segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A Semana Em Filmes (05 a 11 de Dezembro)



Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte I (Harry Potter and The Deathly Hallow: Part I)

Dir. David Yates



A série do bruxo Harry Potter possui uma progressão singular em sua adaptação cinematográfica. No lançamento de Enigma do Príncipe, este blog assistiu as produções de maneira seqüenciada e, na sessão Panorama, apresentou as oscilações presentes no enredo, dando nota máxima para a última produção.
Ainda que especulação, imagino que nos primórdios da primeira adaptação, era latente a intenção de escalar um diretor para cada livro. Erro primário da produtora envolvida que esqueceu que a função de um diretor, além de meramente dirigir cenas, é apresentar sua concepção, nesse caso, de um universo estabelecido.
A ambientação das histórias tornaram-se esquizofrênicas, a mercê da criação e talento de seus diretores. Chris Columbus exagerou na paleta de cores, ainda que sua configuração inicial para o mundo bruxo seja um marco por ter sido a pioneira. Alfonso Cuaron adequou melhor a ambientação com o enredo, dando base cênica para Mike Newell tentar imita-lo na fotografia acinzentada, mas realizar um filme escuro com enfoque cômico.
Foi diante dessas oscilações que David Yates assumiu a direção da quinta produção e por uma boa decisão do estúdio, permanece até o final da história. Mesmo sem ter um nome de alto calibre, o britânico demonstrou boa habilidade na direção de sua primeira produção do bruxo e nitidamente aprendeu a evoluir com ela.
Produzindo um longa com uma equipe há tempos integrada, desde seus minutos iniciais Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I apresentam um bom conjunto de sincronia entre elenco, roteiro, produção, direção, fotografia e afins que é capaz de deixar a história nivelada com a apresentada no livro.
A decisão de dividir a história em dois longas resolve um antigo problema de livros cujas páginas se tornamvam cada vez maiores e adaptações que mantinham sua metragem. Dessa maneira, o desfecho da saga não perde elementos sensíveis ao público e parte de sua progressão lenta podem ser executadas com maior precisão.
Durante os sete anos que o público acompanha Harry Potter nunca houve tanto caos. A ascensão do senhor da trevas Lord Voldermort é iminente, e a tensão e medo é nítida. Após uma investida dos comensais da morte contra sua vida, Harry Potter decide isolar-se do mundo e dos amigos para enfrentar a batalha sozinho, mas encontra em seus fieis parceiros companhia para prosseguir e descobrir os elementos que faltam para destruir o lorde das trevas.
A potência malvada de Voldermort é uma interessante inferência criada por J. K. Rowling e bem explorada, finalmente, nessa produção. Ainda que público tenha conhecimento das histórias do passado sobre seu poder nunca, de fato, foi visto na tela – ou na história - tal domínio. Em sete livros a autora é capaz de criar um vilão cuja força está centrada naquilo que ele foi e que tornará a ser novamente, não no que é. Desde a primeira produção acompanhamos o temor da população bruxa perante o crescente retorno daquele que não pode ser nomeado e, a partir disso, compreendemos sua destruição.
Coube ao brilhante Ralph Fiennes, em apenas uma cena apresentada no início da produção, ao lado de seus fieis comensais da morte, demonstrar toda a densidade, raiva e ambigüidade de sua personagem. Apenas uma cena para produzir todo o potencial de um vilão, fato de talento nato, ainda mais que a personagem é carregada de maquiagem.
O penúltimo filme da saga apresenta o tom certo de desolação de um mundo prestes a ser abalado completamente. Por assumirem tais personagens há anos, atores estão confortáveis em seus papéis e cada vez mais naturais. Yates, também, demonstra seu crescimento na série. Sabendo apresentar duas ou três cenas de alívio cômico e carregar na necessária carga de emoção e tensão que predomina.
Se a divisão em dois filmes também produz mais lucros para os envolvidos, foi uma boa realização para o público. Que agora necessita aguardar mais alguns meses para o derradeiro final que, dessa vez, será lançado também em 3D, algo que a primeira parte não foi para evitar atrasos no lançamento. Mas, até então, tal artifício não fez, nem fará, diferença nenhuma.



De Pernas Pro Ar (Bottoms Up)

Dir. Erik MacArthur


Quem acompanha a indústria cinematográfica sabe que notoriamente algumas produções são realizadas somente para que com o lucro outras menores sejam, também, lançadas. Muitas vezes dentro dessa lógica, porém, existe um tipo de produção que aparentemente não possui nenhuma razão de existir, a não ser pelo fato de ser um belo desperdício de dinheiro.
Não é nem um filme pipoca, nem mesmo consegue ser um filme B, muito menos um filme menor bem realizado e, muito menos uma boa produção realizada diretamente para a televisão. No caso de De Pernas Pro Ar, trata-se de um filme – ainda que chamá-lo assim seja insultante – produzido diretamente para o mercado de vídeo americano – ainda que imaginar quem assista-o com entusiasmo me assuste – cujo grandes chamarizes são a socialite com cara de cólica Paris Hilton e Jason Mewes, conhecido como o Jay das histórias autorais de Kevin Smith que envolvem a dupla Jay e Silent Bob.
A trama de tal produção é uma impáfia absurda. Mewes é um garoto do interior que para ajudar o pai viaja até Hollywood intentando participar de um concurso de barman. Mas após perder tal concurso resolve encontrar outros meios para ganhar dinheiro e salvar o pai da falência.
É nessa história que surge Paris Hilton, como a namoradinha de um ator e filha de um dono de estúdio que, por obviedade, se relacionará com o garoto.
A história vai apresentando situações absurdas que intentam, talvez, produzir algum riso mas se tornam sem graça. Como o orçamento é curto, diversas cenas se apresentam em animação, poupando os produtores de gravarem tais bobagens.
Assim soma-se uma direção patética, atores ruins e um roteiro, desculpem, estúpido. Com direito a um tio homossexual afetado e sem graça e uma participação de Kevin Smith que deveria estar sem fazer nada no dia e desejando um almoço de graça. Sem dúvida, mais um para a lista dos piores vistos no ano.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Alta Fidelidade: 24 Horas e o ápice da Ação






São raras as produções que utilizam, na progressão de sua narrativa, a estética do tempo real. O desenvolvimento sem nenhum corte temporal é um processo que pode dificultar a ação e, sem um trabalho bem realizado, se torna um material sem sucesso.

Em 1995, Johnny Depp e Christopher Walken estrelaram um longa que se utilizava do estilo. Tempo Esgotado apresenta Depp como um homem comum que tem sua filha seqüestrada e é obrigado, em um curto prazo de tempo, a executar a governadora da Califórnia. A ação, boa parte realizada em um shopping, mantém sua tensão devido a personagem contra o relógio. Críticas não foram favoráveis, mas há momentos que a trama funciona.

O tempo como um dos pilares da trama também foi presença em 88 Minutos, filme de Jon Avnet com Al Pacino em que o tempo citado é o prazo para que um professor universitário resolva um assassinato que pode envolvê-lo.

Ainda que não inédito, o conceito de tempo real sempre fora explorado de maneira isolada. Em 2001, precisamente em dezembro, que a Fox americana exibiu o que seria considerado um marco no recurso e também uma grande história de ação.

A série 24 Horas, desde seu título, demonstra a urgência de sua narrativa. Enquanto o enredo tradicional de uma temporada desenvolve-se em vinte e quatro episódio, que abrangem um ano aproximado da vida das personagens, aqui a aventura concentra-se em um dia completo.

Trabalhando situações limites impostas e apresentadas sempre em seu início, ação, tensão e reviravolta são elementos comum no roteiro que se tornou uma estrutura intacta na série, apresentando diversas ações no decorrer da mesma hora, delineando bem a sensação de tempo real e simultâneo.

Ainda com uma estrutura intacta em seus oito anos de produção, sua figura central, Jack Bauer, é quem sofreu maior transformação. De um ótimo agente contra terrorismo, Bauer transforma-se em herói de grande representação. Cada dia fatídico vivido por sua persona aprofunda mais o abismo de sua personalidade, seus contornos humanos perdem dimensão, tornando-o um homem quase impenetrável, cujo suporte maior é reger-se pela lei, pelo bem maior. Capaz de sobreviver até as mais terríveis dores e amargurar e voltar, de certa maneira, intacto, mais centrado e mais irritado.

A ação projetada na tela é digna de uma produção cinematográfica. É composta de maneira cuidadosa em suas estruturas, tanto no roteiro, em personagens como em detalhes que passam despercebidos pelo público por sua excelência: a continuidade cuidadosa que convence que uma história gravada em oito meses pareça mesmo estar centrada em apenas um dia.

Além da execução técnica da série, elementos de sua narrativa são bastante reais e verossímeis. Focados em manter um elo com o presente conhecido do público, a série apresenta uma narrativa crua e violente, não vista na televisão desde Nova York Contra o Crime. Tratando-se de uma Unidade Contra o Terrorismo como escopo para ação, é de se prever que agentes fazem tudo a suas mãos para procurar culpados. Não poupando cenas de tortura, morte, que causaram comoção aos mais sensíveis e aos simpatizantes dos diretos humanos. Mesmo que diversos órgãos tenham se pronunciado contra a violência da série, que não seria um espelho da realidade, é subestimar a observação pública perante as notícias diárias.

A idéia do real transposto a tela, seguindo uma lógica temporal como estamos acostumados, acompanhando um personagem que se torna um herói, abdicando muitas vezes de seu bem próprio para o bem de todos são grandes elementos que compõe e fizeram o sucesso da série.

Ainda que em seu lançamento tal sucesso não era tão esperado. Tanto que no meio da primeira temporada há um encerramento do enredo. Uma tática dos produtores para, caso a Fox não aprovasse uma temporada completa, ao menos apresentar um fim ao público.

Mas o primeiro ano envolvendo Jack Bauer em uma conspiração para matar o candidato David Palmer foi o primeiro passo para apresentar um enredo que ainda que caminhe nos clichês do gênero, é executado de maneira exemplar.

Cada temporada desenvolveu crises diferentes com espaçamento temporais cada vez maiores. Infelizmente, em certos anos, a previsão dos produtores e roteiristas saíram errado, fazendo com que a grande ação central finalizasse horas antes do fechamento do dia. Deixando evidente uma sub história desenvolvida as pressas para cobrir as horas que estavam por vir. Deslizes que, mais de uma vez, aconteceram.

A sensação da temporalidade real, embora cada vez menos preciso temporada a temporada, registrava uma sensação angustiantes pelas pausas e a cada hora certa que desencadeava alguma revelação ou grande evento.

A série trouxe o ator Kiefer Sutherland de volta ao estrelado, recebendo Emmys e Globo de Ouro por interpretação, roteiro e melhor série em uma de suas melhores temporadas.

Alguns detratores dizem que o tempo que a série esteve ao ar foi longo demais. Porém, mesmo apresentando oito crises diárias com algumas oscilações, é inegável que Jack Bauer tornou-se um marco. Sua personagem se espandiu além da série, virando um ícone heróico e ainda resultou em uma série genuinamente de ação que nunca teve medo de dialogar com a realidade e de produzir violência.

A série está disponível de maneira completa em DVD, no Brasil. Tanto temporada por temporada quanto na bela caixa que ilustra esse texto e que engloba todas as temporadas mais o filme A Redenção que se passa entre a sexta e sétima temporada.






Para ler também: Alta Fidelidade: A Supremacia dos Seriados



Alta Fidelidade, a coluna semanal do criador desse blog que, hoje, apresentou a primeira análise de três sobre séries americanas. Aqui é possível falar abertamente sobre alguns temas sem que exija uma resenha para tal. Pretende-se abordar todo o tipo de assunto cultural, seja ele sobre livros, filmes, dvds, cds e, nessa semana e nas próximas, séries em geral e três seriados atuais que já são um marco: 24 Horas, Lost e House M.D.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Battlestar Galáctica, Segunda Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.

A Luta Para Salvar a Humanidade Continua


No término da primeira temporada de Battlestar Galáctica, enceramento explosivo e revelador, constatei dois fatos evidentes. Em primeira estância, era necessário dar prosseguimento rápido a sua exibição, visto seu potencial dramático, impossível de ser pausado. Em segundo que, sem dúvida, estava diante de uma das melhores séries a explorar de maneira densa o cerne humano.

Nem mesmo a criação da raça humana, os cilônios ,que dominaram as colônias e destruíram o planeta, foram capazes de prever a complexidade sensível e destruidora de nosso sistema. A ação seqüenciada nesse ano demonstra que robôs não saem incólumes quando desejam estar a nossa semelhança. Aprofundar-se na criação de um elemento híbrido é, também, ter em si os temores e medos que nos movimentam.

Ainda que apresentem muitas cópias, a raça que transformou os humanos em pária é, aos poucos, abraçada pela maneira humana de agir. Desenvolvem personalidades distintas, possuem desejo de amar e quebram a barreira aparentemente óbvia de que são somente máquinas sem emoção. Torna-se difícil questionar-se quem tem a natureza mais perversa.

Enquanto, do outro lado, na margem da sobrevivência, a adaptação necessária dos humanos os deixam nas portas da susceptibilidade. São obrigados a vivenciar a sensação ambígua de estar perante a um inimigo aparentemente não nocivo.

Se a experiência diária prova que a confiança é um elo difícil de se ter com muitos, a ambientação isolada, amplia a sensação de desconfiança e stress. Água, suprimentos, comida se tornam discussões delicadas de um processo político que envolve a confiança quase cega no inimigo, pela necessidade maior de sobreviver.

Enquanto personagens demais sobram em outras séries, a composição de Battlestar se faz de maneira bem colocada. Personagens se completam e possuem uma função importante na teia da série. A história bem fundamentada, futurística, funciona como um mapa comportamental. É rica de mitologia, bem construída e ainda com belas cenas de ação.

Tratando-se de um enredo que também explora os meandros políticos, parcial é quem não toma um partido. Que não escolhe entre a fé desenfreada de Laura Roslin ou a ação impositiva do Almirante William Adama que, mesmo sendo um militar, contrariando a personificação clichê, é uma das melhores personagens da série, densa, inteligente e dono de uma parcimônia impar.

A segunda temporada desenvolve-se de maneira natural e inova a própria narrativa. Não tem medo em trazer surpresas para o público, pois sua história é sólida e desvios se fazem de maneira coerente, sem prender no elemento que, aparentemente, seria o melhor para a audiência.

Ainda que não tão impactante quanto o tiro da primeira temporada, o desfecho tem um interessante espaçamento temporal que segmenta a ambientação em dois planos e anuncia que o terceiro ano fluirá de outra maneira. Deixando no público uma sensação inevitável e imediata de seguir com a história.

A descoberta da série somente em seu término, me faz refletir no quanto fãs que acompanham semana a semana não ficaram nervosos com a espera de meses para assistir seus desenlaces. Que, sorte minha, está acessível de maneira integral para mim.

domingo, 5 de dezembro de 2010

A Semana em Filmes (28 de Novembro a 04 de Dezembro)



Monstros S.A. (Monsters Inc.)

Dir. Peter Docter, David Silverman



A cada produção revista da Pixar e, conseqüentemente, criticada nesse espaço, ressalto o quanto prezo a produtora e sua qualidade soberba. Essas afirmações podem entediar leitores que procuram tais resenhas, porém, é necessário sempre registrá-las.
Quarto filme da parceria Disney / Pixar, anterior a compra milionária, Monstros S.A. mantém ainda a linha infantil. Sem uma característica que se tornaria fundamental nas produções futuras da casa: diversas camadas narrativa, gerando interpretações e sentimentos diferentes em adultos e crianças.
Tal ausência não diminui o filme cuja simplicidade de enredo tem destaque no humor. Como é de costume, a produtora desenvolve um universo a parte para a fundamentação de sua história. Aqui cria uma fábrica de sustos cujos empregados, os monstros do título, saem do armário de cada criança com a missão de assustá-las e gerar a fonte de energia necessária para a sobrevivência da cidade monstro.
A dupla central é bem equilibrada nas figuras de Mike Wazowki, um ser verde de um olho só e o peludo e grandalhão James P. Sullivan, considerado o monstro mais assustador da empresa (e, ainda hoje, um personagem cuja animação salta aos olhos pela perfeição da composição). Através dos amigos que o público terá contato com Boo, uma garotinha que, acidentalmente, vai para o mundo dos monstros.
Mesmo seguindo uma vertente mais simples do que suas outras produções, Monstros S.A. é capaz de ser engraçado e sensível na medida para fazer rir e encantar. E, devido a seu sucesso, foi confirmado uma continuação. Nem irei mencionar que, tratando-se da Pixar, significa outra boa produção.




Resident Evil - O Hóspede Maldito (Resident Evil)

Dir. Paul W. S. Anderson



Em paralelo com o filão das histórias em quadrinhos, cujo marco inicial foi a produção de X-Men, as adaptações de vídeo game vem, também desde aquela época, se fundamentar na indústria cinematografia como uma fonte confiável de rentabilidade. Porém, é como se uma maldição permeasse tais adaptações que nunca tiveram um resultado a altura da fama de seus jogos.
Mais notável em suas adaptações são as mudanças primordiais que fazem entre jogo e filme, além de uma trama que não sustenta um enredo de duas horas. Mesmo sendo funcional no vídeo game, na passagem para a tela grande torna-se plausível demais.
Resident Evil – O Hóspede Maldito foi uma das primeiras produções lançadas do gênero. E, embora tenha três continuações, e também como seus companheiros de estilo, nunca foi suficientemente bom.
A primeira produção apresenta A Colméia, um laboratório subterrâneo que foi lacrado devido a uma ameaça biológica, transformando todos em zumbis. É nesse cenário que Alice, junto com os encarregados da corporação Umbrella, dona do laboratório, adentram o que sobrou do local para tentar descobrir as causas da ameaça.
A problemática da história se constrói em todas as bases. Escalou uma atriz bonita, mas sem muita expressividade. Um diretor que hoje é consolidado como um dos menos articulados e rasteiros de Hollywood (que já havia dirigido a kitsch adaptação do jogo Mortal Kombat). E uma trama que simula muito – evidente – a dinâmica de um vídeo game: há um problema a ser resolvido, ocorre uma ação que o resolve e uma reação pior que precisará de mais suor dos heróis. Junto a essa progressão, zumbis mais fortes surgem em cena.
As seqüência vão se tornando cada vez mais articuladas, como fases. E devido ao talento escasso de Anderson, cenas de ação são filmadas em câmera lenta em close no estilo há uma luta acontecendo, mas o público não vê nada pela falta de técnica.
Os grande vilões da trama, os humanos que se tornaram zumbis pelo vírus, não apresentam nada demais. Exceto por alguns cachorros cobaias de testes que, provavelmente, realizam a cena mais divertida da produção.




Resident Evil - Apocalipse (Resident Evil - Apocalipse)

Dir. Alexander Witt


Dois anos após o lançamento da primeira produção, Resident Evil: Apocalipse estréia nos cinemas. Recebida as críticas negativas de parte do público, a sequencia da história tenta se aproximar ao universo do vídeo game, introduzindo outras personagens apresentadas na saga.
Comum em qualquer história do gênero, a epidemia antes centrada apenas no laborátoria da Corporação Umbrella dizimou a cidade. E Milla Jovovich retorna ao seu papel de Alice na trama que retoma exatamente onde o longa anterior parou.
Escrito pelo diretor Paul W.S. Anderson, a direção ficou a cargo de Alexander Witt, pois Anderson estava ocupado produzindo outra franquia mediana. A terrível Alien VS Predador.
A produção tem um pouco mais de desenvoltura que o longa anterior. Deve-se isso as novas personagens que fazem com que a ação seja mais dinâmica. Porém, ainda assim, a sensação de repetição é nítida, com o grupo de sobreviventes enfrentando dificuldades maiores e maiores até o desenvolvimento final em que Alice luta com outro tipo de zumbi.
A trama fundamenta-se um pouco mais, revelando as intenções da corporação. Ainda que muitas tramas de zumbis não expliquem sua ambientação, a história de Resident Evil carecia de tal aspecto. Assim, a presidência que fez os experimentos é apresentada dando um caráter um pouco menos superficial a trama.
Novamente enredo finaliza-se com amarras em aberto, aguardando que um bom resultado na bilheteria rendesse a segunda continuação.




Resident Evil 3 - A Extinção (Resident Evil: Extinction)

Dir. Russell Mulcahy



Não tenho conhecimento a respeito dos jogos da saga Resident Evil. Não cabe a mim dizer se o desenvolvimento dos longas refletem em acontecimentos que estavam no vídeo game e foram usados como elementos na seqüência. Independente desse fato, a terceira produção dos zumbis da corporação Umbrella, Resident Evil 3 – A Extinção, toma rumos mais bruscos do que seus antecessores.
A devastação se alastrou pelo mundo e agora restam apenas poucos sobreviventes. O planeta terra tornou-se um lugar árido, onde pessoas maltrapilhas tentam se esconder e buscar proteção e comida.
Com a explicação dada no final do segundo filme, Alice retorna a cena mas, dessa vez, além de ser uma simples humana. Devido a intervenções da corporação, a personagem ganhou superforça e capaz de manipular objetos com a força da mente.
Ainda que tal argumento se apóie, eventualmente, em seu jogo, não funcionou nas telas. Evidencia, pela segunda vez, a idéia de uma escala evolutiva, que necessita apresentar novidades e problemáticas como se tais movimentos segurassem o público. Produtores esquecem que embora vindo de um vídeo game, os filmes não o são.
Jovovich repete seu papel apático, dessa vez acompanhada de um grupo de sobreviventes que procuram um lugar sem a epidemia para viver. O roteiro segue nas mãos de Paul W. S. Anderson e a direção fica a cargo de Russell Mulcahy, dos três o que mais dirigiu produções consagradas (tal constatação não diz muito, mesmo assim).
Programado para se tornar o desfecho da saga e, portanto, a derradeira fase, não há um vilão visível a ser combatido. Alice e seu grupo procuram a tal terra prometida enquanto jura vingança a Umbrella.
Ainda que um tanto arrastado, sem muita ação como os dois primeiros, se mantém na mesma linha seqüencial, sem atrativos extras.




Resident Evil: Recomeço (Resident Evil: Afterlife)

Dir. Paul W. S. Anderson



Qualquer um que teve contato com vídeo games tem conhecimento que muitos dão a chance de dar seqüência no jogo após ter morrido. Usar a opção continue é, literalmente, jogar após a vida ou, como diz o título brasileiro, um recomeço.
Valendo-se de um clichê para explicar a história até aqui, e as reviravoltas que aconteceram nos últimos filmes, a saga prossegue com Alice e sua procura por sobreviventes. Paul W. S. Anderson retoma a direção e realiza uma produção que se assemelha com a anterior, porém mais cansada.
Nada é realmente novo. Novos personagens são encontrados presos em lugares repletos de zumbis. As lutas contra eles continuam da mesma maneira burocrática e quando um novo elemento aparece, não há nenhuma explicação para tal o enredo fica ainda mais estranho (um zumbi novo, com máscara de executor e machado gigante aparece na trama. Mas não há nenhuma explicação de onde ele veio, muito menos de como foi criado).
A busca permanece a mesma: um local sem a infecção do T-Virus. Porém, dessa vez ao contrário de uma terra, sobreviventes tentam encontrar a paz em um barco que garante que está imune aos zumbis. Porém, como nada é fácil, é possível que tal lugar nem seja aquilo que se espera.
O desenvolvimento final da sobre-vida de Resident Evil encerra a história da mesma maneira que começou a quase dez anos atrás. Sem nenhum brilhantismo como, até agora, nenhuma adaptação de jogos e apontando que aquilo que conta para uma franquia não é uma bilheteria excelente, e sim qualquer média aceitável de rentabilidade que resulte em alguma margem de lucro.
A última produção foi lançada nos cinemas também em terceira dimensão. Ainda que a versão que vi tenha sido em duas, é possível notar que ao menos não se exagerou nas cenas de ação para realizar o efeito dimensional de objetos pulando na tela. Um ponto positivo ao ordinário Anderson.




A Rede Social (The Social Network)

Dir. David Fincher


Não há reportagem que aborde tecnologia que não saliente a velocidade atual da informação. Devido ao acesso cada vez mais amplo da internet, notícias podem circular o globo em questão de segundos, mesmo se for um rumor sem fundamento.
Um dos aprendizados primordiais ao utilizar a rede é que a menor fatia de informação pode se tornar uma explosão. Tudo aquilo que é publicado se torna eterno, bem ou mal.
Acompanhando a lógica acelerada da tecnologia, baseando-se no livro Bilionários Por Acaso - A Criação do Facebook - Uma História de Sexo, Dinheiro, Genialidade e Traição de Ben Mezrich, o diretor David Fincher e o roteirista Aaron Sorkin apresentam A Rede Social, produção que narra a – recente – criação da rede que se tornou a mais popular nos Estados Unidos.
Alguns incrédulos se perguntaram como uma história aparentemente comum tem potencial para se tornar interessante. E boa parte da boa execução do filme deve-se a produção envolvida. É de se imaginar que se trata-se de outra equipe, a história seria patética.
Escolhido para transformar o livro em roteiro, Aaron Sorkin é um especialista em tramas políticas com tensões conflituosas. Além de roteirizar boa parte da série The West Wing, concebeu o roteiro de Jogos de Poder, Questão de Honra e Meu Querido Presidente. Produções cuja trama envolvem política e seus trâmites sujos (até mesmo no último filme, um romance, a ambientação é boa).
David Fincher é um diretor exemplar. Um dos grandes contemporâneos, realizador de ao menos três grandiosos filmes dos últimos tempos: Se7en – Os Sete Crimes Capitais, Clube da Luta e Zodíaco. Sua direção não só acompanha três grandes histórias como insere um estilo peculiar a elas.
A produção engendra uma história que toca a realidade, mas trabalha com elementos narrativos que aumentam sua potência. Transformam a personagem real de Mark Zuckerberg (em boa interpretação de Jesse Eisenberg) em um nerd frustrado, mal educado e egoísta, cuja primeira fagulha para a criação da rede vem de um site onde alunos da universidade de Harvard poderiam escolher quem era a mulher mais sexy da turma.
Se parte do enredo e das personagens foram modificadas a procura do impacto, caberá ao público descobrir as divergências em pesquisas e leituras. Já que a apresentação de tais figuras é realidade de maneira tão viva que parecem, de fato, um decalque da realidade.
Evidente que a intenção da produção é transformar sua história em um movimento além de mesma. Demonstrando que quando o assunto refere-se a negócios, a fundamentação de idéias, criação de novos conteúdos, principalmente na área tecnologia, ninguém se torna amigo de ninguém. A concepção da Rede Social poderia muito bem ser a de outra história, mas o fato de ser baseada em fatos reais faz com que público seja mais ávido em assisti-lo
A Rede Social, a exemplo da internet, fonte de sua produção, demonstra que, no fundo, não é a verdadeira sequencia fiel dos fatos que importa. Mas sim aquilo que se diz e que consegue se proliferar na multidão. Por mais que as figurais reais apresentadas na trama tentem se desarticular da personagem, sem dúvida, será dessa maneira que público lembrará da história da criação do Facebook.
Além dessa interessante meta-reflexão, a produção trás a toma o melhor de David Fincher que, em sua última produção, O Curioso Caso de Benjamim Button, apresentou um drama belamente estético mas sem alma.

O Guerreiro Solitário, Henning Mankell

"Antes do amanhecer ele deu início à sua transformação.
Havia planejado tudo meticulosamente, de modo que nada pudesse sair errado. Levaria o dia inteiro, e não queria correr o risco de que o tempo não fosse suficiente. Pegou o primeiro pincel e o segurou à sua frente. No gravador de fita cassete que estava no chão podia ouvir a batida de tambores que havia gravado. Estudou seu rosto no espelho. Então desenhou as primeiras linhas pretas ao longo da testa.
"

Autor: Henning Mankell
Editora: Cia Das Letras
488 pag.

Tradução de George Schlesinger





Mesmo que a comparação fique em um ideário romântico de leitura, vejo a literatura policial fazendo jus ao seu estilo um tanto quanto marginalizado. Há um bom grupo de leitores do gênero, lançamentos mensais são uma prova disso. Porém, pouco se fala a respeito. Consagrando a idéia equivoca de que seu texto é mais ralo, sem tanta construção narrativa. Lê-se sim, mas não se produz crítica a respeito.

Parecendo tal idílio romântico de leitura que, como investigações, têm de ser feita as escuras, sem muito alarde. Uma bobagem que ressalta, pela segunda vez, certo preconceito que se fez com tal gênero.

Fato é que diversos países não só consomem assiduamente tal literatura como possuem seus mestres. Além do cânone primordial do crime, como Agatha Christie, Conan O´Doyle, George Simenon, autores contemporâneos que galgaram em seu país de origem um título pomposo por suas histórias de qualidade.

Evidente que leitores brasileiros podem achar risível a idéia de um escritor cânone do crime no país. Já que no Brasil há pouca produção de tal literatura. Há mais recursos do gênero destilados em obras, como em textos de Rubem Fonseca e Marçal Aquino, do que narrativas tradicionais envolvendo detetives e casos policiais. Dessa lavra, o Delegado Espinosa de Luiz Alfredo Garcia-Roza é um excelente, e talvez único, representante.

Consideradas tais afirmativas, Henning Mankell é um escritor sueco que ganhou o pomposo título de rei do crime pelo jornal The Economist. Seus livros somam, no Brasil, cinco títulos lançados. Seguindo o estilo tradicional da produção de autores do gênero: apresentar um personagem marcante - em sua obra o inspetor Kurt Wallander - que é ponto central da trama. Artifício que mantém uma seqüência lógica na construção da personagem, muitas vezes destroçada após um caso ruim, e aprofunda ainda mais a potencia de sua humanidade.

O último lançamento a despontar aqui foi O Guerreiro Solitário, lançado com quinze anos de atraso de seu original. Porém, em pesquisa efetuada no site oficial do autor, a publicação do livro ao menos prossegue a ordem cronológica oficial. Dando para o leitor a possibilidade de acompanhar, sem pulos, a evolução natural da personagem.

A trama situa o inspetor prester a sair de férias mas vendo-se obrigado a se encarregar de estranhos casos de suicídio e assassinato que, aparentemente, como regem a cartilha, não possuem conexão. Seguindo a linha de um bom policial, contrariando a namorada ansiosa pela viagem, abdica de suas férias para não perder o rumo das investigações.

A personagem central criada por Mankell possui nenhum atributo extra, sendo um policial típico. Sem arroubos de genialidade ou capacidade dedutiva brilhante.

O progresso da investigação, realizado ao lado de sua equipe, é feita de maneira minuciosa com qualquer pequeno detalhe que possa ser uma pista. Não importando quanto tempo leve para desvendar as dificuldades que apareçam em sua frente. Um exercício de suor, cansaço físico e mental.

A tangibilidade de suas personagens heróicas fomentam a crueza e realidade da narrativa. Refletindo detetives e policiais esforçados que podem estar presentes em qualquer delegacia. Representando um aspecto profundo de verossimilhança.

A edição da Companhia das Letras faz parte da boa, e bela, coleção policial da editora que, recentemente, repaginou seus lançamentos. Trocando as capas em branco e preto por imagens mais coloridas, mas ainda sem mudar o bom padrão das bordas em cores.

Ainda sem uma segunda tiragem, é notavel alguns erros de digitação que passaram desapercebidos pela equipe de revisão e que devem ser corrigidos em prensagens futuras. Porém, tal problema é um mero detalhe.

O único que talvez possa confundir alguns leitores seja referente a tradução da obra. Originalmente composta em sueco, a edição brasileira foi traduzida da versão inglesa, embora tal informação seja um pouco equivocada no verso da folha de frente.

Tal recurso é um processo delicado mas utilizado por algumas editoras que, por não terem especialistas em uma língua considerada mais difícil, encontram em uma versão uma tradução mais fácil de se verter. O que não pode ser considerado exatamente ruim, já que uma tradução de outra pode fluir melhor do que uma direta de uma língua que não possui bons tradutores no país. Resta ao leitores a esperança de que a tradução da tradução que foi lida seja o mais próximo que se pode chegar da obra original do autor.


sábado, 4 de dezembro de 2010

Alta Fidelidade: A Supremacia dos Seriados


Quem acompanha este espaço de resenha e crítica, com ênfase para a cinematográfica e séries televisivas, será capaz de perceber que durante as análises tento prosseguir com uma contínua linha de raciocínio. Baseio-me na observação atenta das tendências dos últimos anos e em meu discernimento como apaixonado por ambas.

Não é necessário uma procura minuciosa para notar que cinema e séries orientam-se, atualmente, em movimentos distintos. Ainda que possuam intersecções, seu percurso nos últimos dez anos tem sido diferente.

Por trás do glamour cinematográfico, tratando-se da indústria que, de fato, é, as engrenagens da sétima arte necessitam de um polimento ou reforma. Acusar a pirataria e a internet como motivo de queda de vendas, falta de sucesso de produções é um artifício fácil. Complicado é analisar dentro de sua própria construção arcaica e descobrir as conseqüências que a levaram para este momento. Uma arte que, em números, é apresentada como em decadência (situação que necessita, sem dúvida, de um texto analítico também).

A própria indústria não soube trabalhar com as fórmulas que criaou. Nesses aspecto oscilante de incerteza, grandes atores perderam espaço para outros insignificantes, astros do grande escalão de Hollywood começaram a se afastar de gigantescas produções e foram migrando para outras carreiras. Algumas delas que deram espaço para as séries americanas, até então sem muita força, ganharem fôlego e um recomeço.

O espaço fornecido na televisão para a realização de uma série é infinitamente mais amplo do que uma produção cinematográfica. O custo é mais econômico e por apresentar-se uma vez a cada semana tem um termômetro mais certeiro. Se o público parece desgostoso com alguma situação, ela pode ser revertida em poucos episódios e manter sua audiência.

Por tratar-se de uma longa história diluída em, em média, 20 partes, personagens podem ser mais bem construídas e trabalhadas. Espaço que permitiu que muitos bons atores que nunca foram queridinhos do público pudessem mostrar a potência de seu talento.

De maneira discreta, grandes produtores começaram a apostar e investir em séries por seu potencial dramático, não porque levava no elenco algum nome estrelado. Mas sim pela força de sua história. Algo que parecia arriscado anos atrás, tornou-se um dos movimentos mais certeiros atualmente, comprovando que ainda que o público deseje ver seus atores preferidos em tela, comtemplar um bom enredo é sempre bem vindo.

Canais abertos e pagos da televisão americana começaram a produzir, anualmente, diversas séries que visavam qualidade e boa história. Produções com estilo de cinema.

Com a indústria da sétima arte apresentando-se de maneira média, com poucos excelentes filmes nos anos que se passaram, as séries caíram no gosto do público.

Hoje já se totalizam dez anos de um novo estilo de se produzir seriados americanos. Já que anteriormente, na década de oitenta e noventa, poucas produções mereceram destaque.

Nessa última década, séries foram lançadas e algumas consagraram seu estilo. Algumas eram tidas como promissoras e falharam miseravelmente. Outras foram recordes de audiência, comoveram multidões, criaram fãs, dando inicio a movimentos de serimaníacos que assistem o lançamento semanal dos episódios quase em sincronia com os americanos. De que maneira? Provavelmente ilegal. Pórem, que empresa questionaria tais métodos quando grande parcela do público tece só elogios episódio após episódio?

A indústria seriada cresceu bastante nesses anos. Tempo suficiente para desenvolver, com precisão, começo, meio e fim de diversos argumentos. Histórias que não só são exuberantes como, de certa forma, se tornaram um marco.

Em meio a tantas produções nos últimos dez anos, cuja totalidade de lançamentos seria abrangente demais, foram selecionadas três séries que, nos próximos sábados serão abordadas nesse espaço, cada uma escolhida por trazer ao público uma referência ou movimento até, então, inédito.

São elas: 24 Horas, que permaneceu por oito anos no ar e se tornou pioneira pelo conceito de ação em tempo real. Lost, pela consagração conspiratória que fez o mundo parar em cada episódio e House M.D. por trasformar um pesado anti-herói em um personagem brilhante e querido do público.

Análises de três séries distintas que pretender realizar um panorama do melhor que se produziu desde a retomada, visando sempre qualidade e audiência. Cada uma apresentada em um sábado com a intenção de não só recomendá-la aos leitores mas, de maneira definitiva, explicar porque elas são as séries que serão lembradas nessa década.


Alta Fidelidade, a coluna semanal do criador desse blog que, hoje, apresentou um panorama das séries americanas. Aqui é possível falar abertamente sobre alguns temas sem que exija uma resenha para tal. Pretende-se abordar todo o tipo de assunto cultural, seja ele sobre livros, filmes, dvds, cds e, nessa semana e nas próximas, séries em geral e três seriados atuais que já são um marco: 24 Horas, Lost e House M.D.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

The Big Bang Theory, Segunda Temporada

Nerds que vieram para ficar

Bastou um ano de produção de The Big Bang Theory para que a comédia caísse nas graças do público, conquistasse mais audiência, transformando suas personagens em referência.

A fórmula seguida pelo roteiro mantém a maneira tradicional das séries de humor americanas. Comédias de situação centrada em um grupo específico que, pelas desenvolturas da história, produzem humor.

Mesmo apresentando quatro personagens distintos que, pelos gostos e estilos, são considerados nerds, é inegável que a personagem de Jim Parsons origina uma maior sustentação.

Sheldon Cooper tornou-se um interessante fenômeno. Com personalidade mais afetada que as outras traduziu-se como porta voz de um grupo que encontra em seus maneirismos, ao menos, uma característica de si mesmo. O resultado da boa criação da personagem resultou em alta devoção, transformando suas frases e a própria imagem em camisetas e outros acessórios.

Ao contrário de séries dramáticas, o humor necessita de tempo para apresentar sua homogeneidade. A segunda temporada da série, ainda, não apresenta evolução em relação ao seu início. Porém, as personagens são tão bem compostas que, mesmo sem tantas risadas exageradas, sustentam a série.

Sem dúvida, a melhor qualidade de The Big Bang Theory até agora foi a seleção de seu elenco. Mesmo que Jim Parson seja a estrela mais visada, seus quatro integrantes centrais realizam um trabalho competente.

A série tem potencial suficiente para se tornar ainda melhor e se consagrar ainda mais como uma das grandes séries de humor da televisão americana. Sem mencionar que sua direção segue o estilo tradicional das sitcons, ameaçadas por séries recentes que cortaram o público de suas filmagens. Demonstrando que há espaço para diversos estilos cômicos.