sábado, 12 de novembro de 2011

Alta Fidelidade: João Gilberto Está Triste






Conhecido como um dos criadores do Novo Jornalismo – em resumo, um misto de narrativa jornalística e literária – Gay Talese, em um perfil sobre Frank Sinatra, cunhou uma expressão característica utilizada até hoje: o resfriado.

Na composição do artigo, Talese não teve acesso ao cantor. Aproveitou-se de amigos e conhecidos ao redor para produzir uma narrativa sem igual sobre o mito de olhos azuis. Frank Sinatra Está Resfriado tornou-se uma referência do novo estilo. De uma comum infecção no trato respiratório surgia uma narrativa inovadora sobre o astro. O resfriado tornou-se sinônimo daqueles que não querem conceder uma entrevista ou são reclusos por escolha. Expressão ainda funcional. Quando um artista prefere manter-se em silêncio, está resfriado.

Há uma semana noticiou-se que João Gilberto estava resfriado, motivo que adiou a turnê de shows em comemoração aos oitenta anos do criador da Bossa Nova. Uma frase que seria simples produz contornos diversos tratando-se do baiano. João gripado é mais do que uma congestão nasal.

Considerado um músico impar que além do talento nato possui apuro pela perfeição, João está inserido em um código antigo, representando um artista com estilo extinto. A figura brilhante, mas envolta em hábitos peculiares. Fundindo realidade e boatos em uma nebulosa que faz parte de sua fama: entra em um palco somente quando suas normas foram rigorosamente seguidas. Não se sente confortável com a recepção de palmas, gritos ou vozes que o acompanham nas canções. Se incomodado, retira-se do concerto sem nenhum problema.

O distanciamento vertical entre público e artista, visto como superior por sua arte e assim louvado, era regência natural na época em que a indústria fonográfica estava em alta. Músicos não só eram populares como representavam símbolos de gerações.

Hoje, estão entre seu público, a procura de dialogo, tentando salvar – ou construir - carreiras que, as vezes iluminadas pela indústria, ruiram com a queda das gravadoras. Espantoso seria se João se adequasse a tal postura. A um homem com seu talento é permitido tais extravagância, sem mencionar o fato de que suas excentricidades são conhecidas dos fãs.

A gripe de João Gilberto também se tornou destaque ao mencionar que o cantor estaria entristecido com o encalhe de ingressos para sua turnê comemorativa. A exceção do Rio de Janeiro, com ingressos esgotados, há lugares disponíveis em todos os shows. Os preços foram motivo de reclamação do público, contrariado em pagar de quinhentos a mil e quatrocentos reais por uma entrada.

As apresentações para um público ainda nanico, quando se esperavam ingressos esgotados, não se justifica apenas pelos preços altos. Se em um dado momento a Bossa Nova e a Música Popular Brasileira representaram o gosto de boa parte do Brasil, hoje é popular apenas na nomenclatura. Fosse o show de uma cantora de axé com bebida e foliões, estaria esgotado no primeiro dia de vendas.

O incômodo de João é justificável. Seu ritmo modificou a música brasileira em grande escala. A alcunha de gigante não é exagero, mas mérito de quem, a partir do samba, produziu um novo ritmo que ao lado do futebol, das mulatas e da caipirinha faz parte do imaginário mundial sobre o Brasil.


João ansiava que sua volta aos palcos fosse celebração estrondosa. Como não foi, gripou-se. Esqueceu de refletir que tal calor do público poderia ser visto com maus olhares a quem sempre foi recluso. A ausência de seu público é tão espantosa quanto sua vontade de vê-los.

As reclamações dos altos preços devem a produção de shows internacionais realizados no país nos últimos anos. Calcula-se de maneira relativa que se artistas estrangeiros fizeram shows acessíveis, os brasileiros deveriam, no mínimo, manter a margem de preços. Sem levar em consideração que tais shows são apresentados em estádios para grande público, ao contrário dos brasileiros sempre em casas menores.

Destaca-se a crença infeliz de que a música produzida no exterior tem mais qualidade do que a nossa apenas por não ser daqui. E tal idéia não se afirma apenas na música, basta observar que o mercado editorial de livros mais pública traduções do que obras originais em nossa língua.

A tabulação dos preços, sem dúvida, transforma a comemoração dos oitenta anos de João Gilberto em um espetáculo direcionado somente a um público específico e com poder aquisitivo evidente. Mas parece razoável a idéia de que, provavelmente, boa parte do seu público tenha verba suficiente para tal.

Incomodo maior do que a quantia para o ingresso é refletir o quanto se leva mais em conta a cultura exportada do que a produzida made in brazil. Ainda mais quando é possível contemplar ao vivo um artista do porte de João Gilberto.

Com sua voz contida, quase a meio fio, e um violão cuja harmonia é perfeita, os shows em sua celebração estão programados para dezembro e, de acordo com informações até agora, gerarão dois registros em DVD.

João Gilberto pode ter gripado, mas volta para tocar seu baião.


Alta Fidelidade, a coluna semanal do criador desse blog. Aqui é possível falar abertamente sobre alguns temas sem que exija uma resenha para tal. Pretende-se abordar todo o tipo de assunto cultural, seja ele sobre literatura, cinema, música e afins.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Breaking Bad, Primeira Temporada


Walter White é uma pessoa comum. Mora em Albuquerque, Novo México, com a esposa Skyler e o filho com paralisia cerebral. Tem cinqüenta anos, recém completados. Leciona química no colégio. Trabalha como caixa em um lava rápido para complementar a renda. Seu estilo pacato e correto exemplificam o conceito de um homem modelo. Até descobrir um câncer no pulmão.

Exibida nos Estados Unidos pelo canal AMC, o mesmo de Mad Men, com produção de Vince Gilligan, responsável pelas últimas temporadas de Arquivo – X, Breaking Bad parte de uma premissa simples. Um homem que, com a iminente morte pelo câncer, decide romper com o conceito correto em que viveu sua vida até então.

A previsão de deixar sua família sem sustento no futuro o faz convidar um ex-aluno, Jesse Pinkman, a produzirem metanfetamina de qualidade, visando lucro capaz de gerar boa renda futura. Profissional em química, torna-se fácil para Walter produzir a melhor droga do local. Com inteligência operacional observa as ações com visão de mercado. Analisa margem de lucros, despesas, desejoso em transformar sua droga na mais consumida da cidade.

Coube a Bryan Cranston o papel principal da série. Se em Malcolm In The Midlle, como pai da personagem central, demonstrava seu talento cômico, em Breaking Bad vem à tona sua veia dramática. Apresentando um Mr. White carismático e bem equilibrado entre o homem comum e aquele que chega ao limite do vazio existencial.

No decorrer da temporada, Walter se despe dos conceitos que defendia outra se transformando em um homem mais impositor. A relação da personagem com o público é ainda mais próxima quando compreende-se que seus feitos prezam algo maior.

Walter é, sem dúvida, um anti-herói. Seguindo a linhagem atual das narrativas seriadas que encontram em personagens de moral dúbia um elemento cativador do público como o Dr. Gregory House, o assassino Dexter Morgan ou a enfermeira Jackie Peyton. Refletindo nos expectadores a idéia da transgressão.

A primeira temporada da série teve apenas sete episódios devido à greve de roteiristas em 2007. Dessa maneira, possui um final cuja trama se encerra, em definitivo, no ano seguinte, no segundo episódio da temporada, intitulado Grilled.

Tanto a primeira temporada, como a segunda, estão disponíveis em DVDs no país. Com previsão de se encerrar no próximo ano, Breaking Bad tem tudo para ser a série atual cuja qualidade total esteja perto da excelência.


domingo, 30 de outubro de 2011

Os Paralamas do Sucesso, Brasil Afora, 27 de Outubro, São Carlos - São Paulo

01 - Sem Mais Adeus
02 - Dos Margueritas
03 - Óculos
04 - Ela Disse Adeus
05 - O Beco
06 - Cuide Bem do Seu Amor
07 - Tendo a Lua
08 - Bora Bora
09 - Perplexo
10 - Melô do Marinheiro
11 - Você / Gostava Tanto de Você
12 - A Lhe Esperar
13 - O Calibre
14 - Meu Erro
15 - Lanterna dos Afogados
16 - Caleidoscópio
17 - Uns Dias
18 - La Bella Luna
19 - A Novidade
20 - Loirinha Bombril
21 - Alagados
22 - Uma Brasileira
(bis)
23 - Sonífera Ilha
24 - Ska
25 - Vital e Sua Moto

Fotos de Ivan Moreira

Basta João Barone, Bi Ribeiro e Herbert Vianna – acrescidos da banda de apoio – subirem ao palco para a certeza de um bom show. Tanto no apuro técnico quanto em harmonia e energia com o público.

Na ativa há 28 anos, a banda é uma das mais coesas do cenário pop e rock brasileiro. Mesmo tendo passado por baixas em certos períodos, foi a que mais produziu bons discos, coerentes e com garantia de hits radiofônicos.

Celebrando o aniversário de São Carlos e o dia dos comerciários, com organização do Sesc e da prefeitura da cidade, Os Paralamas do Sucesso subiram ao palco, logo após as oito da noite, para o show da Turnê Brasil Afora, último álbum de estúdio lançado pelo grupo.

No palco, o grupo apresenta uma invejável sintonia. Ao lado da banda de apoio, formada por um naipe de metais e o tecladista João Fera, produzem uma musicalidade rica de sonoridades distintas. Sozinhos no palco evidenciam sua competência como um Power trio. Trinca composta de baixista, guitarrista e baterista que, de tão talentosos, parecem duplicar-se no palco.

Fazendo parte da turnê Brasil Afora – que possui um registro ao vivo, disponível em cd e DVD – apenas duas canções do álbum estão presentes no repertório. Dupla modesta em comparação com os poderosos hits que a banda produziu desde sua fundação.

A escolha pelo arsenal pesado não poderia ser mais feliz. Ainda que uma parcela do público contemple as novas canções, são a maioria, que conhecem apenas os grandes sucessos, que esgotam ingressos ou, no caso de um show gratuito, causam lotação. Optar por introduzir o último álbum, como um aperitivo, pode conquistar novos fãs e agradar os antigos.

Com dezenove discos na careira, sendo doze de estúdio, a banda possui longo repertório. Capaz de realizar um show de boa duração, com vinte e cinco canções e ainda deixar de fora medalhões como Mensagem de Amor, Selvagem e Trac-Trac.

O rock brasileiro hoje apresenta um envelhecimento geral de suas banda antigas. Muitas delas já sem fôlego, com álbuns inexpressivos, salvando-se, ainda, em shows ao vivo. É nesse contexto que Os Paralamas mantem-se como a banda que, ainda hoje, produz álbuns de estúdio com qualidade e apresentam um show primoroso, conquistador de público.

A apresentação em questão foi o terceiro show que assisti da banda e, como evidência do talento do trio nesse longo caminho até aqui, o resultado foi mais uma noite inesquecível de boa música.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Eric Clapton, Eric Clapton World Tour, 12 de Outubro, Morumbi - São Paulo

Por Victor Caparica



1- Key To The Highway
2- Tell The Truth
3- Hoochie Coochie Man
4- Old Love
5- Tearing Us Upart
6- Driftin’ Blues
7- Nobody Knows You When You’re Down And Out
8- Lay Down Sally
9- When Somebody Thinks You’re Wonderful
10- Layla
11- Badge
12- Wonderful Tonight
13- Before You Accuse Me
14- Little Queen Of Spades
15- Cocaine
(Bis)
16- Crossroads



Gary Clark Jr. nasceu em 1984 no Texas de Stevie Ray Vaughan, e muito jovem aprendeu a extrair arte das cordas da guitarra. Aos 15 anos, já era profissional e reconhecido, aos 18 já fazia grandes concertos e aos 25 já havia tocado no Crossroads Festival, que definitivamente não é pouca coisa. Seu estilo musical é arrojado, agressivo, deslizando sempre pela linha que separa a distorção da poluição musical. Seus riffs são contagiantes, cheios daquele swing Texano tão característico do Z. Z. Top. Enfim, Gary Clark Jr. É um prodígio, uma revelação e uma promessa bastante crível para uma renovação criativa do blues negro do Sul dos EUA.

No último dia 12 de Outubro, Gary Clark Jr. Recebeu o privilégio de abrir para Eric Clapton no estádio do Morumbi em São Paulo. Torci o nariz logo de cara. Paguei para ouvir o Clapton, não para ouvir esse tal de sei-lá-eu-quem-Clark. Me enforquei na própria língua. Com acordes poderosos e um R&B que faz tempo que não se ouvia, o jovem Clark Jr. Arrebatou aplausos eufóricos de toda a platéia, que como eu ficou impressionadíssima com a habilidade do rapaz.

Trinta minutos depois, Eric Clapton entrou no palco. Cinco minutos depois, Gary Clark Jr. tornou-se pequeno.

É difícil descrever com objetividade o show de Eric Clapton em São Paulo, apresentação que encerrou sua passagem pelo Brasil em 2011. Pontualidade foi só a primeira característica do show exemplar: Mr. Clapton entrou no palco às nove em ponto, para um espetáculo de quase duas horas. A entrada já deu o tom da noite, com Key to the Highway de Charles Segar, o primeiro de vários covers primorosos do blues.

Os clássicos continuaram com Tell the Truth (do Derek and the Dominos), esquentando os reatores para Hoochie-Coochie Man, do mestre Muddy Waters, o inventor da eletricidade. Feitas as primeiras homenagens, Clapton adentrou seu próprio repertório com Old Love, em uma versão maravilhosamente repleta de solos inacreditáveis, uma verdadeira aula de virtuosismo e uma demonstração única daquele “mojo” indefinível que constitui o verdadeiro bluesman. Mais dois covers, agora de Johnny Moore e Jimmy Cox, respectivamente com Drifting Blues e Nobody Knows You When You’re Down and Out. A essa altura do show, posso dizer que meus conceitos de guitarra no blues já estavam sendo reformulados. Claro, ouvi Eric Clapton desde a adolescência, mas o efeito catarse transmitido pela apresentação ao vivo é algo que vai além do limite do playback e separa grandes instrumentistas de verdadeiros demônios do blues como Eric Clapton.

A noite continuou com Lay Down Sally, música mais animada que fez todo mundo cantar no refrão. Para mim, no entanto, a surpresa mais agradável da noite foi a versão acústica e ainda mais lenta de Layla, um dos maiores clássicos do mestre Clapton, seguida por Badge e pela balada Wonderful Tonight.

A reta final ficou por conta de Before You Accuse Me, do inesquecível Bo Didley, Little Queen of Spades de Robert Johnson e é claro, Eric Clapton não sairia vivo do Morumbi se não fechasse com o estádio inteiro em uníssono gritando a plenos pulmões o refrão de Cocaine.

O bis foi curto, talvez minha única crítica honesta ao show. Podia ter colocado mais duas músicas depois de tocar Crossroads, também de Robert Johnson. Mesmo assim foi muito bom, e nessa saideira com o blues da encruzilhada, Gary Clark Jr. Voltou ao palco para tocar com Slowhanded Clapton. Na totalidade, o show foi um dos pontos altos da cena brasileira de shows internacionais em 2011, e deixou muitas lembranças muito boas.


sábado, 13 de agosto de 2011

Alta Fidelidade: 24 Horas e o ápice da ação





São raras produções que utilizam, na progressão de sua narrativa, a estética do tempo real. Desencadear cenas sem espaçamentos temporais é um processo que, se não bem realizado, dificulta a ação e não obtém sucesso.

Em 1995, Johnny Depp e Christopher Walken estrelaram um longa que utilizava tal estética. Tempo Esgotado apresenta Depp como um homem comum que, para salvar sua filha seqüestrada, precisa executar a governadora da Califórnia em um curto prazo de tempo. A ação, boa parte realizada em um shopping, mantém a tensão devido a personagem contra o relógio.

O tempo como um dos pilares que movimentam a trama esteve presente também em 88 Minutos, filme de Jon Avnet, com Al Pacino como um professor universitário que ganha o prazo do título para resolver um crime que pode envolvê-lo.

Ainda que não inédito, o conceito de tempo real sempre foi explorado de maneira isolada. Até 2001, precisamente em dezembro, quando a Fox americana exibiu o primeiro episódio da série que se consagraria como um marco no recurso e tornaria-se uma grandiosa história de ação.

24 Horas, desde o título, demonstra a urgência de sua narrativa. Enquanto um enredo tradicional de uma temporada desenvolve-se em vinte e quatro episódios que costumam abranger um ano das personagens, aqui a aventura concentra-se em um dia completo.

Situações limites, impostas sempre em seu início. Ação, drama tenso e reviravoltas tornaram-se elementos comuns no roteiro que fundamentou a estrutura da série. Apresentando diversos planos diferentes de ações na mesma hora, delineando a sensação da realidade e do simultâneo.

Ainda que estruturalmente seu roteiro mantenha-se igual nos oito anos de produção, sua figura central, Jack Bauer, sofre grandes transformações. De um renomado agente contra terrorismo, Bauer galga-se como herói de grande representação. Cada dia fatídico vivido por sua persona aprofunda o abismo de sua personalidade. Contornos humanos perdem dimensão, tornando-o um homem quase impenetrável, cujo suporte maior é reger-se apenas pela lei. Sendo capaz de, por ela, sobreviver as mais terríveis agonias e voltar, como todo herói, intacto, mais centrado e agressivo.

A ação projetada na tela nada deve a uma produção cinematográfica. Composta de maneira cuidadosa tanto no roteiro, na concepção de personagens e em detalhes que podem passar despecebidos pelo público. Como a continuidade cuidadosa que convence que a história gravada em oito meses parece, de fato, estar centrada em um único dia.

A série apresenta uma narrativa crua e violenta, não vista na televisão desde Nova York Contra o Crime. Centrada a partir da CTU, Unidade Contra o Terrorismo, não se poupam cenas de tortura, morte e agentes treinados para usar qualquer elemento a procura de culpados.

A violência exibida na série foi alvo dos direitos humanos, gerando pronunciamento de diversos órgãos contra as cenas violentas, nos quais alegaram que a realidade fora amplificada exageradamente. Uma evidente subestimação da observação pública perante notícias de guerra diária em jornais.

A temporalidade fiel, elementos próximos da realidade conhecida, acrescidas a um personagem heróico – que abdica de seu próprio bem para um bem maior – formularam o sucesso da série.

Seu primeiro ano, envolvendo Jack Bauer em uma conspiração para matar o canditado David Palmer, foi o primeiro passo para apresentar um enredo inovador que, ao mesmo tempo, executa de maneira exemplar a cartilha dos bons clichês do gênero.

Embora cada vez mais imprecisa temporada a temporada, a sensação de tempo real registra pontos altos de tensão pelas pausas e desencadeamento de reações e reviravoltas que mudam o enredo.

Infelizmente, em alguns anos, a previsão de produtores e roteiristas ao estruturar os episódios falhou miseravelmente. Fazendo com que a grande ação central finalizasse horas antes do fechamento do dia. Evidenciando uma sub história trazida às pressas para cobrir as horas restantes.

Mesmo que as oito crises diárias apresentem oscilações, Jack Bauer tornou-se um inegável marco. Sua personagem expandiu-se além série, transformou-se em um ícone heróico. Símbolo que reflete a maneira contemporânea de se conceber um herói: aquele que luta pelo bem maior, acima de tudo. Não importando quais meios o levem a isso.

A série está disponível de maneira completa em DVD, no Brasil. Tanto temporada por temporada quanto na bela caixa que ilustra esse texto e que engloba todas as temporadas mais o filme A Redenção que se passa entre a sexta e sétima temporada.



Alta Fidelidade, a coluna semanal do criador desse blog que, hoje, apresentou a primeira análise de três sobre séries americanas. Aqui é possível falar abertamente sobre alguns temas sem que exija uma resenha para tal. Pretende-se abordar todo o tipo de assunto cultural, seja ele sobre livros, filmes, dvds, cds e, nessa semana e nas próximas, séries em geral e três seriados atuais que já são um marco: 24 Horas, Lost e House M.D.

sábado, 6 de agosto de 2011

Alta Fidelidade: A Supremacia dos Seriados


Quem acompanha este espaço crítico, cuja ênfase maior é o cinema e as séries televisivas, perceberá que durante as análises intento estabelecer uma linha de raciocínio. Baseada em uma observação própria além das tendências lançadas nos últimos anos.

Não é necessário procurar com minúcias para notar que cinema e séries orientam-se, atualmente, em movimentos distintos. Ainda que possuam intersecções, encontram-se em um percurso diferente nos últimos dez anos.

Por trás do glamour cinematográfico, característica primordial que nos vem a mente ao pensarmos no cinema americano, há uma indústria da sétima arte. Que, com urgência, precisa de polimento e reforma nas engrenagens.

Apontar a pirataria e a expansão da internet como motivo de queda no faturamento de ingressos, recepção média do público, é um artifício fácil. A situação é mais intrincada ao analisar o interior de sua construção arcaica, descobrindo quais as conseqüências que levaram a este momento, considerado decadente.

A indústria não foi capaz de trabalhar com as formúlas que estabeleceu. Na incerteza, atores de grande porte perderam espaço para outros menores e com baixo talento, migrando de produções gigantescas do cinema-pipoca para obras menores. Quando não mudaram de carreira, tornando-se produtores, diretores e encontrando nas séries de televisão, espaço sem tanta força, um fôlego e recomeço.

O escopo para realização de uma obra seriada é infinitamente mais amplo que a produção cinematográfica. O custo é mais econômico, sendo possível fazer dois episódios, ou mais, com a verba de um filme. Apresentando-se uma vez por semana tem um termômetro mais certeiro. Se perde audiência, é cancelada. Se o público sente-se incomodado com alguma situação, ela é revertida em poucos episódios e mantém a audiência.

Em média, a cada temporada, há uma longa história diluída em aproximadamente 20 partes. Sendo possível trabalhar e construir melhor tramas e personagens. Espaço que permitiu que atores talentosos mas não tão conhecidos do público, mostrassem a potência de seu trabalho.

De maneira discreta, produtores começaram a apostar e investir em seriados. Primordialmente pelo potencial de seu enredo, não regidos por uma lei presente no cinema: um ator famoso é resultado de um filme bom e com bilheteria.

Um movimento que parecia arriscado anos atrás, desenvolver uma idéia apenas pela força de sua história, tornou-se um seguro caminho. Comprovando que mesmo que o público deseje ver seus atores preferidos em tela, um bom enredo é bem recebido.

Canais abertos e pagos da televisão americana começaram a produzir, anualmente, diversas séries que visavam conquistar o público mantendo a qualidade.

Por um lado, a indústria da sétima arte apresentava-se morna, sem muitos filmes excelentes nos anos que passavam. Espaço que fez parte do público voltar seus olhos para a televisão, fazendo com que um campo tão desolado na década de noventa, caísse no gosto do público.

Hoje somam-se dez anos de um caminho novo na produção de seriados americanos que supera por quantidade e qualidade o cinema. Recordes de audiência que comoveram multidões, ganharam fãs que deram início ao movimento serimaníaco que, em escala global, acompanham as temporadas semanalmente, em sincronia com os americanos.

A indústria seriada cresceu gigantescamente nos últimos anos. Desenvolveu, com precisão, começo, meio e fim de diversas histórias que não só envolveram o público como tornam-se um marco contemporâneo.

A totalidade de produções, nos últimos dez anos, é abrangente. Assim, foi necessário selecionar três grandes séries que serão analisadas individualmente. Escolhidas por, desde já, se tornarem referência, muita vezes inédita em seu lançamento.

24 Horas tornou-se pioneira do conceito de ação real, provando que a supremacia da ação não só pertence ao cinema. Lost fez o mundo parar a cada episódio com sua intrincada teoria conspiratória. E House M.D. que trouxe a tona a empatia do público, identificado no pesado anti-heroi, aquebrantado, mas brilhante.

Três histórias distintas que simbolizam parte do melhor que se produziu desde a retomada, em qualidade e também audiência. Conquistando espaço nas séries cativas do público.


Alta Fidelidade, a coluna semanal do criador desse blog que, hoje, apresentou um panorama das séries americanas. Aqui é possível falar abertamente sobre alguns temas sem que exija uma resenha para tal. Pretende-se abordar todo o tipo de assunto cultural, seja ele sobre livros, filmes, dvds, cds e, nessa semana e nas próximas, séries em geral e três seriados atuais que já são um marco: 24 Horas, Lost e House M.D.

Apresentação

Na vasta rede de informações da internet brasileira, há em grande proporção sites e blogs voltados para a cultura. Tanto bons, quanto ruins, trazem um público cativo e destacam-se por alguma especialidade. Notícias, imagens, downloads, informações detalhadas e completas.

O intuito desse blog não é fornecer notícias, imagens ou downloads que podem ser encontrados em outros sites, maiores e melhores do que esse blog. Endereços acessados e lidos diariamente pelo autor.

Nosso desejo é construir um espaço em que filmes, séries, livros, discos e quadrinhos sejam bem analisados. Utilizando-se do prazer da arte sem esquecer de bons critérios para definir a obra. Escrever de maneira racional sobre as mais emocionais formas de arte, como disse o crítico Mauro Ferreira.

Produzir um endereço de conteúdo crítico sem a intenção agressiva de ser definitivo e único. Apresentando uma possibilidade, uma leitura dentre tantas que enriquece a multiplicidade da arte.

Se destacar pelo que se escreve, não pela pirotecnia. Pelo que se apresenta, de maneira coesa e coerente em cada análise, em cada crítica, não importando sobre o que seja.

É com essa idéia que após oito meses retomo este blog. Estreando um novo nome, em que endereço e título são iguais. Mas mantendo a afeição com Dr. House e seu mantra mais amplo e icônico: Todo Mundo Mente.

A paixão é um dos elementos que move esse blog. O brilho ofuscante, quase inumano, gerado pela arte. E a tentativa, sempre falha, de tentar em palavras reproduzir a potencia de seus arrebatamentos.

Sejam Bem Vindos,
Thiago Augusto Corrêa