segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A Semana em Filmes (01 a 07 de Agosto)


Por Água Abaixo (Flushed Away)

Dir. David Bowers e Sam Fell


Desde a década de 80, o estúdio Aardman Animations produz a criativa e árdua tarefa de realizar longas e curtas metragens em stop motion, utilizando-se de massinha de modelar para filmar suas histórias. O filme mais famoso do estúdio, em parceria com a Dreamworks, foi A Fuga das Galinhas, um grande sucesso na voz de Mel Gibson que, além de divertido, foi recebido com alta bilheteria.
O sucesso fez com que a Dreamworks incentivasse o estúdio a produzir mais longas nessa parceria mas em Wallace e Gromit: A Batalha dos Vegetais o resultado não foi o mesmo. Assim, preocupados em um investimento sem lucrativo, a produtora decidiu, pela primeira vez, utilizar-se do estilo de seus traços mas migrar para a computação gráfica. Ainda que tenham dito que tal recurso foi utilizado devido a muitas cenas realizadas na água.
O resultado dessa mudança se vê em Por Água Abaixo, animação familiar cujo carisma de seu dublador, Hugh Jackman, transborda no rato principal, um bom vivant de uma casa rica que por acidente cai no esgoto.
Os elementos que consagram animações estão presentes: o interesse amoroso, os vilões e até um conceito recente dos coadjuvantes que não só roubam a cena como fazem cenas musicais – aqui interpretadas por lesminhas.
Evidente que parte do charme estiloso da animação stop motion foi perdido na produção computadorizada, onde percebe-se algumas cenas sem a perfeita integração digital.
Com roteiro leve formatado para agradar a família, as cenas dramáticas com ápices de bom humor sustentam o filme, mas que acaba não sendo tão interessante quanto os dois anteriores produzidos pela Dreamworks, esses sim realizados em stop motion.




Retratos De Uma Obsessão (One Photo Hour)

Dir. Mark Romanek


O interesse curioso por algo ou algum objeto sempre circunda a mente humana mas, de maneira saudável, tal atenção é dispersada ou conquistada de maneira natural. Longe desse circulo, existem as atitudes e as pessoas que deturpam a maneira de ver a clareza das coisas, muitas vezes por sua condição exclusa ou ausência de motivos maiores para viver.
Retratos de Uma Obsessão é um brilhante exercício sobre a solidão doentia. Robin Williams, que perdeu seu status de grande estrela de Hollywood, está incrível neste pequeno filme como Sy Parrish, conhecido como o cara da foto-revelação pela família Yorkin. Acompanhando o crescimento da família pelas fotografias reveladas semanalmente, Sy sente-se como um membro distante da família e, solitário, tenta se aproximar daquilo que considera a imagem perfeita.
Williams não poupa dualidades na sua interpretação de um personagem frágil pela solidão e explosivo pelo desequilíbrio. É dele, também, a narração que acompanha o filme e analisa a importância na foto das pessoas que somente registram os bons momentos, com a falsa intenção de simular uma vida perfeita que, aos poucos, será quebrada pela narrativa do filme.
Sem dúvida uma pequena produção, que passou despercebida por muitas, mas que contém a carga certa de drama e tensão.



Na Natureza Selvagem (Into The Wild)

Dir. Sean Penn


Dirigido pelo sempre talentoso Sean Penn, Na Natureza Selvagem é uma devastadora narrativa de imersão que provoca desconforto tanto na execução de sua história, como em sua complementação, buscando o sentimento do expectador.
Evocando belíssimos cenários naturais, a produção reconta a história real de Christopher McCandless, jovem que após a formação superior, decide reconectar-se com um estilo de vida natural cuja missão final é passar uma temporada no Alaska.
McCandless decide perder as amarras da vida urbana, e da família que espelha um estilo falso e tradicional, para reencontrar na natureza, espelho de uma criação superior, um significado maior, uma paz que o conforte.
A força para continuar com seu plano determinado, mesmo desacreditado por todos, é tamanha. Uma sensível busca pela simplicidade na vida em uma interpretação profunda de Emile Hirsch.
Além de conduzir o expectador a uma história que toca pela sua natureza mais bruta, desperta emoções e questionamentos sobre as próprias escolhas que fazemos, nossas buscas – ou a falha delas – por aquilo que consideramos a paz primordial.
Filmado inteiramente em locações, a produção conta ainda com músicas compostas pelo Pearl Jam Eddie Vedder e foi baseada no livro do jornalista Jon Krakauer.



Até a Morte (Until Dead)

Dir. Simon Fellows


Ainda que seja óbvio que Jean Claude Van Damme esteja longe do sucesso, é inegável que o ator não se importa nem um pouco em se entregar em papéis que simulem sua própria vida.
Anterior ao biográfico J.C.V.D., Até a Morte é o típico filme de ação do astro, com direito a uma personagem extremamente cansada e viciada em drogas, como o próprio já foi.
Se comumemente o astro é o melhor em seus filmes, nessa produção é apenas Anthony Stowe, um policial fracassado da Narcóticos que perdeu a esposa e mal consegue realizar seu trabalho.
A trama é desprovida de muitas amarras, mas envolve um policial ex-parceiro de Stowe que mudou de lado e, fora da lei, começou a exterminar todos os bandidos da cidade. Após levar um tiro e entrar em coma em um confronto direto com ele, Stowe aos poucos retorna e tenta se vingar do ex-parceiro.
Porém, tais acontecimentos são desenrolados de maneira tão arbitrária que boa parte do filme possui seqüências de tiroteios que parecem não explicar nada, seguido pelo coma de Van Damme e depois de uma ressurreição em que ele tenta tirar o atraso e provar que ainda é o melhor, mesmo que esteja bem fraco nessa produção fraquíssima que não vale nem ser vista quando passar na tevê aberta.


domingo, 8 de agosto de 2010

Lua Nova, Stephenie Meyer

"Parecia que eu estava presa em um daqueles pesadelos apavorantes em que você precisa correr, correr até os pulmões explodirem, mas não consegue fazer com que seu corpo se mexa com rapidez sufi ciente. Minhas pernas pareciam se mover com uma lentidão cada vez maior à medida que eu lutava para atravessar a multidão insensível, mas os ponteiros do enorme relógio da torre não eram lentos. "

Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
480 pág.

Tradução de Ryta Vinagre




Último Best Seller mais comentado dos últimos tempos e, arrisco, o mais vendido após a saga do bruxo Harry Potter, a saga Crepúsculo mudou o conceito sobre vampiros em âmbito mundial.

Basta procurar em qualquer sistema de busca palavras como “Crepúsculo” ou o nome da mocinha principal, Bella, que imagens da capa do filme e da atriz Kirsten Stewart apareceram aos milhares na tela. Sendo quase impossível encontrar uma imagem de um crepúsculo original ou de outra Bella.

Não necessariamente estrondo de vendas reflete uma série de qualidade, produzindo uma narrativa rasteira e em sua maioria monótona. O segundo romance da saga, Lua Nova, retoma os acontecimentos do final do primeiro e tenta introduzir novos elementos dramáticos que são rasos em sua execução.

Na continuação, após um acidente envolvendo Bella e a família de seu namorado, Edward Cullen, o vampiro decide que é melhor afastar-se da amada para que ela viva sem perigos. Simula uma cena em que assume que não a ama e a deixa em sua tristeza que a transforma em alguém afastada de seus amigos, por meses.

Tentando voltar a realidade, Bella vai até a cidade vizinha e, em um momento de perigo, tem uma alucinação com Edward, alertando-a sobre o risco que pode correr. A partir de então, a garota começa a se aventurar para rever mentalmente o amado. Ao mesmo tempo em que, numa premonição, a irmã de Edward diz que Bella esta morta e ele decide, com a dor de ter perdido-a, entregar-se a um clã de vampiros para clamar pela própria morte.

A escrita de Stephenie Meyer está longe de ser aceitável. Além da repetição de metáforas em excesso, o argumento é uma alta dose de melodrama, transformando a ação em algo inócuo e superficial.

Boa parte da problemática surge das personagens: a mortal Bella, a personagem chave da trama e elemento de identificação de muitos leitores, é composta de maneira rasa. Sua contraparte, Edward Cullen, anula toda o conceito de sensualidade dos vampiros, sendo uma personagem afetada e politicamente correta. Um vampiro vegetariano, por assim dizer. Tratado na narrativa como uma personagem de corpo frio, seu contato amoroso se torna patético e nada atraente.

Quem mais ganha contornos de um bom elemento é o lobisomem Jacob Black, a terceira ponta do triangulo amoroso. O trecho que narra suas aventuras com Bella, enquanto Cullen permanece distante da história, é a parte menos risível do romance. É nítido que o lobisomem é um personagem muito melhor e até mais desenvolvido que Cullen mas, evidentemente, serve apenas como escopo para criar ciúmes na história de amor.

Novamente, repetindo o estilo de Crepúsculo, a história se prolonga por tempo demais, caminhando sem um gancho narrativo que, de fato, seja significativo. Sendo apenas uma longa ligação para o terceiro romance. Parecendo mais um parêntese da história, do que ela em si.

Independente do alto grau melodramático, a saga continua vendendo, levando público também aos cinemas e, aquilo que considero sua marca mais infeliz, mudando a visão que temos dos vampiros para sempre.

sábado, 7 de agosto de 2010

Preliminar - Os Mercenarios e O Último Mestre do Ar





Os Mercenários


Dos monstruosos astros de ação criados na década de oitenta, Sylvester Stallone é o único dentre eles que continua na ativa. Mesmo após uma fase produções que não conquistaram público – O Implacável, Alta Velocidade, D-Tox – Sly deu a volta por cima a revitalizar, com cuidado, a saga de seu boxeador, Rocky Balboa.

O sucesso de crítica e público deu impulso necessário para o ator não só trazer a tona outra de sua personagem iconica, Rambo, pouco se importando se já era um ator de ação sexagenário e galgar novas idéias para produções.

O ator tem consciência que o tipo de papel para que nasceu, único papel que fez durante toda a vida, é de um herói que não é mais atual com seu tempo. Assim, seu novo projeto apóia-se nessa certeza e tende a apresentar o melhor filme de ação dos últimos tempos reunindo todo o potencial destrutivo de heróis e anti-heróis atuais e antigos.

Stallone, Jason Statham, Jet Li, Dolph Lundgren, Mickey Rourke e participações de Bruce Willis e do governador Schwarzenegger fazem de Os Mercenários uma produção imperdível, que dará vazão a diversas explosões, saudando o melhor da ação sem cérebro.

O único que ficou de fora foi Jean-Claude Van Damme, o astro belga que amarelou, mas participa indiretamente em uma cena do filme em que Stallone tira um sarro de sua desistência.

Como se não bastasse o bom elenco, a produção ganhou notícia pelos comentários maldosos que Sly fez sobre o Brasil e sobre um possível calote que a produtora Millenium teria dado na Produtora O2, de Fernando Meirelles que, após o término das filmagens do Brasil, alegam, não viram mais a cor do dinheiro, muito menos um possível pagamento em macacos, como diria Sly. A empresa americana alega que todo o dinheiro foi encaminhado a produtora, significando que essa história terminará para acabar.

De qualquer maneira, é provável que tal briga só aumente a curiosidade de muitos para assistir a essa produção que tem tudo para ser a melhor de ação nesse ano ainda morno. Unindo os melhores de antes e hoje, em uma produção que não poupará tiros, muito menos sangue.



O Último Mestre Do Ar

Avatar: A Lenda de Aang, produzido pela Nickelodeon americana utilizando-se da estética japonesa em seus traços, é um dos grandes desenhos feitos nos últimos tempos.

Sua história cativante é contada na medida certa, unindo com boa dose de sabedoria o drama e a comédia. Apresentando personagens que não se configuram completamente na estética do bem e do mal. Mas criadas de maneira complexa, podendo tanto agir pelo bem ou pelo mal. Sem maniqueísmos.

Era natural que em dado momento tal produção en
contraria os cinemas. Quem já foi expectador do desenho seriado, sabe que seus elementos são naturalmente cinematográficos, dando a impressão que uma adaptação seria realizada sem dificuldades.

Infelizmente quem foi convocado para tal missão foi o indiano M. Night Shymalan, diretor que prossegue em sua queda meteórica, passando a impressão de que seus três primeiros grandes filmes – O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais – mas foram movimentos de sorte, do que talento.

Em 2006, após o fracasso de A Dama da Água, o diretor já apresentava problemas em encontrar quem produzisse seu seguinte filme, Fim Dos Tempos, afirmado pelo próprio como um drama ecológico. Shymalan conseguiu apoio da Fox e, novamente, decepcionou em seu sexto longa autoral. A decisão evidente e mais sábia dos estúdios, foi a de dar ao diretor uma adaptação, que conseguisse galgar um pouco de seu prestígio de volta. Afinal, é raro destruir uma adaptação, ainda mais de um desenho composto com tantos detalhes. Mas, aconteceu.

Basta acompanhar o trailer de O Último Mestre do Ar – título já modificado pelo filme dos azuis de James Cameron – para notar que uma mudança significativa ocorreu na trama. As tribos apresentadas no desenho foram descaracterizadas, aparentemente por não serem a imagem vigente que todos acostumam ver nos filmes. Assim, os irmãos Sokka e Katara, morenos da Tribo da Água, viraram brancos de olhos azuis, e o vilão, da Tribo do Fogo, uma tribo obviamente oriental, ganhou contornos indianos. Afinal, os indianos, para os filmes americanos, são o novo negro / russo.

Ainda que, pelos trailers, os efeitos especiais pareçam bonitos. A descaracterização das personagens soa patética, perde a identificação do público dos quadrinhos que acabam somando mais um motivo para não gostar do diretor já decadente.

Lá fora, o filme foi massacrado sem nenhuma dó. Dos críticos profissionais aqueles que, desapontados, expressavam sua dor em fóruns e em sites cinematográficos. Até mesmo sites de humor já produziram cartazes desejando que O Último Mestre do Ar seja o último filme de Shymalan.

Talvez não seja para tanto, mas a sensação de que a produção decepcione é alta. O que é lamentável, já que a história completa da série talvez nunca ganhe o cinema. Ou, como vem sendo costume recente, ganhe em alguns anos um reboot. Nas mãos de um diretor mais competente e que saiba trabalhar com conteúdo alheio.



Os Mercenários estréia dia 13 em todo Brasil, com cópias dubladas e legendadas e, O Último Mestre do Ar dia 20, também em cópia legendadas e dubladas. É possível que o filme ganhe uma versão em terceira dimensão também. No mês que vem, Setembro, nenhuma estréia, até o momento, é tão esperada. Dessa forma, ainda não definimos o próximo filme.

Não perca no próximo sábado, dia 14, a coluna Alta Fidelidade, um contato mais íntimo sobre arte e afins.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

[Notícia] A Sétima Temporada de House M.D. (5)

Um novo comercial da sétima temporada foi divulgado pela Fox americana.

Faltando apenas dois meses para o ínicio da temporada, é provavel que os spots apareçam mais e mais e, em breve, as sempre esperadas fotos promocionais.

Para assistir é só clicar no link abaixo mas, fica o aviso, para quem não assistiu a sexta temporada, evidentemente, conterá spoilers:



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

The Closer - Divisão Criminal, Primeira Temporada

Uma série policial sem glamour

Míope, desastrada, desorganizada, ironicamente educada, compulsiva por doces – embora tente evitá-los - e com uma aparência que figura entre uma beleza feiosa, se é que tal paradoxo pode existir. Essa é Brenda Leigh Johnson. Adentrando um meio de predomínio masculino, é com incredulidade que seus parceiros vêem a nova chefe da Divisão de Homicídios prioritário de Los Angeles.

Produzido pelo canal TNT, tornando-se seu maior destaque, The Closer – Divisão Criminal pode parecer repetir a fórmula das séries policiais, mas de maneira crua comprova que ainda há argumentos bons sobre o tema.

Boa parte do mérito de seu sucesso deve-se a interpretação meticulosa de sua estrela, Kyra Sedwick, em seu primeiro papel para a televisão e que vem, a cada ano, conquistando indicações como Melhor Interpretação (Ganhando o cobiçado Globo de Ouro em 2007).

Não apenas a aparência que causa estranheza, mas também a construção interna da personagem, a transformam em uma incrível policial comum. Incapaz de controlar seu jeito atrapalhado, ser rígida no seu gosto por doces mas ceder vez ou outra, quando o stress do trabalho se torna muito pesado. Seu contraponto, ausente de genialidade aparente, é uma policial extremamente profissional e audaciosa, capaz de conduzir interrogatórios com precisão, resultando em excelentes cenas nessa primeira temporada.

Sem dúvida é a formula mais enxuta, que dá voz a personagens mais próximas do real, o charme da série. Conflitos internos na equipe ou com outros departamentos não são poupados. Tem-se em seu grupo de investigadores diversos tipos diferentes de padrões, até mesmo o escape cômico no Detetive Provenza, nitidamente cansado de trabalhar na polícia e que nos presenteia com uma das melhores cenas da temporada imitando Brenda.

Até mesmo a abertura, apresentando o título e seus atores em um fundo preto, dão a impressão de um decalque real, longe das séries com musica tema que transformam seu mote em um tipo de espetáculo.

Apresentado apenas em meia temporada, com treze capítulos, The Closer é preciso na execução. Cresce a cada episódio, configurando o estilo de narrativa, até chegar em seu último episódio com uma história sólida. Dando a impressão que, prosseguindo nessa evolução, alcançará outro patamar em sua segunda temporada.

No Brasil, a série foi exibida pelo próprio canal que a produziu e em tevê aberta pelo SBT. Há também as quatro primeiras temporada disponíveis em DVD.


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

A Semana em Filmes (25 a 31 de Julho)


Top Gang 2 - A Missão! (Hot Shots: Part Deux)

Dir. Jim Abrahams



Antes de interpretar a si mesmo no seriado Two And a Half Man, o ator Charlie Sheen mostrava sua competência cômica nessa dupla de filmes que fora um dos últimos grandes do gênero pastelão, cuja única intenção é divertir o público com cenas cômicas rápidas, que fogem, muitas vezes, da compreensão natural.
Top Gang 2 – A Missão, é dirigido por Jim Abrahams, o roteirista por trás também de Apertem Os Cintos... O Piloto Sumiu, da trilogia Corra Que a Polícia Vem Aí e de Todo Mundo em Pânico 4, tentando revitalizar a franquia.
A trama retoma a personagem de Sheen, Topper Harley, o único homem capaz de salvar a equipe de salvamento que foi seqüestrada enquanto tentava salvar um cientista.
A primeira parte dessa produção é repleta de gags cômicas e enumera diversas referências a outras produções, desde homenagens óbvias, como Rambo, até cenas de desenho animado, como o famoso espaguete entre A Dama e o Vagabundo.
Infelizmente a segunda parte da trama tenta amarrar um pouco seu enredo, e esquece-se de sua intenção maior, apresentando um leque cômico bem menor. Porém, até esse ponto, a conquista de tantos risos é tamanha que não compromete o desenvolvimento do filme. Ainda que outras produções do diretor foram capazes de equilibra bem roteiro e comicidade.



Efeito Borboleta (The Butterfly Effect)

Dir. Eric Bress e J. Mackye Gruber


Diz a teoria do caos que todo o universo é ligado por uma imensa teia invisível e que um pequeno ato gerado em uma parte da Terra pode causa algo gigantesco em outra parte da mesma. A história das asas da borboleta que causam um tufão.
A essência dessa teoria funciona na ficção científica quando se explora viagens temporais. Um detalhe modificado, pode significar um futuro completamente diferente.
Baseado em conceitos complexos e detalhados, Efeito Borboleta tenta apresentar ao público uma história que contenha essa temática sem que seu enredo pareça complicado, realizando uma trama que não abarca as profundidades das teorias, formatada para ser um filme com estilo adolescente.
Se não o filme de mais sucesso de Ashton Kutcher, ao menos o único em que sua interpretação se diferencia de suas personagens padrão. Ainda que talento não seja seu forte.
Kutcher é Evan, garoto com infância problemática, principalmente por uma condição desconhecida pelo médicos em que desmaia, normalmente, em situações de alto stress. Quando se torna um adolescente, descobre ser capaz de realizar regressões ao seu passado e descobre que mudá-lo pode ser mais infeliz do que o próprio passado triste.
A produção, ainda que não tão profunda, carrega consigo um pano de fundo que analisa as mudanças que acontecem na vida de todos e não podem ser modificadas. Mesmo que nessa história surja uma aparente sensação de mudança.
A trama funciona, tendo bons ganchos devido aos seus desvios narrativos e é competente naquilo que pretende. Ser um filme superficial sobre o gênero com um astro teen que sustenta bilheterias.



Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal (Midnight in the Garden of Good and Evil)

Dir. Clint Eastwood


O diretor Clint Eastwood é um dos mais prolíficos em atividade. Desde sua primeira incursão por trás das câmeras, provou ter domínio na arte e apresenta, desde então, produções de qualidade inquestionável.
Sempre aprendiz de sua profissão, os acertos são maiores que os erros, que ainda, de tempos em tempos, surgem na filmografia do astro, como recentemente A Troca antes do incrível Gran Torino.
Baseado em um romance, Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal peca por seus grandes excessos. A trama longa explora um leque de personagens bizarras que, em nenhum momento, parece adequado com a história narrada pelo diretor.
Focalizando-se em John Kelson, um escritor e jornalista convidado para ir até Savannah, Geórgia, para cobrir a festa de natal de um famoso rico local. Porém, desde seus primeiro minutos na cidade, Kelson nota que a cidade é repleta de peculiaridades.
Um universo repleto de personagens não conectadas com a realidade surge em cena e somam-se a um emarenhado que não possui nenhum sentido aparente. Ao contrário de filmes do diretor David Lynch, todo o estranhamento apenas dificulta a compreensão do filme.
A trama ganha desenvolvimento quando o tal rico, Jim Williams, assassina um de seus empregados. Há a aparente sensação de tentar conduzir uma trama policial em um local onde a verdade não é prioridade. Mas o desfile de personagens alternativas, como uma feiticeira que nunca explica a que veio, faz da produção de Eastwood um dos pontos fracos de uma bela carreira.



Extermínio (28 Days Later)

Dir. Danny Boyle


Dois anos após realizar A Praia, primeiro filme de Danny Boyle a alçar grande sucesso e causar danos na carreira do ainda não tão competente Leonardo Di Caprio, Extermínio apresenta a versão pessoal do diretor sobre um avassalador vírus que contamina a população da Inglaterra transformando-as em zumbis.
Desenvolvendo-se 28 dias depois que o primeiro humano foi infectado com o vírus, sua longa cena inicial apresenta-nos uma das personagens centrais, Jim, despertando em uma cama de hospital e descobrindo uma Londres dizimada e vazia.
Caminhando pela cidade, Jim descobre que o país foi destruído pelo vírus e encontra em alguns sobreviventes a razão para prosseguir e tentar encontrar seus país e algum lugar onde possa existir vida.
O maior beneficio da produção é não procurar nenhum tipo de formula inovadora, seguindo muito do estilo zumbinesco criado por George Romero. Salvo os zumbis que agora são aditivados, sendo capazes de correr. Elemento adicionado para cenas de ação mais ágeis.
Seguindo uma tradição em sua realização, Extermínio consagra-se pelo bom enredo que trouxe de volta o prestígio que Danny Boyle perdera com A Praia, e ainda foi sucesso de crítica e público.



Predadores (Predators)

Dir. Nimród Antal


Algumas produções cinematográficas americanas possuem um conjunto tão único de criatividade, bons personagens e afins, que se tornam rapidamente ícone cultural, ganhando status e possíveis continuações e releituras.
A força de sua história sempre parece promissora, mas quase nunca a execução de tais produções se igualam ao seu primórdio, a primeira produção.
O caçador vindo de outro planeta, conhecido apenas como Predador, é uma das boas personagens criadas na década de 1980. É um matador sem igual, alienígena possuidor de artefatos que o ajudam na caça e com uma caracterização que se divide entre o assustador e o grotesco.
Desde seu lançamento em 1987, sua personagem ganhou quatro filmes, dois deles divididos com os Aliens e já protagonizou, até mesmo, histórias em quadrinhos onde heróis como Batman e Tarzan procuram dar um fim na criatura.
Produzido por Robert Rodriguez, Predadores conduz um novo caminho sobre tais criaturas. Apresenta um grupo de personagens que caem em um planeta desconhecido, formado por uma vasta floresta, que nada mais é do que um campo de caça dos tais monstrengos.
A ambientação em uma floresta remete-se ao primeiro longa metragem, parecendo promissora. Basta iniciar-se os diálogos entre o grupo, que clichê atrás de clichê surgem na tela. Adrien Brody, arriscando-se como astro de ação, faz um mercenário que se torna o líder do grupo. A brasileira Alice Braga se transforma na típica mulher macho que desconfia de todos. Formando um seleto grupo que inclui até um japonês da máfia Yakuza que, em dado momento, luta com espada samurai contra um Predador.
A prática de um filme de ação lotado de cenas de ação e nada mais vem sendo comum. Ao contrário da primeira produção, citada nesse filme, que além do embate entre homem e alienígena dava espaço para um enredo ser desenvolvido.
Como requer uma seqüência, elementos referentes a mitologia do alienígina é ampliada. Apresentando animais de estimação e divisão de casta rica e casta pobre aos Predadores, resultando em uma luta entre ambos. Mesmo com a novidade, nada impede que estratégias anteriores, como a lama que esconde o calor do corpo, seja usada novamente.
Sem sombra de dúvida que o resultado só poderia ser uma produção rasteira.


domingo, 1 de agosto de 2010

Desculpa Se Te Chamo de Amor, Frederico Moccia

"No início você sentará um pouco longe de mim, assim, na grama. Eu olharei para você com o canto dos olhos e você não dirá nada. As palavras são uma fonte de mal-entendidos. Mas a cada dia você poderá se sentar um pouco mais perto… Se você vier, por exemplo, todas as tardes, as quatro, a partir das três eu começarei a ser feliz. Com o passar da hora, minha felicidade vai aumentar."



Autor: Frederico Moccia
Editora: Planeta

424 pág.




Essência que move muitos humanos, o amor, dizem frases universais, pode ser encontrado onde menos se espera. Penetrando no minado campo de relacionamentos, o escritor Federico Moccia dá vazão a uma história contemporânea sobre desencontros, entendimentos e esse sentimento único.

Alex tem 37 anos, é considerado um publicitário de sucesso que recentemente sofreu o abandono de sua esposa. Niki é uma garota de 17 anos cujas preocupações da vida adulta ainda não permanecem em sua cabeça. Um breve acidente de transito colocará a vida das duas personagens no mesmo caminho.

Ainda que tal trama seja conhecida do público, caindo em exageros, a narrativa de Moccia é fluída. O autor não poupa adjetivos para integrar o leitor das sensações que sentem suas personagens, chegando a, normalmente, elencar virgula após virgula diversas metáforas simbólicas.

Seu casal central tem bastante apelo e a diferença de mundo em que vivem dá amplo espaço para a narrativa. Mas peca quando, descontente de narrar apenas a história do casal, Moccia se aventura a apresentar histórias em paralelo, de maneira novelesca, freando a história central e que se encontraram no desenlace idílico que acompanha o tom sem pessimismo da história.

Em tempos onde a maioria dos romances são elevados por causarem uma desconstrução do amor, Desculpa Se Te Chamo de Amor trabalha de maneira oposta. Valendo-se da premissa de que, como afirmado acima, o amor move as pessoas e nasce de locais inimagináveis.

É composto para ser uma leitura leve, sem comprometimento, apresentando ao leitor uma agradável história, apenas.

Os maiores desconcertos da trama não vêm de seu autor e sim da Editora Planeta, responsável pelo lançamento do livro no Brasil. Mesmo quem não tem um contato mais formal com a língua portuguesa pode perceber pela leitura que há diversos momentos cujas passagens parecem demasiadamente confusas. Dando a sensação de que ou a tradução foi feita com apoio a um programa de tradução – que não entende duplos sentidos e nem frases subentendidas – ou tal tradutor fez sua versão às pressas.

Em rápida pesquisa durante a leitura do livro, foi apurada uma dessas falhas que, de maneira alguma, deveria ser passada despercebida pelo tradutor. Uma expressão que, na língua original, supre uma das palavras, mas que, em nossa língua, fica sem sentido aparente. Em toda ocorrência dessa expressão, surge o erro. O que nos faz questionar qual editora escora sua tradução em quem não compreende bem a língua ou, por ventura, precisa de um tradutor eletrônico para fundamentá-la.

Falhas com essa não são tão comuns em nosso mercado editorial, mas é necessário que as editoras fiquem atentas. Infelizmente nenhuma delas interromperá a venda de seu material por causa de erros gritantes, restando aos leitores o protesto, esperando uma possível correção na segunda edição, ou a perpetuação da grosseria que a voracidade de lançar livros pode gerar.