domingo, 30 de novembro de 2008

Recesso

Meu amigos vão dizer calúnias sobre mim quando eu disser que as férias estão quase chegando. A verdade é que estou nelas há um certo tempo. Mas oficialmente, pelas notas do calendário elas batem na porta.

E nas férias sempre tendemos a produzir mais. Ficar mais no ócio, ver mais filmes, mais séries, ler mais. E para não deixar meu blog fora disso, resolvi incluir nele uma versão de férias, que estréia nos próximos dias e irá até o final das férias no ano que vem.

A idéia é acompanhar o blog do meu amigo Vinício que faz críticas breves sobre os filmes que assistiu, comenta livros e etc. O que não deixa de ser um exercício gostoso para escrever e mais uma maneira de dar pitacos.

Como no blog dele, assim como no do Arthur, as cotações são todas exclusivas, aqui a cotação que vai de 0 a 5, são dadas por Vicodin, o remédio que viciou o Dr. House.

Para abrir a sessão férias do blog, eu respondo um questionario cretino que o Vinício me enviou. Daqueles coisas que gosto ou não de fazer e por aí.

Férias então, mais sombra e água fresca. O que há de mal nisso?


sexta-feira, 21 de novembro de 2008

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pés n´agua.

É hora de corta-me ao meio e entrar dentro de mim. Tantas falas escritas a esse personagem que não sei mais aonde está meu começo, meio ou fim. Revendo minhas palavras não encontro quase nada que não textos usando o papel como apoio para lágrimas.

Sempre escrevi com cortes nas mãos e cordas no pescoço. Sempre aprofundei minhas palavras quando doia-me o coração. A partir disso virei também criador de histórias. Mas sempre permanece uma pergunta que não se cala: como transformar todas essas palavras em um livro, o primeiro de muitos que espero vir.

Temas iguais, histórias com possíveis histórias. Tudo isso requer tempo, paciência, escolha. Observar o que fiz, reescrever e melhorar, para, por fim, prosseguir. Texto a texto até um bom conteúdo final.

Que eu tenha coragem, então, de ir até o fim. Ponta a ponta, mar a mar.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Fiz O Que Fiz

Tenho dormido quando o sol acorda, acordado quando a fome vem. Almoçando nas horas mais impróprias, primeiros as sobremesas, depois o prato principal.

Esqueci a televisão, ela me esqueceu também. Deixei de falar com as palavras, que, por venderem quando dão, fugiram. Mas aqui estou, insistindo em compor, compondo nasce canção, penso.

Aposentei a academia real, era inútil. Não saio de meu aposentos, é meu templo. Leio os heróis em seus feitos maravilhosos, são meus nobres sonhos infantis. Tenho fome, meus desejos, tenho sonhos, rezo para morfeus, tenho amor, um metro e sessenta de puro amor.

Estou com as unhas roidas, as carnes massacradas, os olhos mareados, a barriga espandida, gordo, começando a rasgar os tecidos das roupas rotas que compro. Esquecendo de fazer a barba e aparar os pêlos.

Tenho a fúria que devo acalmar, queria fumar cigarro para parecer blasé mas meu vício pelo café já me agoniza pela gastrite. Meus nervos amolecem e relaxam, fazem efeito os narcóticos que me sedam, aos poucos. Quero café da manhã, sol, e sonho somprando-me suas areias.

Meus pés estão no chão, sinto-me mareado, mostra-me o homem liberto das paixões que o guardarei aqui em meu coração, príncipe. Tudo sufoca e se liberta, lágrimas que secam antes de escorrer, meu pânico guardado em mim.

Fiz assim. Não importa.

Tenho andado errado, puxando da direita, estou sentido-me vil. Vi um homem sentado na rua e quis rir sem parar. O ar prende minhas narinas e machuca minha cabeça. Tenho dores de cabeça como quem gosta de celebrar conquistas. Viro doses e doses do remédio na esperança que ele possa vence-la.

Certo, dois e dois são cinco. Me acostumei. Durmo em cama sem lençois, não sei chegar aonde mora meu amor, falta-me dinheiro para as margaridas, sobram-me os restos de meu monólogo.

Já perdi o prazo das contas, o prazo da vida, a hora de rezar os terços. Deixo o dia amanhacer, assim.

Fiz o que fiz.

domingo, 7 de setembro de 2008

No alvorecer do novo dia, sai,
de cinco passos rumo ao infinito
e imagine que um dia tenha fim

Caminhe nos recônditos absurdos
force o raiar do dia com sua luz
trazendo para perto de ti a força armada

No chegar da tempestade
chore pelas gotas que virão
e anseio o renascer sereno do tempo

assim seja seu espírito
uma unção, grande quanto mundo
quanto sua sutileza

Terno, como o carinho das mães
Sereno, como palavras paternas
Doce, como os lábios da filha procurando proteção
Seu, com a vontade maior em sua conquista.

22 de Abril de 2006

* Eu me lembro de compor esse poema em meio a uma festa, onde rasguei uma página velha de uma agenda de minha mãe e comecei a escrever sem parar. Para a transcrição fiz apenas duas ou três modificações que achei válidas, que o tempo melhor ensinou na matéria da poesia. Porém é um poema um tanto quanto romântico, também com a influência do sempre mestre Manuel Bandeira. Ele foi encontrado nesse final de semana em meio à bagunça das gavetas. Por isso, faço um registro nesse espaço, caso eu perca o pequeno papel em que ele foi composto.

domingo, 17 de agosto de 2008

Experimentação

Não gosto do título que eu mesmo criei, devo confessar. Mas últimamente a palavra que pode definir melhor meus textos é a palavra experimentação. Estou procurando inserir novos elementos, a cultura literária que leio, os autores que me influenciaram e vejo que isso tem dado bons textos e me deixado satisfeito com aquilo que produzo.

Percebo que, aos poucos, estou inserindo a narrativa bela e grotesca do gênero policial que tanto gosto e acho tão rico de significados. A linguagem direta que usa a metáfora como um jogo direto de significados.

Tenho permeado também os cenários marginais, as personagens de alguma forma alejadas pela vida. Seja um filho que teve sua vida maltrada por um pai que morreu pelos negócios, um homem que não sabe mostrar seu amor ou personificado em uma personagem que, se virar ficção, tem tudo para ser uma boa personagem.

Com isso sinto-me feliz por dizer que sim, voltei a ter prazer em escrever linhas de ficção, de me divertir escrevendo histórias estranhas, profundas. Entrando em breves lacunas de sentimentos de minhas personagens, vivendo em curtos períodos aquelas vidas criadas por mim mas que já não mais me pertecem.

Ao poucos consigo de novo me nivelar, trazendo de novo a tona meu lado mais turbulento, meu eu criativo louco, lúcido e esquizofrênico. Então, escrevamos.

Bauru, Domingo, 17 de Agosto de 2008.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Só Não Vai Quem Já Morreu

ou vinte e três anos de sonho e de sangue.

Fomos bons e jovens. Sem o rancor ressecado nos lábios envelhecido sob a pele. Tínhamos a juventude como fruto proibido a ser devorado, éramos fortes.

Sentado em roda no chão, rindo da ironia da vida e da benção da união, amigos de mãos juntas como um rio que fluí, esqueço-me até de quantos éramos.

Hoje temos o retrato envelhecido da família na mesa da sala, a marca nos dedos dos anéis que nos enforcaram. Celebramos eternos aniversários a sós. O garfo lavado no dia seguinte, a única fatia solitária de bolo não representa mais celebração. Éramos ingênuos.

Hoje ao deitarmos em nossa solitude, esquecemos de apreciar carinhos e conquistas. Estamos mais fracos, mais velhos, nos enferrujamos. As frases que dizíamos não se encontram mais na boca do povo.

Não éramos reis nem príncipes, mas havia ouro em nossas mãos. Algo que deixamos escorrer como rosas que brotam fora da estação e morrem em dias. Fomos vencidos antes mesmo de estarmos mortos. Agora é tarde demais.