segunda-feira, 24 de maio de 2010

A Semana em Filmes (16 a 22 de Maio)


A Teta Assustada (La Teta Asustada)

Dir. Claudia Llosa


É certamente comum que produções latino-americanas voltem-se para explorar seu cotidiano e seus mitos locais. Eis a explicação para o título dessa produção, cujo significado traduz-se por uma lenda peruana de que o medo das mães é passado para os filhos através do leite materno.
Essa é a história de Fausta que, após a morte súbita da mãe, tem de refrear todo seu medo e enfrentar o mundo que a cerca. Principalmente quando sua intenção é adquirir dinheiro para enterrar a mãe na vila em que nasceu.
Todo o embate da produção é gerado através da força da descoberta, de uma personagem que sempre fora reprimida e espantada com os horrores contados pela mãe.
Mas, devo confessar, nada encontrei nessa produção que valesse os prêmios que ganhou - incluindo o Urso de Ouro em Berlim. A narrativa lenta e esparsa não dá sustentação para a história e falta um toque mais sensível para a trama, que tem leve elementos de estranheza, algo comum no cinema latinoamericano.
Ainda que a intenção seja, por trás da história de Fausta, gerar um pano de fundo sobre a sociedade peruana, diversos elementos faltaram para que se realizasse tal história dupla como supõe-se.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Arquivo X, Terceira Temporada

Acreditar é apenas o início

Complementando o excelente gancho que a segunda temporada deixa no ar, o terceiro ano da série Arquivo-X consagra, de uma vez por todas, não só a mitologia como as tramas semanais da série.

Criando um panorama de excelentes episódios mitológicos, ousados, divididos normalmente em mais de um episódio e, entre eles, densas histórias de investigação individual.

A temporada é tão pontual, que há espaço, até mesmo, para episódios que apresentam uma faceta mais humorada, normalmente escrita pelo roteirista Darin Morgan ( “O Repouso Final de Clyde Bruckman, Guerra das Baratas e Do Espaço Sideral”) – que interpreta o monstro do O Hospedeiro, na segunda temporada – e é, com certeza, um dos grandes roteiristas da série.

Com a apresentação da série na primeira temporada, e a consolidação da mitologia na segunda, há espaço para o desenvolvimento das personagens. O embate entre Fox Mulder e seu algoz, Alex Krycek, segue em crescendo. Canceroso, sempre dúbio, demonstra lapsos de bondade. E o diretor adjunto Walter Skynner, de uma vez por todas, mostra que é aliado de Mulder, mesmo sendo obrigado a agir nas escuras.

O surpreendente na criação do enredo é o cuidado em sua composição. Nem sempre os melhores detalhes e pontos cronológicos estão no episódios-chave. Sendo possível encontrar até mesmo nos episódios de investigação individual, resíduos e segmentos que proporcionarão, futuramente, um gancho para uma trama maior.

O resultado minucioso, bem composto, dessa temporada, traduz-se em vinte e quatro episódios em que, nenhum, sem exceção, ficam além da conta ou sem ritmo. Elevando a série a um status máximo com uma temporada avassaladora.

Como em costume fundamentado pela série, a porção final da temporada não fecha todas as amarras que abriu, elevando, não só a expectativa, como criando o gancho para a temporada seguinte.



terça-feira, 18 de maio de 2010

[Download] House, Sexta Temporada, Help Me - 06x22 - Season Finale

E, por fim, o fim.

Depois de 22 episódios, porque vou sempre contar o primeiro como dois, já que a cronologia oficial assim fez, a série se encerra nessa temporada.

Comentários serão inseridos conforme assistirei os episódios.

Bom final de temporada a todos!

Help Me - 6x22
Exibido em 17/05/2010


[MegaUpload]- Legendado

segunda-feira, 10 de maio de 2010

[Download] House, Sexta Temporada, Bagagge - 06x21

E agora só faltam um, nesse temporada atípica de House, onde o foco centrou-se muito mais na relação das personagens, do que nos casos entre si.

Há tempos estou atrasado com a análises, mas devo terminar a temporada analisando todos os episódios, mesmo que em atraso.

Divirtam-se.





Bagagge - 6x21
Exibido em 10/05/2010
[Megaupload] - RMVB LEGENDADO

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Arquivo X, Segunda Temporada


Buscar a verdade nunca foi tão perigoso


Após o bom primeiro ano, a segunda temporada de Arquivo-X prossegue seu gancho narrativo e mantém sua qualidade. Ganhando consolidação do público e da crítica, a série abre seu espaço, não apenas para avançar na sua trama mitológica como, também, para começar a apresentar outros bons casos que beiram o inexplicável. Ampliando, assim, para o público, o conceito dos Arquivo-X dentro do FBI.

Embora ainda não tenha atingido seu ápice, é inegável a grande parceria de Fox Mulder e Dana Scully. Agora muito mais entrosados que no primeiro ano, a boa dupla de principais segura até roteiros mais fracos, que não são capazes de sabotar a série.

Seus roteiristas são capazes, inclusive, de se adaptarem a idéias não planejadas, como a gravidez da atriz Gillian Anderson. Tal fato obrigou os roteiristas a deixarem-na de fora de alguns episódios e a saída encontrada foi soberba.

Iniciada logo no quinto episódio da série, com trama dividida em três partes, “Duane Barry”, “A Ascensão” e “Por Um Fio”, a abdução de Scully não só gera mais concretude para a história da série, marcando o primeiro passo profundo da mitologia, como coloca em cheque a crença da própria personagem que, até esse ponto, trilha o mesmo caminho que Mulder ainda repleta de dúvidas sobre a existência de uma conspiração maior.

A série tem extrema habilidade em costurar sua mitologia entre os episódios da temporada. Muitas vezes um acontecimento importante ocorre em um episódio aparentemente banal mas que, assistido com atenção, será repercutido depois.

Dessa forma, a segunda temporada consegue consagrar três momentos incríveis da mitologia – todos em episódios duplos, algo raro nas séries hoje em dia – e elevar, ainda mais, o cotidiano dos casos expostos e desvendados pela dupla. E, como seria costume no seriado, criando um belo gancho para seu ano próximo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

[Download] House, Sexta Temporada, The Choice - 06x20

Definitivamente, rumo ao final.

Essa semana começo a rever os episódios que não vi e escrever as resenhas respectivamente.

Devo publica-las em um grande pacote na próxima semana, assim quem quiser ler sobre algum episódio dessa temporada, conseguirá encontrar aqui os comentários.

No mais, aviso que o blog voltou a ativa com todas as sessões. O que significa que segunda tem os filmes vistos na semana, quarta análise de séries, sábado a coluna Alta Fidelidade e domingo a resenha de um livro.

Passem por aqui.


The Choice - 6x20
Exibido em 04/05/2010
[Megaupload] - RMVB LEGENDADO
[Torrent] - Sem Legenda


segunda-feira, 3 de maio de 2010

A Semana em Filmes (25 de Abril a 01 de Maio)




Sob o Domínio do Mal (The Manchurian Candidate)

Dir. Jonathan Demme


Não é tão surpreendente que, na política, um candidado nunca seja apenas a soma do caráter e boa vontade de um homem. Há toda a força dos partidos exercendo seu apelo através do candidado e, também não tão raro assim, há momentos que os mesmos se vêem envoltos em escândalos, ou são obrigados a, por pressão, seguirem conselhos que, normalmente, não seguiriam.
Baseado livro de Richard Condon, Sob o Domínio Do Mal, segunda versão do romance que vai as telas, leva ao máximo a premissa de um candidado formatado para ser o bom moço eleito pelo povo.
A boa direção de Jonathan Demme cria um eficiente thriller político, que se escora na conspiração política americana para contar a história de um grupo de soltados do Golfo que, ao serem seqüestrados pelos inimigos, sofrem uma lavagem cerebral que, anos depois, ajudara a criar a imagem de bom candidado de Raymond Shaw – Liev Screiber - o herói que salvou a tropa na situação.
Aos poucos, Ben Marco, personagem de Denzel Washigton – interpretando sempre o mesmo papel, mas sem cansar – tenta desvendar o que de fato aconteceu na ocasião e se recorda de um sonho que contraria a verdade criada pelo governo.
O tema da produção vem de um argumento bastante rico. Devidos aos embates políticos e a dúvida daquilo que é real ou não, é necessário prestar atenção a narrativa. Além da boa direção e da competência dos atores principais, a produção conta ainda com Meryl Streep como Eleanor Shaw, a mãe do candidado do título original e, como sempre, perfeita em cena.



Alice No País Das Maravilhas (Alice In Wonderland)

Dir. Tim Burton


Em diversas críticas sobre Alice No País das Maravilhas, inevitavelmente, muitos estão circulando um vídeo do site de humor americano Comedy Central que satiriza de maneira bastante precisa o estilo Tim Burton de se produzir um filme: uma visão nova de um conceito já existente, com Johnny Depp e Helena Bohan Carter no elenco e músicas de Danny Elfman que ajudaram a invocar o estilo gótico do diretor.
É notável que tal vídeo seja um retrato bastante fiel do que se tornou o outrora bom diretor Tim Burton: um pálido talento caricatural de si mesmo.
Mesmo que alguns permanacem em sua defesa, alegando que, o espaço que o estúdio lhe dá para um filme autoral, o diretor tem que pagar com um filme mais comercial, é revoltante que tais obras tenham certo vigor visual mas nenhum apelo sensível.
Há muito pouco de Alice do autor Lewis Caroll, nessa adaptação produzida pela Disney, voltada para um apelo infantil. O título que remete-se a primeira obra do autor a usar sua personagem famosa, poderia, muito bem, ter sido recriado. Já que poucos elementos originais foram mantidos e outros muito reinventados em uma triste licença poética.
A história original, da garota de nove anos que cai em um buraco ao seguir um coelho, foi modificada diversos anos. É provável que isso tenha ocorrido por medo que se lembrem que seu autor original compôs seus dois livros para uma pequena garotinha que foi apaixonado.
Assim, a trama abre espaço para a era vitoriana e uma Alice adolescente prestes a se casar que retorna a terra das Maravilhas e repete quase a mesma viagem que, na infância, realizou. Porém, tal decisão é patética.
Basta uma leitura do livro de Caroll que nota-se que a garota Alice não parece ter a idade que é mencionada pelo autor. Mesmo criança, sua fala é como uma adulta. Dessa forma adaptar Alice No País Das Maravilhas sem mudanças seria funcional, mesmo que a atriz principal Mia Wasikowska parecesse mais velha – ainda assim a atriz aparenta ser mais nova do que sua idade real.
Há diversos sinais de desconfiança quando o grande chamariz da trama não é a personagem principal, e sim Johnny Depp, em mais uma caracterização bizarra como Chapeleiro Maluco. Não só sua interpretação, bem como toda sua caracterização é bastante equivocada. Depp traja vestes que se assemelham com o Willie Wonka de Gene Wilder, faz caras de seu Edward Mãos de Tesoura, mantém sua afetação de Capitão Jack Sparrow, tem olhos aumentados por computador para maior expressividade – que lembram olhos de mangá - e, com cabelos alaranjados artificiais, parece mais um personagem travestido do que um maluco.
É também nesse ponto que a produção extrapola. Entregando um visual que explode em efeitos especiais para esconder o vazio do roteiro. A rainha Vermelha interpretada por Bonham Carter bem que tenta tirar alguns risos da platéia com sua raiva a flor da pele. Mas a idéia de deixá-la cabeçuda reflete nitidamente como não realista, parecendo um personagem de plástico. O mesmo equivale para sua irmã, a Rainha Branca, vivida por Anne Hathaway, tão pacífica que não gera nem simpatia.
As personagens criadas por computador tem até seu charme, como o lagarto dublado por Alan Rickman e o gato que sorri na voz de Stephen Fry. Mas nenhum deles são tão carismáticos – e malucos – quanto as mesmas personagens do desenho da Disney.
Plástico, sem fluidez narrativa e carisma, a produção só não se tornou um desastre de bilheteria pois atrai muitas crianças aos cinemas e os curiosos para ver uma produção que gerou muita expectativa. Além daqueles que vão para assistir sua versão em 3D que não acrescenta nada ao filme, nem ao menos trabalha com as texturas como faz, muito bem, Avatar.
É lamentável que um diretor bem característico como Burton tenha se tornado uma piada industrial. Mas para os executivos, a bilheteria gorda do filme é sinal de sucesso, o que significa novas adaptações com Johnny Depp, Helena Bonham Carter a música cativante de Danny Elfman.




Homem de Ferro 2 (Iron Man 2)

Dir. Jon Favreau


Toda continuação, se imagina, que trará consigo, se não um arsenal, ao menos diversas novidades, não só em seu enredo, mas como em sua maneira de ser conduzida as telas. Tratando-se de quadrinhos, as continuações “dois” que surgem a mente como exemplares são Homem Aranha 2, X-Men 2 e Batman – O Cavaleiro das Trevas e, mesmo que não querendo, espera-se uma seqüência a altura dessas.
A primeira aventura do Homem de Ferro foi um grande sucesso de bilheterias e agradou tanto o público comum quanto seus fãs.
Era uma excelente introdução ao personagem e a interpretação de Robert Downey Jr. Incorporava o jeito falastrão e mulherengo de Tony Stark. Os diversos pontos positivos dessa trama, não apagaram a idéia de que ela era carente de um vilão de peso.
Eis que sua continuação prometia preencher essa lacuna. Seu roteiro traria um vilão direto dos gibis do enlatado e mais ação. De fato, a produção não nega nada daquilo que prometia. Porém repete em excesso tudo que o primeiro roteiro trouxe.
A continuação inicia-se imediatamente após o término do primeiro, para introduzir o novo vilão, Chicote Negro (Whiplash, no original), um russo interpretado pelo lutador Mickey Rourke . Boa parte de seu início é apenas a megalomania envolvendo Tony Stark, servindo de grande palco para que Downey Jr. retire muitos risos da platéia. O argumento surge aos poucos,quando um concorrente das indústrias Stark, demonstra sua intenções de fazer tudo para derrubar O Homem de Ferro e o homem por trás da armadura.
O que seria o grande vilão dessa trama, ainda que forte na figura de Rourke, se torna coadjuvante, aparecendo, não só pouco, como tendo um desfecho estranho.
Como costume em uma continuação, há o pecado de criar tramas demais, acompanhem: Há o fato de Stark estar se consumindo e seus amigos se afastarem dele, o surgimento do novo vilão em paralelo com o concorrente das Industrias Stark e ainda mais um passo rumo aos filmes dos Vingadores, colocando Nick Fury e a S.H.I.E.L.D., abrindo mais um linha narrativa.
Gerando a impressão de que entre um e outro não há uma evolução significativa (o que justifica a nota igual desse para o primeiro). Estão presente os mesmos atrativos, mas as lacunas anteriores não foram reparadas com tanto sucesso. O que produz a sensação de um longo filme dividido em duas parte do que uma continuação melhorada.
Particularmente, como leitor de quadrinhos, minha expectiva em torno da produção era que entregassem algo a mais do que a primeira produção. Porém, saí dos cinemas - vendo os créditos até o final, pois possui uma ótima cena no fim - com a mesma sensação de dois anos atrás. Que entre as diversas cenas cômicas, os produtores e roteiristas estão escondendo do público sua falta de talento nato.