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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte II

(Harry Potter and The Deathly Hallows: Part II, 2011)
Diretor: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Helena Bonham Carter, Ralph Fiennes, Alan Rickman, Bonnie Wright, Tom Felton, Maggie Smith, Jim Broadbent

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte II retoma a trama no momento exato deixado pelo filme anterior, utilizando como conectivo um reprise da cena em que Lord Voldermort rouba uma das Relíquias da Morte, a varinha das varinhas. Mesmo que a produção evite intencionalmente a abertura da Warner, explicitando a ideia de sequencialidade da história, o mérito desta segunda parte, como na primeira, é a capacidade de individualmente ter uma unidade coerente, além de um mero desfecho para a saga do bruxo.

Se a primeira produção enfocava com maior amplitude no trio central, a segunda apresenta em escala global o confronto polarizado entre Harry Potter e Voldermort. Hogwarts novamente se torna um dos cenários centrais da trama. Um ponto de defesa e estratégia de Harry que retorna ao local para procurar as últimas Horcruxes. No hostil ambiente comandado pelo diretor Severo Snape a guerra eclode enquanto o próprio Potter não tem percepção plena de como contra-atacar o Lorde das Trevas.

J. K. Rowling nunca pareceu preocupada em estabelecer um vínculo entre o mundo mágico e nossa realidade tangível. Porém, a batalha desde desenlace tem contornos mais densos do que uma simples guerra entre mocinhos e bandidos. Basta lembrarmos que os comensais da morte desejavam a preservação da raça bruxa sem a existência de mestiços. Mesmo no aventuresco tom da trama, Voldermort não é apenas um bruxo que decidiu utilizar a magia negra como sua aliada. Harry Potter não só luta por sua sobrevivência mais também para manter uma sociedade sem extremos. Durante os sete anos que se passaram, o bruxo caminhou ao lado dos amigos em uma grandiosa jornada heroica e de autoconhecimento, reconhecendo que nem mesmo um mundo mágico está isento de quem escolhe seguir por um lado obscuro.

A ação concentrada potencializa a guerra e o horror de seu vilão, verificando se Dumbledore ensinou bem seu aprendiz. Mesmo que a violência seja amenizada por conta da batalha mágica com varinhas sua devastação é real e, sem poupar personagens, a autora compõe diversas baixas no caminho.

O desfecho da saga Harry Potter finaliza sua trama como previsto pelos fãs, mas não permite que isso ofusque seu final. Amarrando com qualidade o que foi apresentado e desenvolvido em cada uma de suas partes, deixando prevalescer, além da vitória do bem contra o mal, a expressividade da amizade e da lealdade.

Duas cenas merecem atenção especial além do filme como um todo: a liderança de Minerva na defesa de Hogwarts, resultando em uma curta e boa cena talentosa de Maggie Smith e a frase sonora que a Sra Wesley diz a Belatrix ao vê-la atacar sua caçula, provando que nem mesmo a pessoa mais pacata se abstém de defender aqueles que ama.

Após inicio oscilante, a história tem final digno de sua obra original. Uma série de livros inventiva que tornou-se primeira leitura para diversos leitores que cresceram junto com as personagens. Uma trama que não deve ser julgada somente pelo fato das altas vendas, possuindo também qualidade além do mero entretenimento.


sábado, 6 de outubro de 2012

Harry Potter e o Enigma do Príncipe

(Harry Potter and the Half-Blood Prince, 2008)
Diretor: David Yates
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Julie Walters, Helena Bonham Carter, Alan Rickman, Bonnie Wright, Jessie Cave, Tom Felton, Jim Broadbent, Maggie Smith, Michael Gambon, Evanna Lynch, Jamie Waylett.

No lançamento dessa produção, havia confirmação de que David Yates dirigiria até o final a saga de Harry Potter. Evidenciando que nenhum elemento, seja detalhe ou cenários, seriam alterados até o final derradeiro. Favorecendo a unidade criada desde a produção passada.

Harry Potter e o Enigma do Príncipe demonstra a excelente química dos atores, produtores e diretores. Agora bem conectados em apresentar esta narrativa lenta, fluida como o livro. Com ação que se concentra com mais força no poderoso final.

É a produção da saga que mais desenvolveu detalhes com cuidados, sem cortes ou edições por causa da metragem. A adaptação que passa com mais completude uma genuína trama do bruxo, com nuances que J. K. Rowling produz nos livros agora visíveis na tela.

Os tempos sombrios vividos na trama fazem a fotografia desbotar-se. Com pouco espaço para diversão, as cenas alegres são bem realizadas como o momento de glória de Rony no Quadribol que mantem o riso da trama com seu jeito desajeitado e carregado do humor britânico.

O crescimento dos atores favoreceu suas personagens que também se tornaram mais maduras. Laços amorosos começam a se unir e o trio principal não fica de fora. Harry apaixonado pela caçula da família Wesley e a tensão amorosa de Rony e Hermione, no limite entre amor e ódio, aumentando ainda mais.

A narrativa mais lenta justifica a trama aventuresca e acelerada do quinto livro. Muita história é apresentada e esclarecida aqui, ganhando um toque de medo do porvir, culminando no ápice épico, em uma das cenas mais importantes no livro e na história geral do bruxo.

O destaque vindo de fora fica por conta de Jim Broadbent, excelente ator que está ótimo como Horácio Slughorn, antigo professor da casa e amigo íntimo do velho Dumbledore, interpretado com severidade por Gambon, devido a delicadeza e consequências do enredo.

O ponto máximo desta história encerra-se com dubiedade para o público. Lamentoso pelo drama exposto na tela, mas ansioso pela constatação de, finalmente, assistir uma trama excelente e condizente com os originais, aguardando o ato final, dividido em duas partes, encerrando de uma vez por toda a história de Harry Potter e seus amigos.