terça-feira, 19 de maio de 2009

A Semana em filmes (03 a 09 de Maio)

Dragonball Evolution (Dragonball Evolution)

Dir. James Wong

Há muitos filmes sensíveis, capazes de nos emocionar. Outros nos trazem lágrimas por sua péssima execução.
Orgulhoso de minha coragem, até agora, por assistir Dragonball – Evolution, estou também perplexo pela destruição de um grande mangá, nada semelhante a história criada por Akira Toriyama.
Personagens foram retirados, temas foram transformados e visuais eliminados. Tudo tão diferente que se os personagens não se apresentassem com seus nomes, não seria possível definir quem são eles.
O mangá que inspirou o filme, Dragon Ball, retrata a infância de Goku. Mas aqui ele é um adolescente maneiro, estilo Malhação, que se sente diferente de todos e não consegue se adaptar, mesmo sendo igual a todos os outros na escola e tendo um bela japonesa dando bola para ele. É nesse ponto que seu avô, quase moribundo, joga o fardo das esferas do dragão e conta a lenda de Shenlong.
O vilão da trama, Picollo, que pode ser considerado, sem dúvida, um dos grandes vilões dos mangás, além de não possuir nenhuma semelhança física com seu original, é tão mal desenvolvido que deve aparecer no máximo em dez minutos de cena.
E o tal desfecho é tão rápido que fica sem graça e, assim, anti-climático. Fujam para as montanhas desse aqui. Mais uma produção que, redondinha, entra para a lista dos piores do ano.
Os ocidentais deveriam respeitar melhor um dos melhores mangás já produzidos.

domingo, 17 de maio de 2009

A Semana em filmes (26 de Abril a 02 de Maio)

Garotas Selvagens (Wild Things)

Dir. John McNaughton



Nota-se a época de produção de Garotas Selvagens, pelo tamanho – gigantesco – dos celulares que aparecem em cena. Detalhes a parte, a trama, se não houvesse um pouco de suspense envolvido, se encaixaria perfeitamente como um filme soft porn. Criando uma trama apenas para apelar para a nudez de Denise Richards – que nunca teve expressividade além de suas curvas corporais. Porém, as cenas são tão poucas que o enfoque da produção deve ser mesmo o suspense.
O roteiro é um daqueles onde as reviravoltas não param, chegando a causar náuseas de tantos movimentos giratórios. Quando o telespectador começa ter certeza daquilo que aparece na tela, tudo é exposto de forma inversa e assim por diante. Porém o básico da trama se concentra nessa frase: Uma bela jovem de uma das famílias mais ricas da Flórida acusa um professor de tê-la estuprado e, assim, começam as reviravoltas.
Se a produção paltasse apenas no suspense, poderia render uma boa produção. Ainda que Kevin Bacon, o policial da trama, estivesse em uma fase ruim, anterior à fase de boas atuações que perduram até hoje, e o roteiro fosse viciado pelas reviravoltas.
Mas, Garotas Selvagens, é o típico filme ruim que diverte. Feito para agradar por ser uma espécie mal feita e tosca, um Instinto Selvagem de quinta categoria.
Além dessa produção, o filme rendeu duas continuações mas me recuso a assistí-las.





Replicante (Replicant)

Dir. Ringo Lam



Mais um filme que decepciona após a segunda exibição. Replicante, que teve sua estréia mundial nos cinemas brasileiros, fez muito alarde na época como a volta de Van Damme aos bons filmes, mas, infelizmente, a história não é bem assim.
Novamente Van Damme interpreta dois papeis, um cruel assassino chamado Garrote que aterroriza a cidade de Seattle e ganha uma réplica que, de acordo com os organizadores do projeto secreto, seria capaz de atrair o assassino. Mas eles não contavam que a réplica, chamada de número Um, possui, ainda, uma mente infantil e precisa passar por um aprendizado. Ou seja, de um lado temos um bandido feroz e de outro um personagem bobão.
O filme foi lançado na época de O Sexto Dia, filme do Governator Arnold Schwarzenegger, que também abusa da idéia de clonagem e também não consegue ser bem sucedido.
Mesmo que a divulgação, na época, tenha sido maciça, com o astro vindo ao Brasil, elogiando o filme ao extremo, a produção é um tanto quanto insossa e não consegue emplacar. Quem lembra-se desses anúncios e pensa que a produção é o que se diz, a volta de Van Damme, se engana.
O filme faz parte da caixa O Melhor de Van Damme, citada na análise do filme Hell e, após assistir os quatro filmes, o melhor dos piores é Hell, a terceira parceria de Ringo Lam com J.C.V.D.




Transformers - O Filme (Transformers)

Dir. Michael Bay



Michael Bay nunca foi um diretor muito significativo. Com poucos filmes na carreira, ao menos os três primeiros – Bad Boys, A Rocha e Armageddon – são bons filmes de ação produzidos na década de noventa, ainda que imperfeitos. Mas após sua tentativa séria de realizar uma produção dedicada ao ataque de Pearl Harbor, o pouco talento de Bay tornou-se insuportável.
Porém, após sete filmes na carreira, tem-se a impressão que está completamente a vontade na cadeira de diretor para realizar Transformers, uma produção que une suas principais características cinematográficas: ação e explosões.
Evidente que não podemos esperar nada complexo de uma trama que envolve dois grupos de robôs, vindos de outro planeta, para brigar por um cubo no planeta Terra. Portanto, a partir de um roteiro simples e de uma boa dupla principal no elenco, o ator Shia Lebeouf e a maravilhosa Megan Fox, a produção dá espaço para os efeitos especiais e para os robozões quebrarem o pau a vontade, destruírem um bocado do planeta sempre com muitas, muitas explosões.
O lado positivo de Bay é que, um tanto quanto averso aos efeitos especiais por computador, o diretor realiza o máximo de explosões e efeitos possíveis em cenas reais. Tirando os robôs inseridos digitalmente, todo o quebra quebra foi, de fato, filmado. E ainda hoje produções como essa funcionam melhor do que filmes em que os efeitos reinam em todas as cenas.
Engana-se quem pensa que a produção não passa pelo crivo da segunda exibição. Ao rever o filme, achei-o tão divertido quanto a primeira vez e ainda fiquei, novamente, impressionado com os efeitos especiais que criaram os Autobots e os Decepticons, extremamente perfeitos e integrados as cenas.
A continuação do filme estréia mês que vem, e parece que a qualidade será a mesma – ao que tudo indica pelo trailer, o roteiro, novamente, é bem linear. Bom também para Michael Bay que finalmente pode explodir o que quiser e ter robôs gigantes como desculpa para sua diversão.





Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off)

Dir. John Hughes


Há 23 anos atrás estreiava um dos melhores sopros eternos de juventude. É impossível não se entregar à simples, mas divertida história de Ferris Buller que, cansado de perder mais um belo dia na escola, resolve fingir para os pais que está doente e, ao lado do melhor amigo e da namorada, sair para passear.
Quem ainda não assistiu a esse clássico da comédia, com Matthew Broderick no papel principal, perde um dos grandes filmes icônicos do cinema, ainda divertido e engraçado após tanto tempo.
Com uma história tão linear e simples, chega a surpreender que a produção funcione do começo ao fim, gerando cenas e mais cenas clássicas. A segurança de Broderick no papel principal, o malandro Ferris, que sempre consegue dar um jeitinho em todas as situações, marcou-se eternamente como um personagem juvenil.
E juventude não falta nessa produção. Curtindo a Vida Adoidado é uma história eterna para todas as idades. Seja para aqueles grandões que curtiram sua juventude, como para os jovens de hoje. É uma das poucas produções que, mesmo quando chega ao fim, te deixa com aquela sensação bacana e um tanto inconseqüente de que, as vezes, o melhor é jogar tudo pro alto e fazer o que se quer.
Buller é a pílula para sabermos que nunca é tarde para aproveitarmos um dia ensolarado, é uma dica contra a monotonia e a chatisse. Capaz de reviver a juventude de qualquer um. Nas palavras do próprio: " A vida acontece bem depressa. Se, de vez em quando, não parar para aproveitar, vai acabar não vivendo."
Então, deixem um dia de trabalho para lá, saiam para ver o sol e cantar Twist and Shout.





Justiça Vermelha (Red Corner)

Dir. Jon Avnet


Assistindo a alguns filmes de Richard Gere, pude concluir que, mesmo que a produção não seja eficientemente boa, sua atuação sempre permanece em um patamar acima daquelas vistas normalmente.
Em Justiça Vermelha, thriller de tribunal do diretor Jon Avnet, Gere é um advogado bem sucedido que vai para China fechar um grande negócio. Ao passar uma noite por lá, sem conhecer quase nenhuma palavra da língua local, conhece uma linda chinesa e acaba levando-a para o hotel. No dia seguinte, a policia o acorda, aos solavancos e a moça foi, aparentemente, assassinada por ele. Sua personagem procura mostrar sua inocência em um país que, aparentemente, não poupa os culpados.
Deixando de lado eventuais reclamações sobre a visão americana perante a China, o roteiro da produção funciona, e permanece ao lado de Gere. Nenhuma das falas em chinês são traduzidas para o público, exceto aquelas que são traduzidas para sua personagem, facilmente apontando qual lado o telespectador deve estar.
Esse embate de comunicação ausente funciona, mostrando o quanto é difícil para um estrangeiro compreender um mundo que não é aquele conhecido habitualmente. A presença de sua advogada chinesa, papel de Bai Ling, lutando a favor dos diretos do estrangeiro, não importando sua nacionalidade, também equilibra a trama.
Mesmo que não seja um filme brilhante, como outro filme de tribunal também com Gere chamado As Duas Faces de Um Crime, essa produção talvez seja uma das mais coesas de Jon Avnet.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Semana em filmes (19 a 25 de Abril)

Vingança (Wake Of Death)

Dir. Philippe Martinez


Deve ser difícil ser um personagem do círculo familiar de Van Damme. Primeiro porque se você não está morto, você estará em alguns minutos de filme e segundo que, por conseqüência disso, seu salário como ator será um tanto quanto pequeno. Isso quando não sobra até mesmo para algum amigo intimo, ou seja, não é nada positivo ser conhecido de suas personagens.
Vingança faz parte da produção recente da carreira do ator, que um dia já foi ator das telonas mas que agora encontrou seu nicho nos filmes lançados diretos para dvd. Filmes normalmente de baixo orçamento e pouco expressividade.
De qualquer maneira, o personagem de Van Damme é, como em todos os seus filmes, O cara, independente da profissão exercida por seu papel. Para convencer o publico desacreditado no ator, temos até uma cena desnecessária em que o torso nu e musculoso do ator é visto em close. Uma maneira de dizer em imagens que, embora não tão perto do estrelato, o ator continua em forma, ao menos física, diga-se de passagem. Mesmo que em cena ele mal faça uso das artes marciais e mais apóie a ação física em armas.
A história é aquela que conhecemos: Ben Archer é um assassino de uma organização criminosa cansado de seu trabalho. Sua mulher, Cynthia, trabalha como assistência social na imigração e ao ver em um navio cheio de chineses uma pequena garota perdida, decide trazê-la para casa. Ao descobrir que a filha foi parar nos Estados Unidos, Sun Quan,um criminoso chinês, vai atrás da garota e acaba por matar a esposa de Archer. Agora ele tem um bom motivo para se vingar e ainda salvar a pobre garota das garras de um criminoso. Uma história estilo Van Damme.
Pena que as cenas de ação são mal feitas e mal dirigidas, sendo impossível compreender o que realmente acontece nas cenas devido aos closes e cortes rápidos. O que se torna inútil para um filme de ação em que a maior parte da produção está concentrada nos poucos chutes e muitos tiros dados pelo ator.
Também vale destacar que no final da produção um escrito “The End” aparece nas telas. Nos fazendo concluir que alguns diretores acreditam que a década de oitenta dura até hoje.





Presságio (Knowing)

Dir. Alex Proyas


Em um dos especiais do comediante Chris Rock para o canal HBO, há um momento engraçado em que o ator demonstra toda sua irritação com o rap atual, devido as músicas de baixo calão, repleta de palavrões. Rock afirma adorar rap, mas, devido a situação atual do ritmo, está cansado de defendê-lo.
Mantendo essa idéia, afirmo novamente que sou grande fã de Nicolas Cage. Leio com prazer as notícias de seus futuros filmes e sempre tento ver no cinema as produções que estrela. Porém, assim como o rap para o comediante, Nic Cage tem me deixado cansado. Está cada vez mais difícil e complicado defender o ator.
Há 3 anos que vem decepcionando em filmes ruins e em péssimas atuações. Em 2006, com direção de Oliver Stone, estrelou o duvidoso As Torres Gêmeas, desnecessário filme narrando os acontecimentos das quedas das torres. Seguiu no mesmo ano com a regravação de O Homem de Palha, resultando em uma bomba chamada Sacrifício. No ano seguinte fez um trio duvidoso: O horrível Motoqueiro Fantasma, O Vidente e a continuação de A Lenda do Tesouro Perdido, o primo pobre de histórias estilo Código Da Vinci. E ano passado, com o mesmo mullet de O Vidente, foi estrela de Perigo em Bangkok, mantendo uma cara inexpressiva que persiste até esse ano com Presságio.
No filme, um desenho feito há 50 anos prevê todas as grandes tragédias ocorridas na humanidade. Ao ser descoberto por um professor de astrofísica, ele percebe que o documento ainda prevê mais três catástrofes.
Além de uma trama que samba e não se decide entre um filme focado na destruição mundial ou em um suspense para normal, a interpretação de Cage ofende até mesmo atores nada talentosos. A prepotência de sua personagem é tanta que em dado momento tem-se a sensação que Cage pegará as tais três catástrofes que virão com as próprias mãos e resolverá tudo no braço, estilo Chuck Norris.
O filme salva-se pelas cenas de catástrofe, absurdamente bem feitas e inspiradas, deixando os acidentes bem construídos da trilogia Premonição com uma certa vergonha. Mas efeitos especiais de lado, Presságio é uma seleção de falas ruins e uma história que afunda até o final, com direito a epílogo sem graça e tudo mais.
Porém, o único conforto é saber que a alguns anos atrás, ainda podemos ver bons filmes na carreira de Nic. Levando-me a insistir: sou um grande fã de Nicolas Cage, mas estou cansado de defendê-lo.





X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine)

Dir. Gavin Hood



Há certo tempo a figura carismática de Wolverine se tornou tão forte que seus produtores e editores acreditam que, trocando em miúdos, qualquer porcaria com a cara do mutante estampada é sinal de grande lucro.
Sábios da parte deles, então, escolher o baixinho com esqueleto de adamantium para estrelar o primeiro longa metragem fora da saga mutante, que já em sua terceira parte mostrava um sinal de desgaste - talvez pela saída de Brian Singer da direção.
E, assim, foi também com X-Men Origens: Wolverine que estreei uma nova coluna chamada Preliminares, analisando filmes que ainda não estavam em cartaz.
Com pesar, afirmo que meus argumentos antes de assistir o filme se sustentam após o mesmo. Não é o carisma do excelente ator Hugh Jackman que poderia segurar a trama de uma produção pipoca em que quase nada acontece.
Previsto pelo título, a ação se passa antes dos eventos da trilogia mutante, procurando uma origem definitiva para a personagem. Porém, até mesmo nos gibis sua origem é bem contraditória, repleta de lacunas e, quando decidiu-se contar uma origem definitiva para Logan, o resultado foi uma grande polêmica e um gibi interessante mas facilmente esquecido. Portanto, a trama dessa produção bebe um pouco na fonte de diversas origens com a intenção de criar a sua. Mas é perceptível a visão fragmentada do filme.
Até mesmo Wolverine, conhecido como um baixinho ranzinza, bravo e briguento está calmo, lutando muito pouco, resultando em um filme com poucas cenas de ação – Não defendo um filme somente com ação, mas algumas boas cenas podem existir. Acrescente nesse caldo efeitos especiais que são mais falhos que o primeiro filme dos mutantes e muitos, mais muitos personagens secundários (não vou nem mencionar aquele Gambit), que o resultado é uma desgraça. Sem contar que a produção vazou um mês antes de sua estréia em uma cópia quase pronta que, apontada por um jornalista, não era tão diferente assim da dos cinemas (o que mudava mesmo era a finalização dos efeitos).
Mesmo que neguemos, X-Men Origens: Wolverine foi um dos filmes que deu inicio a temporada 2009 do cinema americano,com filmes pipoca esperados a cada semana. E, infelizmente, o começo da temporada foi marcado por uma decepção.
Posso dizer que faltou garra ao filme? Ou seria infâmia demais?




Agente Biológico (Derailed)

Dir. Bob Misiorowski


Já me declarei, mais de uma vez, ser fã de Jean-Claude Van Damme. Mesmo que seus filmes sejam quase a mesma coisa, acho honesto da parte do “Músculos de Bruxelas” – apelido que que ganhou após vencer um torneio de Karatê – reconhecer suas limitações e tentar realizar bons filmes para o seu público.
Porém, é evidente que o ator anda devendo e muito para quem o acompanha. Assim como Vingança, Agente Biológico faz parte das produções recentes do ator e talvez seja um dos piores momentos de sua carreira.
Sem nenhuma inovação, Van Damme interpreta a mesma personagem que estamos acostumados: um agente especializado em contra-terrorismo que, mesmo em férias, é convocado para escoltar uma mulher ameaçada de morte e que tem consigo um item desejado por terroristas. Ao entrar no trem que levará ambos ao destino desejado, o trem é atacado por esses terroristas e, então, imaginem, cabe ao nosso herói resolver tudo com suas artimanhas.
A trama mantida apenas no trem foi produzida para evitar gastos e os efeitos especiais precários comprovam o orçamento baixo da produção. Ao menos é possível compreendermos o que acontece nas cenas de ação. O ator também usa menos a arma e um pouco mais de suas habilidades. Até mesmo seu filho na trama participa da ação com um golpe ensinado pelo pai. Porque a família Van Damme sempre está unida, até mesmo em um trem tomado por terroristas. De qualquer maneira, o filme é bem insosso e cansa rapidamente.




Hairspray - Em Busca da Fama (Hairspray)

Dir. Adam Shankman


Os fãs de musicais devem ser eternamente gratos ao diretor Baz Luhrmann que, após anos de inexistência do gênero, trouxe-o a tona com o espetacular Moulin Rouge – O Amor Em Vermelho. Sem ele, não veríamos uma revitalização desse gênero peculiar e perderíamos algumas grandes pérolas e bons filmes produzidos após seu lançamento.
Regravação do filme Hairspray - Eramos Todos Jovens e adaptação da peça da Broodway, Hairspray – Em Busca da Fama possui bons momentos musicais e um John Travolta travestido de mulher, gordo, dançando e cantando.
A época é 1962 e todo adolescente sonha em aparecer no programa de dança mais famoso da Tv. Tracy Turnblad, uma jovem gordinha, não é a exceção e sua paixão pela dança a convence a realizar um teste para o programa. Ao passar e perceber que o programa não era tudo o que pensava, a garota usa sua influência para tentar transformar seu universo.
A trama evidencia o enfoque musical das cenas, deixando que a dança e as músicas sejam bem sentidas pelo público. O lado positivo da versão brasileira é que a legenda não optou por fazer adaptações, e sim legendar aquilo que se fala em inglês. Particularmente musicais que tentam fazer rimas na tradução saem pior que a encomenda.
Mas além da música, evidentemente que o grande destaque, até mesmo na capa, vai para John Travolta, irreconhecível e carismático no papel da mãe de Tracy. Uma velhota quadrada que há anos não sai de casa e que no filme irá se libertar, cantar e dançar – E Travolta prova que, mesmo com muita maquiagem e um figurino de 13 quilos, ainda consegue ter suingue. Quem destaco como uma surpresa é o High School Zac Efron, como o garoto bonitinho do programa e paixão de Tracy. Efron consegue fazer um papel de galã que não se lembra nada com a personagem boba do também musical da Disney.





Hell (In Hell)

Dir. Ringo Lam

Não tenham dúvida, confirmo. É o terceiro filme de J.C.V.D. visto na semana. A culpa disso é uma caixa recém adquirida com quatro filmes do ator, lançada pela Califórnia filmes. Na capa lê-se “O Melhor de Van Damme”, mas sabemos que o conteúdo é extremamente duvidoso, já que se trata dos filmes recentes de sua carreira.
Porém, Hell, dentro as quatro produções é o filme mais sólido. Dirigido por Ringo Lam, que também dirige V.D. no sucesso Replicante, a trama gira em torno de uma prisão e, além de boas cenas de ação, em que é possível compreender o que se passa, o clima tenso de prisão consegue ser bem reproduzido.
Aos que se interessam pela trama, Kyle Lord (Van Damme) é enviado a uma penitenciaria de segurança máxima no México depois de matar o assassino de sua mulher (isso não corrobora meu comentário no filme Vingança?). Na prisão, lutas diárias entre os prisioneiros são realizados por sadismo do diretor, mas, podem imaginar, Kyle Lord não irá se rebaixar ao sistema.
Mesmo com a trama óbvia, um autêntico Van Damme, o filme surpreende, sendo o que mais flui dentre os assistidos. O único que não consegui ver essa semana foi Replicante, também de Ringo Lam, mas sua resenha está presente na semana que vem.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Preliminar: Anjos e Demônios


Antes que entremos na preliminar dos aspectos cinematográficos, fica registrado meu protesto sobre a dificuldade de encontrarmos boas imagens nos sites oficiais das produções. Somente alguns dias antes de lançar essa coluna que a Sony Pictures, finalmente, tinha divulgado na internet o cartaz brasileiro do filme, algo que estava espalhado nos cinemas do país há um certo tempo.

Não consigo compreender que tipo de lógica é essa que, em vez de fornecer amplamente fotos e pôsteres em alta resolução para divulgação, é necessário, muitas vezes, você ser um membro da impressa para ter acessos aos tais pôsteres, ou escrever aos próprios e pedir. Se o acesso fosse mais irrestrito, isso não ajudaria a divulgação do filme? Já que um dos meus lemas no blog é sempre procurar os cartazes nacionais para estampar qualquer matéria cinematográfica, muitas vezes tenho que recorrer aos grandes sites de cinema, que por ter contato com as empresas recebem os arquivos digitais, do que procurar nos sites oficiais, que as vezes só possuem algumas fotos e – quase nunca – os cartazes brasileiros.

Na próxima sexta feira, a inevitável continuação de O Código da Vinci, estréia nos cinemas brasileiros. O trio principal continua presente: A direção – muita vezes comum – de Ron Howard, Tom Hanks – agora sem o mullet, graças a Deus – no papel do simbologista Robert Langdon baseiam sua história na obra de Dan Brown, o homem por trás das idéias entre segredos históricos escondidos.

Embora lançado após O Código Da Vinci e ser considerado na linha narrativa dos filmes uma história posterior, o livro Anjos e Demônios é o primeiro da saga a utilizar Landgon como personagem principal.

Nota-se que Dan Brown utilizou sua primeira narrativa com o simbologista sem medo de experimentar e testar tudo o que utilizaria mais, e melhor, em sua aventura seguinte. Portanto, o resultado final da leitura de Anjos e Demônios é inferior a O Código da Vinci. A Trama do primeiro é um pouco mais rasteira, com um desfecho exagerado, e parece mesmo com um abre alas para uma história mais coesa e maior.

Enquanto isso, nos cinemas, era evidente que a primeira adaptação viria do O Código da Vinci, best-seller absoluto. Mesmo sendo um bom livro, os cortes e condensamentos em diversas partes da história não resultaram em um bom filme.

Assim, os produtores dessa nova empreitada tem uma missão difícil pela frente. Aprender com os erros do primeiro filme e realizar um segundo de uma maneira melhor, mesmo que esse tenha um roteiro original – seu livro – mais inconsistente que o primeiro.

Dos poucos comentários que acompanhei na mídia americana especializada, vi reclamações sobre o papel de Ewan McGregor, considerado um dos mais inexpressivos de sua carreira, e alguns elogios de que essa produção é um pouco melhor que a outra.

Minhas espectativas está em sintonia com os comentários americanos. Imagino que a história irá fluir melhor que no primeiro filme, mas, infelizmente por sua história ser aquém da anterior, a produção, mesmo assim, sofrerá alguns problemas.

Porém, o escritor Dan Brown está para lançar mais um livro envolvendo o simbologista Robert Langdon, quem sabe se a terceira parte não seria, enfim, o bom argumento para um derradeiro bom filme? Esperemos também.


Anjos e Demônios estréia dia 15 de Maio e O Que Dr. House Diria? - e também o amigo Vinício dos Santos, do blog O Jardim Dos Gatos Teimosos - estarão lá para conferir.


Preliminar, toda segunda quarta feira do mês. Em junho, dia 10, com o filme Transformers: A Vingança dos Derrotados, a continuação do excelente filme de Michael Bay, e que parece que vai ser um dos melhores blockbuster do ano.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Dexter, Terceira Temporada

ATENÇÃO: PARA MELHOR ANÁLISE DA TEMPORADA, ALGUMAS PARTES DO ENREDO SERÃO CONTADAS DURANTE O TEXTO (OS CONHECIDOS SPOILERS). PORTANTO PARA SUA SEGURANÇA, SE NÃO QUISER SABER NADA A RESPEITO, PARE DE LER O TEXTO AGORA. MAS RETORNE APÓS TER ASSISTIDO A TEMPORADA, POR FAVOR.

Os lugares escuros que guardamos dentro de nós.


Se as séries televisivas americanas estão muito mais coesas e melhores do que seus filmes, Dexter, produzido pelo canal pago Showtime, é um dos exemplo dessa primazia, merecendo aplausos de pé.
Estabelencendo-se em um novo território, com roteiros inéditos, sem os livros do autor Jeff Lindsay, que, se não me engano, escreveu apenas uma trilogia sobre o assassino, engana-se quem pensa que a série perdeu sua qualidade por isso. O extenso leque de novidades aberto na terceira temporada é verossímil e coeso, acompanhando a evolução das duas temporadas anterior e acrescentando novas preocupações na vida do sedutor Dexter Morgan.
Sua evolução interna como personagem é também notável. Se no início da série, o brilhante assassino sentia-se perdido, ainda atormentado pelo seu passado, com medo de assumir seu vício de matador, hoje Dex possuí laços mais fortes. Não só viveu experiências que o fizeram se conhecer melhor – a morte do próprio irmão, a aproximação com Rita e depois seu afastamento tendo um caso e a afirmação de que tem um vício, matar – como foi capaz de compreender questões que não foram ensinadas por seu mentor e pai, Harry Morgan.
Dexter assemelha-se com uma criança, pelo aspecto de descobrir como funciona o mundo a sua volta. Primeiro portando-se como um ser recluso e percebendo, aos poucos, que mesmo preso a sua condição de matador, obrigado a fingir sua gentileza, encontra um pouco de humanidade, sendo capaz de não ser tão frio.
E o que é o acaso para um homem que controla tão bem tudo aquilo que faz? Por isso que o anuncio de um bebê prestes a chegar, logo no inicio dessa temporada, novamente, revira tudo aquilo em que Dexter acredita. Seria ele capaz de amar alguém que ele mesmo criou? Teria esse bebê a mesma sede incontrolável pela morte?
Não bastando os laços amorosos que se apertam em uma provável família, a inclusão da família Prado, em destaque do promotor Miguel, na cidade de Miami é mais um acerto dos roteiristas.
A cena em que Miguel encontra Dexter na casa do assassino de seu irmão é arrepiante. Dexter tem sua máscara jogada ao chão e, pela primeira vez, decide ter um amigo que acaba por confessar seu desejo em também matar aqueles que merecem.
Chegando em seu ápice no oitavo episódio da temporada, A Damage a Man Can Do, onde Miguel, já tendo conquistado a confiança do assassino, é convidado para matar, ao seu lado, um daqueles que merecem a morte. Os olhos espantados e encantados de Michael C. Hall nesta cena são espetaculares, de um apuro fabuloso.
Ainda que apenas concentrei-me na figura principal da trama, Dexter Morgan. Pois o universo particular da série nunca foi tão rico em boas histórias. Uma prova de que quando se programa com cuidado os passos de uma série, ela pode evoluir sem problemas – ao contrário de Heroes que ficou pior que carro alegórico quebrado em plena passarela.
A quarta temporada que estréia em setembro promete. Será Dexter capaz de ser pai e matador? Aquele capaz de gerar mas também tirar vidas?
Por fim, cabe dizer que considero a abertura da série uma das melhores atualmente, e assisto-a em todos os episódios, sem corrê-la. Acho incrível como em um minuto de apresentação podemos compreender toda a dubiedade existente na vida da personagem principal, com imagens minimalistas apontando que nem tudo é o que parece. E o desfecho da abertura, o olhar de Michael C. Hall direto para a câmera como alguém que compartilha um segredo, nos deixa vidrados, como um cúmplice desse serial killer único e cultuado.