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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Vinte e Quatro Mil Léguas Submarinas

(Narrativa em homenagem a mim mesmo, em celebração ao meu aniversário, hoje, 20 de Maio)

Antes que eu comece meu depoimento, chequem os registros de precedentes para que redundâncias sejam evitadas. Em meu grosso arquivo da vida, tenho mais de oito de escrita. Metade desse prontuário à sua frente é vertente de mim mesmo que moldei em distorção.
Mas não se assustem com a quantidade da bagagem. Quando eu revisar essas folhas, metade do que contei virará pó, mantido apenas nas paredes das memórias.

Meu desejo mais profundo é afirmar em belas palavras que aqui cheguei com meus próprios pés. Mas deixando qualquer poesia de lado, a sombra do tempo, o peso das horas é igual e chega para todos nós.

Então, vim. Aqui estou. Disseram-me que alterei minha maneira de ser, tornei-me mais cruel, pontiagudo e infeliz. Porém, desse lado do espelho tudo permanece igual. Minha barba cresce porque não quero cortá-la, mas o tempo ainda é lento para me marcar. Por sorte, por sorte.

Não tive velas assopradas no ano que passou, não terei nesse também. Celebrarei meu vazio através do silêncio, numa bebida entre amigos, em um abraço gentil, ouvindo palavras falsas de condecorações. Daqueles que lembram de ti pelo calendário programado do aparelho móvel.

Assim, com idéias nuas me apresento a deserção: vinte e quatro anos de sonho, de sangue e de América do sul. Com a guitarra em punhos, faço o blues que faz a lua brilhar, pois não tenho samba para um tango.

Para trás deixo apenas vinte e três anos, algumas saudades e a certeza de que, nos registros meu histórico é repleto de narrativas. A minha frente eis o invisível vazio.

Façamos de conta que abri a taça de vinho, tomei o primeiro gole e derramei o resto em mim mesmo, feliz por mais esse caminho conquistado.

Araraquara, 20 de Maio de 2009

domingo, 30 de novembro de 2008

Recesso

Meu amigos vão dizer calúnias sobre mim quando eu disser que as férias estão quase chegando. A verdade é que estou nelas há um certo tempo. Mas oficialmente, pelas notas do calendário elas batem na porta.

E nas férias sempre tendemos a produzir mais. Ficar mais no ócio, ver mais filmes, mais séries, ler mais. E para não deixar meu blog fora disso, resolvi incluir nele uma versão de férias, que estréia nos próximos dias e irá até o final das férias no ano que vem.

A idéia é acompanhar o blog do meu amigo Vinício que faz críticas breves sobre os filmes que assistiu, comenta livros e etc. O que não deixa de ser um exercício gostoso para escrever e mais uma maneira de dar pitacos.

Como no blog dele, assim como no do Arthur, as cotações são todas exclusivas, aqui a cotação que vai de 0 a 5, são dadas por Vicodin, o remédio que viciou o Dr. House.

Para abrir a sessão férias do blog, eu respondo um questionario cretino que o Vinício me enviou. Daqueles coisas que gosto ou não de fazer e por aí.

Férias então, mais sombra e água fresca. O que há de mal nisso?


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Pés n´agua.

É hora de corta-me ao meio e entrar dentro de mim. Tantas falas escritas a esse personagem que não sei mais aonde está meu começo, meio ou fim. Revendo minhas palavras não encontro quase nada que não textos usando o papel como apoio para lágrimas.

Sempre escrevi com cortes nas mãos e cordas no pescoço. Sempre aprofundei minhas palavras quando doia-me o coração. A partir disso virei também criador de histórias. Mas sempre permanece uma pergunta que não se cala: como transformar todas essas palavras em um livro, o primeiro de muitos que espero vir.

Temas iguais, histórias com possíveis histórias. Tudo isso requer tempo, paciência, escolha. Observar o que fiz, reescrever e melhorar, para, por fim, prosseguir. Texto a texto até um bom conteúdo final.

Que eu tenha coragem, então, de ir até o fim. Ponta a ponta, mar a mar.

domingo, 17 de agosto de 2008

Experimentação

Não gosto do título que eu mesmo criei, devo confessar. Mas últimamente a palavra que pode definir melhor meus textos é a palavra experimentação. Estou procurando inserir novos elementos, a cultura literária que leio, os autores que me influenciaram e vejo que isso tem dado bons textos e me deixado satisfeito com aquilo que produzo.

Percebo que, aos poucos, estou inserindo a narrativa bela e grotesca do gênero policial que tanto gosto e acho tão rico de significados. A linguagem direta que usa a metáfora como um jogo direto de significados.

Tenho permeado também os cenários marginais, as personagens de alguma forma alejadas pela vida. Seja um filho que teve sua vida maltrada por um pai que morreu pelos negócios, um homem que não sabe mostrar seu amor ou personificado em uma personagem que, se virar ficção, tem tudo para ser uma boa personagem.

Com isso sinto-me feliz por dizer que sim, voltei a ter prazer em escrever linhas de ficção, de me divertir escrevendo histórias estranhas, profundas. Entrando em breves lacunas de sentimentos de minhas personagens, vivendo em curtos períodos aquelas vidas criadas por mim mas que já não mais me pertecem.

Ao poucos consigo de novo me nivelar, trazendo de novo a tona meu lado mais turbulento, meu eu criativo louco, lúcido e esquizofrênico. Então, escrevamos.

Bauru, Domingo, 17 de Agosto de 2008.

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Início Redundante

Não me lembro quantas vezes já escrevi sobre o começo. A idéia do novo para compor, a metáfora de um caderno em branco a espera de um escritor para preenchê-lo. Apenas sei que de tantas vezes que o fiz, estou cansado. Não só dessa metáfora boba, mas cansado como um todo.

Escolher o natal para reabrir esse espaço não foi aleatório. O natal possui o fecho do ano, após ele temos apenas uma semana de contagem regressiva para o ano seguinte. Uma semana para os mais bobos fazerem listas de resoluções.

Eu queria escrever algumas palavras sobre o natal, mas antes quis deixar um marco. Sem a idéia metafórica do novo, longe disso. Apenas um marco didático para apontar que aqui, nessa data, foi quando fiz desse espaço minha oficina.

Tenho, nesse ano que passou, muito que refletir e concluir. E muito desse impacto se converteu na minha prosa que, embora seja patético partir de mim uma definição, está mais concisa, sem o viés romântico de outrora.

Produzir por quase um ano um inédito por semana deixou-me cansado. Até mesmo de produzir palavras, refletir sobre idéias, esboçando contos. Sinto apenas a vontade natural de escrever sem a necessidade de produzir reviravoltas ou frases de efeito. Porém, isso traz a tona uma idéia assustadora: a exposição de meus pensamentos, sem personagens ou eu - líricos.

Às vezes, ao ler minha produção literária, tenho a impressão de que tudo que fiz até hoje não passou de uma idéia abstrata. Um conceito vago que imagino ser literatura sem fazê-la de fato. Apenas tecendo palavras sem saber contar histórias.

Talvez seja o cansaço do ano velho que chega até meus ombros ou a afirmação de que estou farto até mesmo de poesia.

Aqui, por apenas uma idéia didática, abro minha oficina. Marcando os contos, poemas, crônicas, e guardando-as em suas devidas pastas, para não confundir os eventuais leitores.

Mas saibam desde o início que estou cansado. Nada mais.


Bauru, Terça - Feira, 25 de Dezembro de 2007.