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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Arquivo X, Eu Quero Acreditar

Para encontrar a verdade você tem que acreditar...

Segundo longa metragem da série Arquivo-X, produzido tardiamente, após cinco anos do encerramento da série, Arquivo X – Eu Quero Acreditar dá continuidade a narrativa exibida na televisão e intenta não seguir os mesmos erros apresentados no primeiro longa.

O fundamento concreto da série, a mitologia alienígena, é posta de lado para uma trama mais comum e que abrangesse uma parcela maior do público. Entra em cena uma nova dupla de agentes, que investigam o desaparecimento de uma colega de trabalho. Por conter elementos que tocam o inexplicável, um padre que diz ter visões sobre a tal moça, a agente Dakota Whitney entra em contato com a agora médica em tempo integral Dana Scully para consultar Fox Mulder, especialista nesse tipo de assunto, cujo paradeiro é anônimo. Permitindo que, mais uma vez, a dupla consagrada se reúna a uma investigação.

A história do longa, além de suas falhas básicas, contradizem diretamente com a história desenvolvida na série. Poderia ser situada em um momento sem data definida, mas é evidente que se passa após os nove anos exibidos na televisão.

Ficando difícil de acreditar que após ser preso em uma instituição militar, julgado de maneira não convencional e foragido, Fox Mulder retorne ao trabalho que gosta por um caso sem nenhum destaque.
A emenda que liga a série ao longa é um perdão banal dado pelo FBI ao agente para que ele possa se tornar uma espécie de consultor no caso da desaparecida.

A evidente progressão narrativa inferida nos cinco anos até o segundo filme faz com que suas personagens centrais percam a química, ponto alto da série, até mesmo dos fracos episódios. Enquanto Fox Mulder mantem-se isolado, mantendo sua fé no inacreditável e em casos que envolvem conspiração e alienígenas, Dana Scully tornou-se médica em um hospital católico. Transformando o reencontro investigativo em um elemento mais burocrático do que nostágico, como deveria ser.

Rever personagens e elementos que marcam a identidade visual da série, em um primeiro momento, pode ser interessante, por trazer ae tona uma memória de um grande espetáculo produzido na década de 90. Mas a trama fraca criada para o retorno de uma série já clássica transforma o segundo longa em um episódio mediano.

Não só a trama abrangente é um erro. A dupla de novos agentes Dakota Whitney e Mosley Drummy, interpretados por Amanda Peet e o rapper Xzbit servem apenas de ponte para o retorno da dupla consagrada. Não conquistam o público pelo pouco entrosamento na tela e, em cena, não possuem carisma.

O resultado é apenas um sorriso ligeiro no rosto. Com demora para se produzir, calcada em uma trama não espetacular, Arquivo X – Eu Quero Acreditar não possui a força necessária imaginada pelos produtores. De se tornar uma trama fora dos elementos da série que começasse a atrair público e, assim, gerar mais continuações. Marcando, como na última temporada, um desenlace triste a tão incrível dupla de investigadores.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Arquivo X, Nona Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.

A verdade derradeira chega enfim.

Recebendo tardiamente um desfecho definitivo, a nona temporada de Arquivo X encerra a eficiente série em ritmo lento. E falha por tentar criar, no último ano, uma nova identidade para a série.

Com Fox Mulder fora da trama e Dana Scully delegada a ficar fora dos Arquivos X, o foco da ação volta-se a nova dupla de agentes: John Doggett e Monica Reyes. Não só a dinâmica entre ambos pretende ser nova, como até mesmo, novamente, a abertura da série ganha uma repaginação. Sendo atualizada com novos efeitos e com uma variante da mesma música de abertura.

A tentativa de mudar as personagens centrais da série não deixa de ser audaciosa. Mas peca por um princípio básico não previsto por seus produtores. Além do grande espetáculo que a série é em si, sua personagens centrais são seu complemento perfeito.

Doggett, apresentado na temporada passada, ainda que seja um bom personagem e funcione bem ao lado de Scully, não contrapõe o mesmo carisma quando divide a tela com sua parceira, Reyes.

Resultando em um enredo que não parece pertencer a si próprio. Ainda explorando temas sobrenaturais conhecidos do público, mas sem o estilo de outrora, marca profunda da série.

A temporada equilibra-se em alguns bons episódios para a maioria fraca. A mitologia continua presente, dando prosseguimento a história dos super soldados, até a conclusão da série.

Antes do capitulo derradeiro, finais são fechados em cerimônia discreta. William, o bebê de Scully, que causou desconforto por seu surgimento repentino, é doado a uma família anônima, onde estaria protegido e longe de qualquer futuro ataque.

E os Pistoleiros Solitários dão sua vida para salvar a humanidade de um vírus, morrendo como heróis. Um passo não muito lisonjeio para um grupo que tanto serviu de apoio para os agentes e formando sempre uma boa trinca de personagens.

Mesmo com quase um ano para produzir um desfecho que significasse um ápice para uma temporada amena, o episodio A Verdade, com uma hora e vinte de duração, não apresenta uma trama tão impactante.

David Duchovny retoma seu papel como Fox Mulder, que retorna a cena ao ser acusado de matar um militar em uma base do governo. Na prisão, o ex-agente passa por um julgamento não-usual em que seus atos são postos a prova em confronto com as evidencias que descobriu com a conspiração alienígena.

A situação intenta criar, pela última vez, o embate entre Mulder e o governo, produzindo um apanhado de sua trajetória. Amigos depõem ao seu favor, acusados expõe fatos contraditórios e, devido ao impasse da situação, Mulder é resgatado em uma noite por Skinner, Scully, Doggett e Reyes, para fugir.

Como último ato, Mulder vai ao encontro do Canceroso, que não morreu e agora vive nas montanhas, em uma rocha que impede a aproximação dos super soldados. Sua figura nefasta e decadente revela as intenções de Mulder na base militar. A descoberta da verdade, da invasão final alienígena, marcada para o ano de 2012. Alienando a população mundial em uma devastação que ainda está por vir.

Novamente os fãs brindam com Mulder e Scully juntos, tecendo conversas sobre o passado e o futuro e, pela última vez, sobem os créditos.

Após nove anos na televisão, metade deles produzindo uma série inovadora. É triste constar que Arquivo X não soube escolher o momento exato de seu fim. Optou por estender demais. Finalizou boa parte de sua trama no meio, deu inicio a outra, perdeu um de seus atores centrais e mesmo tentando manter a chama acesa com outros atores, não conseguiu a mesma força inicial, o mesmo espetáculo inovador e bizarro que, até então, a televisão não assitira antes.

Sua história foi marcada por grandes inovações, mas também pela falha do exagero. Pela soma de seus todos, mantem-se como uma impressionante série que conquistou seu patamar na lista de melhores series com razão e já ganhou seguidores que buscam na mesma fonte um estilo para contar outros enredos.

Sem dúvida, um marco.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Arquivo X, Oitava Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.

O recomeço que retoma um pouco das origens

Transformado por uma brusca transição na série, o oitavo ano de Arquivo-X marca a inevitável – porém, óbvia – decisão de seu ator principal, David Duchovny, assinar contrato para estrelar apenas metade dos episódios.

Após as brigas do ator com a Fox, atento a leve queda de qualidade e a procura de alçar vôo maiores – que, honestamente, não significaram nada já que o ator, durante a série, só esteve em Feitiço do Coração e Evolução – coube aos produtores e roteiristas se desenrolarem como possível para criar novos argumentos sem quebrar o ritmo da série, agora sem uma de suas personagens centrais.

Com Fox Mulder abduzido no último episódio da sétima temporada, uma grande busca a favor do agente é realidade pelo Bureau de investigações e entra em cena a nova personagem da série, John Doggett.

Interpretado pelo icônico exterminador do futuro, Robert Patrick alinha-se a um personagem mais tradicional. Um ex-militar que embora não acredite em um mundo sobrenatural, tem tanta disciplina em seu trabalho, que o conduz da melhor maneira possível.

Os episódios que abrem essa temporada, Por Dentro e Por Fora, mostram a busca encabeçada por ele para encontrar Mulder e as divergências de crença entre ele e Scully que, anos a frente dos Arquivos-X, sabe que existe um mundo invisível e inexplicável lá fora.

Doggett é um personagem sólido. Seu bom caráter logo gera simpatia no público. Com a ausência de Fox Mulder e, assim, sem uma excessiva trama de buscar a verdade, a série retoma seu formato inicial. Com dois agentes investigando casos que entram em conflito com a ciência e credulidade. A química do novo casal funciona e na primeira parte dessa temporada, tem-se bons episódios que lembram o estilo primordial.

Com Duchovny em apenas treze episódios, sua participação fica relegada a episódios em que lembranças são retomadas ou em casos anteriormente investigados por ele que agora voltam a tona. Mulder só voltará de fato no meio da temporada, nos episódios Isto Não Está Acontecendo e Morto Vivo.

Seu retorno, bem como a volta dos outros abduzidos na temporada passada, retomam a mitologia da série, até então parada. Com boa parte de sua história encerrada em anos anteriores, a colonização volta a pauta utilizando-se dos abduzidos como ligação para a dominação alienígena. Os abduzidos estariam voltando a Terra como supersoldados, que se tornariam uma raça escrava no futuro.

A volta de Fox Mulder cria um embate inimaginável pelos roteiristas, que não souberam conduzir com qualidade a relação que surgiria da tríade de agentes. Até este ponto, o público já tem alta simpatia por John Doggett, uma personagem cativante com personalidade diferente da apresentada por Mulder. E o embate gerado pelos dois agentes, Mulder desacreditando do novo parceiro de Scully e demonstrando ciúmes, mais faz com que o público o despreze do que sinta, novamente, o carisma pela personagem. Personagem que, episódios mais tarde, abandonaria definitivamente o público.

Tem-se a impressão, como na sétima temporada, que a série se prolongou demais. Poderia ter sido encerrada aqui, finalizada com um final feliz. Mas não foi o bastante.

Uma nova personagem foi introduzida, Monica Reyes, a parceira de confiança de Doggett. Pressupondo que, no estágio avançado da gravidez de Scully, uma substituta já estava selecionada. E foi o que, de fato, aconteceu na temporada seguinte.

A oitava temporada marcou-se também como a primeira a mudar sua abertura, realizando duas versões. Uma com os três atores no elenco e outra apenas com Gillian Anderson e Robert Patrick. Duas cenas se destacam na nova abertura: a imagem de Fox Mulder caindo, simbolizando o que ocorria de fato, a queda e o sumiço do próprio Duchovny e a cena dos olhos que encerram a abertura, como na original, com o adendo de que, dessa vez, os olhos são de Anderson.

Como esperado pelos fãs, após oito anos, um beijo verdadeiro acontece entre o casal e encerra, não só essa temporada, como a participação de Fox Mulder no universo da série – o ator só retornaria no último episódio para fechar as pontas da história.


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Arquivo X, Sétima Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.

A sombra de sua própria mitologia


Quando uma estrutura fundamental de um objeto é abalada, é natural que seu todo sinta reflexo desse problema. E dessa maneira aconteceu com Arquivo X.

O astro da série David Duchovny apresentava cansaço em relação à série, não só pela perda de qualidade dos episódios como diversas brigas e processos que o ator teve com a produtora Fox. E o drama desse imbróglio pode ser sentido do outro lado da tela, na sétima temporada da série e última que o ator participaria integralmente.

Mesmo os eficientes episódios mitológicos, estrutura mais sólida da série, se desdobram de maneira ineficaz. Como se faltasse planejamento a longo prazo, sem que pensassem o que tais acontecimentos significariam para a série como um todo.

Boa parte da mística de seu enredo ganha conclusão no final da e ínicio da sétima temporada. Como prosseguir com o andamento da série sem sua base?

A escolha foi, novamente, exagerar em tramas de efeito criativo que fogem da linha temporal da série. Temas são repetidos em mais de um episódio, como a sorte, mágica e a questão religiosa. Tratando-se desta questão, é notório a mudança da Agente Scully, que perde sua aura de personagem devota, para lidar com os casos como se não se importasse mais com a religião que tanto seguiu. Dando mais a impressão de apatia, do que descrença.

Poucos episódios mantém-se em bom vigor, não conseguindo deixar o sétimo ano da série em um patamar aceitável.

O episódio Faminto e O Cigarro da Morte são os que mais se aproximam com a tradição da série, com uma investigação clássica. Os outros destaques da temporada valem-se de outros atributos como o excelente Medo, filmado no estilo da série Americana Cops, e três episódios digiridos e escritos respectivamente por William B. Davis (O Canceroso), Gillian Anderson e David Duchovny, para merecido destaque.

Nessas três jornadas pessoais, Davis apresenta em A Salvação da Humanidade sua personagem como um homem a beira da morte, buscando redenção. Anderson dá mais profundidade a Scully em Todas as Coisas, ao mostrar seu passado antes dos Arquivo X, quando teve um relacionamento com um de seus professores. Já Duchovny brinca com a história da série e realiza uma paródia bem humorada, de produtores adaptando os Arquivo X para o cinema em Hollywood A.D. com direito a sua esposa na vida real, Tea Leoni, interpretando o papel de Scully.
Sem dúvida, ainda assim, o momento mais inesquecível para os fãs será o episódio Millenium, marcado pelo primeiro beijo do casal e considerado o final derradeiro da outra série de Chris Carter.

Em meio a uma temporada oscilante, a mitologia retorna estável, onde tudo começou. Sete anos após a investigação inicial da dupla, vista no episódio piloto, Mulder e Scully estão de volta para ajudar Billy Miles que suspeita que um OVNI esteja abduzindo novamente a população.

É com esse desfecho favorável que os produtores encontram a resposta para tirar Duchovny temporariamente da série, abduzindo-o. Se a trama tem um grande apelo perante ao público, chegando até a conquistar, ela irá exigir que os mesmos aceitem certas criatividades no roteiro, com a lógica de prosseguir com a série no próximo ano. É assim que, nas cenas finais, Dana Scully – que desde sua abdução descobriu que teve os ovários retirados e não pode mais ter filhos- descobre estar grávida.

Arquivo X começa a transformar-se na sombra do que foi outrora, sendo nítido que seu desfecho final deveria ter acontecido há dois anos atrás.


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Arquivo X, Sexta Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.

Muito além da verdade, o começo das falhas

Prosseguindo diretamente os acontecimento perpetuados na quinta temporada e no longa Resista ao Futuro, o começo da sexta temporada marca o reinício da narrativa mitológica da série e a busca de Fox Mulder em recuperar os Arquivos-X.

Além da sequencia comum dos fatos, há mais um passo evolutivo na mitologia, após cinco anos, fecha diversas questões levantadas. Questões cujas respostas fazem a série mudar seu rumo narrativo.

Com a maioria da sua história alienígena desenvolvida e explicada, cabe aos roteiristas explorarem outros temas. As vezes, histórias parecidas com as vistas no passado. Outras dando início a uma verve criativa com a intenção de não deixar a série permanecer no mesmo lugar e, assim, fracassar.

Porém, é um tanto quanto evidente que a partir desse ponto a série começa a apresentar sua sobrevida. Como se primariamente seu enredo terminasse em cinco anos. Produzindo uma sexta temporada com vinte dois episódios que mais parecem desafios criativos do que a sequencia natural da série.

Com a intenção de explorar com mais cuidado a afirmação, seguiremos a lista de episódios.

Após um bom retorno com O Principio, a série retoma sua rotina com o episódio Dirija! com a dupla de agentes investigando um caso a partir de uma perseguição policial que vêem na televisão. Tem-se, em seguida, Triângulo, o primeiro episódio apresentar uma narrativa inovadora no ano. Muitos, na época, consideraram o episódio uma obra prima, que utiliza-se do triangulo das bermudas para criar um espaço temporal que insere Mulder no pré guerra. Mas tal episódio nada acrescenta a série, além de um beijo curioso entre Scully e o diretor adjunto Skinner.

Terra dos Sonhos, parte I e II, toca o efeito da passagem do tempo novamente, dessa vez devido a um vôo rasante de um Óvni, que faz com que Mulder e um oficial da Aeronáutica troquem de corpos. A trama apresenta bons momentos e é o primeiro dos segmentos cômicos da temporada.

Laços de Ternura, A Dança da Chuva e Tithonus são episódios de narrativa clássica. Um abordando a origem demoníaca de certos filhos em uma cidade, outro a história de um homem que, aparentemente, controla o tempo e o último um fotografo que é sempre o primeiro a estar em todas as cenas dos crimes para fotografar o momento agonizante da morte. Ttramas que retomam bem o estilo mais cru do início da série.

Como Os Fantasmas Estragaram o Natal é o segundo exercício narrativo da temporada. Investigando uma casa mal assombrada, a dupla fica presa e, na noite de natal, é induzida por dois fantasmas a se matarem. Embora a história seja interessante, não empolga.

SR. 819 tenta ser uma trama mais sólida, colocando Skinner como personagem central com um vírus que quase o mata. O objetivo do episódio é demonstrar o quanto Skinner pode ter sua vida perdida por aqueles que buscam destruir Fox Mulder e Dana Scully. Porém, assim como Alex Krycek aparece ameaçando-o, some de repente, não dando concretude a trama.

Dois Pais e Um Filho, segundo episódio duplo do 6º ano, retoma a história de Cassandra Spender, a paciente X, com uma bela narrativa mitológica. A trama avança sobre as revelações que permearam a série e mostram a personalidade dúbia do Canceroso.

Arcádia prossegue como mais um roteiro criativo, em uma aparente comunidade fechada perfeita, repleta de regras, onde, possivelmente, há um monstro assassino por trás. O episódio funciona e a dupla interpretando um casal recém mudado para o condomínio resulta em bons diálogos sarcásticos.

O Perigo Vem da Água é uma versão mais branda do ótimo Terror no Gelo, da primeira temporada. Dessa vez os agentes estão em uma cidade quase submersa devido as chuvas e um monstro marinho os ataca. Apesar da sensação de mais do mesmo, o episódio se mantém.

Segunda-Feira brinca com o conceito temporal exibido no filme Feitiço do Tempo, levando a um Fox Mulder que, todo dia, tem sua Segunda Feira repetida até fazer o certo para o dia mudar. A trama é correta, é interessante, mas é nítido a fuga da intenção inicial da série.

Alfa é um dos episódios mais fracos da temporada, e, normalmente, quando os roteiristas resolvem abordar animais assassinos o resultado é uma trama que não possui muita profundidade, muito menos diversão. O mesmo acontece com Trevor, um presidiário que sobrevive a um furacão e tenta recuperar seu filho. Mesmo com a trama parecida com os primeiros episódios da série, a essa altura, já não resulta em uma trama boa.

Milagro e A Viagem são os últimos momentos do ano que se apegam a uma história mais padrão da série. A primeira sobre um escritor que transforma em realidade tudo que escreve, e a segunda sobre uma droga alucinógena que resulta no pior momento do ano, devido a uma história que anda de maneira devagar e abusa de efeitos mal feitos.

Retomando a história dos Pistoleiros Solitários, Trio Inseparável retoma a história vista na quinta temporada, sobre Suzane Modeski, anos após os acontecimentos que fizeram Mulder encontrar o trio.

Primeiro episódio a ser dirigido e escrito por David Duchovny, O AntiNatural é, novamente, uma fuga dos bons argumentos da série, narrando a história de um jogador de baseball que é tão excelente que seria, na verdade, um alienígena. Além do chamariz da estréia do ator como diretor e roteirista da série, o episódio não possui muito charme.

Finalmente, pela primeira vez na história da série, um gancho final apresentando um episódio mitológico e ruim, bem inferior a todos até então. Biogênese revela um artefato misterioso encontrado na África, de provável origem alienígena que teria passagens da Bíblia, do Corão e diversos outros livros sagrados. A parte mais infeliz da trama é que o tal artefato causa alucinações em Mulder, que termina a temporada preso em um manicômio com Scully partindo para o local onde encontram o artefato, a Costa do Marfim, para tentar ajudá-lo. Uma finalização um tanto quanto desesperada para inserir o agente dentro do contexto da mitologia que, nesse próprio ano, teve finalizações grandiosas.

Apresentado os episódios, um a um, tem-se a sensação que a sexta temporada mais fugiu do argumento da série do que apresentou uma boa continuidade. É evidente que em cada temporada da série um ou outro episódio que apresentasse uma narrativa diferente era recebido com muito carinho. Mas quando os papeis se invertem, e mais tem-se desvios criativos do que o desenrolar natural da série, percebemos nítidas falhas. Falhas internas, no processo de criação que deveriam ter encerrado a série do que ter expandido-a dando a sensação de estar oca por dentro.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Arquivo X, Resista Ao Futuro

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Arquivo X chega aos cinemas sem fôlego

Longa metragem que serve como entre ato da quinta e a sexta temporada, Arquivo X – Resista ao Futuro foi lançado no ápice de sucesso da série. Era evidente que, mais cedo ou mais tarde, a produção alcançaria a tela grande.

Novos personagens são introduzidos para dar mais requinte a trama, dando a intenção de produção cinematográfica. Infelizmente, tais personagens nada acrescentam a narrativa, se tornam apenas coadjuvantes que aparecem e somem rapidamente.

E é essa proporção geral, de uma história que poderia não ter acontecido, que permanece toda a intenção do longa. Buscando conquistar uma nova parcela de espectadores que não compreenderiam a história por fazer parte da mitologia da série, e nem agradaria os fãs antigos por algumas mudanças. Gerando uma recepção morna na época de seu lançamento.

Cenas de ação – como todo o movimento inicial – são inseridas de maneira desnecessária, em vez de fazer bom uso da narrativa simples da série. O único elemento que ainda se mantém fresco é a química entre os agentes Fox e Dana, sua desilusão e fé na busca incessante que fizeram até aqui.

Além da morte de um personagem sempre presente na mitologia da série, com a intenção de não passar o longa metragem em branco, os roteiristas introduzem um novo elemento na mitologia da série. Mudando-a bruscamente. Dando um passo na evolução do óleo negro e da colonização alienígena. Criando uma espécie de gestação alienígena, originada a partir de picadas de abelhas híbridas, que fariam com que humanos produzissem em seu interior um alien, pronto para sair de sua barriga como na famosa saga de ficção científica.

Tal elemento conecta-se diretamente com a sexta temporada e acaba sendo, ironicamente, o último ato grandioso da conspiração alienígena. Sem mencionar que o filme adianta o retorno evidente dos Arquivos X, que foram incinerados em cena magistral e triste no final da última temporada.

Sem dúvida a primeira incursão de Mulder e Scully nas telonas, fica aquém da expectativa, gerando um produto que poderia ser muito melhor se fosse mais trabalhado e não resultado de uma evidente jogada de executivos.



quarta-feira, 16 de junho de 2010

Arquivo X, Quinta Temporada


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Quando nem a maior das mentiras é suficiente


Temporada marcada por diversos movimentos diferentes da anteriores. A começar pelo número reduzido de episódio, totalizando vinte produzidos. Foi a partir desse ano que houve a troca da câmera até então padrão, que filmava em full screen, por aquela que se tornaria mais popular hoje, em formato widescreen.

Ainda que se diga que nessa temporada houve um declive na temática da série, ao assisti-la novamente é afirmativo que tal comentário é errado. É necessário dizer que a série não é mais como era em seus primeiros momentos, uma perseguição contra alienígenas. Deixando o leque de histórias não resolvidas cada vez mais amplo. Redendo-se a bom exercícios visuais com reinvenções históricas (Prometeu Pós-Moderno), como recontando momentos primórdios de nossos agentes (Suspeitos Incomuns), convidando escritores famosos para o roteiro (Stephen King em Feitiço), ou ainda fazendo uso da narrativa como elemento cômico (Vampiros). Infelizmente, essa temporada ainda deflagra dois episódios péssimos, cujos enredos exageram no quesito inexplicável, entregando uma trama que fica bem aquém da esperada, lembrando alguns episódios da primeira temporada, onde a série ainda se testava.

Bom equilíbrio é encontrado nos vinte episódios da séries que conseguem criar três momentos mitológicos da série e, entre eles, costurar diversos episódios interessantes. Ao contrário das temporadas iniciais, cujo desfecho mitológico ocorria somente no fim, tanto a quarta como a quinta temporada da série, optaram por diluir a trama mitológica em diversos episódios duplos. Um aspecto curioso que denota boa intenção cronológica. Mostrando os agentes trombando com aspectos da conspiração mas seguindo na perseguição de outros casos.

Pela primeira vez, após quatro anos, a quinta temporada é a primeira que vemos os reflexos de tudo que foi perseguido durante todo esse tempo, de maneira explícita. Nunca a mitologia, a história da conspiração, esteve tão densa e delicada, sendo aplicada na prática tudo o que foi falado anteriormente.

É dessa maneira que Scully descobre ter uma filha, Emily (Surpresas no Natal, Parte Um e Emily, Parte Dois), um híbrido humano e alienígena, possivelmente um experimento do governo que aproveitou de seus óvulos na sua abdução para a criação dessa criança, causando imensa comoção na agente.

A busca desesperada pela verdade faz não só Dana, como Fox Mulder, cair em mentiras. Até mesmo quando uma das personagens chave de todo envolvimento governamental entre humanos e alienígenas, A Paciente X (A Paciente X, parte um e dois) se apresenta a eles. Mulder acredita que ela é mais um passo para despista-lo da verdade que persegue, enquanto Scully se envolve na busca de Cassandra.

Uma leve inversão de sentimentos é apresentada nesse ano. Com Mulder cansado de perseguir mentiras e Scully dividida entre aquilo que viu, o que presenciou em sua abdução e sua fé cristã, vinda de família.

A evidente prova de que as investigações dos agentes chegaram a fundo na verdade, tendo diversos elementos para expor a conspiração, se revela no último episódio dessa temporada, O Final, na comovente cena em que a sala de Fox Mulder, onde também reside os Arquivo-X é queimada pelo Canceroso. Destruindo uma vida de pesquisas a procura de silenciar quem as fez.

Mesmo que ainda mais curta, com trama aberta a novos casos - o que poderia diminuir a qualidade da série - a quinta temporada é, ainda assim, responsável por um saldo positivo. Mantendo as tramas investigativas e levando a fundo o conceito da conspiração.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Arquivo X, Quarta Temporada

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Perseguir a verdade é encontrar mentiras

Séries marcadas com uma temporada excelente do começo ao fim sempre possuem trabalho dobrado no ano seguinte. Devido a expectativa elevada do público, é difícil realizar outra temporada competente do começo ao fim sem que haja inevitáveis comparações.

Dando continuidade ao seu terceiro ano, a quarta temporada de Arquivo X apresenta excelentes episódios. Mas possui uma leve queda nas tramas semanais, em casos não muito sedutores cujo desenvolvimento não é tão fluído como na terceira.

Com as bases da mitologia desenvolvi e bem firmada nos três anos anteriores, a abrangência de narrativas fica maior. Fato coerente com a idéia de que os agentes Mulder e Scully investigam qualquer situação que seja fora do comum, seja ela estranha, sobrenatural ou misteriosa. Tal abertura embora afaste a série de sua trama inicial (a conspiração governamental com alienígenas) complementa-a bem.

Porém, tais desvios as vezes são exagerados, resultando em episódios que falham na trama investigativa e no desenvolvimento da ação que não se torna sedutora em seu todo.

Permeado entre os sempre excelentes episódios mitológicos e ótimas tramas fechadas (O Lar, Corações de Pano, O Homem do Câncer, Insignificâncias) a temporada perde sua qualidade a apresentar histórias questionáveis (Teliko, O Campo Onde Morri, Oração Para Um Morto, Desprezados) em que nem a química da dupla conseguem salvar.

O enfoque mais interessante desse ano centra-se no câncer adquirido por Scully, por causa de sua abdução. E no episódio O Homem do Câncer – um ser que sobrevive digerindo o câncer de outras pessoas – que tanto publico quanto a própria agente descobre a respeito de sua doença. Um sutil detalhe para inserir uma trama importante no enredo mitológico da série.

A partir desse ano as tramas não se centram somente na busca incessante de Fox Mulder, dando vazão a dor íntima de Dana Scully - que persegue a verdade do parceiro com pouca credulidade entre aquilo que vê e sua fé cristã - e as privações que sempre passa nessa empreitada.

Como Mulder, a agente funciona como mais um peão na intrincada, mas interessante trama conspiratória da série, como visto no excelente episódio Não Restou Mais Nada, que confirma a ajuda invisível do diretor Skinner e os laços fraternos de personagens da conspiração com os agentes.

Mesmo com um leve desnível em relação a qualidade da temporada anterior, acertos são maiores que os erros. Como costume da série, o último episódio abre o gancho para a temporada seguinte e de maneira audaciosa coloca em cheque tudo que já foi explorado até aqui.



quarta-feira, 19 de maio de 2010

Arquivo X, Terceira Temporada

Acreditar é apenas o início

Complementando o excelente gancho que a segunda temporada deixa no ar, o terceiro ano da série Arquivo-X consagra, de uma vez por todas, não só a mitologia como as tramas semanais da série.

Criando um panorama de excelentes episódios mitológicos, ousados, divididos normalmente em mais de um episódio e, entre eles, densas histórias de investigação individual.

A temporada é tão pontual, que há espaço, até mesmo, para episódios que apresentam uma faceta mais humorada, normalmente escrita pelo roteirista Darin Morgan ( “O Repouso Final de Clyde Bruckman, Guerra das Baratas e Do Espaço Sideral”) – que interpreta o monstro do O Hospedeiro, na segunda temporada – e é, com certeza, um dos grandes roteiristas da série.

Com a apresentação da série na primeira temporada, e a consolidação da mitologia na segunda, há espaço para o desenvolvimento das personagens. O embate entre Fox Mulder e seu algoz, Alex Krycek, segue em crescendo. Canceroso, sempre dúbio, demonstra lapsos de bondade. E o diretor adjunto Walter Skynner, de uma vez por todas, mostra que é aliado de Mulder, mesmo sendo obrigado a agir nas escuras.

O surpreendente na criação do enredo é o cuidado em sua composição. Nem sempre os melhores detalhes e pontos cronológicos estão no episódios-chave. Sendo possível encontrar até mesmo nos episódios de investigação individual, resíduos e segmentos que proporcionarão, futuramente, um gancho para uma trama maior.

O resultado minucioso, bem composto, dessa temporada, traduz-se em vinte e quatro episódios em que, nenhum, sem exceção, ficam além da conta ou sem ritmo. Elevando a série a um status máximo com uma temporada avassaladora.

Como em costume fundamentado pela série, a porção final da temporada não fecha todas as amarras que abriu, elevando, não só a expectativa, como criando o gancho para a temporada seguinte.