e calcada na nova tecnologia em terceira dimensão que Tá Chovendo Hamburger tenta conquistar o público. Sua personagem central, o carismático Flint, é um bom personagem, engraçado na medida certa e com força para sustentar o argumento da ação. Porém, ainda que boa parte da trama funcione, o final que escorrega no senso comum de um objeto que sai fora do controle tira também uma boa idéia de cena.
O melhor ponto da produção é não demorar para desenrolar sua ação. Cria-se logo nos minutos iniciais a problemática e a tal máquina de fazer chover comida, dando tempo para que todo prestígio e queda da personagem principal seja apresentada no tempo certo.
Mas infelizmente mesmo sendo projetado para ser apenas uma trama divertida, a produção não consegue ser tão interessante como prometia seu trailer.


Cativeiro (Captivity)

Dir. Roland Joffé



Filmes de terror que não tem diversão, fazem do expectador um bobão. Trazendo o mesmo roteiro repleto de formulas cansadas que não produzem nenhum efeito impactante. Sendo tão previsível, que nem fazem uso apelativo do mundo as avessas do terror, como explorado na crítica do filme Pacto Secreto.
Com uma produção dividida entre Estados Unidos e a Rússia (não me perguntem o porque disso), Cativeiro traz a bela e muito ordinária Elisha Cuthbert – cuja única personagem famosa foi ser a filha problema de Jack Bauer em 24 Horas – como uma modelo bem sucedida com uma carreira invejada que é seqüestrada por um anônimo que a mantém em um cativeiro filmado. Enfrentando a obsessão de seu captor, ficando até mesmo em uma prisão de areia, a modelo tenta sair de sua prisão e descobre que não está sozinha na empreitada.
Em uma tentativa que falha bruscamente, a trama tenta mesclar diversos elementos de gêneros distintos. Quase se esgueira nos filmes que usam a tortura explícita para enojar o público, ruma para uma investigação policial quando a modelo é tida como desaparecida, tenta criar um perfil para o maníaco que a capturou mas erra em todas as tentativas, não produzindo nada que funcione bem.
Estranhamente, o diretor dessa pérola sem graça é Rolland Joffé, responsável pelos bons A Missão e Os Gritos de Silêncio, sendo possível imaginar a quem o diretor devia uma grana para ter de rodar esse longa metragem. É uma dessas produções que gosto de recomendar como fujam ou assistam por sua conta e risco.



Toy Story 3 (Toy Story 3)

Dir. Lee Unkrich



Rever uma produção recentemente assistida é constatar ou seu brilhantismo óbvio ou a ilusão de que, na primeira vez, ela foi capaz de enganar e na segunda não mais consegue. Após duas semanas de estréia de Toy Story 3, em que já teci diversos comentários sobre a produção em sua estréia, devo apenas confirmar que a produção é incrível.
A trama imaginada por John Lasseter e escrita por Michael Arndt, o mesmo roteirista de Pequena Miss Sunshine é, provavelmente, o candidato a levar a estatueta de melhor animação no próximo Oscar e, como a Academia agora contempla dez filmes na seleção de Melhor Filme, ouso dizer que a produção tem cacife necessário para situar-se entre as selecionadas.
Mesmo em uma segunda exibição, as personagens continuam sendo engraçadas, em destaque para o sempre desastrado dinossauro Rex, e comoventes, como todo o movimento final que fecha a história dos brinquedos.
Sem dúvida a primeira produção do ano que merece com louvor a nota máxima.


domingo, 4 de julho de 2010

Coleção Julio Verne, RBA



Em 2 de julho de 2009, este blog noticiou que a Coleção Julio Verne, editada pela RBA aportava no Brasil, saindo semanalmente nas bancas.

Como até hoje as notícias a respeito dessa coleção é escassa, é necessário outra notícia atualizada. Informando a todos aqueles que procuram os títulos em suas cidades e não encontram que a coleção continua em lançamento.

Com o intuito de informar nosso leitor, listamos os vinte e oito volumes já publicados. Tal lançamento leva em conta o interior de São Paulo, aonde estamos situados. Caso a coleção não tenha chegado a sua cidade, ou, por ventura tenha perdido um número, eis o contato, que se encontra nos livros da edição, para pedir números atrasados: Publisher Comércio Internacional Ltda. (numerosatrasados@publisher.com.br)

A lista contempla os livros lançados desde julho de 2009 até ínicio de julho de 2010.

1- A Volta ao Mundo em Oitenta Dias
2- Vinte Mil Léguas Submarinas
3- Cinco Semanas em Balão
4- Viagem ao Centro da Terra
5- Da Terra a Lua
6- Os Filhos do Capitão Grant: Na América do Sul
7- Os Filhos do Capitão Grant: Na Austrália Meridional
8- Os Filhos do Capitão Grant: No Oceano Pacífico
9- Miguel Strogoff
10- A Escola dos Robinsons
11- A Roda da Lua
12- Um Herói de Quinze Anos
13- A Ilha Misteriosa: Os Náufragos do Ar
14- A Ilha Misteriosa: O Abandonado
15- A Ilha Misteriosa: O Segredo da Ilha
16- Atribulações de um Chinês Na China
17- Os Quinhentos Milhões da BEGUN
18- Aventuras do Capitão Hatteras: Os Ingleses No Pólo Norte
19- Aventuras do Capitão Hatteras: O Deserto de Gelo
20- Dois Anos de Férias
21- Uma Cidade Flutuante
22- Aventuras de Três Russos e Três Ingleses Na África Austral
23- A Jangada
24- César Cascabel
25- As Índias Negras
26- Heitor Servadac: O Cataclismo Cósmico
27- Heitor Servadac: Os Habitantes do Cometa
28- O Raio Verde

A lista de publicações será atualizada de tempos em tempos.


Dexter - A Mão Esquerda de Deus, Jeff Lindsay

"Lua. Uma lua maravilhosa. Cheia, gorda, avermelhada, a noite clara como o dia, o luar inundando a terra e trazendo alegria, alegria, alegria. Trazendo também o rugir da noite tropical, a voz macia e turbulenta do vento ouvindo nos pêlos do braço, o lamento vazio da luz das estrelas, o grito trincado da luz da luz sobre a água.
Tudo isso chamando o Necessitado. "

Autor: Jeff Lindsay
Editora: Planeta
272 pag.






À semelhança dos lançamentos de livros que aproveitam sua adaptação cinematográfica para conquistar leitores, graças ao sucesso do seriado Dexter a Editora Planeta colocou no mercado em julho de 2008, Dexter – A Mão Esquerda de Deus - primeiro romance de Jeff Lindsay sobre seu sedutor serial killer – cuja a primeira temporada da série baseia-se em boa parte.

Difícil separar obra literária da série televisiva, analisando cada um como linguagem diferente. Já que muitos leitores da obra viram a série anteriormente, gerando comparações inevitáveis.

A narrativa do livro difere-se da atmosfera criada na série. Dexter, a personagem central, não possui tantos atrativos. É um serial killer, mas não possui um método tão apurado, muito menos carisma. É um tanto abobalhado, conseguindo se safar muitas vezes de uma maneira que mais parece sorte do que astúcia. Perde seu charme de assassino racional, dando lugar a um assassino privilegiado pela sorte.

A narrativa é fluída com tensão predominante a maior parte do tempo. Até seu meio é irretocável, e a série segue-o até este ponto. Porém, chegando no segmento final, há um aceleramento brutal de acontecimentos. Resultando em um desfecho frouxo. Tem-se a nítida impressão que Lindsay fez um contrato para um livro com tantas páginas específicas e a ampliou demais o meio da ação, tendo que encerrá-la com ações rápidas, cortes abruptos e soluções fáceis.

Tratando-se de um romance policial, onde o clima é uma de suas maiores qualidades, cortar sua tensão no meio, acelerando a ação, é destruir páginas e páginas em que se cria uma expectativa progressiva no leitor.

Nesse aspecto, a série Dexter trabalhou com louvor maior. Recriando a imagem do serial killer, fazendo-o astuto, dosando corretamente tensão e expectativa e dando um fim próprio, longe dos acontecimentos do livro. Formando um resultado bem superior a obra original.

Mas o lançamento é uma boa iniciativa da Editora Planeta. Pena que a obra apresenta diversos erros semânticos, oriundas de uma tradução truncada. A editora poderia revisar melhor seus textos, escolhendo o que mais se adéqua a nossa língua, antes de soltá-los no mercado. Afinal, o lançamento desse livro já é de anos atrás, os fãs esperariam um pouco mais.