quarta-feira, 10 de junho de 2009

Preliminar: Transformers: A Vingança dos Derrotados


Recentemente assisti pela segunda vez Transformers, filme que antecede essa continuação e revi outro filme da carreira de Michael Bay: A Rocha.

Portanto, temo que o tema dessa Preliminar seja um pouco redundante. Afinal, meu comentários sobre o diretor já foram expostos em duas ocasiões e, após o lançamento de Transformers - A Vingança dos Derrotados, totalizaram quatro comentários sobre sua obra.

Ao mesmo tempo que seria impossível não escolher essa produção como uma das mais esperadas – escolhi entre esse e o Exterminador do Futuro 4. O primeiro filme cumpriu seu papel com boa eficiência, sendo uma ótima diversão, e mesmo a duvidosa diração de Michael Bay se encaixou em uma produção em que perseguições e explosões acontecem a qualquer momento.

Sem dúvida que o roteiro novamente será bastante linear. Um motivo simples para que Autobots e Decepticons voltem a brigar e para vermos a belíssima Megan Fox – ultimamente só dizendo bobagens para a imprensa – em trajes sumários. Fox não estará desacompanhada, Sam Witwicky, personagem de Shia LaBeouf também está presente na continuação e continua sendo um dos pilares principais da trama. Será por causa de algumas de suas visões – as mesmas que seu avô tivera – que, novamente, uma guerra poderá acontecer.

A produção tem todos os elementos para funcionar. O aval do público que gostou do primeiro filme, os mesmo envolvidos na seqüência e, se os roteiristas não cometerem o mal de continuações, dando aquele repeteco da primeira história, Transformers – A Vingança Dos Derrotados deve se tornar um dos filmes mais rentáveis desse ano morno e ainda ganhar uma posição na lista de melhores filmes do ano.

Por fim, deixo, novamente meu protesto contra as distribuidoras brasileiras que até hoje não divulgaram o pôster brasileiro do filme na internet. Mesmo que algumas versões já estejam há meses nos cinemas. É pedir demais que a assessoria de imprensa mantenha um site atualizado com cartazes e fotos em boa resolução para divulgarem melhor seu próprio produto?

Transformers - A Vingança Dos Derrotados estréia dia 24 de Junho e O Que Dr. House Diria? estara lá para conferir.


Preliminar, toda segunda quarta feira do mês. Em julho, dia 08, com o filme Harry Potter e o Enigma do Príncipe, mais um filme da saga do bruxinho nos cinemas.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Heroes, Terceira Temporada

Nem tão heróicos assim

Desde que as séries americanas tornaram-se mais interessantes do que as safras de seus filmes, a cada fall season uma série cai nas graças do público. Assim aconteceu com Lost e The O.C., para ficarmos em dois exemplos. Séries que chamaram inicialmente a atenção do público mais foram perdendo fôlego, e audiência, nos anos seguinte.
O efeito foi o mesmo com Heroes. A idéia da série de inserir no mundo real pessoas especiais com super poderes embora não tão original, parecia promissora. Era a primeira vez que uma série usaria o background criado há anos nas histórias em quadrinhos e dela retiraria um produto original.
Ao fim de sua primeira temporada, a expectativa era alta. Se o enredo concluído na primeira temporada fechasse ali mesmo, em uma história simples, seria perfeito. Mas veio uma segunda temporada atrapalhada pela greve dos roteiristas.
Com duração menor e apenas bons momentos dramáticos em seu final, a segunda temporada oscilou. Novas personagens foram introduzidas, dando a sensação de que a trama ficava estagnada, sem que a narrativa se desenvolve-se por causa de tantos núcleos. Superado o problema da greve, a terceira temporada seria a derradeira, aquela que colocaria nos eixos a série. Falhou.
Heroes confundiu-se em beber na fonte das histórias em quadrinhos e se tornou uma, mal feita. Como leitor de quadrinho há oito anos, vejo as referencias roubadas pela série. E, assim como em uma história em quadrinhos, na série nada é definitivo. A morte de um personagem é resolvida em um rápido passe de mágica em próximos episódios, a perda de um poder na verdade era tudo mentira e prosseguimos por aí.
O erro se tornou tão grande que até mesmo seu criador, Tim Kring, declarou não saber o que fazer com o futuro da série. E assumindo a cadeira de roteirista, e despedindo os produtores, tentou aplicar coerência a série novamente.
Os episódios finais da temporada pretendem salva-la a tanto custo, que gostei mais do começo da série. Onde embates e ganchos narrativos não pareciam tão forçados.
Mesmo perdendo parte de seus espectadores, a série conseguiu uma quarta temporada. Dizem ser mais curta e a última da história desses heróis. É a chance derradeira de consertar os estragos e entregar ao público uma temporada a altura da divertida e boa primeira temporada. Se não, Heroes figurará como mais uma série com ótimo inicio e que sua seqüência só a enfraqueceu, rumo ladeira abaixo.


domingo, 7 de junho de 2009

A Semana em Filmes (31 de Maio a 06 de Junho)


Bicho de Sete Cabeças (Bicho de Sete Cabeças)

Dir. Laís Bodanzky


Um dos melhores filmes da retomada do cinema brasileiro, Bicho de Sete Cabeças possuí todo o cuidado que uma produção nacional devia sempre merecer. Com um roteiro elaborado a partir do livro e da vida de Austregésilo Carrano Bueno, o filme narra a história de Neto, um adolescente levado para um manicômio para tratar de seu suposto vício de maconha, quando o pai encontra um cigarro da erva em sua jaqueta. Elucidando que a comunicação entre pai e filho é ausente e explicitando o quanto é horrível o tratamento manicomial no Brasil.
A produção traz Rodrigo Santoro em sua estréia nas telas, realizando excepcionalmente bem o papel de um adolescente problemático, em dúvida consigo mesmo. Algumas cenas do filme foram improvisadas pelo ator durante a gravação e obtiveram um resultado tão positivo que foram inseridas no produto final.
A produção consegue se equilibrar na medida certa entre o que toca o telespectador e a agressividade vista em cena. Considero como uma dos melhores momentos o que Neto tenta fugir do manicômio e ao ser pego se entrega totalmente, cedendo e apenas gritando. São cenas agonizantes.
A trilha sonora foi produzida pelo sempre incrível André Abujamra e com músicas de Arnaldo Antunes. O tema que dá título ao filme, é cantado por Zeca Baleiro.
O filme também arrebatou diversos prêmios em muitos eventos e não é por menos. Ainda hoje cito Bicho de Sete Cabeças como um dos melhores filmes da retomada, bem elaborado, reflexivo e com direção, roteiro e atores trabalhando em boa sintonia. É uma pequena pérola que nos agride bem no estômago.
Logo após reassistir o filme, comecei a ler Canto dos Malditos, o livro de Austregésilo Carrano Bueno que inspirou a produção. Ainda estou no inicio, mas é notável as grandes diferenças até mesmo na narrativa. Ao término do livro devo fazer um crítica ao seu respeito.





Deus é Brasileiro (Deus é Brasileiro)

Dir. Carlos Diegues


O trocadilho se dará logo no início. Embora sendo um bom filme, Deus é Brasileiro não caiu nas graças de Deus.
Baseado livremente no conto do contemporâneo João Ubaldo Ribeiro, O Santo Que Não Acreditava em Deus, e roteirizado com a ajuda do próprio, o filme narra a história do Todo Poderoso que, cansado do serviço após milhões de anos, decide procurar no Brasil um santo para ocupar o seu lugar, enquanto ele tira férias caminhando pelas galáxias, como fazia antes de ter criado os homens.
A premissa da produção é excelente. O Deus interpretado por Antonio Fagundes está mais inspirado que nunca, e Wagner Moura, interpretando Taóca, o local que irá ajuda-lo na busca, está muito bem fazendo um papel cômico, abusando da comicidade vinda do nordeste.
Pena que algumas arestas do filme deveriam ser melhor aparadas. Infelizmente a presença de Paloma Duarte como Madá não acrescenta nada a trama, desviando a narrativa e fazendo-a perder o ritmo.
Porém, apesar dos tropeços o filme vai bem quase todo o tempo. Mas na hora do derradeiro desfecho, deixaram a desejar. O problema é tão perceptível que foi necessário uma canção da excelente banda Cordel do Fogo Encantado – que também participa da cena – para explicar o significado de que se os homens aprendem algo com Deus, Ele também aprende algo conosco. Não cabendo ao diálogo entre Deus e Taóca fazer essa ponte.
Mais importante do que lembrarmos que Deus é brasileiro, devemos afirmar que Deus é Antônio Fagundes. Impagável como o Divino, irritado com os humanos e cheio de graça. Mesmo se o filme todo fosse um desastre, valeria a pena por sua interpretação.




Quando Nietzsche Chorou (When Nietzsche Wept)

Dir. Pinchas Perry


Incompreensível adaptação do romance do psicólogo Irvin D. Yalom que nos últimos anos adquiriu grande sucesso. Embora sendo um romance muito bom, não podemos dizer o mesmo dessa adaptação, um verdadeiro crime em relação à obra original.
Não entendo porque o livro ainda não virou um adaptação séria, pois essa assemelha-se muito com um filme ruim feito para a televisão. Pela extensão do livro cortaram diversas cenas chaves e ainda criaram algumas outras, desnecessárias, por assim dizer.
Se há algo que me surpreendeu na produção foi Armand Assante interpretando o filósofo Nietzsche. Não só o ator ficou parecido fisicamente com o mesmo mas, em um produção mas séria, teria o potencial para fazer todas as nuances do papel.
Para dos desconhecedores da trama, Josef Breuer é um dos melhores médicos de Viena e recebe a visita de Lou Salomé, uma bela mulher que diz que um certo filósofo está doente, mas que ele não aceitaria ser tratado da maneira convencional. A jovem propõe ao médico que enquanto finja tratar fisicamente do paciente, tente curar o desespero em sua mente. Eis o encontro fictício entre Nietzsche e Breuer, duas personagens reais que, infelizmente, nunca se cruzaram na vida real.
Outro ponto negativo para a produção é o uso excessivo da fala carregada de sotaque. Sabemos que nos lugares onde o filme se passa não se fala inglês, esse fato simplesmente não poderia ser ignorado? Mas algumas personagens trazem seu inglês macarrônico e cheio de sotaque que mais irritam, do que dão estilo a produção.
É uma pena levando em conta que o livro de Yalom é uma verdadeira preciosidade narrativa. Portanto, o conselho é um proferido em outros filmes, fujam.




A Irmandade (The Order)

Dir. Sheldon Lettich


E aqui está novamente meu querido Van Damme em mais um filme duvidoso. Dessa vez o astro além de ser o principal da trama, ajudou a escrever o roteiro da produção, que conta até com Charlton Heston, provavelmente precisando de alguns trocados para pagar algumas contas.
Diferentemente dos filmes comuns do astro, A Irmandade possuí uma narrativa levemente cômica. Sua personagem não é sombria e, quase um milagre, nenhum parente ou amigo foi assassinado, o que não exige uma vingança imediata.
Logo no começo da produção, conhecemos a história de Charles Le Vaillant, um cavaleiro das Cruzadas que impressionado com a violência, funda sua religião e começa a pregá-la. Como todo bom orador, este escreve seus pensamentos em um livro, mas o último capítulo, que deveria ser anexado a escritura, fica perdido pelo tempo.
A trama volta aos tempos atuais onde o pai do Van Damme está foragido por possuir tal escritura, nos dando a impressão de que alguém muito poderoso está atrás dela. Caberá a seu filho, Rudy Cafmeyer ir atrás do pai e descobrir os segredos dessa seita criada há séculos por Le Vaillant.
Embora o roteiro seja mais voltado a narrar essa história não tradicional ao mundo de Van Damme, ele continua esburacado como de costume. Mas por ser uma história mais leve, chega a ser agradável e não prejudica a diversão. E, impressionantemente, há algumas cenas de luta em que o astro dá pontapés e alguns golpes que não víamos há um tempo.




Violência Gratuíta (Funny Games U.S.)

Dir. Michael Haneke


Algumas análises me dividem por completo quando, procurando o cartaz que ilustra a resenha, leio rapidamente algumas frases em sites especializados e blogs de cinéfilos como eu. Muitos, até mesmo a crítica, sei disso, deram boas notas e muito prestígio para Violência Gratuita.
Não compreendo, primeiramente, o motivo que fez seu diretor Michael Haneke regravar o mesmo filme que produziu em 1997, mudando apenas os atores e mantendo todo o resto, quadro a quadro.
Como o título brasileiro explicita, a produção é uma análise sobre o fascínio e a violência produzida nos dias de hoje. Tanto aquela que vemos na televisão em telejornais, como aquelas produzidas especialmente para figurar na tela grande como filmes de ação.
A trama se passa a maior parte do tempo dentro da casa do casal Ann e George, que são abordados por seus vizinhos, pedindo ovos para uma receita. De repente, como se imagina, os convidados se tornam agressivos, e logo a família, composta também por um filho pré-adolescente, são obrigadas a aceitar os violentos jogos da dupla.
Não deixo de imaginar, levando em consideração o enredo, a diferença dessa produção para o terror Os Estranhos, com Liv Tyler. Em ambas as tramas, um casal é amedrontado e, aos pouco, violentado. A diferença é que na trama de terror as personagens usam máscaras e aqui o filme gera contornos dramáticos.
Paul, personagem de Michael Pitt algumas vezes interage com o próprio público, dando a intenção de que todo o espetáculo produzido por eles é apenas para nosso deleite. Mas embora exista uma sensação de agonia na tortura do casal, honestamente, achei a produção um tanto quanto plástica demais e, também, com algumas referencias (as roupas brancas dos atores remetem-se, evidentemente, a gangue de Alex deLarge de Laranja Mecânica).
Ainda que a produção tente tecer mais um estudo sobre a violência, tanto a real como a produzida pelo cinema, alguns cineastas conseguiram efetuar esse trabalho com mais perfeição, como David Cronerberg e seus excepcionais Marcas da Violência e Senhores do Crime. E até mesmo Kubrick, em 1971, já realizava um filme definitivo sobre a violência explícita.
Em outras linhas, já afirmei nunca sentenciar um filme em apenas uma exibição. Talvez em outra oportunidade eu possa apreciar melhor Violência Gratuita e descobrir que ele é um grande filme. No momento, considero-o um filme interessante que poderia ser melhor executado. Ao menos para mim, cinéfilo fã de filmes de ação – e assim acostumado com a violência sem causa de filmes do estilo – faltou a cena que machuca de tão pungente.

domingo, 31 de maio de 2009

A Semana em filmes (24 a 30 de Maio)

Trovão Tropical (Tropical Thunder)

Dir. Ben Stiller

Bem Stiller é um cara muito bacana. Normalmente ator de um papel só, o do fracassado que nada conseguiu na vida, sempre realiza filmes de comédia que, mesmo não tão bons, conseguem gerir boas risadas.
Paralelamente a isso, Stiller tem uma carreira de diretor que, dizem, começou promissoramente e vem se deteriorando com filmes estranhos, em que uma certa incompreensão surgiu – Lembram-se de Zoolander? Uma boa idéia um tanto quanto equivocada. Trovão Tropical é a resposta de Stiller a esses que falam mal de sua carreira de diretor e também um alívio a seus últimos e fracos filmes.
O melhor de Stiller está presente. O filme abre com trailer falsos, hilários. As personagens bizarras e um Robert Downey Jr interpretando um australiano tão perfeccionista que para entrar em seu personagem, um soldado negro, sofreu uma cirurgia de pigmentação na pele. Todos esses elementos a serviço da diversão.
Mas, apesar da boa intenção, o filme comete alguns excessos. Assim como outros comediantes, como Adam Sandler e Jim Carey, Stiller, se não controlado, exagera em alguns pontos. E são nesses exatos pontos que a produção fracassa.um ótimo filme porque oscila em cenas inexpressivas que poderiam, muito bem, não existir.
Apesar de tudo, a proposta é, de fato, inovadora. A sátira sobre a guerra funciona a maioria do tempo e quem assistiu ao menos aos mais conhecidos filmes de ação, reconheceram algumas cenas satirizadas. Sem contar Tom Cruise, em cena por poucos minutos, mas ridiculamente caracterizado como um mega empresário gorducho e peludo.





Akira (Akira)

Dir. Katsuhiro Ôtomo

Vinte e um anos após a produção desta animação não a envelheceram de maneira alguma. Com a restauração feita com cuidado por especialistas, o desenho está mais belo e perfeito do que nunca. E a produtora Focus Filmes merece também seus parabéns por ter tido o mesmo cuidado em lançar a edição brasileira.
A edição foi lançada originalmente em uma caixa de metal com camiseta, dois cards e um pôster, mas já está esgotada. Atualmente existem duas versões no mercado: a simples, contendo o filme em widescreen, restaurado digitalmente e a dupla com o filme restaurado e uma versão full sem nenhuma limpeza (comparando-se os dois percebe-se a qualidade da restauração).
Considerado – com razão – um marco na animação, não é só sua produção gráfica que merece destaque. A trama intrincada sobre um futuro apocalíptico, após a terceira guerra mundial, nos apresenta uma Tóquio reconstruída pós guerra mas decadente de violência e subversão. Situados nessa escória estão um grupo de motoqueiro liderado por Kaneda, que terá um amigo, Tetsuo, envolvido em um projeto governamental chamado Akira.
Dizer mais do que poucas linhas sobre a trama é revelar fatos desnecessários e que perderiam o impacto na hora de assistir a produção.
A animação não só tem um visual muito rico, como diversas vezes é repleta de detalhes e cenas surreais terríveis. Chegando a ser melhor do que algumas animações produzidas hoje, vinte anos depois.
Alguns boatos infelizes estão no ar dizendo que uma adaptação em live action está a caminho, inclusive que Leonardo Di Caprio faria um dos papéis. Porém, essa nota foi desmentida dizendo que o interesse do ator era apenas em produzir o longa. Particularmente, uma trama tão rica como Akira se for adaptada deve ser feita com o máximo de cuidado e, honestamente, produzida no Japão e falada em sua língua de origem. Não seria uma boa hora para os produtores americanos investirem para produzir o filme em parceria com o Japão?

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A Semana em filmes (17 a 23 de Maio)

Muito Gelo e Dois Dedos D´Agua (Muito Gelo e Dois Dedos D'Água)

Dir. Daniel Filho


As vezes, imagino que as incursões de Daniel Filho ao cinema nacional são apenas para causar desgosto no telespectador. Antigamente, minha impressão era de que sempre o diretor fora realizador de filmes médios, mas sua carreira na tela grande é um tanto quanto nova e ainda ineficiente.
Ainda que não se deva culpar o pobre diretor por mais um filme estragado em sua filmografia, o roteiro desta obra é de Alexandre Machado e Fernanda Young que só acertaram uma vez, de fato, ao realizarem a série Os Normais, na Globo. Porém, é inevitável que as tochas e tomates se concentrem no diretor da obra.
O principal problema estrutural de Muito Gelo e Dois Dedos D´Agua é que sua trama situa-se no limite do plausível e, aos poucos, toca o absurdo. Apontando que na falta de um roteiro inteligente, optou-se pelo efeito conhecido como “bola de neve”, onde as situações vão se acumulando e acumulando, até saírem do controle, até mesmo dos produtores do filme.
A trama exagerada conta a história de duas irmãs que decidem se vingar da avó castradora e, para tal, seqüestram a velhinha e vão até a casa de veraneio da família torturar a pobre coitada, interpretada por Laura Cardoso que, infelizmente, não pode mostrar todo o vasto talento que possui em cena.
No fundo, a produção é mais um filme brasileiro em que nudez desnecessárias, e também mais um comercial escancarado da Goodyear, são um detalhe de um roteiro mal elaborado. A trama tenciona ser comédia e, de fato, existem alguns momentos cômicos que se contam nas mãos. Mas é mais fraco que whisky com muito gelo e dois dedos d´agua.





Casa da Mãe Joana (Casa da Mãe Joana)

Dir. Hugo Carvana


É um fato incontestável. A ausência de bons roteiros no mercado brasileiro resulta em filmes ruins. É uma formula básica. Não importa bons atores e uma boa direção se não existe um caminho para que eles sigam. E muitos filmes nos passam a sensação de estarem tão ao vento, que chegamos a acreditar que qualquer roteiro foi escolhido para a trama, sem receber nenhuma correção, nenhum tratamento, nada.
Prova disso é A Casa da Mãe Joana, visto em seguida ao filme de Daniel Filho. Impressiona que um grupo de atores de alto calibre como Paulo Betti, Jose Wylker, Pedro Cardoso e Antônio Pedro – só para mencionar os principais – tenham cometido a audácia de realizar esse filme que parece que nunca sai do lugar.
Se apenas o roteiro dessa vez fosse o problema mas, novamente, o cinema brasileiro apela para nudez desnecessária, dessa vez nos corpos curvilíneos de Fernanda Freitas e Juliana Paes.
Uma produção que poderia ser uma boa comédia, resulta em um desastre completo. Mesmo que o elenco principal esteja muito bem integrado e se esforçando ao máximo para ser engraçado.
Curiosamente, é o segundo filme em que Laura Cardoso aparece e, novamente, a excelente atriz é subaproveitada. Nitidamente comprovando o desperdício que roteiristas e diretores cometem, apenas porque, talvez, a atriz seja idosa demais (Por isso mesmo sempre interpretando a avó, uma idosa louca, ou algo do gênero).
Infelizmente, temos apenas que nos lamentar.





Sexo com Amor? (Sexo com Amor?)

Dir. Wolf Maya


Filme de estréia do diretor Wolf Maya nos cinemas. É impressionante como, mesmo não sendo um grande espetáculo, Sexo com Amor? tem mérito garantido por apresentar, desde seu trailer, sua intenção, bem como o roteiro articulado por trás.
Tanto essa produção como Sexo, Amor e Traição de Jorge Fernando, fazem parte de uma parceria da Globo Filmes com outra produtoras da América Latina. Uma espécie de empréstimo, em que vários países se inspirariam em filmes já feitos para produzir os seus próprios. Portanto, essa produção é baseada na obra de mesmo título, produzida no Chile.
Porém, para evitar choques culturais, algumas adaptações foram feitas. A história se concentra em diversas personagens que possuem relacionamentos instáveis ou já mornos, e aos poucos, vamos conhecendo-os e descobrindo que os mesmo possuem laços com outras pessoas. A narrativa assemelha-se muito a uma novela, outro defeito de produções brasileiras que, muitas vezes, ainda não conseguem compreender que novelas são produzidas para a tevê e a teatralidade dos palcos é para ser vistas neles.
Alguns núcleos são mais competentes que os outros – afinal, em um filme com Reynaldo Reynaldo Gianechinni e Marília Gabriela fica difícil a competição de quem está pior – mas todos estão em um bom patamar e acabam por se completar, mesclando humor em alguns e drama em outros.
Mas sem dúvida que o ponto alto é o malandro interpretado (?) por Eri Johnson, casado com Maria Clara Gueiros. Ambos defende muito bem a parte cômica dessa produção que, nesse mercado brasileiro ainda confuso, consegue ser uma boa diversão sem comprometer-se a errar.





A Mulher do Meu Amigo (A Mulher do Meu Amigo)

Dir. Claudio Torres



O inicio de A Mulher do Meu Amigo parece promissor. A personagem de Marcos Palmeira narra em off um discurso sobre as atitudes que temos que tomar na vida e afirma que escolheu todas aquelas que o levaram a ruína, fechando a narrativa com um palavrão.
Ainda que seja baseada na peça teatral de Domingos de Oliveira, “Largando o Escritório”, a qual não vi, portanto não posso comentar, essa produção segue um tanto quanto a risca a cartilha de produções recentes e repete o erro do filme anterior do diretor, Redentor.
Mesmo com um mote interessante, de um executivo que resolve desistir de trabalhar no escritório do sogro – interpretado por Antônio Fagundes, um dos poucos brilhos do filmes – cansado de suas imoralidades e, assim, afetando a vida de sua esposa e dos amigos ao redor, o filme não consegue decolar de maneira alguma.
Novamente tem-se a impressão que, após criado o mote, o roteiro fora deixado a deriva e o resultado que saísse seria revelado e viraria o filme que assistimos. Ainda que o filme conte com bons atores, as situações estranhas e absurdas que vão se encavalando na pouca duração da produção não vai lhe conferindo nenhuma verossimilhança, muito pelo contrário.
E pela terceira vez nessa semana, tenho a sensação de que as personagens brasileiras são como as da peça de Pirandello, estão a procura de um autor, um roteirista que lhe escreva boas falas e situações adequadas para o desenlace do filme.




A Guerra Dos Rochas (A Guerra Dos Rochas)

Dir. Jorge Fernando


Após quatro filmes brasileiros visto em Panorama, o último da série é a faca aprofundada na carne, o iceberg que derrubou o navio. Nas palavras de um amigo, com a duração de A Guerra Dos Rochas, a produção nem deveria ser considerada um longa metragem.
Mas engana-se quem pensa que sua curta duração é um fator positivo para o filme. Nessa produção, parece-me mesmo que os atores tiveram uma conversa inicial do que fazer e foram em frente as câmeras, seja o que Deus quiser.
A trama é simples, uma velhinha, interpretada por Ary Fontoura – é notório que tentaram, em vão, deixar a produção com um ar engraçado, mas falharam miseravelmente – que por sua idade avançada começa a se tornar um fardo para seus três filhos. Porém quando – em um desses arroubos dos roteiros brasileiros – ela é confundida com uma velha atropelada, os filhos começam a refletir sobre o que fizeram com a mãe.
Mais intrigante é saber que esse filme também é uma adaptação teatral. Levando-me a crer que, novamente, não souberam transpor a trama para a película. Só dessa maneira para ser possível o lançamento dessa produção vergonhosa.
Se serve como curiosidade, é o terceiro filme dirigido por Jorge Fernando, que além desse dirigiu o bom Sexo, Amor e Traição (adaptado de um filme latino americano, lembrem-se, com um roteiro já pronto) e de Xuxa Gêmeas (precisa dizer mais alguma coisa?).





Anjos e Demônios (Angels & Demons)

Dir. Ron Howard


Novamente, minhas previsões na coluna Preliminar foram corretas. Anjos e Demônios, adaptação da obra de Dan Brown, o autor do best seller O Código da Vinci, é superior a primeira produção. Mas superior não valida o filme como um bom espetáculo.
Os erros da primeira produção foram consertados, provando que Ron Howard aprendeu com as falhas.
A narrativa criada no cinema é diferente daquela vista no livro. A primeira produção apresentava uma narrativa mais próxima ao seu livro, com avanços e retrocessos temporais inclusos. Aqui, optou-se por cortar certos ganchos que só funcionam em palavras, não em arte visual.
Tratando-se de estilo, os cenários são belíssimos. Como o Vaticano proibiu o acesso da produção à cidade, o trabalho para recriar praças em tamanho real deve ter sido longo e extenso. Não só nos cenários, mas a cabeleira de Robert Langdon também recebeu um ajuste. O péssimo mullet do primeiro filme desapareceu, dando um ar mais respeitoso ao simbologista que Tom Hanks continua interpretando no piloto automático e, aparentemnte, ainda se divertindo.
Anjos e Demônios é um pouco mais linear que O Código da Vinci. No fundo é uma caça ao tesouro, sem tantas revelações. Mas, por ser o primeiro romance de Brown, é também mais experimental, então exageros demais foram cometidos. O que compromete a diversão do filme e o seu desfecho vira uma piada de torcer os lábios.
Minha esperança é que na terceira adaptação finalmente consigam acertar, mas para isso até mesmo Brown precisa dosar melhor seu livro.
Por fim, como dito na coluna prévia sobre o filme, o amigo Vinício do blog O Jardim dos Gatos Teimosos também estava lá para conferir esse filme morno e recomendo que vocês também leiam sua resenha, é sempre interessante saber se uma mesma produção gera críticas diferentes.





The Spirit - O Filme (The Spirit)

Dir. Frank Miller


Após uma série espetaculosa de filmes ruins, somando-se a seis meses de resenhas cinematográficas, acredito que um certo cinismo nos invade ao falar de produções que, definitivamente, estão longe de serem boas. Desde já estou imaginando uma maneira boba de adicionar a frase “Haja espírito para ver esse filme”, para comprovar minha teoria.
O fato é que o escritor e desenhista Frank Miller entrou no mercado cinematográfico com muito entusiasmo, dirigindo em conjunto com Robert Rodriguez o filme baseado em sua obra sobre uma cidade pecaminosa. Empolgado com o sucesso do filme, Miller aplica novamente a técnica decalcada de Sin City e vai no âmago das histórias em quadrinhos para contar a história de Spirit.
Spirit é considerado um dos heróis mais importantes das histórias em quadrinhos, criado pelo revolucionário Will Eisner. A saga de Spirit foi uma das primeiras a envolver um herói e a narrativa policial. Miller, fã do herói, escreveu um roteiro baseado na personagem e foi estreiar atrás da câmeras.
Porém, quem acompanha a evolução dos quadrinhos sabe muito bem que Frank Miller há muito tempo não é o homem que era. Há tempos não realiza uma obra a altura de seus clássicos e The Spirit – O Filme é mais um passo escada abaixo de sua decadência.
Os primeiro minutos da produção são interessantes, além de bonitos, pelas cenas em preto e branco, repleta de efeitos especiais. A narração em off da personagem principal da o requinte necessário que a trama exige. Mas ao decorrer do tempo, principalmente com a aparição do vilão Octopus, personagem histérico interpretado por Samuel L. Jackson, o projeto desanda por completo.
Miller não só deu sua visão pessoal sobre a personagem, como mudou o conceito conhecido dela. Nas páginas de Will Eisner, Spirit não é nenhum super herói. É apenas um homem comum que forjou sua própria morte para renascer como um anônimo mascarado. Mas aqui ele ganha contortos super poderosos, não só tendo super força, como sobrevivendo a golpes e tiros e ainda alucinando com um espírito da morte que, de acordo com a trama, sempre está por chamar Spirit.
Transformando um bom conceito na mão do mestre Eisner em um pastiche ruim. Sem contar que, embora a pompa da produção mereça destaque, a direção é uma copia exata do estilo de Rodriguez em Sin City.
Frank Miller já foi capaz de demonstrar que é um autor genial, revigorou Demolidor dando-lhe sagas incríveis, colocou Batman em uma de suas melhores histórias, sem contar diversas outras que criou em seu próprio universo. Porém, talvez, uma sugestão, o cinema deva ser deixado para lá.
Em tempo, a editora Panini recentemente lançou duas sagas em que dois escritores dão sua visão sobre Spirit mas ainda hoje nenhuma editora relançou essa obra máxima de Will Eisner. Prezados editores, o que diabos vocês estão esperando?





Força de Proteção (Hard Cops)

Dir. Sheldon Lettich


Não é necessário informar que a personagem de Van Damme nesta produção, o ex-soldado Philip Sauvage é, por assim dizer, o melhor dos melhores. Contratado para proteger um campeão mundial de boxe aposentado de uma figura do rap que está saindo das grades com sede de vingança, pois foi o ex-boxeador que juntou provas suficientes para coloca-lo na prisão. Com medo de não suportar o trabalho, Sauvage monta uma equipe de jovens lutadores e ex-soldados para ajuda-los, os tais Hard Cops do título original, ou a Força de Proteção no título brasileiro.
Em comparação com as recentes produções do astro, esse filme apresenta mais coesão. Isso não o deixa acima da média, mas um capricho a mais sempre é bom ser destacado. Assim como o diferencial de suas produções comuns. Aqui Van Damme está fora de seu nicho, no meio de uma briga entre um gangsta rap e um ex boxeador que virou empresário. Outras maneiras dos roteiristas de chamaram a atenção do público para um ator que sempre faz a mesma produção.
Destaco também que neste filme, J.C.V.D. resolveu sair no muque em algumas cenas e até protagoniza uma cena de luta mano a mano, muito bem realizada. É bom que ainda tentem resgatar o lado lutador de Van Damme, pois muitos que o assistem esperam exatamente esse tipo de cena em seus filmes.