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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Os Outros Caras

(The Other Guys, 2010)
Diretor: Adam McKay
Elenco: Will Ferrell, Mark Walhberg, Eva Mendes, Dwayne Johnson, Samuel L. Jackson, Steve Coogan, Michael Keaton.

Will Ferrell é sempre Will Ferrell. Comediante que se consagrou por um estilo de humor jocoso e exagerado que definiu seu estilo. Elemento natural na carreira de qualquer humorista que sedimenta uma maneira de fazer rir e se realiza a partir dela.

Os Outros Caras transforma o exageiro normalmente centrado na figura de Farrell – que também produz o longa – para diversas camadas da produção. Realizando um filme estridente, repleto do humor non sense característico do comediante.

Do diretor responsável por Quase Irmãos e O Âncora, Adam McKay repete a boa parceria com o humorista. Na trama, Ferrell é Adam Gamble, um homem pacato que trabalha com prazer na contabilidade da polícia, diferentemente de seu parceiro, Terry Holtz que, após atirar acidentalmente em um jogador, é rebaixado ao escritório. Sendo motivo de riso pelo resto da corporação decidem demonstrar seu valor após a morte acidental dos dois ídolos policiais da cidade, participação de Samuel L. Jackson e Dwayne “The Rock” Johnson.

A dupla central da trama é bem equilibrada. Enquanto Ferrell repete seu personagem tradicional, normalmente calmo com momentos explosivos, Whalberg repete seu característico policial durão dessa vez a favor do riso. Dialogos absurdos são composto de maneira natural, produzindo o cômico pelo espanto.

A história exagerada em todos os aspectos não teve aceitação do público, algo compreensível. O humor de Will Ferrell segue uma fórmula estabelecida. Dentro de seu nicho é hilário. Fora dele divide opiniões. A história, motivada por cenas de ação, ainda faz com que erroneamente muitos acreditem que a trama teria mais seriedade.

Will Farell será sempre Will Ferrell. É isso que torna seus filmes interessante a quem gosta. A sensação de que o grandalhão sempre será capaz de subverter situações a sua maneira estapafúrdia e exagerada. Um ator que faz quase sempre o mesmo papel mas realiza-o bem.

A pouca bilheteria não tira o mérito da produção que exagera no humor mas também faz sátira dos blockbusters de ação. Provavelmente ganhando uma segunda chance quando estiver no circuito televisivo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Melinda e Melinda

(Melinda And Melinda, 2004)
Diretor: Woody Allen
Elenco: Will Ferrell, Vanessa Shaw, David Aaron Baker, Chloë Sevigny, Josh Brolin, Radha Mitchell

Woody Allen vai direto ao ponto: após os créditos iniciais, sempre com fundo preto, com elenco em ordem alfabética, vemos um grupo de amigos conversando em um restaurante. Dois dramaturgos estão na mesa, um escritor de comédias outro de dramas. Dialogam sobre o significado da vida e da arte. Qual dos dois gêneros seria mais próximo da vida, qual causaria maior catarse.

Pela dúvida, um dos amigos relata uma história que o público não vê. Admirados pela narração, ambos veem a potência da história conforme seu gosto e talento natural. Um deles acha que a trama daria uma deliciosa comédia romântica. O outro um drama existencial. A partir da discussão, Melinda e Melinda divide-se em duas tramas utilizando elementos em comum para conhecemos duas maneiras diferentes de contar uma mesma história.

É com este argumento duplo que Allen demonstra mais uma vez sua habilidade técnica como a paixão pela arte. Seja no âmbito cômico ou na vertente do drama, diretor mostra na prática como uma mesma história produz diferentes pontos de vida, dependendo dos ouvidos de quem ouve. Dialoga com a própria obra que se divide entre a comédia o drama e ainda exerce a reflexão sobre a interpretação única de cada individuo sobre a arte.

Os elementos tradicionais de Allen estão presentes em cena. Os diálogos inteligentes beirando a ironia, a naturalidade com que personagens expõe suas opiniões mais íntimas, o amor tragicômico que desperta e morre de maneira desordenada.

Dirigido após a trilogia cômica com histórias mais leves, Melinda e Melinda é um balanço de seus domínios. Confirmando a habilidade do diretor no drama ou na comédia. Pena que o filme não tenha recebido muita atenção. Embora, provavelmente, será redescoberto em breve.